NOVAS REVELAÇÕES DA IGREJA MARANATA: EBD de 11/01/2026

NOVAS REVELAÇÕES DA IGREJA MARANATA: EBD de 11/01/2026

11 de janeiro de 2026 Off Por Sólon Pereira

INVENÇÕES MUITO ALÉM DA LETRA (BÍBLIA)

Uma análise crítica da EBD da Igreja Cristã Maranata – 11/01/2026

Por Solon Pereira – Projeto Análise | Celeiros

Vídeo de referência: https://www.youtube.com/watch?v=meUIGj31ejE

A degravação integral consta ao final deste texto.

INTRODUÇÃO

A Escola Bíblica Dominical da Igreja Cristã Maranata do dia 11 de janeiro de 2026 deu continuidade à série “Jesus no Tabernáculo”.

À primeira vista, trata-se de um estudo piedoso, repleto de linguagem espiritual e referências bíblicas. No entanto, uma análise mais atenta revela um método recorrente: ultrapassar o texto bíblico, atribuindo-lhe sentidos que não estão nele, e chamar essas construções de “revelações”.

O problema não está em ver Cristo apontado no Antigo Testamento — isso é legítimo e bíblico —, mas em ir além do que a Escritura afirma, criando interpretações particulares que, ao final, passam a funcionar como critério de verdade e identidade espiritual da própria instituição.


MARCELO FERREIRA

1. “A Palavra e as revelações”

Disse Marcelo Ferreira em sua oração inicial:

“nós queremos aprender a amar mais o Senhor Jesus. (…) E pela Tua Palavra e pelas REVELAÇÕES nos leva a conhecer mais o nosso Salvador, em nome de Jesus.”

Marcelo afirma que o objetivo do estudo é amar mais a Jesus e conhecê-lo melhor “pela Tua Palavra e pelas revelações”.

Essa pequena conjunção (“e”) não é neutra. Ela sugere, ainda que de forma discreta, que a Palavra escrita, sozinha, não seria suficiente, sendo necessário um complemento: as “revelações” ensinadas pela própria ICM.

Para o público leigo, o efeito é claro: conhecer Jesus “de verdade” passa a depender de algo que vai além da Bíblia e que é mediado pela instituição.

Assim, a Escritura deixa de ser o critério final, e a revelação institucional ganha peso equivalente — ou até superior.


2. As ofertas: o que elas realmente significavam

Antes de aplicar qualquer simbolismo, é importante lembrar o básico.

No Antigo Testamento, as ofertas descritas em Levítico tinham funções claras:

·       Holocausto: consagração total a Deus;

·       Oferta de manjares (cereais): gratidão e dedicação do fruto do trabalho;

·       Oferta pacífica: comunhão e ação de graças;

·       Oferta pelo pecado: expiação ritual;

·       Oferta pela culpa: expiação com restituição, quando havia dano ao próximo.

No Novo Testamento, especialmente na carta aos Hebreus, essas ofertas são apresentadas como sombra, apontando para a obra única e suficiente de Cristo.

O foco não está em decifrar cada ingrediente como se fosse um código secreto, mas em mostrar que Cristo cumpriu plenamente aquilo que os sacrifícios apenas simbolizavam.


3. “Quatro ofertas mostram como Jesus morreria; a de manjares, como Ele viveria”

Marcelo afirma que:

“As quatro ofertas que tinham sangue, que tinham morte, apontavam como Jesus iria morrer por nós. Mas a oferta que não tinha sangue, a de manjares, apontava de como Jesus iria viver por nós.”

Essa divisão não aparece no Novo Testamento. A Bíblia não separa a vida e a morte de Jesus dessa forma.

Toda a vida de Cristo já foi uma vida de obediência sacrificial, culminando na cruz. Transformar a oferta de manjares em um “mapa” da vida de Jesus é uma construção didática, não uma verdade bíblica revelada.


4. Trigo, farinha e a “essência interior” de Jesus

Disse Marcelo Ferreira:

Jesus quando estava falando com os seus discípulos acerca da sua morte, ele compara a si mesmo ao trigo. Então ele dizia assim: se o grão de trigo ficar vivo, fica só, mas se morrer, dá muitos frutos. Era Jesus falando da sua própria morte. Ele é o trigo de Deus, porque Jesus, ele é a Palavra de Deus.

E aí tem um ponto importante, porque o que era usado na oferta de Manjares, era a farinha de trigo. Ou seja, o era a melhor parte que do trigo. Era… Se usava o interior do trigo. Mostrando e apontando para a essência de Jesus como homem. Os seus pensamentos, as suas emoções, o homem perfeito que ele foi. Ou seja, Jesus como homem tinha em si o melhor que existe da humanidade do homem.”

Outro ponto problemático é a afirmação de que:

·       o trigo representa Jesus como Palavra de Deus;

·       a farinha, por ser o “interior do trigo”, representaria os pensamentos e emoções de Jesus.

Essa distinção não existe no texto bíblico.

Levítico não sugere, em nenhum momento, que a farinha simbolize a vida emocional ou psicológica do Messias. Trata-se de uma alegoria criada pela imaginação do expositor.

O risco aqui é evidente: quando esse tipo de leitura é apresentado como “revelação”, cria-se a ideia de que a ICM possui um acesso especial ao sentido oculto da Bíblia — algo que outras igrejas, supostamente, não teriam.


5. “Ventos de doutrina” versus “palavra revelada”

Disse Marcelo Ferreira:

“Veja que coisa importante, porque o trigo, que aqui é o Senhor Jesus, e Jesus é a Palavra de Deus. Jesus é o trigo. Então, veja, se você pegasse a farinha de trigo e colocasse, por exemplo, sobre a frigideira, o vento ia bater e o trigo ia espalhar. Imagina no deserto, então, com ventos que chegam a altas velocidades. Você botou a farinha ali e ia bater. A palavra de Deus Sem a operação do Espírito Santo, os ventos de doutrina que vêm de todos os lados batem e espalham. A palavra não fica, porque as correntes doutrinárias que vêm, os ventos que sopram. Mas não era assim que acontecia. Por quê? Porque logo que ele colocava a farinha de trigo, logo em seguida já derramava o azeite. E o azeite transformava então em uma massa, podia bater o vento que fosse, não espalhava o trigo, porque o azeite segurava. A palavra de Deus quando ela é revelada, a palavra de Deus quando ela tem uma operação do Espírito Santo, os ventos não espalham. Porque o Espírito Santo mantém a palavra no coração da igreja. Céus e terras passarão, mas a minha palavra não passará. A palavra do Espírito fica eternamente. Glória a Deus.”

Ao afirmar que a Palavra, sem a “operação do Espírito”, é espalhada pelos “ventos de doutrina” e “correntes doutrinárias”, Marcelo mistura duas coisas diferentes:

·       a promessa de Jesus é que sua Palavra não passará;

·       a distorção bíblica acontece com a ideia de que apenas a “palavra revelada” (como ensinada pela ICM) permanece firme.

O resultado é sutil, mas eficaz: outras igrejas, com sua teologia e interpretação bíblica, são colocadas no mesmo pacote dos “ventos de doutrina”, enquanto a ICM se apresenta como o lugar onde a Palavra é preservada viva, protegida e correta.


6. Incenso, oração e descuido bíblico

Disse Marcelo Ferreira:

O incenso fala de oração. O salmista disse, suba a minha oração como incenso perante a tua face. Mostrando que Jesus seria um homem de oração. Na cruz ele orou por nós. No Getsêmani, ele orou até suar sangue, mas não parava de orar.

Ele dizia sempre, orai sem cessar.

Marcelo afirma que Jesus “sempre dizia: ‘orai sem cessar’”. Essa frase não é de Jesus, mas do apóstolo Paulo. Pode parecer detalhe, mas revela algo importante: quem reivindica revelação além da letra deveria, no mínimo, ser rigoroso com a própria letra.

Esse tipo de imprecisão enfraquece a autoridade do discurso e mostra que, muitas vezes, a “revelação” caminha junto com descuido textual.


7. Mel, fermento e incoerência doutrinária

Marcelo Ferreira disse:

O MEL misturado com outros elementos, ele provoca a fermentação.

O que é o mel aqui? O mel aqui são os sentimentos humanos. São as emoções humanas.

Mas que às vezes pode estar em choque com aquilo que é o projeto de Deus. Esses sentimentos não podem entrar. Não podem ser misturados com o que é profético, não podem ser misturados com o que é revelação, porque o projeto de Deus é imutável.

O fermento, Jesus falou sobre ele: “Acautelai-vos do fermento dos fariseus”, que é a doutrina dos fariseus.

Ou seja, na nossa vida espiritual, da igreja, como foi de Jesus, não pode entrar a falsa doutrina, que são tradições, que são interpretações teológicas, que podem mudar a receita, que podem fermentar a massa, que podem mudar o projeto, que podem mudar a palavra. Não, a igreja não precisa disso, porque aquilo que é revelado nos basta.”

Um dos pontos mais graves da EBD é a interpretação do mel.

Marcelo afirma que:

·       o mel representa sentimentos e emoções humanas;

·       esses sentimentos não podem ser misturados com o profético ou com a revelação;

·       interpretações teológicas seriam como fermento que “estraga a massa”, mudam o projeto e a palavra de Deus.

O problema é a incoerência. Em EBDs anteriores — especialmente em estudos sobre o livro de Cantares — o mel já foi apresentado como algo positivo, símbolo da Palavra de Deus e da doçura espiritual.

Agora, o mesmo símbolo passa a representar algo negativo e perigoso.

Isso revela um método instável: o símbolo muda de significado conforme a conveniência do ensino.

O resultado é que a Bíblia deixa de ter um sentido controlável e passa a ser usada como um jogo de palavras, onde tudo pode significar qualquer coisa — desde que sirva ao discurso institucional.

Curiosamente, essa própria EBD é um exemplo do que Marcelo chama de “fermentação”: uma sucessão de interpretações particulares, apresentadas como Palavra de Deus, sem base textual clara.

8. Um erro factual: os “soldados romanos” que não estavam lá

Disse Marcelo Ferreira:

Vejam, os guardas que foram enviados para prender Jesus. E os soldados romanos eram homens embrutecidos, eram homens cruéis, acostumados a atos terríveis. Mas eles voltam, sem prender a Jesus. E os fariseus, os mestres: “não puderam prendê-lo?” E eles responderam: nunca um homem falou como este homem fala. Eram palavras que tinham o sabor da eternidade, o sabor do grande amor de Deus pelo homem, capaz de quebrantar até corações embrutecidos de soldados romanos, como um dia também quebrantou o nosso coração.

Marcelo afirma que “soldados romanos, homens embrutecidos e cruéis”, teriam sido enviados para prender Jesus e voltaram impactados por suas palavras.

O que a Bíblia realmente diz?

O episódio citado por Marcelo está em João 7:32–46.

Ali, o texto afirma que:

“Os fariseus ouviram a multidão murmurar essas coisas a respeito dele; e os principais sacerdotes e os fariseus mandaram guardas para o prenderem.” (Jo 7:32)

E, mais adiante:

“Voltaram, pois, os guardas aos principais sacerdotes e fariseus; e estes lhes disseram: Por que o não trouxestes? Responderam os guardas: Nunca homem algum falou como este homem.” (Jo 7:45–46)

O texto NÃO diz que eram soldados romanos.

Quem eram esses “guardas”?

Os “guardas” mencionados em João 7 eram, muito provavelmente eram guardas do Templo, subordinados aos principais sacerdotes e fariseus, judeus, ligados à polícia religiosa do Sinédrio.

Eles não eram soldados romanos, que ficavam sob autoridade direta de Roma e não eram enviados para cumprir ordens internas do Sinédrio em questões religiosas.

Soldados romanos só aparecem claramente na prisão de Jesus em João 18, quando há cooperação entre autoridades judaicas e Roma. E, mesmo ali, a iniciativa parte das lideranças judaicas.

Onde Marcelo erra (e por quê isso importa)

Marcelo afirma que eram “soldados romanos”, “homens embrutecidos, cruéis, acostumados a atos terríveis”.

Isso não está no texto bíblico. O efeito retórico da fala é um método para dramatizar o episódio e aumentar o impacto emocional, de modo a reforçar a ideia de que a palavra de Jesus quebranta até os “mais brutais”.

O problema não é a intenção pastoral, mas o método, pois Marcelo Ferreira acrescenta informação histórica inexistente e apresenta isso como se fosse parte do relato bíblico.

Isso é especialmente grave num contexto em que a própria EBD se apresenta como portadora de “revelações” e “palavra viva”.

A Palavra de Deus, porém, é suficientemente poderosa sem exageros ou invenções históricas. Quando se acrescenta o que o texto não diz, deixa-se de ensinar a Escritura e passa-se a reinterpretá-la livremente.


9. Frigideira/panela/forno = sofrimentos públicos/íntimos/desconhecidos

As novas “invenções” de Marcelo Ferreira – pura especulação.

Disse Marcelo Ferreira:

A FRIGIDEIRA É ABERTA.

Então, você colocou, a fumaça sobe. Aqueles sofrimentos que Jesus passou, que foi aberto. (…) um sofrimento público que aberta a todos. A prisão dele.

O outro, na PANELA COM TAMPA, fechada, foi aqueles sofrimentos que Jesus passou, que só os íntimos participaram. (…) Foram aquelas lutas que Jesus passou, que só quem participou com Ele foram os mais próximos, Pedro, Tiago e João.

E, por fim, A DO FORNO, QUE NINGUÉM ENTRA. Ninguém entra. Foram as lutas que Jesus passou que ninguém sabe, porque não foram registradas.

Não existe no texto de Levítico nem no NT algo que autorize:

  • frigideira aberta = sofrimento público,
  • panela com tampa = sofrimento íntimo com Pedro, Tiago e João,
  • forno = lutas desconhecidas –  esse forno não tinha porta?

É exatamente o tipo de “criatividade revelacional” que, uma vez aceita, autoriza qualquer doutrina.

10. “Novas revelações” e o caso da irmã Nadir: qual é a diferença?

Na internet, circulam inúmeros vídeos de uma pregadora conhecida como irmã Nadir, que afirma ter visitado o céu e o inferno e apresenta revelações que diz receber diretamente de Deus. Suas falas se tornaram alvo de chacota entre evangélicos, virando memes e exemplos de exagero religioso.

A pergunta que se impõe é inevitável: qual é a diferença entre as revelações da irmã Nadir e as revelações ensinadas na EBD da ICM?

Ambas afirmam ir além do texto bíblico. Ambas reivindicam autoridade espiritual baseada em experiências e interpretações particulares. A diferença não está no método, mas no status de quem fala. A irmã Nadir não possui respaldo institucional, poder simbólico, influência social ou prestígio. A ICM, sim.

Isso revela um problema sério: quando uma instituição respeitada ensina “revelações” sem critério bíblico claro, elas passam a ser aceitas; quando alguém à margem faz o mesmo, vira motivo de riso. O critério, então, deixa de ser a Escritura e passa a ser quem detém autoridade e reconhecimento social.

11. Fogo: sofrimento hoje, batismo ontem

Disse Marcelo Ferreira:

Queríamos encerrar aqui falando sobre a oferta de manjares, porque Deus determinou que a oferta de manjares, ela poderia ser feita de três formas diferentes.

Ela podia ser assada, ela podia ser cozida e ela podia ser frita na frigideira.

Mas as três têm uma coisa em comum, passar pelo fogo. O fogo fala das provas. O fogo fala das grandes aflições que Jesus ia passar.

Marcelo afirma que o fogo das ofertas representa sofrimento.

No entanto, na EBD imediatamente anterior, dia 4 de janeiro de 2026, o próprio Alexandre Gueiros, referindo-se ao mesmo fogo (do altar) ensinou que o fogo do altar simboliza o batismo com o Espírito Santo para purificação de pecado, associado a conforto, comunhão e presença divina, senão vejamos:

Disse Alexandre Gueiros:

No estudo do tabernáculo, nós vimos como esta vinculação entre a morte do Senhor e a bênção do Espírito Santo. Nós já vimos como no altar o fogo que ali ardia desceu do céu. O fogo que nos fala da vinda do Espírito Santo para queimar os nossos pecados, purificar as nossas vidas, aquecer os nossos corações.

E ele ardia continuamente sobre o Holocausto. Esse fogo nunca se apagava. E era… já falamos, mas repetimos, uma clara figura do Espírito Santo que seria enviado para queimar o pecado em nós, purificando-nos e aquecendo os nossos corações com o amor ao Senhor.”

Ou seja:

·       em um momento, o fogo purifica e consola;

·       em outro, o fogo representa sofrimento;

·       em ambos os casos, o símbolo muda conforme o argumento que se quer sustentar.

Isso mostra que não é o texto que governa o significado, mas a necessidade retórica do momento.


ALEXANDRE GUEIROS

1. Oferta pela culpa: discurso bonito, prática inexistente

Disse Alexandre Gueiros:

“Amados irmãos, outra oferta era aquela que se chamava OFERTA PELA CULPA. A oferta pela culpa, nós sabemos que era devida sempre que havia um prejuízo maior e era necessário algum tipo de RESTITUIÇÃO, DE COMPENSAÇÃO a quem foi prejudicado pelo pecado.”

Alexandre afirma corretamente que a oferta pela culpa envolvia restituição e compensação a quem foi prejudicado. O problema é que esse ensino fica apenas no plano teórico.

Na prática, a própria ICM moveu — e continua manejando — diversos processos contra ex-membros, causando prejuízos financeiros, emocionais e morais.

Mesmo quando perde as ações, não há pedido de perdão, nem reparação dos danos causados.

Biblicamente, não basta:

·       orar a Deus;

·       dizer que “Deus não lembra mais dos pecados”;

·       nem mesmo clamar pelo sangue de Jesus como se fosse um ato mágico.

Sem arrependimento concreto, sem cessação do dano e sem disposição para reparar o mal causado ao próximo, não há arrependimento bíblico. A graça não anula a responsabilidade ética; ela a aprofunda.


2. O clamor pelo sangue de Jesus como chave exclusiva

Alexandre afirma que é por isso que a igreja começa cada culto “clamando pelo sangue de Jesus”. Aqui fica claro o propósito oculto de toda a narrativa: confirmar uma prática litúrgica específica como marca distintiva da ICM.

O sangue de Cristo é central no Novo Testamento, mas a Bíblia não ensina que um clamor ritual específico seja condição necessária para o perdão, a comunhão ou a aceitação por Deus. Quando essa prática é elevada a critério de espiritualidade, cria-se exclusivismo e dependência institucional.


3. “Que darei eu ao Senhor?”

Disse Alexandre Gueiros:

Mas o que nos move, em primeiro lugar, é o desejo de exaltar o nosso Deus, exaltar o nosso amado Salvador, exaltar o nosso querido Senhor Jesus Cristo. E então nós chegamos ao culto e lembramo-nos daquelas palavras do salmista que dizia: “que darei eu ao Senhor por todos os seus benefícios que me tem feito”

Esse é o meu problema. O problema não é resolver essa questão aqui, não! O que eu vou dar ao Senhor? O que Ele merece? O que Ele vai receber de mim? Ele tem tudo. O que eu posso dar a Ele? E nós sabemos. É a nossa ação de graça. É a nossa adoração, nossa exaltação ao Seu Filho Jesus. Aleluia.

Alexandre pergunta o que podemos dar a Deus e responde: adoração, louvor e ações de graças. Tudo isso é bíblico — mas falta o principal, que vem antes de tudo isso: obediência aos seus mandamentos e prática de seus ensinamentos (casa na rocha).

JESUS ENSINOU QUE DEUS SE AGRADA MAIS:

• Da obediência, mais do que de sacrifícios

Jesus reafirma o princípio já ensinado pelos profetas, mostrando que Deus não se satisfaz com ritos desacompanhados de obediência:

“Se me amais, guardareis os meus mandamentos.” (Evangelho de João 14:15)

“Ide, porém, e aprendei o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifício.” (Evangelho de Mateus 9:13)


• Do amor ao próximo

Jesus apresenta o amor ao próximo como parte inseparável do amor a Deus:

“Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” “Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas.” (Evangelho de Mateus 22:39–40)


• Da misericórdia

A misericórdia não é opcional no Reino de Deus; ela é critério de julgamento:

“Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.” (Evangelho de Mateus 5:7)

“Sede misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso.” (Evangelho de Lucas 6:36)


• Da justiça

Jesus não relativiza a justiça; ao contrário, afirma que ela deve ser ainda mais profunda do que a justiça meramente religiosa:

“Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça.” (Evangelho de Mateus 6:33)

“Se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no Reino dos céus.” (Evangelho de Mateus 5:20)


• E até do amor aos inimigos

Aqui Jesus rompe definitivamente com qualquer espiritualidade baseada apenas em culto ou identidade religiosa:

“Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem.” (Evangelho de Mateus 5:44)

“Se amardes os que vos amam, que recompensa tereis?” (Evangelho de Mateus 5:46)

Esses ensinos deixam claro que, para Jesus, adoração verdadeira não se limita a ritos, palavras ou práticas litúrgicas, mas se expressa em obediência concreta, amor ao próximo, misericórdia, justiça e amor até aos inimigos.

Quando uma espiritualidade enfatiza culto, louvor, discurso religioso e práticas institucionais, mas relativiza esses mandamentos, ela se distancia do coração do evangelho — ainda que fale muito em nome de Jesus.

Conclusão

A EBD de 11/01/2026 revela um padrão preocupante:

·       interpretações criativas são apresentadas como “revelações”;

·       símbolos bíblicos mudam de significado conforme a conveniência;

·       a Escritura perde seu papel de critério final;

·       práticas institucionais substituem a ética do evangelho.

O problema não é amar Jesus, nem estudar o tabernáculo. O problema é ir muito além da letra, transformar invenções em doutrina e, ao final, chamar isso de Palavra de Deus.

DEGRAVAÇÃO DAS MENSAGENS

 

MARCELO FERREIRA

Nós vamos ler o texto da palavra de Deus que vai dar base ao estudo dessa manhã.

Em Hebreus, a carta aos Hebreus, capítulo 10. E nós iremos ler o versículo 10, 11 e 12 e logo em seguida iremos fazer a oração pelo estudo dessa manhã e vamos entoar o louvor.

Diz assim então a palavra de Deus, Hebreus capítulo 10, versículo 10, diz assim:

“Na qual vontade temos sido santificados pela oblação do corpo de Jesus Cristo feita uma vez. E assim, todo sacerdote aparece cada dia, ministrando e oferecendo muitas vezes os mesmos sacrifícios que nunca podem tirar os pecados. Mas este, havendo oferecido um único sacrifício pelos pecados, está sentado para sempre à destra de Deus.”

 Louvado seja o nome do Senhor!

Oração:

Nós te pedimos, Senhor! Escreve em nossos corações a Tua Palavra e crava em nós os Teus ensinos, porque o que nós queremos, nós queremos aprender a amar mais o Senhor Jesus. E pela Tua Palavra e pelas revelações nos leva a conhecer mais o nosso Salvador, em nome de Jesus.

Assentados, vamos cantar.

[LOUVOR]

Nós vamos continuar com o nosso tema que é Jesus no tabernáculo ou Jesus profetizado no tabernáculo.

Até esse momento nós já estudamos o cortinado do tabernáculo. Já estudamos a entrada, a porta do tabernáculo. Também já estudamos o altar dos holocaustos, o altar de bronze. E também estudamos sobre a oferta do holocausto, aquela oferta que falava de uma entrega total, porque na oferta do holocausto, a palavra holocausto quer dizer totalmente queimado. Porque era uma oferta em que toda vítima, toda oferta ia para o altar. Toda vítima era queimada no altar. Havia outras ofertas que isso não acontecia.

Nas demais ofertas, isso não acontecia. Uma parte ia para os sacerdotes. Havia ofertas que uma parte do animal era queimado fora do arraial.

No holocausto, nada era poupado. Tudo ia para o altar. Mostrando que na cruz Jesus se entregou inteiramente por nós. Ele nos amou sem reservas.

Mas hoje, nós vamos estudar as demais ofertas que eram queimadas no altar. Nós tínhamos cinco ofertas, que eram a oferta do holocausto, a oferta de manjares, a oferta pacífica, a oferta pelo pecado e a oferta pela culpa.

Um ponto importante em explicar para as igrejas eram cinco ofertas, que são os cinco primeiros capítulos do livro de Levítico.

Agora, o ponto importante que íamos falando. Das cinco ofertas, quatro eram sacrifícios. Ou seja, quatro tinham sangue, tinham morte, tinham vítima. E tinha uma oferta, que era a oferta de Manjares, que não tinha sangue, que não tinha vítima, que não tinha morte.

Um ponto importante a compreender é que as cinco ofertas, elas apontavam profeticamente para o Senhor Jesus. Então, qual é a diferença que está aqui?

As quatro ofertas que tinham sangue, que tinham morte, apontavam como Jesus iria morrer por nós.

Mas a oferta que não tinha sangue, a de manjares, apontava de como Jesus iria viver por nós. O Jesus homem, o Jesus homem santo, perfeito, o Jesus como o servo de Deus, o pastor que deu a sua vida pelas ovelhas.

Nós vamos começar a ver agora sobre a oferta de manjares, que também era conhecida como a oferta dos cereais, lembrando que era aquela oferta que não tinha morte, não tinha sangue, mostrando como Jesus viveu por nós.

Quais eram os elementos que vão compor esta oferta?

A oferta de manjares era um bolo, era um pão sem fermento. E quais eram os ingredientes, vamos chamar assim, quais eram os elementos que eram usados?

O trigo, que no caso era a farinha de trigo, o azeite, o azeite, o incenso e o sal.

Esses quatro elementos, todos falando do Senhor Jesus.

Quando fala aqui do TRIGO, é o próprio Senhor.

Jesus quando estava falando com os seus discípulos acerca da sua morte, ele compara a si mesmo ao trigo. Então ele dizia assim: se o grão de trigo ficar vivo, fica só, mas se morrer, dá muitos frutos. Era Jesus falando da sua própria morte. Ele é o trigo de Deus, porque Jesus, ele é a Palavra de Deus.

E aí tem um ponto importante, porque o que era usado na oferta de Manjares, era a farinha de trigo. Ou seja, o era a melhor parte que do trigo. Era… Se usava o interior do trigo. Mostrando e apontando para a essência de Jesus como homem. Os seus pensamentos, as suas emoções, o homem perfeito que ele foi. Ou seja, Jesus como homem tinha em si o melhor que existe da humanidade do homem.

Agora, é importante nós compreendermos os outros elementos. Então, primeira coisa, ia-se fazer a oferta de manjares, colocava o trigo. Logo em seguida, vinha e derramava AZEITE SOBRE O TRIGO, apontando que Jesus, como homem, um dia iria receber o Espírito Santo. Porque o azeite na Bíblia, ele biblicamente simboliza o Espírito Santo. Então, cada vez quando o sacerdote colocava a farinha de trigo e logo em seguida ele derramava o azeite, ele estava profetizando sem saber que o Jesus homem, quando estivesse Saindo do Rio Jordão, o Espírito Santo veio sobre ele como uma pomba e pousou. Mostrando para nós que Jesus seria um homem cheio do Espírito Santo. Cheio da graça de Deus, operando maravilhas e prodígios, curando o cego, o paralítico, o leproso, andando sobre as águas, multiplicando os pães, porque esse era o Jesus homem, cheio do azeite de Deus, cheio do Espírito Santo.

E aí, em relação ao azeite e o trigo, há um ponto importante. Porque uma das finalidades aqui do azeite é porque se você pegasse o trigo e colocasse no fogo, sem o azeite, o trigo não ia suportar. O trigo ia tostar, ia queimar. Então o azeite era necessário pro trigo suportar o fogo. e se transformar em alimento. Ou seja, o Senhor Jesus, como homem, recebeu a unção do Pai para suportar o sofrimento que Ele ia passar. Ele recebeu a unção do Espírito para suportar a cruz e todo o sofrimento que Ele iria passar como homem. Porque a unção do Espírito Santo é para promover o homem. A unção do Espírito Santo não é para um destaque pessoal. A unção é para você suportar as provas e permanecer fiel na presença do Senhor.

Veja que coisa importante, porque o trigo, que aqui é o Senhor Jesus, e Jesus é a Palavra de Deus. Jesus é o trigo. Então, veja, se você pegasse a farinha de trigo e colocasse, por exemplo, sobre a frigideira, o vento ia bater e o trigo ia espalhar. Imagina no deserto, então, com ventos que chegam a altas velocidades. Você botou a farinha ali e ia bater.

A palavra de Deus Sem a operação do Espírito Santo, os ventos de doutrina que vêm de todos os lados batem e espalham. A palavra não fica, porque as correntes doutrinárias que vêm, os ventos que sopram.

Mas não era assim que acontecia. Por quê? Porque logo que ele colocava a farinha de trigo, logo em seguida já derramava o azeite. E o azeite transformava então em uma massa, podia bater o vento que fosse, não espalhava o trigo, porque o azeite segurava.

A palavra de Deus quando ela é revelada, a palavra de Deus quando ela tem uma operação do Espírito Santo, os ventos não espalham. Porque o Espírito Santo mantém a palavra no coração da igreja. Céus e terras passarão, mas a minha palavra não passará. A palavra do Espírito fica eternamente. Glória a Deus.

Um outro ingrediente que ali era para compor era O INCENSO.

Logo em seguida, o sacerdote, que era quem preparava a oferta, ele vinha e colocava o incenso.

O incenso fala de oração. O salmista disse, suba a minha oração como incenso perante a tua face. Mostrando que Jesus seria um homem de oração. Na cruz ele orou por nós. No Getsêmani, ele orou até suar sangue, mas não parava de orar.

Ele dizia sempre, orai sem cessar.

Várias vezes, nos evangelhos, fala assim: no fim de um dia, depois que a multidão voltava para casa, fala assim: Jesus subiu o monte para orar. Jesus foi um homem de oração porque ele foi o intercessor que Deus nos deu, na terra e no céu.

Mas o incenso, tinha uma outra característica que ele agregava à oferta de manjares, porque é o que dava cheiro. Por isso que a oferta é chamada assim, era uma oferta de cheiro suave, porque o incenso é que dava esse perfume, esse cheiro à oferta, e que fala aqui da glorificação. Jesus como homem, ele teve uma vida, ele teve atos e palavras que glorificavam a Deus.

Então quando ele para, por exemplo, para ouvir Bartimeu, ele para tudo por Bartimeu e ele muda a vida daquele homem. Aquele ato subiu diante de Deus como cheiro suave. Ali o pai foi glorificado.

E por fim aqui O ÚLTIMO ELEMENTO ERA O SAL, que era o que iria dar sabor à oferta, porque, veja, sem o sal, ia ser uma oferta santa, ia ter os elementos importantes, mas não teria o sabor.

Então, o sal é o que iria temperar, temperar.

E aqui o sal tem dois sentidos.

Um sentido que está no próprio texto da oferta de Manjares, que o sal simbolizava o concerto de Deus, o concerto do Senhor com o seu povo, porque o sal tinha naquela época uma finalidade de preservação, de conservação. Naquela época não tinha geladeiras, como hoje, recursos para você manter e preservar os alimentos. Então o sal tinha essa característica, era usado para conservar, para preservar.

Por isso ele simboliza, por exemplo ali, que a carne não viesse a se corromper, não viesse a se estragar. Por isso que o sal simboliza o concerto de Deus, porque o concerto do Senhor com a igreja é um concerto eterno, que não envelhece, que não se corrompe, que não se estraga, mas que é de geração em geração. Tu és fiel, Senhor. Os homens passam, os povos passam, mas Deus sempre permanece fiel, porque Ele zela pela Sua Palavra.

Mas o sal também tinha, obviamente, a finalidade dar sabor.

Quando os sacerdotes comiam a oferta de Manjares, então tinha um sabor. Era Jesus homem. As suas palavras tinham um sabor da eternidade.

Quando ele abria os lábios e falava, tinha o sabor de palavras celestiais, temperadas pela revelação do Senhor.

Vejam, os guardas que foram enviados para prender Jesus. E os soldados romanos eram homens embrutecidos, eram homens cruéis, acostumados a atos terríveis. Mas eles voltam, sem prender a Jesus. E os fariseus, os mestres: “não puderam prendê-lo?” E eles responderam: nunca um homem falou como este homem fala. Eram palavras que tinham o sabor da eternidade, o sabor do grande amor de Deus pelo homem, capaz de quebrantar até corações embrutecidos de soldados romanos, como um dia também quebrantou o nosso coração.

Nós queremos agora mostrar para as igrejas que havia dois elementos que o Senhor ordenou que não podiam ter na oferta de Manjares.

O Senhor expressamente ditou isso para Israel, que era o fermento e o mel. O Senhor disse que não pode, porque o mel também pode fermentar. Então, o Senhor não queria a fermentação.

O MEL misturado com outros elementos, ele provoca a fermentação. O que é o mel aqui?

O mel aqui são os sentimentos humanos. São as emoções humanas. Mas que às vezes pode estar em choque com aquilo que é o projeto de Deus.

Por exemplo, Jesus reúne os seus discípulos, e fala que tinha que ir a Jerusalém, ele vai anunciar a sua morte. Eu vou subir a Jerusalém, eu vou ser preso, eu vou ser crucificado, eu vou ser morto. Pedro tomou a palavra. Veja, um sentimento humano, até bonito, que ele amava, gostava do Senhor. “Senhor, de forma alguma, o Senhor não vai poder”. Ele queria, na verdade, anular a cruz. Era um sentimento, mas ia mudar. Esses sentimentos não podem entrar. Não podem ser misturados com o que é profético, não podem ser misturados com o que é revelação, porque o projeto de Deus é imutável.

O fermento, Jesus falou sobre ele: “Acautelai-vos do fermento dos fariseus”, que é a doutrina dos fariseus.

Ou seja, na nossa vida espiritual, da igreja, como foi de Jesus, não pode entrar a falsa doutrina, que são tradições, que são interpretações teológicas, que podem mudar a receita, que podem fermentar a massa, que podem mudar o projeto, que podem mudar a palavra.

Não, a igreja não precisa disso, porque aquilo que é revelado nos basta.

Queríamos encerrar aqui falando sobre a oferta de manjares, porque Deus determinou que a oferta de manjares, ela poderia ser feita de três formas diferentes.

Ela podia ser assada, ela podia ser cozida e ela podia ser frita na frigideira.

Ou seja, ela podia ser no forno, feita no forno, feita em uma panela fechada com tampa, que é a cozida, ou na panela aberta, na frigideira, ou no ferro quente.

Mas as três têm uma coisa em comum, passar pelo fogo. O fogo fala das provas. O fogo fala das grandes aflições que Jesus ia passar.

Porque Deus mostrou três formas diferentes?

Ele estava querendo indicar para nós tipos de sofrimento que Jesus ia passar por nós.

A FRIGIDEIRA É ABERTA.

Então, você colocou, a fumaça sobe. Aqueles sofrimentos que Jesus passou, que foi aberto. Todos viram. Jesus na cruz, todos viram. Despiram o Senhor. Foi colocado na cruz como um espetáculo para o homem. Jesus sendo julgado no tribunal publicamente, sendo humilhado, esbofetearam, cuspiram, batiam com vara, um sofrimento público que aberta a todos. A prisão dele.

O outro, na PANELA COM TAMPA, fechada, foi aqueles sofrimentos que Jesus passou, que só os íntimos participaram. Porque, convenhamos, se você está em casa, na sua casa, com a panela no fogo, com a tampa fechada, um visitante, ninguém, de bom senso, não vai fazer isso. Só quem vai chegar na sua casa e abrir a panela, a tampa, para ver o que tem dentro, é uma pessoa de muita intimidade da casa, de muita proximidade.

Foram aquelas lutas que Jesus passou, que só quem participou com Ele foram os mais próximos, Pedro, Tiago e João. Os momentos mais íntimos do seu ministério eram sempre os três que ele chamava. Como no Getsêmani, só os três estavam com ele.

E, por fim, A DO FORNO, QUE NINGUÉM ENTRA. Ninguém entra. Foram as lutas que Jesus passou que ninguém sabe, porque não foram registradas. Jesus, com 12 anos, mostrou que tinha consciência que ia morrer por nós. Quando ele fala: “não sabeis que me convém tratar dos negócios do meu pai?” E não era de José. E qual era o grande negócio de Deus? Salvar o homem. Ali ele mostra que já tinha consciência que ia morrer por nós. Mas o que aconteceu com Jesus dos 12 anos até os 30? Na sua adolescência, na sua juventude, ninguém sabe. Foram lutas que ele passou que não é do conhecimento de ninguém. No próprio Getsêmani, quando os discípulos dormiram, ele ficou só.

Mas tudo isso ele passou por nos amar, para nos salvar. E por isso a Ele toda a nossa glorificação.

Meus irmãos, como nos tranquiliza, como nos acalma saber que agora assentado à direita de Deus está aquele que nos ouve, que sabe o que é ser homem e que nele nós temos tudo.

E por isso a Jesus glória na igreja.

Vamos cantar um louvor.

[LOUVOR]

ALEXANDRE GUEIROS

Saúdo os amados irmãos com a paz do Senhor Jesus. Vamos continuar o estudo das ofertas, meditando agora sobre a oferta pelo pecado e logo a seguir a oferta pela culpa.

Nós já sabemos que havia esta oferta, que se chamava oferta pelo pecado, que atendia a necessidade de perdão e purificação dos pecados cometidos por qualquer tipo de criatura, pelos sacerdotes, pelos príncipes, por qualquer pessoa individualmente, ou pecados coletivos cometidos pelo povo.

E com essa oferta, o pecador recebia, repetimos, o perdão e a purificação de seus pecados. Ou seja, o perdão lhe era atribuído e a purificação lhe era atribuída.

O Senhor Jesus, nós sabemos, morreu pelos pecados de toda a humanidade, de qualquer tipo de pessoa.

Mas a condição para alguém se beneficiar desse sacrifício sabemos que é arrepender-se e crer no Senhor Jesus.

Amados irmãos, outra oferta era aquela que se chamava OFERTA PELA CULPA.

A oferta pela culpa, nós sabemos que era devida sempre que havia um prejuízo maior e era necessário algum tipo de RESTITUIÇÃO, DE COMPENSAÇÃO a quem foi prejudicado pelo pecado.

Mediante a oferta pela culpa, tendo fé implícita no poder do sangue de Jesus, Deus poderia justificar o pecador. Ou seja, ele consideraria o pecador como justo. Não mais pecador, como está escrito em Romanos, se não me engano, capítulo 3, versículo 26. “Para que ele, Deus, seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus”.

E logo a seguir é explicado, fé no seu sangue, no poder do sangue de Jesus.

Em Colossenses, o apóstolo Paulo insiste no capítulo 2 e diz que “Jesus, havendo riscado a cédula que era contra nós, a cédula da dívida, cravou-a na cruz. Nada mais devemos. Cristo pagou nossa dívida.

E o Senhor fala claramente, em Hebreus 10, que: “dos seus pecados não me lembrarei mais”.

Então, amados irmãos, não apenas nós fomos perdoados, mas fomos considerados inocentes dos pecados.

Não me lembro que você tenha cometido algum pecado.

Meu filho já pagou pela sua culpa. Você não é culpado, você é inocente.

É assim que o Senhor olha para nós, pela sua infinita graça, como é um efeito extraordinário do sacrifício do Senhor Jesus na cruz do Calvário.

E meus irmãos, após a solução da questão do pecado e da culpa, após oferecer essas ofertas, o pecador agora podia oferecer um sacrifício pacífico para celebrar a paz que havia sido estabelecida entre ele e Deus.

Ele que era antes inimigo de Deus por causa do pecado, está escrito, agora não. Foi reconciliado com Deus. Podia desfrutar de paz com Deus. Podia desfrutar de comunhão com Deus. E nessa condição, ele poderia oferecer louvores ou ações de graças ao Senhor como verdadeiros adoradores.

Tanto que os irmãos vão notar que essa oferta pacífica logo a seguir a chamada oferta de ação de graças, oferta de louvores. São nomes diferentes para a mesma oferta, porque nos fala da possibilidade que nós temos e da qual realmente desfrutamos de nos tornarmos adoradores. Oferecemos sacrifícios de louvor a Deus como sacerdote da nova dispensação, do novo testamento.

E assim atendemos aquilo que está no coração de Deus, porque Deus busca adoradores que o adorem em espírito e em verdade.

Então, irmãos, repetimos, Ele podia agora, como nós podemos agora, oferecer esse sacrifício de louvor, essa adoração a Deus, podemos oferecer as nossas graças a Deus, nossas ações de graças a Deus, porque agora estamos num estado de paz com Deus, de comunhão com Deus, conquistada pelo Senhor Jesus ao resolver a questão do pecado.

Tanto o perdão dos pecados, como a purificação dos pecados, como a questão da culpa também. Tudo já foi resolvido.

E agora estamos reconciliados com Deus pela fé no sangue de Jesus.

Então, repetimos, justificados, pois pela fé temos paz com Deus por nosso Senhor Jesus Cristo.

E, amados irmãos, isso não é tudo.

Este sacrifício, para nós que somos considerados e somos de fato sacerdotes do Novo Testamento, porque podemos oferecer também sacrifícios, só que sacrifícios de louvor a Deus, esse sacrifício anunciava que também podemos ter plena comunhão com Deus.

E logo a seguir, neste mesmo capítulo de Hebreus, capítulo 10, que mencionamos antes, nós aprendemos que nós todos podemos ter acesso ao trono da graça. Como está escrito: “temos ousadia para entrar no santuário pelo sangue de Jesus. Pelo novo e vivo caminho que Ele nos consagrou. Pelo véu, isto é, por sua carne”.

Não precisamos mais estar amedrontados, intimidados diante da santidade de Deus.

Ali está o Deus santo, santo, santo. Fogo consumidor.

E nós somos convidados pelo Senhor a nos chegar a Ele em inteira certeza de fé, ou seja, confiança.

O Senhor nos garante que nós podemos assim chegar ao trono da graça com ousadia, confiança, coragem, descansados, porque seremos verdadeiramente aceitos pelo Senhor.

Meus irmãos, esse é o sentimento que surge em nós quando estamos em comunhão com Deus pelo sangue de Jesus. É por isso que nós começamos cada culto clamando pelo sangue de Jesus, confiados na eficácia daquele sangue que foi derramado na cruz do Calvário.

E vimos aos nossos cultos primeiramente para pedir, vimos como sacerdotes do Novo Testamento, como adoradores a Deus. Vimos para louvar o Senhor, para dar graças ao Senhor, porque Ele é bom e porque a sua benignidade dura para sempre.

Às vezes temos uma necessidade, diz: não vou aproveitar, ainda vou pedir, ainda vou pedir oração aos irmãos que orem por mim, não é?

Mas o que nos move, em primeiro lugar, é o desejo de exaltar o nosso Deus, exaltar o nosso amado Salvador, exaltar o nosso querido Senhor Jesus Cristo. E então nós chegamos ao culto e lembramo-nos daquelas palavras do salmista que dizia: “que darei eu ao Senhor por todos os seus benefícios que me tem feito”

Esse é o meu problema. O problema não é resolver essa questão aqui, não! O que eu vou dar ao Senhor? O que Ele merece? O que Ele vai receber de mim? Ele tem tudo. O que eu posso dar a Ele? E nós sabemos. É a nossa ação de graça. É a nossa adoração, nossa exaltação ao Seu Filho Jesus. Aleluia.

E, terminando, já vimos todos os quatro sacrifícios e só faltaria o holocausto, mas que já estudamos no EBD anterior, que nos fala daquela consagração total para viver para a glória de Deus.

O Senhor Jesus, ao morrer como holocausto, não estava morrendo nesse aspecto do holocausto, pelos nossos pecados, não. Morte pelos pecados era oferta pela culpa, né? Ou pelo pecado. Holocausto não! Era para fazer a vontade de Deus. “Eis-me aqui, ó Deus para fazer a tua vontade”.

Ele morria para completar o plano maravilhoso de salvação que o pai lhe havia confiado, para mostrar que, não, eu estou disposto não somente a viver como vivi, mas também a morrer para fazer a tua vontade ao Pai.

E para nós a lição, os irmãos se reacordam, né? Oferecer os vossos corpos como sacrifício, só que vivo agora, né? Por quê? Mas o holocausto não morria? É, mas o Senhor Jesus ressuscitou. E nós também morremos para a carne, morremos para o mundo e ressuscitamos para viver uma nova vida com Ele. Para sermos sacrifícios vivos, santos e agradáveis a Deus, vivendo para servir o Senhor, vivendo para a glória de Deus. Não é isso?

Vivemos, como diz a palavra: “quer comais, quer bebais, quer façais, qualquer outra coisa, fazem tudo para a glória de Deus”.

Conclusão, todas as ofertas prescritas em Levítico, que já vimos, eram todas oferecidas no altar de bronze, representam benefícios, bênçãos para nós.

Tudo isso porque o Senhor Jesus morreu para nos garantir todas essas bênçãos que mencionamos: perdão, purificação, justificação, paz com Deus, comunhão com o Pai.

Mas Ele também, repetimos, morreu para nos garantir a possibilidade de viver para a glória de Deus, para servir a Deus. Que privilégio!

Mas deixemos claro agora todos esses benefícios, todas essas bênçãos, considerando o seguinte, para concluir, notem bem.

Se Jesus tivesse morrido apenas para nos garantir o perdão dos nossos pecados, poderíamos chegar no céu e Deus poderia dizer:

“Muito bem, vocês tem direito, tem até uma morada celestial, mas não se aproxime de Deus, porque Ele é santo, santo, santo”.  Vocês estão sujos. Vossas vestes estão sujas pelo pecado. Vocês estão perdoados, mas vocês estão sujos.”

Não é?

Não, mas Jesus morreu também para que, pelo seu sangue, nós pudéssemos obter a purificação dos nossos pecados.

Nossas vestes de salvação estão limpas, lavadas no sangue do Cordeiro, não é?

Mas, notem bem! Deus ainda poderia dizer, hipóteses, não é?

“Muito bem, vocês estão perdoados. Não vejo pecado nenhum em vocês. Vocês estão purificados, estão purificados. Mas… Você sabe, eu conheço todas as coisas. Eu sei que vocês fizeram muita coisa ruim. Vocês são culpados. Estão perdoados, purificados, mas são culpados.”

O que é que diríamos? Mas Deus, o Senhor Jesus também morreu para obter a extinção da nossa culpa. Não somos culpados, somos inocentes, porque Jesus morreu para conquistar, para resolver a questão da nossa culpa. “Dos vossos pecados não me lembrarei mais, diz o Senhor”.

Mas muito bem, Deus ainda poderia dizer:

Estais perdoados, purificados, justificados pela fé, mas não podeis vos aproximar de mim.

A distância, muito bem. Não, mas Deus determinou que o Senhor Jesus haveria de morrer para que o véu de separação entre nós e Deus fosse rasgar de alto a baixo.

Ele morreu para obter a nossa reconciliação com Deus, paz com Deus, comunhão com Deus, acesso ao trono da graça.

Louvado seja o Senhor.

Podemos então, amados, em inteira certeza de fé, nos aproximar do Deus que é santo, santo, santo. Podemos estar então nos preparando para, na glória, viver para adorar ao nosso Deus, em plena comunhão com Ele.

Louvado seja o Senhor!