MARANATA: EVANGELIZAÇÃO OU MANIPULAÇÃO?
EBD ICM DE 29/03/2026 – Análise crítica
Por Solon Pereira – Projeto Análise | Celeiros
Uma análise bíblica, ética e espiritual da EBD da Igreja Cristã Maranata (29/3/2026)
Vídeo de referência: https://www.youtube.com/watch?v=n6GwURaF5RU
Degravação ao final.
CULPA COLETIVA, MEDO RELIGIOSO E OBEDIÊNCIA TRAVESTIDA DE SANTIDADE
A Escola Bíblica Dominical da Igreja Cristã Maranata de 29 de março de 2026 seguiu um padrão que já se tornou recorrente: um discurso aparentemente piedoso, com linguagem bíblica e vocabulário espiritual, mas que, na prática, serve para reforçar medo, vigilância interna, obediência institucional e culpa difusa. O tema formal girou em torno da arca, da conquista da terra prometida, da santificação e da evangelização. Mas, por trás da moldura religiosa, o que se viu mais uma vez foi a reafirmação de uma lógica de controle.
A mensagem não se limitou a exortar os ouvintes à fidelidade a Deus. Ela foi além: associou vitórias espirituais, crescimento da igreja, proteção divina e sucesso na evangelização à obediência e à santidade, conceitos que, no universo da ICM, acabam sendo funcionalmente confundidos com submissão às orientações da liderança. Essa sutileza é central. Não se diz abertamente “obedeçam à cúpula”, mas se constrói um ambiente em que resistir às diretrizes da liderança passa a soar como resistência ao próprio Deus.
1. EIXO CENTRAL DA MENSAGEM (O QUE ESTÁ POR TRÁS)
A linha mestra da EBD foi:
Presença de Deus + vitória = santidade + obediência → mediadas pela liderança/revelação
Isso aparece claramente no texto base e nas aplicações:
- “as vitórias dependem de santidade e obediência”
- “há adversários dentro da igreja”
- “um pecado contamina todo o corpo”
- “é preciso disciplina para manter a santidade”
- “não confiar no homem, mas na revelação”
- “amar é servir à igreja”
Ou seja:
Não é apenas ensino espiritual — é estrutura de controle institucional revestida de linguagem bíblica.
2. CONDICIONAR A PRESENÇA DE DEUS À OBEDIÊNCIA INSTITUCIONAL
Foi nesse clima que GILSON SOUSA afirmou que, assim como a arca no meio de Israel garantia a presença do Senhor e a vitória sobre os inimigos, também hoje as vitórias da igreja dependeriam de santidade e obediência.
Disse Gilson Sousa:
“as vitórias dependem de vivermos em santidade e obediência”
Em tese, isso pode parecer apenas uma exortação piedosa.
O problema está na aplicação real desse tipo de ensino dentro da estrutura maranatense. Na prática, “obedecer ao Senhor” vai sendo deslocado do campo dos mandamentos de Cristo para o campo das instruções e determinações da instituição.
O que deveria ser uma chamada à fidelidade ao evangelho transforma-se em instrumento de disciplina mental e espiritual.
Em síntese
Isso mistura duas coisas diferentes:
- Santidade bíblica (vida transformada em Cristo)
- Obediência institucional (submissão à liderança)
Jesus deixou muito claro: mesmo em se tratando de evangelização a obediência não está vinculada a instituições, mas à sua palavra!
¹⁸ Então, Jesus aproximou-se deles e disse: “Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra. ¹⁹ Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ²⁰ ensinando-os a OBEDECER A TUDO O QUE EU LHES ORDENEI. E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos”. (Mateus 28:18-20)
Na Igreja Maranata ocorre uma distorção sutil: a bênção de Deus passa a depender da fidelidade ao sistema e a obediência à cúpula da igreja.
3. OPOSIÇÃO INTERNA RECONHECIDA
Ainda na introdução, Gilson Sousa afirmou que há oposição à obra de evangelização “de fora e dentro da igreja”.
Disse Gilson Sousa:
“Lembremos que sempre há oposição à obra de evangelização. O apóstolo Paulo escreveu sobre isso. Em 1 Coríntios, capítulo 16, verso 9, ele escreveu dizendo: … uma porta grande e eficaz se abriu, e há muitos adversários. E mais, ele mostra que estes entrarão no meio de vós, ou seja… há uma oposição de fora e DENTRO DA IGREJA.”
Essa frase não é inocente. Ela prepara o terreno emocional para o restante da mensagem.
Ao falar em adversários internos sem nomeá-los, sem qualificar com clareza de quem ou do que se trata, a liderança lança uma sombra sobre toda a comunidade.
O efeito disso é devastador.
Membros passam a desconfiar uns dos outros. Os mais zelosos começam a procurar “rebeldes” na congregação. Qualquer questionamento à liderança pode passar a ser visto como ação maligna contra a obra de Deus. Em vez de pastorear consciências, cria-se um ambiente de suspeita generalizada.
4. ACÃ, O PERTURBADOR / CULPA COLETIVA
Essa lógica foi aprofundada por GERSON BELUCI ao recorrer ao episódio de Acã. O movimento hermenêutico foi direto:
Acã tornou-se modelo do “perturbador”, do pecador oculto, daquele cuja desobediência contamina toda a igreja.
Disse Gerson Beluci:
“Mas nós observamos que, logo a seguir, um homem chamado Acã, cujo significado para nós e no nosso idioma, em português, significa perturbador. Também o significado na língua hebraica.”
A partir daí, a mensagem faz uma ponte perigosa entre o caso específico de Josué 7 e a vida da igreja hoje. Gerson afirma que o pecado de um pode atingir todo o corpo, que a igreja pode deixar de crescer por causa disso, que o patrimônio pode ser desprotegido, que um ladrão pode entrar e furtar instrumentos da igreja porque houve uma brecha espiritual causada por um pecador oculto.
Disse Gerson Beluci:
“E o texto bíblico nos mostra, meus irmãos, que o pecado de Acã contaminou todo o povo. E a Bíblia nos diz, né? Um pouco de fermento leveda toda a massa. A Palavra de Deus nos ensina isso. E o Senhor disse para o povo que essa desobediência de um poderia atingir como atingiu todo o povo. E o texto nos diz, prevaricaram os filhos de Israel. E como consequência, a ira do Senhor se acendeu contra o povo de Israel, contra os filhos de Israel.
O maior problema desse tipo de mensagem é que ela desconsidera que o Velho Testamento organiza-se em um relacionamento de Deus com uma nação (teocracia nacional), enquanto o Novo Testamento atrai a responsabilidade individual.
– Antigo Testamento (teocracia nacional)
Responsabilidade coletiva
– Novo Testamento (igreja em Cristo)
Responsabilidade individual
Textos claros:
²⁰ Aquele que pecar é que morrerá. O filho não levará a culpa do pai, nem o pai levará a culpa do filho. A justiça do justo lhe será creditada, e a impiedade do ímpio lhe será cobrada. (Ezequiel 18:20)
¹ Ao passar, Jesus viu um cego de nascença. ² Seus discípulos lhe perguntaram: “Mestre, quem pecou: este homem ou seus pais, para que ele nascesse cego? ” ³ Disse Jesus: “Nem ele nem seus pais pecaram, mas isto aconteceu para que a obra de Deus se manifestasse na vida dele. (João 9:1-3)
⁴ Cada um examine os próprios atos, e então poderá orgulhar-se de si mesmo, sem se comparar com ninguém, ⁵ pois cada um deverá levar a própria carga. (Gálatas 6:4,5)
4.1. Suspeita no ar: generalização cruel
Disse Gerson Beluci:
O mesmo ocorre, meus irmãos, com a igreja hoje, quando nós encontramos um diácono, uma professora, uma líder do grupo de senhoras, um membro do grupo de louvor vivendo uma vida indigna do Senhor, escandalizando pelo seu procedimento, pelo seu mau testemunho, toda a igreja sofre.”
Aqui reside uma das partes mais cruéis e espiritualmente desonestas de toda a EBD.
A acusação é ampla, mas vaga. Fala-se de pecado, de escândalo, de mau testemunho, de vida indigna. Mas não se diz qual pecado. Não se esclarece quem o cometeu. Não se define o problema. Deixa-se uma nuvem pairando sobre todos. Isso gera culpa sem objeto definido, medo sem alvo claro e vigilância sem critério justo.
Uma irmã pode, por exemplo, sentir-se responsável por um fracasso da igreja local por ter descumprido uma regra comportamental interna que nem sequer corresponde a pecado bíblico (uso de calça comprida, por exemplo). Um grupo inteiro pode passar a buscar o “culpado” de uma dificuldade espiritual sem que haja qualquer transparência, amor ou justiça nesse processo.
4.2. Distorção da mensagem de Paulo
Se não bastasse a generalização temerária, Gerson distorce um texto de Paulo para fundamentar sua aplicação do Velho Testamento na vida diária da igreja.
Disse Gerson Beluci:
“Vejam, a igreja evangeliza, mas não há conversões. A igreja não cresce.
Um ladrão entra e furta os instrumentos da igreja, ou seja, o senhor retira a sua proteção.
Por quê? Porque esse pecado é uma brecha pela qual o inimigo penetra na igreja para prejudicá-la. Por que isso, meus irmãos? Porque nós vivemos como um corpo, nós somos um corpo, o corpo de Cristo, é a igreja. Se um membro padece, a Bíblia diz isso, todos padecem. Se um membro está espiritualmente enfermo, os efeitos dessa enfermidade se manifestam em todo o corpo. Isso está lá em 1 Coríntios, capítulo 12, verso 26, os irmãos podem comprovar. Isso acontece mesmo que o pecado esteja oculto ou seja desconhecido de toda a igreja. Mas Deus observa, o Espírito Santo está atento a esses detalhes.”
Gerson deveria saber que esse texto não fala de juízo coletivo por pecado oculto.
Paulo está tratando do corpo de Cristo no sentido de empatia, solidariedade, honra mútua e sensibilidade ao sofrimento dos irmãos. O apóstolo não está ensinando que toda a igreja sofrerá punição espiritual por causa de um membro que pecou em segredo. Transformar esse texto em fundamento para uma teologia de contaminação coletiva é uma distorção grave da Escritura.
O Novo Testamento, aliás, se afasta claramente dessa lógica mecânica de culpa coletiva.
Como vimos, o próprio Senhor Jesus, ao tratar do cego de nascença, rejeita a suposição de que seu sofrimento decorresse do pecado dele ou de seus pais. No mesmo sentido, o princípio expresso em Ezequiel — “a alma que pecar, essa morrerá”, que aponta para a responsabilidade pessoal diante de Deus, não para a fabricação de uma comunidade permanentemente culpada por pecados indefinidos de alguém que ninguém conhece.
Em síntese:
O que se viu nessa EBD não foi a pregação do evangelho da graça, mas a reedição de um uso abusivo do Antigo Testamento para disciplinar consciências no presente.
5. A MORTE DO ANÁTEMA / DISCIPLINA NA ICM
A crueldade cresce ainda mais quando Gerson Beluci afirma que Deus deu a solução: santificar o povo e eliminar o anátema. Em seguida, associa esse episódio à disciplina praticada na igreja.
Disse Gerson Beluci:
“Mas Deus, meus irmãos, é misericordioso e ele deu a solução. E essa solução vale para nós também. O Senhor disse, santifica o povo. Santifica o povo. Josué buscou o anátema, encontrou e todo o Israel deu fim a esse anátema, o apedrejou. É por essa razão, meus irmãos, que existe disciplina em nosso meio, sem se contaminar pelo pecado de alguns, para que a igreja continue santa e na obediência às determinações do Senhor.”
O problema aqui não é apenas bíblico, mas moral e pastoral. A disciplina eclesiástica, em qualquer ambiente minimamente cristão, deve ter como horizonte a restauração, a verdade, o arrependimento e a reconciliação. O modelo de Jesus não é o do apedrejamento do pecador, mas o da confrontação misericordiosa, do chamado ao arrependimento e da busca pelo resgate daquele que se perdeu.
Vamos comparar a atitude de Josué com a atitude de Jesus:
Josué:
²⁵ Disse Josué: “Por que você nos causou esta desgraça? Hoje o Senhor lhe causará desgraça”. E todo o Israel o apedrejou, e depois apedrejou também os seus, e os queimou no fogo. (Josué 7:25)
Jesus:
³ Os mestres da lei e os fariseus trouxeram-lhe uma mulher surpreendida em adultério. Fizeram-na ficar em pé diante de todos ⁴ e disseram a Jesus: “Mestre, esta mulher foi surpreendida em ato de adultério. ⁵ Na Lei, Moisés nos ordena apedrejar tais mulheres. E o senhor, que diz? ” (…) ⁷ Visto que continuavam a interrogá-lo, ele se levantou e lhes disse: “Se algum de vocês estiver sem pecado, seja o primeiro a atirar pedra nela“. ⁸ Inclinou-se novamente e continuou escrevendo no chão. ⁹ Os que o ouviram foram saindo, um de cada vez, começando com os mais velhos. Jesus ficou só, com a mulher em pé diante dele. ¹⁰ Então Jesus pôs-se de pé e perguntou-lhe: “Mulher, onde estão eles? Ninguém a condenou? “¹¹ “Ninguém, Senhor”, disse ela. Declarou Jesus: “Eu também não a condeno. Agora vá e abandone sua vida de pecado”. (João 8:3-11)
Quando a ICM aproxima sua disciplina do apedrejamento de Acã, o que comunica aos membros é outra coisa: o disciplinado é um mal a ser removido, um foco de contaminação, alguém cuja exclusão preserva a pureza do grupo.
Isso é especialmente grave porque, no ambiente da ICM, disciplina muitas vezes significa afastamento de funções, perda de posição, humilhação comunitária, silêncio institucional e suspeita moral sobre a pessoa, sem que a igreja local saiba exatamente do que se trata. O resultado é vexação pública, estigma duradouro e medo coletivo. Os disciplinados ficam feridos; os observadores aprendem a não questionar. A pedagogia do medo é eficaz.
6. PESOS E MEDIDAS DESIGUAIS: QUEM FOI “APEDREJADO” EM 2013?
Há também uma profunda incoerência moral nesse discurso. Quando se fala em “dar fim ao anátema” para que a igreja não se contamine, é impossível não lembrar dos escândalos financeiros e das acusações de corrupção envolvendo membros da cúpula da ICM, revelados publicamente e investigados judicialmente. Ali não se viu o mesmo rigor. Muitos dos envolvidos permaneceram em posições de destaque, inclusive o principal líder da instituição.
Isso mostra que o peso da disciplina não é distribuído de modo igual. O severo discurso de pureza parece recair, sobretudo, sobre os que estão em posição inferior, sobre os comuns, sobre os que questionam, sobre os vulneráveis. Para os de cima, a regra muda. E quando a regra muda conforme a posição, já não estamos diante de santidade, mas de poder.
7. ALEXANDRE GUEIROS NÃO OUVE OPINIÕES
Outro momento revelador da EBD foi a fala de Gerson segundo a qual não se deve seguir a opinião de homens, nem mesmo de “bons servos”, mas buscar o que o Espírito Santo revela à igreja.
Disse Gerson Beluci:
“Nós não podemos seguir a opinião de homens, até a opinião de servos, de bons servos. É preciso buscar e basear as nossas decisões naquilo que o Espírito Santo, que o Senhor revela a igreja como o corpo de Cristo. E nós sabemos, sem a revelação do Espírito, meus irmãos, nós temos a tendência de julgar segundo a aparência. Portanto, necessitamos do conselho daquele que é o conselheiro infalível que é o Espírito Santo. Esse Espírito que está aqui conosco, esse Espírito que visita o seu coração nessa hora, para que continuemos a vencer a guerra. Há uma guerra contra as hostes espirituais que escravizam as vidas, lutando para que elas não sejam salvas.”
À primeira vista, a frase parece correta. Só que, no contexto institucional da ICM, ela funciona de modo bastante específico: a opinião dos homens que não deve ser seguida é sempre a dos que questionam; já a “revelação do Espírito” coincide, convenientemente, com o que a liderança superior já decidiu.
O discurso de salvação de almas é bonito, mas como pretender isso sem a apresentação do evangelho? Ao contrário, como pretender isso com a distorção de princípios elementares do evangelho? Dizer que tudo que eles fazem é com a direção do Espírito Santo apenas revela que esse espírito é outro, porque o Espírito Santo de Deus jamais revelaria uma mensagem em direção oposta à mensagem de Jesus. Aliás, fica a pergunta: por que esse espírito que revela tudo na ICM não revelou quem eram os pastores que estavam desviando dinheiro da ICM antes que o Ministério Público fosse acionado?
Enfim, a retórica é espiritual, mas o efeito é autoritário. Subtrai-se do crente o direito de examinar, ponderar, discernir e confrontar; em vez disso, oferece-se uma fórmula em que a liderança fala e o Espírito confirma.
8. SE ANDARMOS NA LUZ = REVELAÇÃO ALÉM DA LETRA
A narrativa sobre ouvir apenas o Espírito Santo, além de não se confirmar na prática da Igreja Maranata, também carece de sustentação bíblica.
Isso fica evidente nas palavras de ALEXANDRE GUEIROS.
Disse Alexandre Gueiros:
“Na obediência de Israel, o Senhor ouviu inclusive aquela oração que Josué fez: “Sol, detente em Gibeón, e tu, Lua, no vale de Ajalon”. E o Senhor operou este grande sinal, irmãos. O Sol se deteve, a Lua parou, até que o povo venceu os inimigos. (…) O mesmo ocorre hoje. Ao povo que vive em santificação e buscando a direção do Senhor. O Senhor opera sinais e maravilhas no meio de nós. E RECEBEMOS A LUZ DO SOL, OU SEJA, AS REVELAÇÕES DO SOL DA JUSTIÇA, que é o Senhor Jesus, para lutarmos. E OS SERVOS DO SENHOR, JÁ APRENDEMOS, SÓ SABEM LUTAR NA LUZ, NA OBEDIÊNCIA ÀS REVELAÇÕES DO SENHOR.”
Ao comentar a oração de Josué e o episódio do sol que se deteve em Gibeom, Alexandre afirma que o mesmo ocorre hoje com o povo que vive em santificação e busca a direção do Senhor. Até aí, já há um salto hermenêutico discutível. Mas ele vai além e diz que os servos (ICM) recebem “a luz do sol”, isto é, as revelações do Sol da Justiça, e que os servos do Senhor (ICM) só sabem lutar na luz, na obediência às revelações do Senhor. Depois, interpreta “andar na luz”, de 1 João 1, como andar na revelação.
Essa leitura não se sustenta no contexto do texto bíblico. Vamos ver o texto:
⁵ Esta é a mensagem que dele ouvimos e transmitimos a vocês: Deus é luz; nele não há treva alguma. ⁶ Se afirmarmos que temos comunhão com ele, mas andamos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade. ⁷ Se, porém, andamos na luz, como ele está na luz, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado. ⁸ Se afirmarmos que estamos sem pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós. ⁹ Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça. ¹⁰ Se afirmarmos que não temos cometido pecado, fazemos de Deus um mentiroso, e a sua palavra não está em nós. (1 João 1:5-10)
Segundo essa passagem de 1 João, “andar na luz” não significa viver recebendo orientações místicas ou revelações institucionais. Significa viver na verdade de Deus, sem mentira, em arrependimento, em confissão de pecados, em comunhão sincera com os irmãos.
O texto diz que, se andarmos na luz, o sangue de Jesus nos purifica de todo pecado. Não há ali qualquer base para a doutrina maranatense de que andar na luz seja viver debaixo de um fluxo especial de revelações que orientam a instituição. Trata-se de mais uma apropriação indevida da Escritura para sustentar uma espiritualidade exclusiva e autolegitimadora.
9. COMUNHÃO SELETIVA ICEMITA
Disse Alexandre Gueiros:
“SE ANDARMOS NA LUZ, irmãos, está escrito, ou seja, na revelação, temos comunhão com o corpo de Cristo E O PODER DO SANGUE DE JESUS ESTÁ OPERANDO PELO SEU ESPÍRITO SANTO. Recebemos então do Senhor tudo aquilo que é necessário para a nossa vitória contra o mal, contra o adversário e podemos assim libertar as vidas que estão sendo escravizadas.”
A contradição se torna ainda mais evidente quando Alexandre fala de comunhão com o corpo de Cristo. A ICM, em sua prática, não demonstra comunhão com o corpo de Cristo de forma ampla. Trata com desprezo outras igrejas evangélicas, isola-se em relação a ex-membros, desestimula relações com quem saiu, impõe barreiras práticas a casamentos fora do seu padrão e constrói a percepção de que o ambiente seguro de Deus está apenas dentro de sua própria estrutura. Como então falar em comunhão com o corpo de Cristo, quando se nega essa comunhão justamente aos demais membros desse corpo?
Se os membros da Igreja Maranata não podem visitar outras igrejas; se não podem manter comunhão com ex-membros (ainda que parentes, familiares ou amigos); se não podem se casar em outra igreja, caso não concordem com a cerimônia da ICM… Então, falar em libertar vidas que estão sendo escravizadas parece desconsidera a falta de liberdade existente dentro da própria Igreja Maranata.
10. O QUE É EVANGELIZAR PARA A IGREJA MARANATA?
Disse Alexandre Gueiros:
“O livro de Josué ainda registra a repartição da terra conquistada. O Senhor revelou o que cabia a cada tribo, mas ainda havia muita terra a conquistar. Está escrito ali em Josué 13.1. Semelhantemente, hoje todas as nossas igrejas, cada uma delas, em todas as nossas áreas, regiões, recebeu a incumbência de trabalhar em seus territórios. Temos de semear a boa semente, temos de evangelizar os nossos amigos, vizinhos, colegas, parentes. Temos de evangelizar o nosso bairro, a nossa cidade, pois ainda há muita terra a possuir, há muitos corações ainda a serem conquistados antes da volta gloriosa do Senhor Jesus para nos arrebatar para si mesmo.”
O discurso sobre evangelização também merece atenção. Alexandre fala de “territórios”, de cada área e região recebendo sua incumbência, de muita terra ainda a possuir e de muitos corações a conquistar. A linguagem parece missionária, mas está profundamente institucionalizada. Na prática da ICM, evangelizar não é simplesmente anunciar Cristo e deixar as pessoas livres para segui-lo em consciência, onde e como entenderem, em comunhão com o corpo de Cristo. EVANGELIZAR, NO PADRÃO MARANATENSE, É TRAZER GENTE PARA A MARANATA. A “conquista de corações” torna-se expansão da estrutura. O objetivo real não é a liberdade do convertido em Cristo, mas sua integração ao sistema.
Falar em ocupação de territórios faria mais sentido se ele estivesse dizendo que OS BANCOS DAS IGREJAS DA MARANATA ESTÃO CADA VEZ MAIS VAZIOS e que os membros devem se empenhar em levar pessoas novas para ocupa-los.
11. A INCOERÊNCIA SOBRE HEBROM NÃO IMPORTA
Outro ponto confuso aparece na figura de Hebrom.
Disse Alexandre Gueiros:
“Lemos a seguir, irmãos, o episódio em que Caleb pede a Josué que lhe dê em herança Hebron. Mas ERA UMA TERRA DIFÍCIL, ERA UMA REGIÃO SITUADA NUM MONTE, E LÁ HABITAVAM GIGANTES. (…) A PALAVRA HEBRON, EM PORTUGUÊS, NÓS SABEMOS, SIGNIFICA UNIÃO, COMUNHÃO. Na comunhão com o corpo, somos vitoriosos.”
Primeiro, Alexandre descreve HEBROM COMO TERRA DIFÍCIL, associando-a a pessoas duras, difíceis de evangelizar. Depois afirma que HEBROM SIGNIFICA UNIÃO E COMUNHÃO.
A aplicação oscila sem critério consistente. Isso revela um método interpretativo muito característico: o texto não é lido a partir de seu contexto histórico-redentivo, mas usado como repositório de símbolos móveis, aplicáveis conforme a necessidade do discurso. O problema não é apenas técnico; é espiritual. Quando o texto pode significar quase qualquer coisa, ele deixa de corrigir o pregador e passa a ser manipulado por ele.
12. QUE AMOR É ESSE, ALEXANDRE GUEIROS?
Mais reveladora ainda é a fala de Alexandre de que o amor se expressa no serviço e que “o nosso amor se revela servindo a igreja”.
Disse Alexandre Gueiros:
“Esse compromisso é de obedecer a palavra de Deus, sobretudo amando o Senhor de todo o nosso coração, de toda a nossa alma, de todo o nosso entendimento. E O AMOR, NÓS SABEMOS, É EXPRESSO NO SERVIÇO, na nossa disposição contínua de sermos instrumentos para levar a mensagem da salvação àqueles que nos rodeiam. O NOSSO AMOR SE REVELA SERVINDO A IGREJA e servindo o Senhor nesta tarefa da salvação das ovelhas que Ele ainda quer agregar ao Seu rebanho. Lembram-se? Ainda há algumas ovelhas, mas elas ouvirão a minha voz e haverá um só rebanho, um só pastor.”
A formulação parece bela, mas é perigosa. O amor a Deus e ao próximo, nos evangelhos, se expressa em misericórdia, em verdade, em justiça, em perdão, em humildade, em serviço mútuo e em cuidado com os pequenos.
Na fala de Alexandre, entretanto, o amor é funcionalmente reduzido ao trabalho para a instituição e ao engajamento na sua agenda de evangelização. Assim, amar a Deus vai sendo traduzido como servir à ICM. É uma substituição sutil, porém profunda.
13. MOISÉS É TIPO DO ESPÍRITO SANTO?
A distorção atinge um de seus ápices quando Alexandre diz: “o nosso Moisés está nos levando à nossa terra prometida… é o Espírito Santo”.
Disse Alexandre Gueiros:
“O NOSSO MOISÉS ESTÁ NOS LEVANDO À NOSSA TERRA PROMETIDA, NÓS SABEMOS QUEM É, NÉ? É O ESPÍRITO SANTO.”
A frase merece ser observada com atenção. O Espírito Santo, na Bíblia, não veio para se tornar um novo Moisés institucional que conduz um povo dentro de uma organização religiosa particular.
Afinal, qual a missão do Espírito Santo?
Sua missão é glorificar Cristo, convencer o mundo do pecado, da justiça e do juízo, guiar à verdade, distribuir dons, produzir fruto e testemunhar de Jesus.
Quem nos leva a Deus (eternidade prometida)?
O centro da condução cristã é Cristo, que disse: “Eu sou o caminho” (João 14:6). Ainda que o Espírito Santo nos ajude a compreender sobre o caminho em que devemos andar (Is 13:21), jamais pode ser tipificado em Moisés, que era um guia que ia à frente do povo, e não ao lado (paráclito).
‘Os teus ouvidos ouvirão uma palavra atrás de ti, dizendo: Este é o caminho, andai nele’ (Isaías 30:21).
Como se pode notar, essa voz não substitui o caminho — ela aponta para ele.
Moisés era um guia externo, que ia à frente do povo (Êxodo 13:21), conduzindo de fora. Já o Espírito Santo é chamado por Jesus de Paráclito (João 14:16), aquele que está ao lado, que habita em nós (João 14:17) e nos guia interiormente.
Quando a bíblia diz que o Espírito da verdade nos guiará em toda a verdade’ (João 16:13), isso não significa que teremos revelações além da letra para conduzir uma estrutura eclesiástica, mas que seremos auxiliados a compreender as palavras de Jesus, que é a verdade.
Deslocar a missão do Espírito Santo para sustentar a narrativa de uma “obra do Espírito” identificada com a ICM, não é apenas um erro de interpretação, é uma proposital reorganização da fé em torno da instituição.
Como visto, a missão do Espírito Santo não é apontar para si mesmo nem para uma instituição religiosa sectária, mas para Cristo:
‘Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu e vo-lo anunciará’ (João 16:14).
Portanto, o Espírito Santo não substitui Cristo como caminho. Ele nos conduz a Cristo, nos mantém em Cristo e nos ensina a viver em Cristo.
14. A VISÃO DE WALLACE ROZETTI
Por fim, a “visão” narrada por Wallace Rozetti, da gota de sangue caindo no coração de cada ouvinte e produzindo alegria, funciona como selo emocional de tudo o que foi dito. Depois de uma sequência de aplicações problemáticas, ameaçadoras e distorcidas, surge uma experiência visionária para legitimar o conjunto e amolecer qualquer resistência interna. O mecanismo é conhecido: o conteúdo aperta; a visão consola; e o fiel conclui que tudo veio mesmo de Deus. Mas a pergunta permanece válida: que tipo de espiritualidade é essa, em que uma visão serve para confirmar mensagens que distorcem o evangelho de Jesus, desfiguram a graça, alimentam o medo e protegem estruturas humanas?
CONCLUSÃO
No fim das contas, a EBD de 29/3/2026 não proclamou com clareza a boa notícia de Cristo crucificado e ressurreto. Em vez disso, produziu uma combinação de culpa coletiva, suspeita interna, exclusivismo espiritual e obediência institucional. O pecador não é tratado como alguém a ser resgatado em amor e verdade, mas como foco de contaminação. A santidade não é apresentada como fruto da graça e da união com Cristo, mas como condição de desempenho para que a igreja tenha vitória. A comunhão com o corpo de Cristo é afirmada no discurso, mas negada na prática. E a revelação do Espírito acaba coincidindo, de novo, com a voz da cúpula.
Quando uma instituição ensina o povo a temer mais a suspeita da liderança do que a desobedecer a Cristo, algo está profundamente errado. Quando usa a Bíblia para justificar medo, vigilância e silêncio, não está edificando a igreja, mas a submetendo. E quando confunde serviço à igreja com amor a Deus, deixa de apontar para Jesus e passa a apontar para si mesma.
A tragédia maior é justamente essa: sob o nome de evangelização, anuncia-se cada vez menos o evangelho.
DEGRAVAÇÃO DAS MENSAGENS
Gilson Sousa
O nosso tema está relacionado à Arca, a Arca na Terra Prometida. O Senhor mostrou, desde a construção do tabernáculo, que Ele é um Deus santo e que os seus servos, os seus sacerdotes, devem também ser santos.
Ele mostrou que estaria sempre habitando com Israel. E a arca representa essa presença. A arca no meio do povo garantia que o Senhor nosso Deus estaria lutando contra os inimigos de Israel e fazendo Israel descansar.
No entanto, essas bênçãos dependeriam de o povo estar vivendo em santidade e em obediência ao Senhor.
O mesmo ocorre com a igreja hoje. Jesus é Emmanuel, Deus conosco. Ele prometeu estar com sua igreja todos os dias, mas as vitórias que Ele nos quer dar dependem de vivermos em santidade e obediência.
Lembremos que sempre há oposição à obra de evangelização. O apóstolo Paulo escreveu sobre isso. Em 1 Coríntios, capítulo 16, verso 9, ele escreveu dizendo:
… uma porta grande e eficaz se abriu, e há muitos adversários.
E mais, ele mostra que estes entrarão no meio de vós, ou seja… há uma oposição de fora e DENTRO DA IGREJA.
Ele também fala das ciladas dos judeus que me sobreviveram, expressão de Paulo numa de suas cartas.
E agora, nessa palavra introdutória, nós queremos convidar toda a igreja onde os irmãos estiverem nos cultos para aqueles que puderem estarmos agora todos de pé para lermos a palavra do Senhor e nós vamos ler em Josué capítulo 24 verso 13, 14 e 15. Nós vamos proceder a leitura e a igreja estará acompanhando a leitura que faremos destes três versículos. Josué capítulo 24 verso 13, 14 e 15. A palavra de Deus diz assim:
E eu vos dei a terra em que não trabalhastes, e cidades que não edificastes, e habitastes e habitais nelas, e comeis das vinhas e dos olivais que não plantastes. Agora, pois, temei ao Senhor, e servi-o com sinceridade e com verdade. E deitai fora os deuses aos quais serviram vossos pais, d’além do rio e no Egito, e servi ao Senhor. Porém, se vos parece mal aos vossos olhos servir ao Senhor, escolhei hoje a quem sirvais. Se aos deuses a quem serviram vossos pais, que estavam d’além do rio, ou os deuses dos amorreus, em cuja terra habitais. Porém, eu e a minha casa serviremos ao Senhor.
Louvado seja Deus.
Gerson Beluci
Aleluia. Cremos nesse Deus que vence batalhas.
Amados irmãos, na última EBD, nós estudamos a vitória de Israel na conquista de Jericó, no livro de Josué.
Mas nós observamos que, logo a seguir, um homem chamado Acã, cujo significado para nós e no nosso idioma, em português, significa perturbador. Também o significado na língua hebraica.
Ele desobedeceu ao Senhor, tomando para si em Jericó uma capa babilônica, ouro e prata.
E o texto bíblico nos mostra, meus irmãos, que o pecado de Acã contaminou todo o povo. E a Bíblia nos diz, né? Um pouco de fermento leveda toda a massa.
A Palavra de Deus nos ensina isso. E o Senhor disse para o povo que essa desobediência de um poderia atingir como atingiu todo o povo.
E o texto nos diz, prevaricaram os filhos de Israel.
E como consequência, a ira do Senhor se acendeu contra o povo de Israel, contra os filhos de Israel.
O mesmo ocorre, meus irmãos, com a igreja hoje, quando nós encontramos um diácono, uma professora, uma líder do grupo de senhoras, um membro do grupo de louvor vivendo uma vida indigna do Senhor, escandalizando pelo seu procedimento, pelo seu mau testemunho, toda a igreja sofre.
Vejam, a igreja evangeliza, mas não há conversões. A igreja não cresce.
Um ladrão entra e furta os instrumentos da igreja, ou seja, o senhor retira a sua proteção.
Por quê? Porque esse pecado é uma brecha pela qual o inimigo penetra na igreja para prejudicá-la. Por que isso, meus irmãos?
Porque nós vivemos como um corpo, nós somos um corpo, o corpo de Cristo, é a igreja. Se um membro padece, a Bíblia diz isso, todos padecem. Se um membro está espiritualmente enfermo, os efeitos dessa enfermidade se manifestam em todo o corpo.
Isso está lá em 1 Coríntios, capítulo 12, verso 26, os irmãos podem comprovar. Isso acontece mesmo que o pecado esteja oculto ou seja desconhecido de toda a igreja. Mas Deus observa, o Espírito Santo está atento a esses detalhes.
Então, como resultado, o texto bíblico em Josué nos mostra quando o povo foi combater contra a cidade de Ai, não contaram com a direção do Senhor. Quem eles ouviram? Ouviram a voz dos espias que orientaram. Eles disseram, não suba todo o povo para não cansar todo o povo. Olha, subam apenas dois ou três mil.
E os irmãos sabem o que aconteceu. Esses homens foram desbaratados. Os homens de Israel foram desbaratados diante dos homens de Ai. Foi uma vergonha para o povo de Israel.
Aí Josué, diante do fato, resolveu clamar ao Senhor perante a arca do Senhor. A arca estava disponível todo o tempo.
Mas ele só se lembrou depois desse fato.
Aí o Senhor respondeu, louvado seja Deus. O Senhor sempre tem uma resposta para aqueles que o buscam.
E a resposta do Senhor foi essa. Israel pecou. Eles transgrediram o meu concerto. Está aí em Josué 7, 11. Podemos ler.
Israel pecou e até transgrediram o meu concerto. Tomaram do anátema, furtaram e mentiram e até debaixo da sua bagagem o puseram.
Mas Deus, meus irmãos, é misericordioso e ele deu a solução. E essa solução vale para nós também. O Senhor disse, santifica o povo. Santifica o povo. Josué buscou o anátema, Encontrou e todo o Israel deu fim a esse anátema, o apedrejou.
É por essa razão, meus irmãos, que existe disciplina em nosso meio, sem se contaminar pelo pecado de alguns, para que a igreja continue santa e na obediência às determinações do Senhor.
Nós não podemos seguir a opinião de homens, até a opinião de servos, de bons servos, É preciso buscar e basear as nossas decisões naquilo que o Espírito Santo, que o Senhor revela a igreja como o corpo de Cristo.
E nós sabemos, sem a revelação do Espírito, meus irmãos, nós temos a tendência de julgar segundo a aparência. Portanto, necessitamos do conselho daquele que é o conselheiro infalível que é o Espírito Santo. Esse Espírito que está aqui conosco, esse Espírito que visita o seu coração nessa hora, para que continuemos a vencer a guerra.
Há uma guerra contra as hostes espirituais que escravizam as vidas, lutando para que elas não sejam salvas.
Nós temos buscado ao Senhor nesse sentido, consultando sempre ao Senhor. Qual é o resultado disso? Nós estaremos seguros de que os propósitos do Senhor serão executados nos planos de evangelização. E aí sim, pregamos a palavra e estamos seguros de que Ele vai continuar a cooperar conosco. Como o evangelista Marcos escreveu… Que o Senhor confirmará a palavra, a pregação com os sinais que se seguiam. Está aí, né? Marcos 16:20, a parte B do versículo, “confirmando a palavra com sinais”.
A história bíblica continua depois de Acã eliminado do meio do povo, meus irmãos, o Senhor revelou a Josué que daria vitória a Israel nessa luta contra Ai. E ele disse:
…toma contigo toda a gente de guerra e levanta-te, sobe a Ai, olha que te tenho dado na tua mão o rei de Ai e o seu povo e a sua cidade e a sua terra.
Trazendo pra nós, aqui, a revelação que o Senhor deu este ano, ele requereu de nós uma dedicação especial para evangelizarmos. A evangelização é o nosso foco principal para este ano. E ele que nos dar vitória na luta pela salvação de almas, aleluia!
Mas, a condição ele também nos deu… é santificar-nos e obedecer as suas instruções.
Já entendemos que se o Senhor Deus estiver conosco abençoando o nosso trabalho, não seremos bem-sucedidos na evangelização.
Já aprendemos também que o nosso Deus é o Deus que responde as orações. E é por isso que nós, servos do Senhor, usamos fazer uma lista de oração por aqueles que nós queremos que o Senhor salve.
E neste ano nós podemos fazer isso, devemos fazer isso, os amigos, os colegas, os vizinhos, até aqueles parentes que você acha que o senhor nunca vai salvar, coloque na lista e nós temos que vigiar na santificação e orar diariamente por eles.
Esse Deus misericordioso há de salvá-los. Louvado seja Deus.
Segue-se, portanto, meus irmãos, o episódio em que Josué e Israel foram enganados e tiveram que sofrer as consequências desse engano. E isso aconteceu com os gibeonitas. É uma história muito conhecida, certamente os irmãos já sabem. E eles convenceram Josué que vinham de uma terra distante e que o Senhor prometeu dar a eles a Israel. E Josué fez um pacto com eles, fez um concerto que daria a eles vida, que protegeria eles dando vida.
Mas se os irmãos se lembram, Josué se esqueceu que estava agindo contrariamente a uma orientação do Senhor que era para expulsar todos os habitantes da terra.
Os cananitas tinham que sair dali.
E por que aconteceu isso? A gente fica pensando, um homem como Josué, um homem cheio do Espírito…
Mas está escrito, meus irmãos, que eles não pediram conselho à boca do Senhor. Josué 9:14b, não pediram conselho.
E por que não pediram conselho?
Novamente, porque confiaram no seu próprio julgamento, no seu próprio entendimento, que eles deviam confiar naquele povo.
Mas a Bíblia diz, né, maldito homem, infeliz, né, o homem que confia no homem para a realização da obra de Deus.
Meus irmãos, o Senhor Jesus em seu sermão profético nos adverte que nesse tempo profético que nós vivemos, ele previu que surgiriam enganadores e ele disse, né, acautelai-vos que ninguém vos engane.
Daí a necessidade de nós vigiarmos, orarmos. Devemos orar para que o Senhor nos dê discernimento nesse momento profético em que vivemos, vigiar, buscar a santificação e o conselho do Senhor.
Alexandre Gueiros
A paz do Senhor, queridos irmãos, vamos continuar estudando esses episódios da Arca na Terra Prometida, atentando agora para a história de Gibeon, um povo que vivia próximo ao local onde se encontrava Israel.
Através do engano, nós já acabamos de ver, se tornou aliado de Israel. Esse povo, então, é atacado por cinco reis e pede ajuda a Israel. Desta vez, Israel ouviu o conselho do Senhor. E o Senhor lhe prometeu, não os temas, porque os tenho dado na tua mão. E está escrito que o Senhor os conturbou diante de Israel e os feriu de uma grande ferida.
Na obediência de Israel, o Senhor ouviu inclusive aquela oração que Josué fez: “Sol, detente em Gibeón, e tu, Lua, no vale de Ajalón”.
E o Senhor operou este grande sinal, irmãos. O Sol se deteve, a Lua parou, até que o povo venceu os inimigos. O Sol se deteve no céu, está escrito, e não se apressou a se pôr por quase um dia inteiro.
O mesmo ocorre hoje. Ao povo que vive em santificação e buscando a direção do Senhor. O Senhor opera sinais e maravilhas no meio de nós. E RECEBEMOS A LUZ DO SOL, OU SEJA, AS REVELAÇÕES DO SOL DA JUSTIÇA, que é o Senhor Jesus, para lutarmos.
E OS SERVOS DO SENHOR, JÁ APRENDEMOS, SÓ SABEM LUTAR NA LUZ, NA OBEDIÊNCIA ÀS REVELAÇÕES DO SENHOR.
SE ANDARMOS NA LUZ, irmãos, está escrito, ou seja, na revelação, temos comunhão com o corpo de Cristo E O PODER DO SANGUE DE JESUS ESTÁ OPERANDO PELO SEU ESPÍRITO SANTO.
Recebemos então do Senhor tudo aquilo que é necessário para a nossa vitória contra o mal, contra o adversário e podemos assim libertar as vidas que estão sendo escravizadas.
Tudo isso porque o Senhor Jesus está conosco e já pagou o preço do resgate dessas almas. Ele derramou seu precioso sangue para a salvação de todo aquele que nele crer.
O livro de Josué ainda registra a repartição da terra conquistada. O Senhor revelou o que cabia a cada tribo, mas ainda havia muita terra a conquistar. Está escrito ali em Josué 13.1.
Semelhantemente, hoje todas as nossas igrejas, cada uma delas, em todas as nossas áreas, regiões, recebeu a incumbência de trabalhar em seus territórios.
Temos de semear a boa semente, temos de evangelizar os nossos amigos, vizinhos, colegas, parentes. Temos de evangelizar o nosso bairro, a nossa cidade, pois ainda há muita terra a possuir, há muitos corações ainda a serem conquistados antes da volta gloriosa do Senhor Jesus para nos arrebatar para si mesmo.
Lemos a seguir, irmãos, o episódio em que Caleb pede a Josué que lhe dê em herança Hebron. Mas ERA UMA TERRA DIFÍCIL, ERA UMA REGIÃO SITUADA NUM MONTE, E LÁ HABITAVAM GIGANTES.
Mas ele cria que o Senhor seria com ele para expulsar os gigantes, embora ele já tivesse 85 anos de idade. Mas ele era um servo fiel. Ele havia expiado a terra, lembram-se? Antes de entrarem na terra prometida. E havia trazido o mesmo relatório que Josué trouxe. Ele falou com a mesma confiança, usou a mesma linguagem de Josué, quando o povo duvidou da própria força para vencer os povos que estavam na terra, os gigantes que estavam na terra.
E naquele dia, Caleb havia falado: subamos animosamente e possuamos a terra em herança, porque certamente prevaleceremos contra ela. Está escrito em Números, capítulo 13, versículo 30.
E Josué, por sua parte, completou: se o Senhor se agradar de nós, então nos porá nesta terra e no-la dará. E os dois servos então falavam a mesma linguagem de fé e confiança no poder do Senhor. Confiança na presença do Senhor entre eles.
E nessa comunhão com Josué, entre Caleb e Josué, o Senhor operou grandes coisas.
E nós sabemos que o nome Josué, nome hebraico, significa Jesus. Já falamos isso.
O servo quer Hebron por herança. Nós, servos, queremos. Queremos Hebron.
É difícil. Às vezes olhamos para certas pessoas… “esse nunca vai abrir o coração. Esse não vai ser salvo, esse tem um coração duro, a sua terra é uma terra dura, seca”, né?
Mas, amados irmãos, se o Senhor se agradar de nós, se nós estivermos na oração, confiando no Senhor, intercedendo por essas vidas, o Senhor vai operar e vai nos dar esta terra.
A PALAVRA HEBRON, EM PORTUGUÊS, NÓS SABEMOS, SIGNIFICA UNIÃO, COMUNHÃO. Na comunhão com o corpo, somos vitoriosos.
O servo não se intimida diante dos adversários que surgem na evangelização, ainda que se apresentem como gigantes. O servo fala sempre como Josué, como Caleb: Subamos e possuamos a terra, porque certamente prevaleceremos. Foi a linguagem deles. Se o Senhor se agradar de nós, então nos porá nesta terra e nô-la dará.
Finalmente, Já perto de partir para a glória, Josué exorta o povo a observar a lei do Senhor.
O tabernáculo, nessa época, já estava montado em Siló. E ali ficaria por cerca de 450 anos, sempre à disposição do povo para que o povo pudesse consultar o Senhor e assim ter a segurança de continuar a ser vitorioso na conquista da terra.
Então, naquele momento, Josué se lembra do que o Senhor havia feito por Israel e renova então o concerto do povo com o Senhor. Nesse concerto, o Senhor prometia… se comprometia a servir… a ser com o povo e o povo se comprometia a servir ao Senhor com fidelidade.
As palavras daquela aliança, então, foram escritas no livro da lei de Deus. Nós lemos lá, nessa passagem de Josué. E Josué, então, concluiu aquela cerimônia dizendo ao povo: “escolhei hoje a quem sirvais”, como já foi lido, “mas eu e a minha casa serviremos ao Senhor”.
Hoje, amados irmãos, todos nós, servos, somos convidados a renovar esse compromisso com o Senhor.
Esse compromisso é de obedecer a palavra de Deus, sobretudo amando o Senhor de todo o nosso coração, de toda a nossa alma, de todo o nosso entendimento.
E O AMOR, NÓS SABEMOS, É EXPRESSO NO SERVIÇO, na nossa disposição contínua de sermos instrumentos para levar a mensagem da salvação àqueles que nos rodeiam.
O NOSSO AMOR SE REVELA SERVINDO A IGREJA e servindo o Senhor nesta tarefa da salvação das ovelhas que Ele ainda quer agregar ao Seu rebanho. Lembram-se? Ainda há algumas ovelhas, mas elas ouvirão a minha voz e haverá um só rebanho, um só pastor.
Meus irmãos, se a obra da evangelização nos parecer difícil, sigamos o exemplo de Caleb, que, repetimos, aos 85 anos de idade, continuava com a mesma disposição de servir o Senhor que tivera quando ainda jovem.
E eu vou ler para os irmãos. Podemos, já chegando ao fim, estar de pé para ouvir esta palavra do Senhor que está em Josué, capítulo 14, versículo 7 a 12. Lerei agora para todos. Josué 14, versículo 7:
Da idade de 40 anos era eu (palavras de Caleb), quando Moisés, servo do. Senhor, me enviou de Cádiz, Barnéa, a espiar a terra. E eu lhe trouxe resposta, como sentia no meu coração. Mas meus irmãos, que subiram comigo, fizeram derreter o coração do povo. Eu, porém, perseverei em seguir ao Senhor, meu Deus. Então Moisés naquele dia jurou dizendo: certamente a terra que pisou teu pé será tua e de teus filhos em herança perpetuamente, pois perseveraste em seguir ao Senhor, meu Deus.
O NOSSO MOISÉS ESTÁ NOS LEVANDO À NOSSA TERRA PROMETIDA, NÓS SABEMOS QUEM É, NÉ? É O ESPÍRITO SANTO.
E a seguir:
… e agora, eis que o Senhor me conservou em vida. Como disse, 45 anos há agora, desde que o Senhor falou esta palavra a Moisés, andando Israel ainda no deserto. E agora, eis que hoje já sou de idade de 85 anos, e ainda. Hoje estou tão forte como no dia em que Moisés me enviou.”.
É a força do Espírito Santo.
Qual a minha força então era, tal é agora a minha força para a guerra, e para sair e para entrar. Agora, pois, dá-me este monte de que o Senhor falou aquele dia. Pois naquele dia tu ouviste que os enaquins estão ali, grandes e fortes cidades há ali. Porventura o Senhor será comigo para os expelir, como o Senhor disse. E Josué o abençoou e deu…
Josué é o Senhor Jesus para nós, né?
E Josué o abençoou e deu a Caleb, filho de Jefoné, Hebron.
Comunhão. União. Comunhão com o corpo de Cristo, em herança. Amém.
Amados irmãos, o Senhor deu uma revelação quando orávamos por esta escola dominical. O Senhor mostrou que deveríamos terminar esta escola bíblica falando todos como Josué, no capítulo 24, versículo 15. Todos nós pudemos ler esta passagem.
Escolhei hoje a quem sirvais, porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor.
Amém.
[LOUVOR]
Vamos ouvir uma visão que o Senhor deu em um determinado momento da leitura desse texto.
Wallace Rozetti
Quando nós, em conjunto, lemos esse texto no final, eu vi que caía uma gota de sangue. E essa gota, interessante, que só em visão, né? Ela caía no coração de cada irmão que está assistindo a Escola Bíblica. E quando ela caía no nosso coração, o nosso coração começava a bater forte, cada vez mais forte. E havia uma alegria muito grande no coração de todos.
Alexandre Gueiros
Amém, amém, amém. O Senhor renovando o nosso amor a Ele, o nosso amor à sua obra, nosso amor, a obra de salvação de vidas, em particular, não é?