PASTOR DA ICM PECA E A CULPA É SUA? DEUS ESTÁ TESTANDO SUA HUMILDADE? | EBD ICM 25/10/2026
Por Sólon Pereira – Projeto Análise | Celeiros
Análise crítica da EBD da Igreja Cristã Maranata de 25 de outubro de 2026, sobre perdão, misericórdia e a parábola do credor incompassivo.
Vídeo de referência: EBD ICM — 25/10/2026 (a partir de 10:28).
Análise crítica da EBD ICM — 25 de outubro de 2026
Tema: O perdão, a misericórdia e a parábola do credor incompassivo — Mateus 18:21-35
A EBD deste domingo apresenta uma contradição que merece ser examinada com bastante cuidado: a distância entre o perdão que a liderança da Igreja Cristã Maranata exige dos seus membros e o perdão que essa mesma liderança demonstra quando se considera ofendida.
A contradição é particularmente significativa porque Alexandre Gueiros não se limitou a recomendar o perdão. Ele afirmou que perdoar é uma obrigação espiritual, que a falta de perdão compromete a comunhão da igreja e que a recusa em perdoar está relacionada à própria salvação.
Ao mesmo tempo, segundo as informações processuais reunidas no material de apoio, a liderança da ICM mantém demandas judiciais contra ex-membros, inclusive com pedido de aumento de indenização contra uma mulher idosa e aposentada.
Essa comparação exige uma ressalva importante: recorrer à Justiça não equivale automaticamente a agir sem perdão. É possível perdoar alguém e, ainda assim, buscar reparação legítima. Mas, quando o próprio líder ensina que devemos renunciar ao ressentimento, demonstrar misericórdia e até procurar quem nos ofendeu para pedir perdão, é inteiramente legítimo perguntar por que esses mesmos princípios não parecem orientar sua atuação institucional.
Minha avaliação é que a EBD contém ensinamentos cristãos importantes, mas também apresenta problemas de interpretação bíblica, coerência lógica, ética pastoral e distribuição de responsabilidades entre líderes e membros.
O aspecto mais preocupante não é simplesmente a eventual incoerência pessoal de Alexandre Gueiros. É a possibilidade de que uma doutrina bíblica destinada a promover reconciliação seja ensinada de maneira que estimule os membros a suportar injustiças, inclusive aquelas praticadas por autoridades religiosas, sem exigir dessas autoridades a mesma disposição para reconhecer erros e reparar danos.
1. O que a parábola realmente ensina?
A passagem central da EBD é Mateus 18:21-35, a parábola do servo impiedoso, também conhecida como parábola do credor incompassivo.
A narrativa apresenta um rei que perdoa uma dívida gigantesca de seu servo. Entretanto, depois de receber misericórdia, esse mesmo servo encontra um companheiro que lhe deve uma quantia muito menor e se recusa a perdoá-lo, mandando prendê-lo.
Ao descobrir o ocorrido, o rei condena a falta de misericórdia daquele que havia sido beneficiado por sua própria generosidade.
O ensinamento é bastante claro: quem recebe a misericórdia de Deus deve demonstrar misericórdia aos outros.
Há, porém, três elementos fundamentais que precisam ser preservados na interpretação.
Primeiro: a parábola condena a falta de compaixão daquele que dispõe de poder sobre seu devedor.
Segundo: o servo condenado não é aquele que deixou de pedir perdão, mas aquele que, tendo sido perdoado, recusou-se a oferecer misericórdia.
Terceiro: a parábola não ensina que pessoas injustiçadas devem permanecer indefinidamente em situações abusivas. Seu foco é a obrigação moral de quem recebeu misericórdia e agora precisa demonstrá-la.
Isso é particularmente relevante para os exemplos utilizados por Alexandre Gueiros.
Em vários momentos, ele desloca a atenção da pessoa que praticou a ofensa para a pessoa que sofreu a injustiça. E, em alguns exemplos, é justamente a vítima que precisa tomar a iniciativa de pedir perdão.
A reconciliação pode, naturalmente, começar pela iniciativa generosa de quem foi ofendido. Mas transformar essa possibilidade em um padrão de submissão pode inverter o sentido da responsabilidade moral.
A parábola responsabiliza o credor que não demonstra misericórdia. Não responsabiliza o devedor por não conseguir convencer o credor a perdoá-lo.
Essa distinção será fundamental ao examinarmos os processos judiciais e os exemplos apresentados na EBD.
2. Gilson Sousa: problemas lógicos e teológicos
A participação de Gilson Sousa, iniciada em 00:16:19, estabelece as bases doutrinárias que Alexandre Gueiros desenvolverá posteriormente.
Gilson acerta ao relacionar o perdão recebido de Deus à disposição cristã de perdoar o próximo. Entretanto, algumas formulações são imprecisas e outras, quando tomadas literalmente, produzem dificuldades teológicas.
2.1. O perdão de Deus depende do perdão que concedemos?
00:16:19
Gilson afirma:
"O Senhor Jesus nos ensina a pedir o perdão pelos nossos pecados com base no perdão que nós concedemos a aqueles que nos ofendem."
A afirmação parte de Mateus 6:12, mas merece uma distinção.
No Novo Testamento, o fundamento da reconciliação com Deus é a graça divina manifestada em Cristo. A disposição de perdoar o próximo é apresentada como consequência indispensável dessa graça e evidência de sua atuação na vida do cristão.
Mateus 6:14-15 efetivamente estabelece uma relação séria entre perdoar e ser perdoado. Não seria correto esvaziar essa advertência.
Nos apontamentos, o autor observa que Gilson cita Mateus 6:12 ao introduzir a oração dominical, mas não lê os versículos 14–15, nos quais Jesus retoma expressamente a relação entre perdoar e ser perdoado e adverte sobre a recusa em perdoar. A observação é pertinente: os versículos seguintes ajudam a compreender a seriedade do tema. Sua ausência na leitura não prova intenção de ocultá-los nem invalida, por si só, a interpretação de Gilson; apenas deixa de fora a explicação imediata de Jesus, que poderia ter sido examinada com mais precisão.
Entretanto, há diferença entre afirmar que a recusa obstinada em perdoar é incompatível com a vida cristã e afirmar que o ser humano conquista o perdão divino porque primeiro conseguiu perdoar outra pessoa.
A primeira interpretação preserva a centralidade da graça. A segunda pode transformar o perdão em uma espécie de pagamento moral.
Curiosamente, o próprio Gilson, poucos minutos depois, insiste que a dívida do pecado é impagável e que nossas boas obras não podem conquistar a salvação.
A exposição, portanto, precisaria explicar melhor como essas duas ideias se relacionam.
2.2. Se a dívida é impagável, por que dizer que só nos resta a morte?
00:19:31–00:20:27
Gilson afirma que a dívida do pecado é impossível de pagar e conclui que somente Cristo pode resolvê-la.
O raciocínio corresponde a uma formulação tradicional da teologia cristã da expiação.
Entretanto, a expressão "só nos resta, portanto, a morte" é excessivamente categórica quando isolada de sua conclusão posterior.
Na própria parábola, o rei não exige que outra pessoa pague a dívida para que ele possa perdoá-la. Ele simplesmente age movido de compaixão e cancela a dívida.
Isso não invalida a doutrina cristã da morte redentora de Jesus. Mas demonstra que a parábola, considerada isoladamente, não foi construída para explicar todos os mecanismos da expiação.
Seu propósito principal é demonstrar a desproporção entre a misericórdia recebida e a misericórdia recusada.
Quando a interpretação desloca excessivamente o foco para a mecânica do pagamento da dívida, corre o risco de reduzir a importância do comportamento do credor impiedoso, justamente o centro da advertência de Jesus.
2.3. Jesus pagou a dívida ou o rei a perdoou?
00:20:27–00:23:21
Gilson afirma:
"MAS O SENHOR JESUS RESOLVEU PAGAR A NOSSA DÍVIDA."
Aqui existe uma diferença entre os elementos da parábola e a interpretação teológica que ele acrescenta.
Na narrativa, o rei perdoa a dívida sem receber pagamento.
Na explicação de Gilson, a dívida é paga por Jesus.
As duas ideias podem ser conciliadas dentro de determinadas compreensões da expiação, mas não são equivalentes no plano narrativo.
O problema não é utilizar outras passagens bíblicas para explicar a obra de Cristo. O problema seria apresentar o pagamento substitutivo como se fosse um acontecimento descrito na própria parábola.
É importante separar o que Jesus contou da elaboração doutrinária construída a partir de outros textos.
2.4. A expressão tetelestai significa necessariamente "está pago"?
00:22:09
Gilson associa a expressão pronunciada por Jesus na cruz à ideia de uma dívida integralmente liquidada.
O verbo grego teleō, do qual deriva tetelestai, possui sentidos como completar, cumprir e levar algo à conclusão.
Em João 19:30, a tradução usual é "Está consumado".
A associação com a quitação de uma obrigação é possível em determinados contextos históricos, mas não significa que o verbo tenha exclusivamente esse sentido ou que a frase de Jesus deva ser traduzida obrigatoriamente como "Está pago".
Trata-se de uma interpretação teológica possível, não de uma equivalência lexical necessária.
2.5. A nova criatura nasce sem pecado e sem dívida alguma?
00:24:24
Gilson afirma:
"Ele nasce de novo sem pecado e sem dívida alguma."
A expressão exige cuidado.
Se ele pretende dizer que o cristão é justificado, reconciliado com Deus e liberto da condenação do pecado, sua afirmação pode ser compreendida dentro da teologia paulina.
Mas, se a frase for entendida como ausência de pecado na vida do convertido, entra em conflito com 1 João 1:8:
"Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos."
O Novo Testamento distingue a justificação da pessoa diante de Deus do processo contínuo de santificação.
Um cristão pode ser considerado justo em Cristo sem que isso signifique que nunca mais cometa pecado.
Essa distinção torna-se ainda mais importante porque a EBD exige dos membros um padrão bastante rigoroso de perdão.
2.6. A compaixão de Jesus foi demonstrada da maneira descrita?
00:25:42
Gilson utiliza vários episódios para ilustrar a compaixão de Jesus.
Alguns são biblicamente adequados, como a ressurreição do filho da viúva de Naim, em Lucas 7:13, e a cura dos cegos em Mateus 20:34.
Entretanto, ele também afirma que Jesus se moveu de íntima compaixão ao encontrar o paralítico de Betesda.
João 5 relata a cura daquele homem, mas não utiliza expressamente essa formulação.
A diferença não é apenas vocabular. O expositor está apresentando uma expressão bíblica como se ela aparecesse repetidamente em todos os episódios mencionados.
O sentimento de compaixão pode ser inferido, mas não deve ser confundido com uma declaração textual.
2.7. A orientação para quem deve e para quem tem a receber
00:29:05
Gilson declara:
"Se você deve alguma coisa a alguém, e mais ainda, SE ALGUÉM TE DEVE ALGUMA COISA, PEÇA PERDÃO AO SENHOR."
A frase é ambígua.
Quem deve alguma coisa a alguém pode precisar pedir perdão, reconhecer a obrigação e reparar o dano.
Quem tem algo a receber pode precisar abandonar o ressentimento, demonstrar misericórdia ou renunciar voluntariamente à cobrança.
Mas essas situações não são moralmente idênticas.
O devedor precisa assumir sua responsabilidade. O credor precisa avaliar sua disposição para a misericórdia.
E, quando a dívida envolve um prejuízo concreto, perdoar não significa necessariamente extinguir toda obrigação de reparação.
O mais curioso é que essa mesma distinção se torna decisiva quando passamos das relações pessoais para os processos judiciais movidos pela ICM.
Se o ensinamento de Gilson vale para todos, inclusive para quem tem algo a receber, por que não discutir também a possibilidade de a própria instituição renunciar a determinadas cobranças ou indenizações?
Essa pergunta não é respondida na EBD.
3. Alexandre Gueiros e a contradição entre a misericórdia ensinada e a atuação judicial da ICM
00:34:21–00:45:00
Este é o núcleo mais importante da análise.
Alexandre começa lendo a segunda parte da parábola, justamente aquela que condena o credor que, tendo recebido misericórdia, exige implacavelmente o pagamento de uma dívida menor.
A escolha do texto ganha especial significado quando confrontada com os processos judiciais mencionados nesta análise.
3.1. O caso da irmã Noemi: por que aumentar a indenização?
Segundo as informações que fundamentam esta análise, a ICM obteve uma condenação de R$ 3 mil contra Noemi, ex-membro idosa e aposentada. Em vez de encerrar a disputa, o advogado da instituição, com autorização de Alexandre Gueiros, teria recorrido para buscar uma condenação de R$ 20 mil.
Comparação dos valores relatados
Condenação inicial
R$ 3.000
Valor pretendido
R$ 20.000
Aumento pretendido
+566,7%
O valor pretendido é aproximadamente 6,67 vezes a condenação inicial.
É preciso confirmar nos autos a extensão do recurso, a autoria da autorização e o fundamento jurídico da majoração. A degravação da EBD, evidentemente, não contém essas informações processuais.
Mas, considerando os fatos como relatados, há uma pergunta ética inevitável.
Se uma instituição já obteve reconhecimento judicial de seu direito à indenização, por que insistir em uma quantia significativamente superior contra uma pessoa que, segundo as informações reunidas no material de apoio, não possui condições financeiras de pagá-la?
Pode existir uma justificativa jurídica para considerar insuficiente a primeira condenação. Entretanto, a discussão cristã sobre misericórdia não se esgota na existência de um direito legalmente reconhecido.
Uma pessoa pode ter o direito de cobrar e, ainda assim, decidir não cobrar.
É precisamente essa possibilidade que aparece na parábola.
O rei tinha uma dívida a receber. Não estava obrigado, pelas regras da relação entre credor e devedor, a simplesmente esquecê-la. Mesmo assim, escolheu a compaixão.
Alexandre afirma, em 00:37:09:
"Não está dito que ele não podia perdoar, mas está dito que ele não queria perdoar."
A frase é especialmente relevante.
No caso de Noemi, a pergunta não seria se a ICM poderia recorrer, mas se estaria disposta a renunciar à majoração da condenação, ou mesmo a buscar uma solução misericordiosa, à luz do ensinamento que apresentou aos seus membros.
A existência de um recurso não demonstra, isoladamente, ausência de perdão interior. Mas o contraste entre a exigência de misericórdia e a opção por ampliar uma cobrança merece uma explicação pública.
3.2. O caso do pastor Antônio Jorge: a diferença entre uma crítica e a imputação de um crime
O material de apoio informa que Antônio Jorge foi condenado a pagar R$ 14 mil à ICM após utilizar a expressão "trabalho escravo", em referência ao trabalho voluntário prestado à instituição.
Segundo sua explicação, ele não pretendia acusar a igreja da prática literal do crime de redução à condição análoga à de escravo. Pretendia criticar uma realidade de trabalho voluntário acompanhada de constrangimento social e pressão comunitária.
Essa distinção é importante.
No direito, a expressão "trabalho escravo" pode adquirir consequências jurídicas distintas conforme o contexto em que é utilizada. Uma coisa é imputar a alguém a prática de um crime específico. Outra é utilizar uma expressão figurada, hiperbólica ou crítica para denunciar uma relação considerada exploratória.
O fato de o juiz ter acolhido uma determinada interpretação não elimina automaticamente a possibilidade de discussão sobre o contexto, a intenção comunicativa e os limites da liberdade de expressão.
Também não permite concluir, sem exame da decisão, que o magistrado tenha necessariamente ignorado esses elementos.
Entretanto, a questão ética que a EBD suscita permanece.
Se a ICM considera que Antônio Jorge a ofendeu, que resposta seria mais compatível com o ensino de Alexandre Gueiros?
Exigir a indenização integral? Buscar uma retratação? Propor uma reconciliação? Renunciar à cobrança? Ou reconhecer que críticas, ainda que duras, podem fazer parte do debate legítimo sobre práticas religiosas?
Não existe uma resposta jurídica automática. Mas a liderança deveria ser capaz de explicar por que a misericórdia apresentada como obrigação dos membros não se traduz, ao menos de forma visível, em iniciativas semelhantes nos conflitos da própria instituição.
3.3. A frase que mais se aproxima dos processos
00:42:18
Alexandre declara:
"Esse homem merece ser condenado porque ele pecou contra mim, ele me feriu, ele me ofendeu, ele falou mal de mim, não é?"
A frase merece especial destaque.
Alexandre está criticando a atitude de alguém que considera ter sido ofendido e, por isso, deseja a condenação de outra pessoa.
Naturalmente, no contexto bíblico, ele se refere à atitude cruel do credor da parábola. Não está afirmando que toda condenação judicial seja ilegítima.
Mas é impossível ignorar a semelhança entre a situação descrita e as demandas judiciais por ofensas à reputação da ICM.
Em ambos os casos existe alguém que se considera prejudicado por outra pessoa e pretende obter uma consequência contra ela.
A diferença é que a parábola apresenta um credor que poderia demonstrar misericórdia, mas escolhe o rigor.
Por isso, a pergunta mais incisiva não seria simplesmente acusar Alexandre de ser igual ao credor incompassivo. Seria perguntar:
Quando Alexandre Gueiros ensina que devemos perdoar aqueles que nos ofendem, ele inclui as pessoas que criticam publicamente a Igreja Cristã Maranata?
Se a resposta for positiva, como essa disposição se manifesta nos processos contra ex-membros?
Se a resposta for negativa, qual fundamento bíblico autoriza tratar essas pessoas de maneira diferente?
3.4. A misericórdia deve alcançar também quem deixou a igreja?
Existe aqui outra questão que conecta esta EBD às anteriores.
A obrigação de perdoar é repetidamente apresentada em relação aos "irmãos".
Mas o Novo Testamento não limita a misericórdia aos integrantes da própria comunidade religiosa.
Jesus ordena amar os inimigos e orar pelos perseguidores em Mateus 5:44.
Em Lucas 6:32-36, ensina que amar apenas aqueles que nos amam não distingue seus discípulos dos demais.
Assim, mesmo que a liderança da ICM não reconheça determinados ex-membros como integrantes de sua comunidade espiritual, isso não extingue a obrigação cristã de tratá-los com misericórdia.
O mandamento de amar não deixa de existir quando alguém abandona uma denominação.
4. A desproporção entre as dívidas e a minimização do sofrimento alheio
00:39:46–00:42:18
Alexandre compara a dívida gigantesca do primeiro servo com a dívida menor do segundo e utiliza expressões como:
"As ofensas pequeninas, mínimas, irrisórias, ofensas que recebemos dos nossos irmãos."
Aqui encontramos um problema de interpretação e de sensibilidade pastoral.
A parábola efetivamente utiliza uma enorme desproporção entre os valores. Entretanto, seu objetivo não é demonstrar que todo sofrimento humano é insignificante.
A dívida de cem denários representava aproximadamente cem dias de trabalho de um trabalhador comum. Não era uma quantia desprezível para quem precisava pagá-la.
Era pequena em comparação com dez mil talentos, mas não necessariamente pequena na vida concreta do devedor.
Da mesma forma, uma ofensa pode ser pequena diante da grandeza da misericórdia divina e, ainda assim, provocar consequências devastadoras na vida de quem a sofreu.
Uma pessoa pode perder o emprego, enfrentar humilhação pública, sofrer violência doméstica ou ter sua reputação destruída.
Dizer a essa pessoa que sua dor é "mínima" ou "irrisória" pode transmitir a mensagem de que seu sofrimento não merece consideração.
Há uma diferença fundamental entre ensinar:
"Deus nos oferece razões profundas para perdoar."
E ensinar:
"Aquilo que fizeram com você é insignificante."
A primeira mensagem promove a misericórdia.
A segunda pode produzir culpa e silenciamento.
A parábola não exige que a vítima negue a gravidade do mal que sofreu. Exige que o perdão recebido de Deus transforme sua maneira de lidar com os outros.
5. Os exemplos de Alexandre Gueiros: o maior risco pastoral da EBD
Os exemplos apresentados entre 00:46:12 e 00:52:52 são, em minha avaliação, a parte mais delicada da exposição.
É aqui que o ensinamento deixa de ser apenas uma interpretação bíblica e passa a apresentar modelos concretos de comportamento.
5.1. A mulher que queria se separar do marido
00:46:12
Alexandre relata a história de uma mulher cujo marido apresentava um comportamento que ele próprio descreve como praticamente imperdoável.
Afirma que ela tinha razões para se separar, mas buscou uma orientação divina, encontrou Mateus 18:33, decidiu perdoar o marido e permaneceu casada.
Segundo o relato, seis meses depois o marido se converteu e posteriormente tornou-se pastor da ICM.
O problema não é contar uma história de reconciliação conjugal. Reconciliações verdadeiras podem ser acontecimentos positivos.
O problema é utilizar uma história com informações insuficientes para estabelecer um modelo de conduta.
Alexandre não esclarece qual era o comportamento do marido. Não sabemos se havia violência física, psicológica, sexual, patrimonial, infidelidade, ameaças ou outra situação.
Por isso, não é possível afirmar que aquela mulher sofria violência doméstica. Mas também não é possível descartar essa hipótese.
A ausência dessa informação torna o exemplo arriscado.
Perdoar um agressor não significa estar obrigada a continuar convivendo com ele.
O perdão pode ocorrer mesmo quando a vítima precisa manter distância, buscar proteção ou encerrar o relacionamento.
Em situações de violência doméstica, a orientação de permanecer com o agressor na esperança de sua conversão pode colocar a vítima em risco.
A conversão posterior do marido, se ocorreu como relatado, não transforma automaticamente a decisão anterior em uma regra segura para outras mulheres.
Também existe um problema de causalidade: o fato de o marido ter se convertido depois da decisão de permanecer no casamento não demonstra que a permanência fosse necessária para sua conversão.
Uma abordagem pastoral responsável precisaria acrescentar que nenhuma pessoa deve ser pressionada a permanecer em situação de violência ou perigo.
Esse esclarecimento não aparece no relato.
5.2. As professoras afastadas das funções
00:47:31
Alexandre conta que duas professoras de crianças não se falavam. O pastor responsável determinou que ambas fossem afastadas das aulas até resolverem o conflito.
A decisão pode ser defensável em determinadas circunstâncias. Pessoas responsáveis pelo ensino religioso de crianças precisam demonstrar comportamento compatível com aquilo que ensinam.
Entretanto, há uma questão de proporcionalidade e de igualdade de tratamento.
Se duas professoras podem ser afastadas de suas funções por não conseguirem se reconciliar, qual seria o procedimento adequado quando a falta de reconciliação envolve a própria liderança?
Quem orienta Alexandre Gueiros a procurar os ex-membros com quem mantém conflitos judiciais?
Quem pergunta à liderança da ICM qual Evangelho ela está demonstrando à comunidade quando insiste em determinadas cobranças contra antigos integrantes?
E, sobretudo, as exigências morais feitas às professoras também se aplicam aos dirigentes?
O exemplo somente demonstra coerência institucional se o princípio for universal.
Uma organização em que os subordinados precisam demonstrar humildade para continuar exercendo funções, enquanto os dirigentes não estão sujeitos a cobranças equivalentes, apresenta um problema de assimetria moral.
5.3. O diácono ofendido que precisou pedir perdão
00:48:44
Alexandre relata que um diácono sofreu uma afronta de outro e, depois de orar, teria recebido uma orientação divina para procurar o responsável e pedir perdão.
Segundo o relato, essa iniciativa produziu reconciliação.
Há algo positivo na história: uma pessoa ofendida pode, por generosidade, tomar a iniciativa de restaurar um relacionamento.
O problema aparece quando essa iniciativa passa a ser tratada como obrigação espiritual.
Precisamos distinguir três atitudes:
Perdoar: decidir não alimentar vingança ou ressentimento.
Pedir perdão: reconhecer uma falta própria e solicitar que o outro a perdoe.
Reconciliar-se: reconstruir uma relação, normalmente mediante reconhecimento, confiança e disposição das partes.
Essas atitudes estão relacionadas, mas não são idênticas.
Se o diácono realmente não praticou nenhuma ofensa, não havia necessariamente uma falta sua pela qual pedir perdão.
Ele poderia procurar o outro diácono, expressar sua disposição para a reconciliação e dizer que não desejava continuar em conflito.
Isso seria uma iniciativa generosa, sem precisar assumir uma culpa inexistente.
Quando a vítima é incentivada a pedir perdão simplesmente para resolver o problema, corre-se o risco de transferir a responsabilidade do ofensor para o ofendido.
5.4. O pastor desrespeitado que também pediu perdão
00:49:56
Neste exemplo, um pastor teria sido desrespeitado por um membro e decidiu procurá-lo para perguntar se havia feito algo que provocasse aquela reação.
A história é potencialmente mais equilibrada que a anterior.
O pastor não necessariamente assume uma culpa inexistente. Ele procura compreender se contribuiu para o conflito.
Essa atitude pode demonstrar humildade, especialmente porque parte de alguém que ocupa uma posição de autoridade.
Mas aqui surge uma contradição com os conflitos judiciais mencionados.
Se Alexandre apresenta como exemplo um pastor que procura pessoalmente alguém que o ofendeu, por que não considerar essa mesma iniciativa em relação aos ex-membros processados?
Por que não promover conversas, esclarecimentos, pedidos recíprocos de desculpas ou tentativas de composição?
Não sabemos, apenas com os documentos disponíveis nesta conversa, se houve iniciativas dessa natureza em cada processo.
Mas a EBD não apresenta qualquer reflexão sobre a aplicação desses princípios aos conflitos institucionais.
É justamente essa omissão que torna o discurso incompleto.
5.5. O membro injustiçado pelo pastor: a passagem mais preocupante
00:50:00–00:52:52
Este trecho merece atenção especial.
Alexandre reconhece expressamente que um pastor pode cometer um erro e prejudicar um membro.
Ele admite que a pessoa pode estar certa ao considerar injusta a decisão pastoral.
Mas, em seguida, pergunta por que Deus teria permitido o erro.
Sua resposta é:
"Em primeiro lugar PARA TESTAR SUA HUMILDADE."
Esse raciocínio apresenta um problema teológico e ético profundo.
Ele transforma uma falha do pastor em uma prova espiritual para o membro prejudicado.
Observe a sequência:
O pastor comete um erro.
O membro sofre uma injustiça.
A injustiça é apresentada como algo permitido por Deus para testar a humildade do membro.
O membro é incentivado a perdoar.
A bênção divina é associada à sua atitude de humildade.
E onde está a responsabilidade do pastor?
Alexandre não desenvolve, nesse exemplo, a obrigação de o líder reconhecer a injustiça, corrigir a decisão e reparar os prejuízos.
Isso cria uma assimetria particularmente perigosa.
O membro precisa demonstrar humildade diante do erro da autoridade. Mas a autoridade não é submetida, na mesma explicação, a um dever equivalente de prestação de contas.
Além disso, a afirmação de que Deus permitiu determinada injustiça para testar a humildade da vítima é uma interpretação espiritual que não pode ser verificada.
A Bíblia apresenta situações em que provações contribuem para o amadurecimento espiritual. Mas isso não autoriza concluir que cada decisão injusta de uma autoridade religiosa tenha sido permitida por Deus especificamente para testar a submissão de quem sofreu a injustiça.
Há também um ponto importante: Alexandre não diz literalmente que o membro está proibido de questionar ou contestar o pastor. A crítica deve ser dirigida ao efeito possível do ensinamento, e não a uma proibição que ele não pronunciou.
O risco é que o membro passe a considerar qualquer contestação de uma injustiça pastoral como sinal de orgulho, ressentimento ou falta de espiritualidade.
Esse risco é ainda maior quando o ensinamento vem acompanhado da promessa de uma bênção para quem se humilha.
A mensagem pode ser recebida assim: se o pastor errou com você, não exija correção; perdoe e espere que Deus o recompense.
Essa não é uma consequência obrigatória das palavras de Alexandre, mas é uma interpretação plausível e preocupante.
Biblicamente, líderes religiosos também devem ser corrigidos.
Em Gálatas 2:11-14, Paulo confronta Pedro publicamente por considerar sua conduta incompatível com a verdade do Evangelho.
Em 1 Timóteo 5:19-20, há orientações específicas sobre acusações e repreensão de presbíteros, com cautelas processuais, mas sem imunidade da liderança.
Portanto, humildade cristã não equivale à renúncia ao discernimento moral.
Perdoar um pastor que cometeu uma injustiça não significa declarar que a injustiça deixou de existir, nem que o pastor esteja dispensado de corrigi-la.
6. "Só não perdoamos se não quisermos": a simplificação do sofrimento humano
00:52:52
Alexandre declara:
"SÓ NÃO PERDOAMOS SE NÃO QUISERMOS."
Essa é uma das afirmações mais problemáticas da EBD.
O raciocínio é construído da seguinte maneira: o cristão recebeu o Espírito Santo; o Espírito Santo concede poder para perdoar; logo, se o cristão não consegue perdoar, a única explicação é que não deseja fazê-lo.
O problema é que essa conclusão não decorre necessariamente das premissas.
Mesmo admitindo, dentro da teologia cristã, que o Espírito Santo capacita os fiéis a perdoar, não se pode concluir que todas as pessoas consigam fazê-lo imediatamente, independentemente da gravidade da ofensa ou das consequências psicológicas que sofreram.
Pensemos em uma mulher que sofreu violência durante anos, em uma pessoa abusada na infância ou em alguém que teve sua vida profundamente prejudicada por uma injustiça.
Essas pessoas podem desejar sinceramente abandonar o ressentimento e, ainda assim, precisar de tempo, acompanhamento e reconstrução emocional.
Dizer que elas somente não perdoam porque não querem pode acrescentar culpa religiosa a um sofrimento que já existe.
É importante distinguir a disposição moral de perdoar da capacidade emocional de superar imediatamente as consequências de uma experiência traumática.
Também é necessário distinguir perdão de reconciliação.
Uma pessoa pode perdoar alguém e continuar reconhecendo que aquela relação não é segura.
A interpretação de Filipenses 4:13
Alexandre recorre à conhecida afirmação de Paulo:
"Tudo posso naquele que me fortalece."
O problema é utilizar essa passagem como se fosse uma garantia de capacidade imediata para qualquer ação desejável.
Em Filipenses 4:11-13, Paulo está falando sobre aprender a viver em diferentes circunstâncias, enfrentando abundância e necessidade.
O texto expressa confiança na força recebida de Cristo para perseverar nessas situações.
Pode ser aplicado, por extensão, ao enfrentamento de dificuldades espirituais, mas não constitui uma demonstração de que qualquer dificuldade psicológica ou emocional será superada imediatamente pela vontade individual.
O uso indiscriminado dessa passagem pode transformar uma declaração de confiança em Cristo em um instrumento de cobrança contra pessoas vulneráveis.
7. A obrigação de esquecer: perdoar não é perder a memória
00:55:05–00:57:09
Alexandre sustenta que não basta declarar o perdão; é necessário esquecer a ofensa e restabelecer a convivência.
Ele afirma que Deus esquece os pecados e mantém comunhão com os perdoados.
O ensinamento contém um elemento positivo: o perdão cristão não deveria ser apenas uma declaração vazia enquanto a pessoa continua cultivando vingança.
Entretanto, Alexandre parece aproximar três coisas diferentes: perdoar, esquecer e voltar a conviver.
Essas atitudes não são equivalentes.
Quando a Bíblia declara, em passagens como Jeremias 31:34, que Deus não se lembrará mais dos pecados, isso não significa necessariamente que Deus tenha perdido o conhecimento dos acontecimentos.
A expressão comunica a decisão divina de não continuar imputando aqueles pecados aos que foram perdoados.
Da mesma forma, uma pessoa pode decidir não alimentar ressentimento sem apagar da memória o que aconteceu.
Aliás, lembrar-se de uma experiência pode ser indispensável para evitar que a injustiça se repita.
Considere uma pessoa que foi vítima de fraude. Ela pode perdoar o responsável, mas não está obrigada a confiar novamente suas economias a ele.
Uma mulher que sofreu violência pode perdoar o agressor sem precisar voltar a morar com ele.
Um membro de igreja que foi injustiçado por um pastor pode perdoá-lo e, ainda assim, decidir não permanecer sob sua autoridade.
O perdão não elimina o direito de estabelecer limites.
Esse é um esclarecimento que faltou na EBD e cuja ausência se torna especialmente preocupante quando associada ao exemplo do casamento e ao ensinamento sobre aceitar erros pastorais.
8. A falta de perdão prejudica toda a igreja: mas de quem é a responsabilidade?
00:42:18–00:45:00 e 00:50:00
Alexandre afirma que a falta de perdão prejudica a comunhão de todo o corpo de Cristo e entristece o Espírito Santo.
Essa ideia encontra respaldo em princípios bíblicos sobre a dimensão comunitária dos conflitos.
Em 1 Coríntios 12:26, Paulo ensina que, quando um membro sofre, os demais compartilham seu sofrimento.
Entretanto, há uma pergunta que Alexandre não enfrenta:
Se a falta de perdão entre dois membros prejudica a comunhão de toda a igreja, o que acontece quando o conflito é mantido pela própria liderança da instituição?
Essa pergunta se torna especialmente importante diante dos processos contra ex-membros.
Se a liderança considera que essas pessoas a ofenderam, mas continua buscando reparações judiciais, seria coerente examinar se existe uma possibilidade de reconciliação que ainda não foi explorada.
Não se pode presumir que toda demanda judicial seja fruto de vingança. Também não se pode presumir que toda pessoa processada esteja disposta a se reconciliar.
Mas uma liderança que ensina a misericórdia como padrão de vida cristã deveria estar especialmente disposta a demonstrar, por atos concretos, como aplica esse padrão às suas próprias controvérsias.
Há ainda uma diferença entre resolver um conflito e silenciar uma das partes.
Se uma pessoa denuncia uma injustiça e, em seguida, é pressionada a perdoar sem que o problema seja investigado, a aparente restauração da paz pode apenas esconder a injustiça.
A verdadeira reconciliação não consiste necessariamente em fazer cessar as reclamações.
Ela pode exigir reconhecimento da falta, reparação e mudança de comportamento.
9. O perdão e a salvação: Alexandre Gueiros aplica a si mesmo o critério que ensina?
00:53:42–00:57:09
Chegamos a um dos pontos centrais da análise.
Alexandre afirma:
"O PERDÃO ESTÁ RELACIONADO À NOSSA SALVAÇÃO."
Depois, lembra que todos prestarão contas a Jesus e cita a advertência de Mateus 18:35.
O texto bíblico é realmente severo. Jesus adverte que o Pai celestial tratará com rigor aqueles que não perdoarem sinceramente seus irmãos.
Não é correto minimizar essa advertência.
Mas também precisamos evitar transformar o perdão em um mecanismo pelo qual o cristão compra sua salvação mediante atos de misericórdia.
Na compreensão cristã tradicional, a disposição de perdoar está profundamente relacionada à experiência da graça, não à acumulação de méritos suficientes para conquistar a vida eterna.
O problema da aplicação seletiva
A questão mais relevante é que Alexandre apresenta esse critério como universal.
Ele não diz que apenas os membros comuns precisam perdoar.
Não diz que os pastores estão dispensados.
Não diz que o presidente da instituição possui uma exceção.
E não estabelece uma ressalva para aqueles que foram criticados publicamente por ex-membros.
Portanto, segundo o próprio ensinamento apresentado, a obrigação de perdoar também alcança Alexandre Gueiros.
É aqui que a análise dos processos judiciais adquire seu maior significado.
Se a liderança insiste em buscar indenizações contra ex-membros, mesmo quando poderia escolher caminhos conciliatórios, é legítimo perguntar como essa conduta se harmoniza com o padrão de misericórdia que ela própria proclama.
Não podemos afirmar que Alexandre não perdoou interiormente essas pessoas apenas porque existem processos.
Mas podemos exigir coerência entre o discurso e os atos conhecidos.
A frase que merece atenção especial
00:53:42
Ao falar daqueles que não perdoam, Alexandre acrescenta:
"Daqueles, daqueles que não somos nós, obviamente, que não perdoam as ofensas de seus irmãos."
O advérbio "obviamente" chama a atenção.
Alexandre parece incluir a si mesmo e aos ouvintes entre aqueles que perdoam, distinguindo-os dos que se recusam a fazê-lo.
A frase pode ser apenas um recurso retórico, uma maneira de estimular a congregação a se identificar com o comportamento esperado.
Mas também produz um efeito de autovalidação.
O grupo que recebe a mensagem é colocado, antecipadamente, entre os que perdoam.
Os que não perdoam passam a ser os outros.
Esse mecanismo merece atenção porque o próprio texto bíblico exige exame de consciência, e não presunção de superioridade moral.
Quem pode avaliar a salvação de Alexandre Gueiros?
Uma pergunta legítima é:
Se o perdão é indispensável à salvação, como Alexandre passará pelo julgamento de Deus caso não pratique o que ensina?
Minha resposta é que não podemos determinar a condição espiritual final de Alexandre Gueiros, nem afirmar que ele será condenado por Deus.
Isso seria ultrapassar os limites daquilo que podemos conhecer.
Entretanto, podemos aplicar à conduta do expositor o critério que ele próprio apresentou.
Se a recusa em perdoar é incompatível com a vida cristã, então essa incompatibilidade existe independentemente do cargo ocupado pela pessoa.
O presidente de uma igreja não possui uma exceção ao mandamento de Jesus.
Aliás, Tiago 3:1 contém uma advertência especialmente importante:
"Meus irmãos, muitos de vós não sejam mestres, sabendo que receberemos mais duro juízo."
O texto sugere responsabilidade particularmente séria para aqueles que ensinam.
Assim, a pergunta mais rigorosa não é se Alexandre será salvo ou condenado.
É esta:
Se Alexandre Gueiros ensina que a falta de perdão coloca em risco a salvação, como ele demonstra, em sua própria atuação, a misericórdia que considera indispensável aos demais cristãos?
Essa é uma pergunta bíblica, ética e institucionalmente relevante.
10. A interpretação das orientações divinas: quando uma decisão humana é atribuída diretamente a Deus
Há outro aspecto que atravessa vários exemplos da EBD.
Alexandre relata que Deus orientou pessoas a agir de determinadas maneiras: a mulher que permaneceu casada, o diácono que pediu perdão, o pastor que procurou o membro e as professoras cuja reconciliação teria ocorrido depois da intervenção pastoral.
No contexto da espiritualidade da ICM, essas experiências são apresentadas como manifestações da direção divina.
O problema não é a crença de que Deus possa orientar os fiéis.
O problema surge quando uma interpretação humana é apresentada como determinação divina sem espaço suficiente para avaliação crítica.
Considere o caso da mulher que desejava se separar.
A decisão de permanecer no casamento é apresentada como obediência à orientação recebida de Deus mediante a leitura de Mateus 18:33.
Mas aquele versículo trata da obrigação de demonstrar misericórdia, não estabelece uma regra segundo a qual toda pessoa ofendida pelo cônjuge deve permanecer casada.
O texto bíblico foi aplicado a uma situação específica, e essa aplicação foi interpretada como uma ordem divina.
Esse procedimento pode ser particularmente problemático quando a pessoa enfrenta uma decisão de grande impacto sobre sua segurança, saúde ou liberdade.
Há uma diferença entre dizer:
"Ao ler essa passagem, senti-me motivada a tentar uma reconciliação."
E afirmar:
"Deus determinou que eu permanecesse naquele casamento."
A segunda formulação confere à decisão uma autoridade muito maior.
Em ambientes religiosos nos quais questionar uma orientação considerada revelada pode ser interpretado como desobediência a Deus, esse mecanismo pode reduzir significativamente a autonomia dos membros.
A consequência é ainda mais preocupante quando o suposto direcionamento divino beneficia a preservação de relações hierárquicas.
No exemplo do pastor que errou, a injustiça é interpretada como um teste de humildade permitido por Deus.
Assim, uma decisão humana equivocada pode acabar revestida de significado espiritual, enquanto a responsabilidade daquele que errou recebe menor atenção.
11. O encerramento com oração e interpretação de línguas
01:00:49–01:03:31
A EBD termina com uma oração coletiva para que os membros recebam capacidade espiritual de perdoar.
Depois da oração em línguas, é apresentada uma mensagem interpretada como manifestação do Espírito Santo.
A mensagem fala de uma bênção especial, do temor de Deus e da necessidade de colocar em prática o ensinamento recebido.
Esse encerramento merece uma observação.
Durante a EBD, Alexandre apresentou determinadas interpretações sobre perdão, submissão, reconciliação e humildade diante dos erros pastorais.
Ao final, uma manifestação religiosa é apresentada como confirmação espiritual da orientação recebida naquela manhã.
Para os fiéis que reconhecem essa mensagem como proveniente de Deus, isso pode reforçar a autoridade do ensino.
Mas, do ponto de vista da avaliação bíblica, a manifestação espiritual não dispensa o exame do conteúdo ensinado.
Em 1 Tessalonicenses 5:20-21, Paulo recomenda não desprezar as profecias, mas examinar tudo e reter o que é bom.
Em 1 Coríntios 14:29, também estabelece que as manifestações proféticas devem ser avaliadas.
Portanto, mesmo dentro de uma perspectiva cristã que reconhece a atualidade dos dons espirituais, a alegação de origem divina não torna uma interpretação automaticamente correta ou imune ao questionamento.
Isso vale inclusive para os ensinamentos de uma liderança religiosa.
12. A contradição com a unidade do corpo de Cristo
Uma observação do autor sobre a abertura da EBD também merece consideração.
Segundo o relato do autor, Gerson Belucci glorificou a Deus pela comunhão alcançada e pela unidade do corpo de Cristo.
Essa abertura não aparece no intervalo da degravação anexada, que começa em 00:10:28. Portanto, a análise desse episódio depende do seu relato, e não da transcrição examinada.
Ainda assim, existe uma conexão relevante com o tema do perdão.
Alexandre afirma que a falta de perdão prejudica a comunhão de todo o corpo de Cristo.
Mas, em outras EBDs analisadas pelo projeto, a liderança da ICM frequentemente distingue sua comunidade das demais igrejas cristãs mediante categorias como tradição, movimento e mescla.
Se essas distinções forem utilizadas para negar genericamente a condição cristã dos integrantes de outras denominações, teremos um problema teológico.
O Novo Testamento não identifica o corpo de Cristo com uma organização denominacional específica.
É perfeitamente legítimo que uma igreja discorde de doutrinas ensinadas por outras comunidades. A unidade cristã não exige uniformidade absoluta.
Entretanto, uma coisa é discordar de uma interpretação religiosa. Outra é presumir que somente os membros da própria denominação pertencem verdadeiramente a Cristo.
E existe uma questão ainda mais concreta: a maneira como são tratados os ex-membros.
Mesmo quando alguém deixa de pertencer à comunidade, continua sendo destinatário dos mandamentos cristãos de amor, respeito, justiça e misericórdia.
A obrigação de perdoar não pode ser limitada às pessoas que permanecem institucionalmente vinculadas à igreja.
A ilustração da família que construímos anteriormente encaixa-se perfeitamente aqui.
O filho que se isola dos irmãos pode celebrar a união dos moradores de sua casa.
Mas não deve confundir essa união doméstica com a unidade de toda a família.
Da mesma forma, uma igreja pode possuir forte coesão interna sem que isso signifique, por si só, que esteja praticando a unidade de todo o corpo de Cristo.
13. Uma avaliação filosófica: o problema da assimetria moral
A EBD também pode ser examinada por um princípio ético fundamental: uma regra moral deve ser aplicada de maneira coerente às pessoas que se encontram em situações comparáveis.
Se uma liderança ensina que todos devem perdoar, mas exige dos subordinados uma disposição que não demonstra em suas próprias controvérsias, existe uma assimetria moral.
O problema não é simplesmente a imperfeição humana.
Todos podem falhar na prática dos valores que defendem.
O problema surge quando a instituição possui mecanismos rigorosos para corrigir as falhas dos membros comuns, mas não apresenta mecanismos equivalentes para corrigir as falhas dos dirigentes.
Essa assimetria pode ser observada nos exemplos escolhidos por Alexandre.
As professoras são afastadas de suas funções até que se reconciliem.
O diácono ofendido precisa tomar a iniciativa de pedir perdão.
O membro prejudicado pelo pastor precisa demonstrar humildade e perdoá-lo.
Mas não aparece um exemplo em que um dirigente seja responsabilizado por uma injustiça, reconheça publicamente o erro e repare o dano causado.
Isso não demonstra que tais situações nunca tenham ocorrido na ICM. Demonstra que elas não foram apresentadas nesta exposição.
A seleção dos exemplos revela uma ênfase.
O perdão é ensinado predominantemente como uma obrigação de quem sofreu a ofensa, especialmente quando a outra parte ocupa uma posição de autoridade.
Do ponto de vista ético, isso pode enfraquecer a reciprocidade moral.
Do ponto de vista filosófico, também existe um problema de universalização.
Se Alexandre considera correto que uma pessoa ofendida procure o responsável e renuncie ao ressentimento, deve admitir que esse princípio possa ser aplicado à sua própria atuação.
Caso contrário, o ensinamento deixa de funcionar como regra universal e passa a depender da posição ocupada por cada pessoa.
E isso é precisamente o que uma ética coerente deve evitar.
14. O que a EBD poderia ter ensinado de maneira mais equilibrada?
A EBD poderia ter preservado toda a força da parábola sem produzir os riscos que identificamos.
Bastaria estabelecer algumas distinções essenciais.
O perdão é uma virtude cristã, mas não elimina automaticamente a responsabilidade de quem praticou a injustiça.
A reconciliação é desejável, mas pode depender de arrependimento, reparação e reconstrução da confiança.
A pessoa ofendida pode tomar a iniciativa de restaurar um relacionamento, mas não deve ser obrigada a assumir uma culpa que não possui.
Uma vítima de violência pode perdoar sem retornar à convivência com o agressor.
Um membro de igreja pode perdoar um pastor e, ainda assim, exigir a correção de uma decisão injusta.
E uma instituição religiosa pode possuir direitos juridicamente reconhecidos e, mesmo assim, avaliar se o exercício desses direitos é compatível com os valores de misericórdia que proclama.
Essas distinções não enfraquecem o ensinamento de Jesus.
Ao contrário, impedem que o perdão seja utilizado para justificar a impunidade, o silenciamento ou a manutenção de relações abusivas.
15. Quadro consolidado dos principais problemas identificados
| Tema | Problema identificado | Gravidade |
|---|---|---|
| Processos contra Noemi e Antônio Jorge | Possível incoerência entre a misericórdia ensinada e a atuação judicial relatada | Alta, dependente da documentação processual |
| Mulher que permaneceu casada | Ausência de ressalvas sobre violência e segurança pessoal | Muito alta |
| Perdão ao pastor injusto | Risco de espiritualizar a injustiça e desestimular a responsabilização pastoral | Muito alta |
| "Só não perdoamos se não quisermos" | Simplificação da experiência psicológica e moral das vítimas | Alta |
| Obrigação de esquecer | Confusão entre perdão, memória, confiança e convivência | Alta |
| Professoras afastadas | Possível desigualdade na aplicação de padrões morais | Alta |
| Diácono ofendido | Confusão entre perdoar e assumir culpa inexistente | Moderada a alta |
| Dívidas consideradas irrisórias | Risco de minimizar sofrimentos reais | Alta |
| Salvação condicionada ao perdão | Necessidade de distinguir graça, evidência de fé e mérito | Alta |
| Exposição de Gilson | Imprecisões exegéticas e conceituais | Moderada |
| Manifestação espiritual final | Possibilidade de conferir autoridade incontestável a interpretações humanas | Moderada a alta |
| Unidade do corpo de Cristo | Possível confusão entre unidade denominacional e unidade cristã | Alta |
16. Minha conclusão sobre esta EBD
Considerando a degravação, as anotações de análise e as informações processuais reunidas no material de apoio, considero esta uma das EBDs mais relevantes para examinar a coerência entre o discurso religioso da liderança da ICM e sua atuação institucional.
Não porque ensinar sobre perdão seja errado. Pelo contrário: a parábola do credor incompassivo é uma das advertências mais importantes de Jesus sobre a misericórdia.
O problema é a maneira como o ensinamento foi aplicado.
A exposição enfatizou a obrigação de perdoar, mas dedicou pouca atenção à responsabilidade de quem comete a injustiça.
Apresentou exemplos em que pessoas ofendidas tomam a iniciativa da reconciliação, mas não desenvolveu suficientemente a obrigação de os ofensores reconhecerem seus erros.
Reconheceu que pastores podem tomar decisões injustas, mas apresentou a situação principalmente como uma prova de humildade para os membros prejudicados.
E relacionou o perdão à salvação sem discutir como essa exigência se aplica concretamente à própria liderança que mantém conflitos com ex-integrantes da igreja.
A pergunta central: quem é o credor incompassivo?
É tentador identificar diretamente Alexandre Gueiros com o credor incompassivo da parábola.
Entretanto, considero mais rigoroso apresentar a questão de outra maneira.
Na parábola, o credor impiedoso possuía um direito de cobrança, mas foi condenado por sua falta de misericórdia.
Nos processos mencionados, a ICM afirma possuir direitos que pretende defender judicialmente.
A pergunta não é se ela possui o direito de recorrer à Justiça.
A pergunta é se a instituição está disposta a demonstrar a misericórdia que ensina como indispensável à vida cristã.
No caso de Noemi, isso poderia significar reconsiderar a busca por uma indenização maior ou avaliar a possibilidade de composição.
No caso de Antônio Jorge, poderia significar procurar uma solução que reconhecesse a divergência sobre suas declarações sem necessariamente insistir na cobrança integral da indenização.
Não estou afirmando que essas seriam obrigações jurídicas. Estou apontando possibilidades de aplicação prática da ética cristã ensinada na própria EBD.
E, caso a liderança considere essas alternativas inadequadas, seria importante explicar por quê.
Afinal, Alexandre declarou que o perdão não depende apenas da capacidade de perdoar, mas da vontade de fazê-lo.
Se essa regra vale para todos, vale também para ele.
A pergunta final que eu faria a Alexandre Gueiros
Pastor Alexandre Gueiros, o senhor ensinou hoje que aquele que não perdoa seus irmãos compromete sua comunhão com Deus e coloca em questão a própria salvação.
O senhor também ensinou que devemos procurar aqueles que nos ofenderam, demonstrar misericórdia e não insistir na punição de quem nos fez algum mal.
Então eu gostaria de fazer uma pergunta.
Se o senhor acredita que esse é o ensinamento de Jesus, por que não demonstrar essa mesma misericórdia aos ex-membros contra os quais a Igreja Cristã Maranata mantém processos judiciais?
Por que não procurar a irmã Noemi e considerar uma solução que não agrave sua situação financeira?
Por que não buscar uma reconciliação com Antônio Jorge?
Se um membro deve perdoar até mesmo o pastor que cometeu uma injustiça, por que a liderança não deveria demonstrar disposição equivalente diante de alguém que considera tê-la ofendido?
E, sobretudo, pastor Alexandre, se Jesus realmente nos julgará pela misericórdia que demonstramos aos outros, como o senhor aplica esse ensinamento às suas próprias decisões?
Porque o perdão que Jesus ensinou não pode ser uma obrigação apenas para quem está sentado nos bancos da igreja.
Ele também precisa alcançar aqueles que estão sentados nas cadeiras da liderança.
DEGRAVAÇÃO
Transcrição conforme o documento fornecido. O comentário e os apontamentos inseridos após a fala de Gilson Sousa foram usados na análise, mas não fazem parte desta degravação. O documento informa o intervalo de 00:10:28 a 01:03:31.
Igreja Cristã Maranata • EBD de 25/10/2026
DOUGLAS SPANGHERO
[00:10:31] Saudamos a todas as igrejas do Brasil e do exterior com a paz do Senhor Jesus.
Nós estudaremos na Escola Bíblica de hoje o tema sobre o perdão. E a base bíblica para este assunto está na parábola do credor incompassivo. E o Senhor revelou que através deste estudo, além de estar alimentando a nossa alma, também operará em nós com o fogo do Espírito Santo.
E nós convidamos aqueles que puderem a estarem de pé para meditarmos na palavra de Deus que está no Evangelho segundo Mateus, no capítulo 18, dos versículos 21 ao versículo 27.
O texto será projetado para que todos possam acompanhar.
E diz assim a partir do versículo 21.
[00:11:44] Então Pedro, aproximando-se dele, disse: "Senhor, até quantas vezes pecará meu irmão contra mim e eu lhe perdoarei? Até sete?" Jesus lhe disse: "Não te digo que até sete, mas até 70 vezes 7. Por isso, o reino dos céus pode comparar-se a um certo rei que quis fazer conta com seus servos. E começando a fazer contas, foi-lhe apresentado um que lhe devia 10.000 talentos. E não tendo ele como pagar, o seu senhor mandou que ele e a sua mulher e seus filhos fossem vendidos com tudo quanto tinha para que a dívida se lhe pagasse. Então aquele servo, prostrando-se, o reverenciava, dizendo: "Senhor, sê generoso para comigo e tudo te pagarei". Então o Senhor daquele servo, movido de íntima compaixão, soltou-o e perdoou-lhe a dívida.
[00:12:57] Nós vamos orar ao Senhor. Vamos fechar os nossos olhos.
Senhor Deus, diante de ti reconhecemos que somos pobres e necessitados, mas também que tu és cheio de misericórdia. Rogamos a ti, ó Deus, que venha sobre nós, instruindo-nos para a glória do teu nome. Assim oramos em nome de Jesus. Amém. Os irmãos podem se assentar.
GILSON SOUSA
[00:16:19] Nós saudamos todos os irmãos das igrejas com a paz do Senhor Jesus.
Irmãos, ao considerarmos o perdão, nós nos lembramos imediatamente daquele ensino que o Senhor Jesus nos deu a respeito da oração dominical.
Quando nós oramos ao Senhor e podemos dizer:
"Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores."
O Senhor Jesus nos ensina a pedir o perdão pelos nossos pecados com base no perdão que nós concedemos a aqueles que nos ofendem.
[00:16:58] Por exemplo, nos versículos 21 e 22 que nós acabamos de ler, que foi lido agora a pouco, o Senhor Jesus responde à pergunta de Pedro sobre quantas vezes deveríamos perdoar.
E Pedro perguntou inclusive se seria até sete vezes, mas Jesus respondeu dizendo que até 70 x 7. E nessa resposta, o Senhor não queria naturalmente estabelecer ali um limite para perdoarmos as ofensas que sofremos, não.
O Senhor mostrava que ele espera que nós, os seus discípulos, eh nós pudéssemos estar sempre prontos a perdoar aqueles que de alguma maneira pecaram contra nós ou fizeram algum agravo contra nós.
Logo em seguida, ali no verso 23, o Senhor Jesus conta uma parábola, a parábola do rei que exigiu ali uma prestação de contas daqueles que são seus servos. E a palavra de Deus nos afirma que chegará o dia, irmãos, em que nós, todos nós, nós estaremos perante o tribunal de Cristo e deveremos prestar contas ali pela nossa forma de viver perante o nosso rei, o Senhor Jesus.
[00:18:20] Então, nós percebemos nos versos 24 e 25, por exemplo, que perante o rei havia um servo com uma dívida impagável, uma dívida dita ali no texto no valor de 10.000 talentos. Aquela dívida representava mais de 10.000 anos de trabalho naquela época, considerando aquela época.
Então, a situação daquele servo devedor, ela representa perfeitamente a nossa condição, irmãos, a condição espiritual nossa diante de Deus. E antes de termos sido convertidos, ou seja, antes da nossa conversão, como pobres pecadores que éramos, NÓS TÍNHAMOS também uma dívida, uma dívida impagável perante Deus.
Por exemplo, no Salmo 49, verso 8, lemos que a redenção da nossa alma, o texto diz assim, é caríssima e que nossos recursos se esgotariam antes. A expressão do Salmo 49, verso 8. Além disso, aprendemos que o preço a pagar pelos nossos pecados era o preço da morte.
[00:19:31] Na carta aos Romanos, por exemplo, nós lemos isto. O texto está escrito: "Porque o salário do pecado é a morte". E diante dessa verdade, SÓ NOS RESTA FAZER O MESMO que aquele servo devedor fez ali, conforme o versículo 26. A Bíblia diz que ele se prostrou ali.
Então nós nos prostramos também perante o Rei da Glória. Prostrar-se perante ele, confessar os nossos pecados, reconhecer que somos devedores de uma dívida impagável e pedir, irmãos, a misericórdia do Senhor, ou seja, PEDIR O PERDÃO DO SENHOR.
Notamos que aquele servo na parábola, ele acaba prometendo que aquilo que nunca ele poderia fazer, nunca poderia cumprir, quando ele diz assim: "Tudo te pagarei".
[00:20:27] Agora a pergunta é: pagar a dívida do pecado? Não é possível. É uma dívida impossível de ser paga da nossa parte. Só nos resta, portanto, a morte. Mas ao apresentar essa dívida impagável ali na parábola, o Senhor Jesus nos ensina que, por mais que o homem tente com seus próprios recursos, ele nunca conseguirá pagá-la e, portanto, alcançar a salvação. Antes que praticássemos, ou seja, ainda que nós praticássemos boas obras, ainda que nós seguíssemos as leis do país, isto nunca seria suficiente para nós adquirirmos o perdão dos nossos pecados.
Só há um que pode resolver o problema do nosso pecado pagando a nossa dívida. Esse é o Senhor Jesus Cristo. Glória a Deus. Como dissemos, o salário do pecado é a morte. Isso está escrito na palavra de Deus. E como pecadores estávamos sentenciados, irmãos, à morte, por não termos naturalmente recursos de como pagar essa dívida, a dívida do pecado.
MAS O SENHOR JESUS RESOLVEU PAGAR A NOSSA DÍVIDA. Ele tomou essa decisão por si mesmo. Sendo inocente, ele se dispôs a morrer em nosso lugar. E lá na cruz do calvário, Jesus assumiu, irmãos, a nossa culpa. Ele se fez pecado por nós. Ele morreu para pagar a nossa dívida e assim conquistar para nós a vida eterna.
[00:22:09] A palavra de Deus nos ensina que o sacrifício de Jesus era o único meio capaz de pagar a nossa dívida. Paulo escreveu aos Colossenses sobre isto. Ele escreveu que o Senhor Jesus cravou na cruz o escrito de dívida que havia contra nós. E o versículo diz assim:
"Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e atirou do meio de nós, cravando-a na cruz". Colossenses 2, verso 14.
Louvado seja Deus. Por isso, então, antes de sua morte, Jesus usou uma expressão em que ele disse assim: "Tudo está consumado". Essa palavra no grego original é a palavra tetelestai, que significa está pago, ou seja, está liquidado. Irmãos, Jesus pagou a nossa dívida ali na cruz. Louvado seja Deus. Não fomos perdoados porque praticamos boas obras. Não, não fomos resgatados porque um preço de ouro ou prata foi pago pelos nossos pecados.
[00:23:21] Não. Mas fomos resgatados sim pelo sangue de Jesus, o sangue que foi derramado na cruz do Calvário. Aí, a partir daí, pela fé no sacrifício de Jesus e na sua ressurreição, nós então passamos a ter nova vida em Cristo Jesus. Louvado seja Deus. E o apóstolo Paulo expressou isso muito bem quando ele escreveu a carta aos Romanos. Ele diz ali que nós fomos sepultados com Cristo pelo batismo. De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte, para que como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida. O batismo nas águas tem esse significado. O velho homem que vivia debaixo da dívida e como escravo do pecado, esse velho homem morreu com Cristo. E ao emergir das águas surgiu ali um novo homem, uma nova criatura.
[00:24:24] Aquele que nasceu de novo é nova criatura em Cristo Jesus. Ele nasce de novo sem pecado e sem dívida alguma. Louvado seja Deus. Nós somos, portanto, irmãos, pecadores. Somos santos em Cristo Jesus, justificados pela fé em Cristo Jesus. E somos justos porque passamos a andar na luz e andar no espírito. Agora, o que lhe compete é ser fiel até a morte, ou seja, ser fiel ao Senhor Jesus. E aquele que morreu e ressuscitou por aquele que creu nele, por cada um de nós. Agora, o que nos compete também é andar na luz, ou seja, manter-nos afastados do pecado e não nos tornarmos mais escravos do pecado.
Ao lermos o versículo 27, por exemplo, no mesmo texto, nós vemos o rei ali movendo-se de íntima compaixão pelo servo devedor. Foi esse sentimento, irmãos, esse sentimento profundo que fez com que o rei soltasse aquele homem e perdoasse a dívida dele.
[00:25:42] Aqui está então uma expressão bíblica que se repete várias vezes no ministério do Senhor Jesus. Essa expressão é: moveu-se de íntima compaixão.
Jesus falou isto quando ele viu o paralítico de Betesda. Ali ele moveu-se de íntima compaixão e curou o paralítico.
Quando Jesus viu também a viúva de Naim chorando pela morte do seu filho, ali Jesus olhou para aquela mulher e moveu-se de íntima compaixão por ela. E por isso então ele ressuscitou o filho da viúva de Naim.
Quando Jesus viu a multidão como ovelhas que não tem pastor, a Bíblia diz que Jesus olhou aquilo e ele moveu-se de íntima compaixão por aquela multidão e disse: "São como ovelhas que não têm pastor". E ele então dirigiu-se àquela multidão e a Bíblia diz que ele curou muitos enfermos naquela multidão.
Também quando Jesus viu dois homens cegos lá em Jericó, ele moveu-se de íntima compaixão e lhe abriu os olhos. Mateus capítulo 20 registra esse fato. Podemos então glorificar o Senhor, irmãos, pois hoje nesta escola bíblica, o Senhor Jesus está olhando para cada um de nós.
E ele também está se movendo, irmãos, de íntima compaixão quando ele contempla as nossas vidas e ele vê a nossa necessidade diante dele.
NESTA ESCOLA BÍBLICA, JESUS QUER PERDOAR OS PECADOS.
Ele quer nos dar poder, irmãos, para perdoar também os nossos irmãos.
E esse poder nos é oferecido de graça, ou seja, sem que o mereçamos.
[00:27:27] E como isto é possível? É a pergunta. Isto é possível, irmãos, graças ao sangue de Jesus. O que é o sangue de Jesus? É o alto preço que Jesus pagou na cruz para garantir o pecado, a perdão do pecado e também a salvação. E hoje em Cristo Jesus nós podemos experimentar uma nova vida, não mais sob a condenação do pecado, mas resgatados para a vida eterna.
E quem nos fala isto é o apóstolo Paulo escrevendo aos Romanos um texto que nós podemos ler agora aos Romanos capítulo 8 versículo 1. E ele diz exatamente assim:
"Portanto agora, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o espírito."
Então, irmãos, agora nós fazemos uma recomendação a todos os irmãos. Onde estiverem nas igrejas, onde você estiver agora participando conosco dessa escola bíblica, nós vamos agora parar o momento e vamos orar ao Senhor.
Vamos fazer agora uma confissão diante do Senhor, confessando ao Senhor a nossa decisão, irmãos, de perdoar, perdoar aqueles que nos ofenderam e de esquecer aquilo que nos ofendeu, como o Senhor também faz conosco.
Vamos dar uma pausa agora. Fecha os seus olhos, FALA COM O SENHOR, CONFESSA ELE, PEDE A ELE FORÇAS PARA PERDOAR.
[00:29:05] SE VOCÊ DEVE ALGUMA COISA A ALGUÉM, e mais ainda, SE ALGUÉM TE DEVE ALGUMA COISA, PEÇA PERDÃO AO SENHOR. Fala com Deus agora em oração.
[00:29:43] Senhor nosso Deus, aceita, ó Pai, a nossa oração diante de ti. Se em algum momento cometemos algum agravo a alguém ou até mesmo alguém cometeu algum agravo para conosco, DÁ-NOS O PODER, SENHOR, PARA PERDOAR, PARA SERMOS TAMBÉM COMPASSIVOS, como o Senhor é compassivo para conosco. Sim, Senhor. Oramos a ti, entregando este pedido de cada um dos teus servos, onde quer que estiverem, no poder do sangue de Jesus, em nome do Senhor Jesus. Amém.
Glória a Deus.
Cantemos por o nosso Deus. O amor de Deus é grande.
ALEXANDRE GUEIROS
[00:34:21] Saúdo todos os irmãos e todas as igrejas com a paz do Senhor Jesus. Vamos ler, antes de mais nada os versículos seguintes aos que acabamos de ler em Mateus, capítulo 18 a partir do versículo 28.
A palavra de Deus nos diz o seguinte:
"Saindo, porém, aquele servo, encontrou um dos seus conservos, que lhe devia 100 dinheiros, e, lançando mão dele, sufocava-o, dizendo: "Paga-me o que me deves". Então o seu companheiro, prostrando-se a seus pés, rogava-lhe, dizendo: "Sê generoso para comigo e tudo te pagarei". Ele, porém, não quis. Antes, foi entregá-lo na prisão até que pagasse a dívida. Vendo, pois, os seus conservos o que acontecia, contristaram-se muito e foram declarar ao seu Senhor tudo que se passara.
[00:35:43] Então, seu Senhor, chamando à sua presença, disse-lhe: Servo malvado, perdoei-te toda aquela dívida porque me suplicaste. Não devias tu igualmente ter compaixão do teu companheiro, como eu também tive misericórdia de ti?
E indignado, o seu Senhor O ENTREGOU AOS ATORMENTADORES até que pagasse tudo o que devia. Assim vos fará também meu Pai Celestial, se do coração não perdoardes cada um a seu irmão, as suas ofensas.
Amém.
Amados irmãos, a partir do versículo 28 que acabamos de ler, vemos um novo quadro. Aquele que teve a sua dívida impagável, perdoada, perdoada pelo rei, também tinha um devedor. Porém, ao contrário do que o rei fez por ele, este novo, este homem perdoado não concedeu perdão, não teve misericórdia com relação ao seu devedor.
[00:37:09] Embora a dívida fosse pequena, sem denários era 100, sem dinheiros, na realidade é 100 denários. Era o salário de um trabalhador. Em 100 dias de trabalho, ele poderia pagar. A dívida era, portanto, pequena, era insignificante em comparação com o perdão que ele havia recebido, em comparação com a dívida que ele tinha e tinha sido perdoado, mas ele não quis perdoar o seu devedor.
Não está dito que ele não podia perdoar, mas está dito que ele não queria perdoar.
Há momento em que muitos de nós podemos falhar e dizer: "Não posso perdoar. É impossível perdoar o que essa pessoa fez comigo". Às vezes não dizemos, mas pensamos, né? Mas essa não é a verdade completa. A palavra de Deus nos garante, dizendo: "Tudo posso naquele que me fortalece."
[00:38:24] No poder do Espírito Santo, todas as coisas nós podemos realizar no reino de Deus. Se quisermos, amados irmãos, seremos capacitados a perdoar sempre que recorrermos ao poder do Espírito Santo. Sabemos como recorrer, né? Usando os meios de graça.
E notem bem, irmãos, nós que fomos salvos, não temos alternativa a não ser andar no espírito, andar em comunhão com o Senhor, em obediência ao Senhor.
Sim, amados irmãos, nesta comunhão, nós não nos submeteremos aos caprichos da nossa carne. A nossa carne não quer perdoar.
Mas o Senhor Jesus nos garante: "Recebereis poder ao descer sobre vós o Espírito Santo."
E já vimos, já estudamos poder também para perdoar os nossos irmãos. Não é somente poder para testemunhar, para falar de Jesus, mas é poder para andar no espírito, poder para perdoar.
[00:39:46] Ao examinarmos os esses versículos que acabamos de ler, nós insistimos, vimos a uma diferença imensa entre a dívida do primeiro credor, 10.000 talentos, e a do segundo 100. Dinheiros ou denários. Esta última era, repetimos, desprezível, né? Irrisória em comparação com a primeira.
Amados irmãos, o Senhor mostrou isso para quê? Para nós atentarmos para desproporção entre aquilo que nós devemos ao Senhor, os nossos pecados, o preço dos nossos pecados. Dívida impagável.
E do outro lado, as ofensas pequeninas, mínimas, irrisórias, ofensas que recebemos dos nossos irmãos.
Amados irmãos, é realmente uma diferença muito grande. Nossa dívida diante de Deus era também impagável, como a dívida do primeiro personagem.
[00:41:04] E ainda assim nós aprendemos que o nosso Deus nos perdoou e nós não merecíamos o seu perdão. Não merecíamos. Ele só nos perdoou devido ao grande amor com que Deus nos amou. Deus nos amou quando nós ainda éramos pecadores, quando nós éramos inimigos de Deus. Está dito inimigos de Deus por causa do pecado.
E às vezes, irmãos, nós relutamos, hesitamos, temos dificuldade de perdoar por por estas questões, por estas ofensas irrisórias.
Estamos nos comportando numa situação dessas como aquele credor incompassivo, que não teve compaixão. A vingança, o ressentimento, a dureza do coração do homem diante da falta de seu semelhante são inacreditáveis.
[00:42:18] E lemos que o credor incompassivo, ao ver o seu devedor pedindo misericórdia, o sufocava e o levou à prisão.
Ou seja, olha, esse homem merece ser condenado porque ele pecou contra mim, ele me feriu, ele me ofendeu, ele falou mal de mim, não é?
E meus irmãos, no o verso 31, o Senhor registra aqui o impacto dessa atitude sobre os seus conservos, ou seja, sobre a igreja.
Seus conservos se entristeceram muito, está dito. Isso é o que acontece na igreja. Quando há um conflito entre irmãos, um irmão não perdoa o outro, isso afeta toda a igreja.
A palavra de Deus diz: "Quando um membro se entristece, todos com ele. O membro sofre, todos sofrem com ele. Essa atitude se reflete na igreja e causa uma tristeza geral, perturba a comunhão da igreja. Não é só a comunhão entre aqueles dois, não, né?
[00:43:32] E aqueles conservos se escandalizaram com aquela falta de misericórdia. E se contristaram muito, nós lemos. E por que eles ficaram tão tristes com aquela atitude? Porque eles tinham como referência a atitude do rei que agiu com misericórdia, perdoando aquela dívida imensamente maior do que a ofensa ou ou a dívida que aquele segundo personagem tinha. Amados irmãos, é importante termos isso presente. A igreja sofre.
A comunhão da igreja é afetada quando alguém não perdoa o seu próximo. Por quê? Porque o padrão da igreja, aquilo que nós aprendemos do Senhor Jesus, é a misericórdia, é o perdão.
Até no sermão do monte que estudamos recentemente, nós lemos a respeito dos misericordiosos. Lembram-se, bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia.
[00:44:57] Se nós perdoamos os nossos irmãos, serão perdoados. Perdoa as nossas dívidas, ASSIM COMO NÓS PERDOAMOS, Senhor.
Amados irmãos, e o que aconteceu? Nós aprendemos que os conservos foram dizer ao seu senhor o que havia sucedido.
E é o que acontece na igreja, né?
Há uma um conflito entre irmãos. Pastor, o que que faz? Leva ao nosso Senhor essa situação, né? Leva ao grupo de intercessão.
Diz: olha, Senhor, o que fazer? Não, não querem se reconciliar, né? Aquele não quer perdoar. E o Senhor, amados irmãos, nas na sua misericórdia, né, e usando do seu poder infinito, ele sempre dá uma solução para essa para essas questões.
Conhecemos, irmãos, muitos testemunhos edificantes que nos mostram como o Espírito Santo opera por meio do perdão.
[00:46:12] Certa vez, UMA IRMÃ QUE QUERIA A SE SEPARAR DO SEU MARIDO, não era servo do Senhor. Seu, o comportamento do seu marido era aquele tipo de comportamento que nós, se não fôssemos servos, diríamos: "É imperdoável". Ela tinha toda a razão para se separar, mas ela foi pedir uma palavra ao Senhor.
Senhor, é isso mesmo. Posso deixar meu marido?
Interessante que o senhor lhe respondeu exatamente através dessa parábola. Quando ela abriu a palavra, ela viu Mateus 18:33. Não devias tu igualmente ter compaixão do teu companheiro, como eu também tive misericórdia de ti?
E ela obedeceu o Senhor, perdoou o marido, permaneceu com ele. Sabem o que aconteceu? Seis meses depois ele se converteu e hoje ele é um pastor na obra do Senhor na nossa igreja.
[00:47:31] Certa vez, um pastor nosso conhecido tomou conhecimento de que DUAS PROFESSORAS DE CRIANÇAS NÃO SE FALAVAM NA IGREJA. E o pastor chamou as duas para conversar com ela sobre o problema e cada uma colocava a culpa na outra e estavam irredutíveis. Cada uma exigia que a outra pedisse desculpas.
E O PASTOR SIMPLESMENTE PERGUNTOU A ELAS: "QUAL EVANGELHO VOCÊS ESTÃO ENSINANDO AS CRIANÇAS?"
E deu… tomou a decisão: olha, enquanto vocês não resolverem esse problema, vocês estão dispensadas de dar aulas às crianças. E essa decisão foi usada pelo Senhor. Imediatamente elas se ajoelharam, oraram um pela outra e se perdoaram mutuamente e o problema foi resolvido.
Em outra ocasião, UM DIÁCONO DESACATOU OUTRO NA IGREJA.
Nós conhecemos esses irmãos e houve um grande desconforto entre os dois, aquele clima horrível.
[00:48:44] Um irmão que tinha certeza que foi ferido e parece que realmente ele ele sofreu uma afronta, foi orar ao Senhor em casa sobre esse assunto e recebeu de Deus uma orientação.
O Senhor falou com ele: "Vai e pede perdão a ele".
Não, Senhor, mas ele é que me ofendeu. Aí o Senhor repetiu: "Vai, pede perdão a ele". E ele obedeceu, foi pediu perdão, outro ficou perplexo. Mas aí o Senhor operou poderosamente no coração do outro e imediatamente houve uma reconciliação. E hoje esses irmãos são grandes amigos na presença do Senhor.
Uma outra ocasião, UM PASTOR PEDIU PERDÃO A UM IRMÃO QUE O DESRESPEITOU. E até diante do grupo de intercessão, o pastor foi ofendido, desrespeitado pelo irmão.
E o pastor buscou o Senhor em oração. [00:49:56] E o Senhor lhe falou: "Vai ao encontro desse irmão, pede perdão por algo que você tenha feito. Diga… para que o irmão… o que que e… que ele perguntasse a ele o que é que eu fiz para você ter aquela reação contra mim. Me perdoes o que eu tiver feito, perdoe-me. E o resultado foi que aquele irmão imediatamente se ajoelhou, chorou e pediu perdão ao pastor e ao Senhor. E houve uma grande reconciliação. Hoje não existe mais nada entre eles.
Irmãos, a igreja se entristece com a falta de perdão. A a falta de perdão afeta a comunhão de todo o corpo de Cristo. A falta de perdão entristece o Espírito Santo, impede uma maior operação do Espírito Santo na igreja.
Muitas vezes a questão é mais séria ainda.
Há pessoas que às vezes… HÁ CASOS EM QUE NÃO QUER PERDOAR O PRÓPRIO PASTOR, porque ele está certo que o pastor foi injusto, tomou uma decisão errada, que o ofendeu.
O SENHOR PERMITE ESSAS COISAS. Às vezes, às vezes a pessoa tá com a razão, ou seja, realmente o pastor errou, cometeu um equívoco, não é? Tomou uma decisão errada. E POR QUE QUE O SENHOR PERMITE, PERMITIU ISSO? POR QUÊ? [00:51:36] Por que o Senhor permitiu que o pastor tenha se se enganado?
Em primeiro lugar PARA TESTAR SUA HUMILDADE. Como é que você vai reagir como um servo de Deus humilde?
“Amém, Senhor. O Senhor permitiu isso. Mas eu não vou ficar com ressentimento contra o meu pastor, não. Não é? Isso é o que o inimigo quer. Mas o Senhor quer que eu perdoe. Eu perdoo o meu pastor”.
E você vai receber uma grande bênção. Aquele que se humilha é exaltado por Deus. E finalmente até diante da igreja. Essa é uma lei espiritual.
Notemos bem, irmãos, prestemos atenção a isso que eu vou dizer.
Quando nós nos sentimos ofendidos ou injustiçados, sempre encontramos motivos para não perdoar. Perceberam?
Temos motivos para não perdoar e nos esquecemos de que é um grande motivo para nós perdoarmos.
[00:52:52] Que grande motivo é esse para nós perdoarmos? É que nós fomos perdoados de uma dívida impagável, embora não merecêssemos o perdão. A dívida dos nossos pecados.
Não podemos nos esquecer, irmãos, de que somos agora novas criaturas em Cristo Jesus. Não somos mais dominados pela carne, pelo pecado. O Senhor já nos deu o poder do seu Espírito Santo para perdoarmos. SÓ NÃO PERDOAMOS SE NÃO QUISERMOS.
[00:53:42] Nos versos 32 e 33, finalizando, nós vemos o Senhor falando com o credor incompassivo. Que nunca estejamos nessa situação, né?
Servo malvado, não devias ter compaixão do teu companheiro, como eu também tive misericórdia de ti.
No verso 34, nós vemos o resultado da recusa em perdoar. Uma advertência séria. Aprendemos que O PERDÃO ESTÁ RELACIONADO À NOSSA SALVAÇÃO. Indignado seu Senhor entregou aos aos torturadores, é a palavra mais usual hoje, até que pagasse tudo que devia. Nunca, né?
UM DIA O NOSSO REI, O SENHOR JESUS, FARÁ CONTAS CONOSCO. E o verso 35. Então nos fala daqueles, daqueles que não somos nós, obviamente, que não perdoam as ofensas de seus irmãos.
Assim vos fará também meu pai celestial, se do coração não perdoardes cada um, o seu irmão, as suas ofensas. Sabe que é do coração? Não é só de boca. Tá bom, perdoo. Não, não tá perdoado, mas continua mágoa, o ressentimento. Perdoo, mas não esqueço.
[00:55:05] Mas nós temos que perdoar como o Senhor nos perdoa. Dos seus pecados não me lembrarei mais. É assim que o Senhor nos perdoa. Bem, ou queremos chegar na no céu, o Senhor disse: "Ah, eu tá bom, eu te perdoei, mas não esqueço que você fez isso, isso isso, né?
Queremos chegar assim no céu. Perdoei, mas nunca esqueci.
Graças a Deus, o Senhor esquece os nossos pecados.
Temos de perdoar os nossos irmãos do coração, não somente na mente.
Mas o amor de Deus, amados irmãos, nos moverá a perdoar como um dia nós fomos perdoados.
O Senhor, repetimos, perdoa, esquece os nossos pecados e se mantém íntima comunhão conosco. Não podemos dizer: "Eu esqueci, mas não quero mais conversa com essa pessoa". Mas não, eu perdoei, perdoei, mas conviver com ele não quero, não é o que o senhor pode fazer conosco, né? Perdoei você vai pro céu mais longe de mim. Não quero muita intimidade com você, não.
Na cruz, o Senhor Jesus nos deixou seu exemplo. Ele orou por aqueles que o ofendiam, que o ofendiam. Lembram-se? Pai, perdoe-lhes. Não sabem o que fazem.
Seus discípulos seguiram exemplo. Lembram-se de Estevão quando morria apedrejado? Quando ele orou em favor de seus algozes: Senhor, não lhes imputes este pecado. E nós somos instados pela palavra de Deus a andar na luz como condição da salvação. Andar na luz da palavra de Deus, irmãos, exige que nós perdoemos os nossos devedores.
[00:57:09] Vamos terminar lendo aquele texto da carta aos Efésios, capítulo 4, versículo 32, irmãos, que diz o seguinte:
"Antes sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo."
Amém.
Vamos terminar cantando este hino que nos fala do alto preço que o Senhor pagou pelos nossos pecados.
LOUVOR
[01:00:49] Vamos estar orando agora. Todos os pastores em todas as igrejas estejam estendendo suas mãos sobre as igrejas. E vamos orar para que haja uma operação especial do Espírito Santo no coração de todo o povo do Senhor, para que todos aqueles que ainda estão com alguma dificuldade de perdoar seu irmão possa possam ser libertos agora.
WALLACE ROZETTI
ORAÇÃO
[01:01:24] Eterno Deus! Nesse momento conscientes desse alto preço que o Senhor pagou na cruz do Calvário, quando o Senhor nos perdoou do pecado que recaía sobre nós. Nosso pedido, Senhor, para que da mesma forma possamos alcançar essa essa dádiva, essa bênção, a capacidade que só o teu Espírito Santo pode nos dar perdoar aqueles que devem algo contra nós. Nós te pedimos que a operação gloriosa do Senhor nesta manhã especial possa invadir os nossos corações, os corações de cada um dos teus servos que nessa hora estão diante do teu altar. Suplicamos, Senhor, a tua bênção, o teu poder…
[começou a orar em línguas estranhas]
INTREPRETAÇÃO DE LINGUAS ESTRANHAS
[01:02:28] Meus servos, eis que o meu Espírito Santo vos é favorável nesta hora, porque o som dos vossos corações. E sei que nessa hora eu derramo uma benção especial de temor para que assim possais fazer aquilo que nesta manhã pela minha palavra eu tenho vos orientado, porque assim fazendo acumulareis tesouros no céu, porque na minha eternidade há uma manifestação dos meus anjos que são enviados até a vossa presença para recolher a vossa súplica e operar grandemente nos vossos corações. Alegrai-vos, igreja amada, porque o meu poder tem sido derramado sobre vós.
Aleluia, Senhor.
Amém. Glória a Jesus. Louvado seja Deus.