Amor que se Prega, Amor que se Nega: a EBD da ICM e o Caso Fernanda

Amor que se Prega, Amor que se Nega: a EBD da ICM e o Caso Fernanda

28 de dezembro de 2025 Off Por Sólon Pereira

EBD/ICM (28/12/2025)

Por Solon Pereira – Projeto Análise | Celeiros

Vídeo de referência: https://www.youtube.com/watch?v=vPqAiRMXJqg

A degravação integral consta ao final deste texto.

Amor, Justiça e Retribuição: discurso, prática e coerência cristã

Introdução

Esta análise integra (i) a leitura ética, bíblica e filosófica da Escola Bíblica Dominical da Igreja Cristã Maranata (EBD/ICM) de 28/12/2025; (ii) as observações críticas apresentadas pelo autor; e (iii) informações públicas constantes de processo judicial em que a Igreja Cristã Maranata litiga contra a União/Receita Federal. O objetivo é avaliar a coerência entre discurso e prática à luz do evangelho — especialmente quando o tema central da EBD foi amor, misericórdia e justiça — tendo como pano de fundo um caso concreto de sofrimento (irmã Fernanda) e escolhas institucionais documentadas.


1. Contexto jurídico-institucional: a ação da ICM contra a Receita Federal

Documentos públicos de processo judicial revelam que a Igreja Cristã Maranata discute autuações tributárias e a incidência de tributos, com valor de causa elevado. Nos autos, constam relatórios fiscais e demonstrativos contábeis juntados legitimamente, sem segredo de justiça, que indicam grande escala financeira e aplicações relevantes ao longo do período analisado.

Do ponto de vista jurídico, litigar é um direito. Do ponto de vista ético, contudo, o debate muda quando a instituição que reivindica benefícios e proteção patrimonial prega publicamente amor, misericórdia e justiça, mas não apresenta resposta institucional visível a uma necessidade concreta e urgente de uma membro conhecida da comunidade.

A própria fundamentação fiscal lembra que a fruição de benefícios constitucionais está vinculada às finalidades essenciais.

Isso não transforma o processo em prova de irregularidade, mas eleva o ônus moral: quando há capacidade financeira e sofisticação institucional, a omissão diante da dor fica mais difícil de justificar.


2. GILSON SOUSA: razão, experiência e falsa dicotomia

2.1 Verdade, ensino e espiritualidade

Gilson disse:

As verdades relacionadas com o sacrifício do Senhor Jesus, sacrifícios por nós, elas são tão maravilhosas que elas não podem ser transmitidas apenas como um estudo teórico ou intelectual e de uma forma fria, não. Cada trecho merece que paremos e meditemos nele e glorifiquemos ao Senhor com uma oração ou com um hino de adoração.”

Ao afirmar que as verdades do sacrifício de Cristo não podem ser transmitidas apenas como estudo teórico ou intelectual, cria-se uma falsa dicotomia entre razão e espiritualidade. A Escritura valoriza ensino claro, lógico e sistemático (Dt 6; At 17; 1Co 15). A fé cristã não é anti-intelectual; ela integra entendimento e experiência.

2.2 Conhecimento, sentimentos e formato da EBD

Gilson disse:

Nós queremos que esse conhecimento, já durante a Escola Bíblica Dominical, possa ser aplicado com o poder do Espírito Santo ao nosso entendimento e aos nossos sentimentos, para que verdadeiramente sejamos mais gratos ao Senhor nosso Deus e assim passemos a amar mais a Deus Pai e ao Senhor Jesus.”

Integrar entendimento e afetos é legítimo. O problema surge quando se sugere que um “formato especial” de EBD é condição para a operação do Espírito, deslocando a obra contínua do Espírito para uma técnica pedagógica específica e, por consequência, criando dependência institucional.

2.3 Transformação e adesão institucional

Gilson disse:

Esta Escola Bíblica estará sendo dentro de um formato diferente, porque ela nos permitirá que haja em nós, hoje aqui, uma operação do Espírito de Deus nas nossas vidas, para que possamos assimilar o ensino e aplicar esse ensino às nossas vidas. E assim, o ensino possa transformar as nossas vidas, motivando-nos a oferecer os nossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus.”

É preciso cuidado para não confundir transformação espiritual com adesão a um modelo litúrgico. O Novo Testamento não condiciona a obra do Espírito a formatos exclusivos.


3. ANTÔNIO CARLOS OLIVEIRA: tipologia levítica, culto e realidade bíblica

Inicialmente, é bom lembrar que este pastor constou da denúncia de corrupção apresentada pelo Ministério Público contra diversos líderes da Igreja Cristã Maranata em 2013.

Também, esse mesmo pastor processou o canal TV Maanaim pela publicação de um vídeo que apresentava exatamente o que constou da denúncia do Ministério Público sobre sua participação nos fatos que estavam sob investigação.

O argumento utilizado para pedir a remoção do vídeo foi que aquela publicação estaria interferindo em um outro processo de seu interesse, que tratava de inventário de sua família.

Além disso, sua argumentação também se baseou na prescrição em relação à sua pessoa no referido processo de 2013.

Outra informação relevante é que este foi o pastor que em uma série de ensinos sobre dízimos, no canal da ICM, disse que a prestação de contas aos membros da igreja era desnecessária, porque a viúva pobre (Lc 21:1-4) doou todo o seu dinheiro e nunca pediu contas sobre sua destinação.

3.1 Átrio, altar e templo

Antônio Carlos disse o seguinte:

Ao entrar no átrio, nós estamos pisando num ambiente santo, preparado por Deus para nós. Portanto, o Senhor deu as condições de nós entrarmos na Sua presença e ao entrarmos ali, mesmo com nossas necessidades, nós estamos pisando nos átrios do Senhor.”

A equiparação implícita entre o culto levítico e o templo local contemporâneo contraria o ensino de Jesus (Jo 4:21–24) e a teologia de Hebreus (Hb 9–10). O espaço físico deixa de ser mediador do encontro com Deus.

3.2 Leis, pecado e sacrifícios

Antônio Carlos disse o seguinte:

“Importante que após a porta do pátio, do tabernáculo, o primeiro elemento que se encontrava era o altar dos holocaustos, que era o primeiro requisito ou um requisito importantíssimo e indispensável para se entrar na presença do Senhor. Para se obter o perdão dos pecados, agora nos referindo como acontecia, o altar do holocausto era para perdão dos pecados. O homem que pecou, pecar era transgredir a lei de Deus. Mais de 600 leis. Quem transgredia um, pecava contra o Senhor.”

A tradição rabínica enumera 613 mandamentos, mas nem todo pecado exigia sacrifício; muitos exigiam restituição. Além disso, o sistema sacrificial não operava como culto semanal universal: havia distância geográfica, limitações econômicas e centralidade sacerdotal.

3.3 Imagens retóricas e exegese

Antônio Carlos disse o seguinte:

“Ele tinha perdão, ele deveria ir lá no rebanho, trazer um cordeiro sem mancha, sem defeito, de acordo com as prescrições da lei, e trazer nos braços para levar ao altar dos holocaustos para ser sacrificado por ele. Então, ao tomar essa medida de já procurar o cordeiro e já colocar nos braços, ele já tinha consciência do seu pecado e também já estava numa posição de arrependimento.”

A cena do ofertante carregando o animal “nos braços” é imagem retórica, não descrição bíblica. No ritual, quem ministrava no santuário era o sacerdote. O ofertante não entrava na presença de Deus; ele apresentava a oferta.

3.4 Perdão ritualístico e arrependimento

Antônio Carlos disse o seguinte:

“Voltando um pouquinho atrás, ele levava o cordeiro lá no Velho Testamento, no altar dos holocaustos, tudo visível, porque hoje nosso altar está no céu. Então ele trazia o cordeiro, ele era colocado no altar dos holocaustos, o homem que pecou impunha as mãos sobre a cabeça do cordeiro, confessava o pecado e transferia a culpa para ele, de forma que o Senhor Jesus assumiu as nossas culpas e os nossos pecados. E diante desse ato, de ele presenciar isso tudo, já pegar, trazer o cordeiro, colocar o cordeiro, ver o cordeiro morrendo por ele, ele tinha certeza que Ele foi perdoado. Por isso, nós também, com confiança, chegamos ao trono da graça, certos de que ao confessar o nosso pecado e clamar pelo sangue de Jesus, para fazermos jus ao sacrifício de Jesus, nós também somos perdoados.”

O Antigo Testamento condena rituais sem arrependimento (Is 1; Sl 51; 1Sm 15). Vamos começar mostrando o texto de Isaías.

Isaías 1:11–17

De que me serve a multidão de vossos sacrifícios? — diz o Senhor. Estou farto dos holocaustos de carneiros e da gordura de animais cevados; e não me agrado do sangue de novilhos, nem de cordeiros, nem de bodes. […] Quando estendeis as mãos, escondo de vós os olhos; sim, quando multiplicais as vossas orações, não as ouço, porque as vossas mãos estão cheias de sangue. Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vossos atos de diante dos meus olhos; cessai de fazer o mal. Aprendei a fazer o bem; praticai o que é reto; ajudai o oprimido; fazei justiça ao órfão; tratai da causa das viúvas.”

Então, será que Deus está interessado em rituais, cultos perfeitos, com organização impecável, louvores bem cantados e tocados, obreiros de terno e mensagens que falem de um amor que não se vive na prática?

A denúncia de Isaías encontra paralelos inquietantes em práticas observáveis na Igreja Cristã Maranata, que faz o mal aos ex-membros, arrastando-os a tribunais e, mesmo apresentando grande capacidade financeira documentada, não se tem notícia pública de iniciativas institucionais estruturadas e permanentes nas áreas de recuperação de viciados, acolhimento ou assistência social a idosos ou crianças.

Agora, vejamos o que diz o Salmo 51.

Salmos 51:16–17

“Pois não te comprazes em sacrifícios; do contrário, eu tos daria; e não te deleitas em holocaustos. Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus.”

Teria Deus prazer em cultos e rituais religiosos quando os corações permanecem endurecidos, negando colocar fim à perseguição judicial a ex-membros e a praticar o bem? Importante lembrar que a Igreja Maranata se recusou a prestar socorro à irmã Fernanda que, neste mês de dezembro de 2025, precisou de ajuda financeira para fazer uma cirurgia particular urgente. Ao pedir ajuda à liderança da ICM, seu pedido foi negado. Nenhum centavo da tesouraria da igreja foi autorizado para socorrer uma membro da própria igreja, cuja mãe é voluntária nos trabalhos nos Maanains da ICM.

Agora, vejamos o que Samuel disse a Saul:

1 Samuel 15:22–23

“Porém Samuel disse: Tem, porventura, o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifícios quanto em que se obedeça à sua palavra? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender, melhor do que a gordura de carneiros. Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria, e a obstinação é como a idolatria e culto a ídolos.”

O soberbo rei Saul pensava que estava agradando a Deus, reservando para um ritual de sacrifícios diversos animais que Deus havia dito que não deveriam ser poupados na investida militar contra os amalequitas.

Ora, Saul sabia exatamente qual era a vontade de Deus, mas pensou que um ritual resolvia tudo. Seu comportamento obstinado foi comparado à feitiçaria.

O episódio de Saul ilustra como a obediência seletiva e a substituição da vontade de Deus por rituais podem ocorrer mesmo em contextos de liderança religiosa. Esse risco também se apresenta quando líderes conhecem o ensino de Jesus, mas optam por caminhos institucionais que o contradizem.

Será que os pastores da ICM não têm plena consciência de que o mandamento de Jesus é amar o próximo e orar pelos inimigos em vez de persegui-los com ações judiciais.

Será que não sabem que o apóstolo Paulo disse expressamente que não se deve levar irmãos a tribunais de ímpios (1Co 6)?.

Certamente, a palavra de Samuel a Saul se aplica aos pastores que se apresentam nesta EBD como professores, mas que interpretam seletivamente a Escritura, esvaziando seus mandamentos mais claros quando estes confrontam práticas institucionais.

No caso de Alexandre Gueiros, ele é o responsável pelas escolhas da ICM, na condição de Presidente da instituição.

Por último, devemos nos lembrar que, mesmo no tempo do ritual levítico, sacrifício não operava perdão mágico. Exemplos como os filhos de Eli mostram que o rito, sem mudança ética, fracassa.

O caso dos filhos de Eli demonstra de forma dramática que a prática ritual não apenas falha em purificar o pecador impenitente, como pode agravar a culpa quando há liderança religiosa envolvida.

1 Samuel 2:12

“Eram, porém, os filhos de Eli homens ímpios e não conheciam o Senhor.”

Apesar disso, continuavam exercendo funções sacerdotais.

1 Samuel 2:22–25

“Eli era já muito velho e ouvia tudo quanto seus filhos faziam a todo o Israel, e de como se deitavam com as mulheres que serviam à porta da tenda da congregação. […] Porém eles não ouviram a voz de seu pai, porque o Senhor os queria fazer morrer.”

Mesmo com advertência, não houve arrependimento.

1 Samuel 3:11–14

“Então disse o Senhor a Samuel: Eis que vou fazer uma coisa em Israel, à qual todo o que a ouvir lhe tinirão ambos os ouvidos. […] Porque já lhe fiz saber que julgarei a sua casa para sempre, pela iniquidade que ele bem conhecia, porque seus filhos se fizeram execráveis, e ele os não repreendeu. Portanto, jurei à casa de Eli que nunca será expiada a iniquidade da casa de Eli com sacrifício nem com oferta de manjares.

O texto é contundente: há pecado que não é removido por sacrifício algum quando não há arrependimento e correção. O culto continuava, o altar funcionava, mas o juízo foi decretado.

Esse conjunto de textos desmonta qualquer ideia de que o sistema levítico ensinava perdão instantâneo, automático ou desvinculado da ética. Ele também serve de advertência direta a qualquer modelo religioso que confie no rito enquanto negligencia arrependimento, confissão, restituição e justiça prática.

3.5 Sangue, Espírito e Pentecostes

Antônio Carlos disse o seguinte:

“E também para enviar sobre nós o seu Espírito, porque ao ser sacrificado, ao derramar o seu sangue, ele derramou sobre nós o seu Espírito Santo, tal como fez no Pentecostes, como fogo que consome somente o pecado, mas purifica o pecador.”

Não há base bíblica para identificar o sangue como figura do Espírito Santo, nem para igualar o fogo de Pentecostes ao fogo purificador do holocausto. Trata-se de tipologia inventada, não exegese. Não há qualquer texto bíblico que ampare a comparação das línguas como de fogo do pentecostes com o fogo que queimava o holocausto no ritual levítico. Nem mesmo no texto de Atos há qualquer indicativo de que aquelas línguas de fogo eram purificadoras, até porque a ação que se operou naquele momento foi de enchimento do Espírito Santo e não de ação contra o pecado.

3.6 Amor a Cristo: doutrina e prática

Antônio Carlos disse o seguinte:

Só se pode amar O Senhor Jesus, quem compreende o valor de Sua encarnação e de Seu sacrifício. Encarnação porque Ele, Deus, se fez homem para dar a Sua vida por nós. Esse amor não é somente uma emoção, requer que se entenda a razão de Sua encarnação, de Ele ter sido feito homem para morrer por nós e também a Sua crucificação.”

Valorizar a encarnação é correto; condicionar o amor a um nível de compreensão intelectual, não. Jesus define o amor em termos de obediência prática e misericórdia.

3.7 Culto, acesso e exclusividade

Antônio Carlos disse o seguinte:

Ninguém chega ao trono da graça sem antes passar pelo sacrifício e se beneficiar do sangue derramado. Sem o sacrifício, não há acesso a todas as bênçãos simbolizadas no altar.

(…)

 Se não passar pelo sacrifício, não temos acesso ao santuário, não temos acesso às outras bênçãos, que são grandes que o Senhor tem para nós.

(…)

E o Senhor também nos deu uma orientação de um culto no corpo, onde Deus se manifesta.

Agora, como era necessário passar pelo altar dos holocaustos, o culto, ele é um conjunto de coisas que nos leva à presença de Deus. É preciso que nós, é isso que nós falamos. Estamos no culto, nós precisamos participar desde o clamor, porque estamos entendendo o significado do altar dos holocaustos. É preciso que nós confessemos o nosso pecado, tenhamos a consciência do perdão e sigamos em direção às outras bênçãos que o Senhor tem no nosso culto.”

Ao que parece, a narrativa de Antônio Carlos iguala o ofertante com o sacerdote no ritual levítico, como se o próprio ofertante pudesse apresentar o sacrifício e, ele mesmo, seguir para dentro do santuário.

Isso não é correto! O ofertante não entrava no santuário e seu propósito era alcançar perdão e não acesso à presença de Deus. Quem entrava no santuário (presença de Deus) para ministrar em favor do pecador era o sacerdote. Ou seja, o homem não tinha acesso a Deus e o sacerdote era o intermediário que levava sua causa a Deus!

Mas, não é apenas a narrativa sobre o Velho Testamento que está incorreta. A tentativa de composição com o culto da igreja Maranata também é outro equívoco.

Antônio Carlos quer que os seus ouvintes pensem que ir a um culto da ICM, clamar pelo sangue de Jesus, cantar louvores e ouvir uma mensagem é a forma de se entrar na presença de Deus.

Acontece que esses ensinamentos da Igreja Maranata desprezam absolutamente o ensinamento de Jesus sobre adorar a Deus e alcançar comunhão com Ele. Ora, o próprio Jesus explicou à mulher samaritana que para entrar na presença de Deus para adorá-lo não dependia de um lugar sagrado nem de rituais. Segundo Jesus, bastava a disposição do coração, em espírito e em verdade.

Também, essa narrativa da ICM não explica o fato de que as reuniões da igreja descritas no Novo Testamento, a exemplo do texto da carta aos Coríntios, capítulo 14, são realizadas sem clamor pelo sangue de Jesus ou a algo parecido com o culto realizado pela ICM, onde há monopólio da palavra pelo pastor.

Enfim, identificar o culto da ICM — com clamor específico — como caminho necessário de acesso à presença de Deus contraria a Escritura e ignora a simplicidade do ensino apostólico sobre a reunião da igreja (1Co 14).


4. ALEXANDRE GUEIROS: amor proclamado e responsabilidade prática

Alexandre Gueiros repetiu a expressão “amados irmãos” por 12 vezes em sua mensagem. E na sua mensagem parecia o homem mais amoroso do planeta terra. Entretanto, a dor da irmã Fernanda foi e continua sendo negligenciada. Afinal, que amor é esse a que ele se refere?

4.1 Amor, graça e dever

Disse Alexandre Gueiros:

Mas o que nos salvou foi que Deus é amor. Deus é misericórdia. Deus é graça.”

(…)

Temos de ser graciosos com relação também aos nossos irmãos.

Temos de ser amorosos com relação aos nossos irmãos.

Temos o dever de corresponder àquilo que recebemos de Deus.

Recebemos o Seu amor, temos de amar.

Ele foi gracioso para conosco, temos de ser graciosos com relação aos nossos irmãos.”

O discurso enfatiza que devemos corresponder ao amor de Deus sendo graciosos com os irmãos. O critério é bíblico. O problema surge quando a prática institucional não acompanha a proclamação, especialmente diante de uma necessidade concreta amplamente conhecida, como já citamos o caso da Fernanda, que é apenas um exemplo de uma prática de se negar socorro aos membros da igreja. Esse caso se soma a diversos relatos semelhantes de ex-membros

4.2 Amor seletivo e exclusivismo

Disse Alexandre Gueiros:

Nós vamos ao culto. Eu quero me encontrar com os meus irmãos, com o corpo de Cristo. Eu quero ter uma comunhão especial com o meu Deus, que se manifesta quando dois ou três estão reunidos em seu nome, não é?

O reconhecimento de que Cristo está onde dois ou três se reúnem contrasta com a negação de comunhão com outros cristãos e ex-membros. A bênção não pode ser monopolizada por um ritual específico.

4.3 Gratidão e vínculo institucional

Disse Alexandre Gueiros:

Nós vamos ao culto. (…) Eu quero dar graças ao Senhor, porque tenho sido tão abençoado por Ele, não é? Todos os setores da minha vida, o Senhor tem cuidado. Eu vou ao culto não para buscar benefícios materiais em primeiro lugar, não é, mas para adorar. Lembremos do que diz a Palavra. Deus busca adoradores que o adorem em espírito e em verdade. Não é isso?”

A gratidão é virtude cristã. Contudo, quando se torna mecanismo de vinculação que desloca a responsabilidade social para a base, cria-se dependência e confusão entre devoção a Deus e lealdade organizacional.

Esse discurso oculta uma prática de condicionamento para manipulação das pessoas por meio da culpa – você foi abençoado por Deus, nesta igreja, e agora é um devedor tanto de Deus como da igreja.

Um pouco de atenção é suficiente para percebermos que é ligando a pessoa aos cultos que se vincula a pessoa à instituição. Uma vez que o “peixe caiu na rede”, surgem as orientações do que ele deve fazer para agradar a Deus. Isso inclui ser dizimista e prestar serviços voluntários à igreja, pois isso seria o mínimo que você deveria fazer para não ser considerado um ingrato.

4.4 Deus de amor “exclusivo”

Disse Alexandre Gueiros:

“Conhecemos que Deus é amor. Isso é algo extraordinário. Nunca se ouviu neste mundo falar de nenhum Deus, de nenhuma religião, de nenhuma cultura, que fosse, em sua natureza, amor. Isso não existe. Sabiam? Ninguém conseguiu imaginar um Deus assim. Só existe um Deus exigente, duro, justiça, não é? Mas deus que é amor não existe. Só o nosso deus. Que coisa extraordinária, né?

Apresentar Deus como amor em contraste com “os deuses” de outras religiões pode descambar para exclusivismo implícito. O teste do discurso é a prática do amor.

Mas, chama bastante a atenção o fato de que o deus da ICM parece ser mais severo que amoroso. Ora, um deus que persegue ex-membros e os arrasta para tribunais não parece ser nada amoroso. Ao contrário, parece ser exatamente o deus  citado como “exigente, duro, justiça”.

4.5 Atributos de Deus e ética

Disse Alexandre Gueiros:

“E com isso, amados irmãos, com esta manifestação do Senhor Jesus, com esta obra realizada pelo Senhor Jesus, nós podemos compreender melhor, perfeitamente, o que é a misericórdia de Deus, a bondade de Deus, a longanimidade de Deus, a benignidade de Deus, a fidelidade de Deus com relação a nós, não é?”

Se misericórdia, bondade e fidelidade são enfatizadas, espera-se que transbordem na vida institucional. Caso contrário, a mensagem se torna dissonante.

O fato é que não se identifica, até o momento, uma resposta institucional.

Não conseguimos identificar bondade nem benignidade nos processos movidos pela ICM contra ex-membros. E também, não conseguimos encontrar fidelidade ao mandamento de Jesus e à instrução de Paulo para não arrastar irmãos a tribunais de ímpios.

4.6 Justiça imputada e responsabilidade

Disse Alexandre Gueiros:

“A santidade de Deus, a justiça de Deus e a verdade de Deus nos são atribuídas. O Pai olha para nós e vê… não, esse povo satisfez a minha santidade, satisfez a minha justiça, satisfez a minha verdade.”

A justiça imputada em Cristo não elimina a responsabilidade ética. Liderança cristã continua chamada a amar o próximo de modo concreto.

Dizer que a ICM satisfez a justiça de Deus ao passo que não obedece nem mesmo ao mandamento de Jesus quanto a amar o próximo é, no mínimo, uma hipocrisia.

4.7 Retribuição deslocada

Disse Alexandre Gueiros:

“Então, finalizando, como é que nós vamos corresponder a tão grande amor, tão grande graça, tão grande misericórdia? Como você receberá? Como eu receberei? Será que é crucificando de novo o Filho de Deus, voltando a viver no pecado? Nunca! Não! Antes, vivendo no altar de Deus, como holocausto, vivo, santo e agradável a Deus, sob o fogo do Espírito Santo, que representa esse fogo contínuo que arde em nossos corações, com o amor de Deus, vivendo para servir o Senhor e a sua igreja e os nossos irmãos. Amém?

Observa-se um deslocamento do discurso da retribuição: da reciprocidade direta entre irmãos para a entrega ao altar, o serviço à igreja e, só então, aos irmãos. O cuidado concreto passa a ser tratado como iniciativa periférica.

É surpreendente a capacidade de Alexandre Gueiros de falar de um amor que ele simplesmente não vive. Mas, o discurso do amor tem uma finalidade que só se revelou neste último trecho de sua mensagem.

Se no início de sua mensagem Alexandre Gueiros diz que “Ele foi gracioso para conosco, temos de ser graciosos com relação aos nossos irmãos”, agora o discurso mudou um pouco: “vivendo para servir o Senhor e a sua igreja e os nossos irmãos”.

Na prática, o discurso constrói a ideia de que corresponder ao amor de Deus passa, prioritariamente, pelo serviço à estrutura institucional da igreja. E o cuidado direto com o irmão em sofrimento acaba sendo deslocado para iniciativas individuais.

E os irmãos?

Ora, façam vaquinha!


5. Conclusão

A EBD de 28/12/2025 fala com força sobre amor, graça e misericórdia.

A análise revela, porém, tensões profundas entre discurso e prática.

O processo tributário não é prova de culpa, mas expõe capacidade institucional. Diante disso, a ausência de resposta institucional a uma dor concreta compromete a credibilidade do discurso.

O evangelho chama a uma fé que se traduz em obras, especialmente quando o sofrimento está ao alcance.

 

DEGRAVAÇÃO DAS MENSAGENS

 

GILSON SOUSA

Vamos ler a palavra de Deus que se encontra na carta aos Hebreus, capítulo 4, versículo 16. Hebreus, capítulo 4. Vamos ler o versículo 16 e vamos ler agora todos juntos. Leiamos:

Assim chegamos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno.

Amém!

Louvado seja Deus! Os irmãos podem sentar nas igrejas.

Meus irmãos, nós estamos hoje diante deste assunto, o altar dos holocaustos como tema central desta e da próxima Escola Bíblica Dominical.

Ao longo do estudo do Tabernáculo, preciosas verdades têm se tornado claras e todas essas verdades estão relacionadas com a graça do Senhor e, nessa graça, com o amor de Deus.

Todos nós já percebemos claramente que ao falar da graça, estamos necessariamente falando do Senhor Jesus, pois a graça e a verdade, Ele é a graça e a verdade.

E segundo João, capítulo 1, verso 14, a Bíblia diz que a graça e a verdade vieram através Dele, de Jesus, e nele a misericórdia e a verdade também se encontraram, conforme relata o Salmo 85, versículo 10.

As verdades relacionadas com o sacrifício do Senhor Jesus, sacrifícios por nós, elas são tão maravilhosas que elas não podem ser transmitidas apenas como um estudo teórico ou intelectual e de uma forma fria, não.

Cada trecho merece que paremos e meditemos nele e glorifiquemos ao Senhor com uma oração ou com um hino de adoração.

Isso por tantas maravilhas e maravilhosas bênçãos conquistadas por nós, pelo nosso amado Salvador, o Senhor Jesus.

Ele merece que glorifiquemos ao Senhor, porque por tão maravilhosa graça e infinito amor, com que ele nos ama e ele demonstrou esse amor dando-se a si mesmo por nós e vivendo como homem por amor de nós até morrer naquela amarga cruz.

Nós queremos que esse conhecimento, já durante a Escola Bíblica Dominical, possa ser aplicado com o poder do Espírito Santo ao nosso entendimento e aos nossos sentimentos, para que verdadeiramente sejamos mais gratos ao Senhor nosso Deus e assim passemos a amar mais a Deus Pai e ao Senhor Jesus.

E por esta razão, nós estaremos agora transmitindo nesta Escola Bíblica Dominical até poucos ensinamentos. Mas vamos fazê-los de forma lenta, com oração e com adoração ao nosso Deus.

Esta Escola Bíblica estará sendo dentro de um formato diferente, porque ela nos permitirá que haja em nós, hoje aqui, uma operação do Espírito de Deus nas nossas vidas, para que possamos assimilar o ensino e aplicar esse ensino às nossas vidas.

E assim, o ensino possa transformar as nossas vidas, motivando-nos a oferecer os nossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus.

Ou seja, como o holocausto contínuo no altar do Senhor, sob o fogo do Espírito Santo, fogo que nunca se apagará.

Louvado seja Deus.

Vamos cantar, quero buscar e servir ao Senhor.

[LOUVOR]

ANTONIO CARLOS OLIVEIRA

Saudamos a todos com a paz do Senhor Jesus.

Estaremos dando continuidade a essa escola bíblica no dia de hoje falando sobre o altar de bronze, ou o altar dos holocaustos.

Ao aceitar pela fé, o chamado do Senhor Jesus, o vinde a mim, simbolicamente, cada um de nós, pecadores, decidimos deixar o deserto que representa o mundo e passar pela porta da salvação, que é Jesus, assim penetrando no átrio do tabernáculo.

Ao entrar no átrio, nós estamos pisando num ambiente santo, preparado por Deus para nós.

Portanto, o Senhor deu as condições de nós entrarmos na Sua presença e ao entrarmos ali, mesmo com nossas necessidades, nós estamos pisando nos atos do Senhor.

Dessa forma, nós deixamos o mundo, a vida antiga e penetrando dentro do átrio.

No átrio, nós nos deparamos de imediato, passando a porta, de imediato ao altar dos holocaustos, onde contemplamos aquilo que era uma figura, um símbolo da cruz do Calvário, onde o Senhor Jesus foi crucificado por nós.

O altar, portanto, nos fala, como já aprendemos, da cruz, na qual o Senhor Jesus se ofereceu como sacrifício em nosso lugar pelos nossos pecados.

Importante que após a porta do pátio, do tabernáculo, o primeiro elemento que se encontrava era o altar dos holocaustos, que era o primeiro requisito ou um requisito importantíssimo e indispensável para se entrar na presença do Senhor.

Para se obter o perdão dos pecados, agora nos referindo como acontecia, o altar do holocausto era para perdão dos pecados. O homem que pecou, pecar era transgredir a lei de Deus. Mais de 600 leis.

Quem transgredia um, pecava contra o Senhor.

Ele tinha perdão, ele deveria ir lá no rebanho, trazer um cordeiro sem mancha, sem defeito, de acordo com as prescrições da lei, e trazer nos braços para levar ao altar dos holocaustos para ser sacrificado por ele. Então, ao tomar essa medida de já procurar o cordeiro e já colocar nos braços, ele já tinha consciência do seu pecado e também já estava numa posição de arrependimento.

E outra coisa, o sacrifício só era aceito pelo Senhor se fosse levado de sua própria vontade. Quer dizer, é preciso que houvesse realmente o ato de arrependimento. Mas ele vivia, porque ele com cordeiro nos braços e levando até o altar, ele vivia esse momento, porque no Velho Testamento as coisas eram todas fisicamente.

E ao ser feito o sacrifício, ele estava consciente do perdão dos pecados.

E isso nos fala claramente do Senhor Jesus como Cordeiro de Deus e de como, pela fé, nós transferimos a nossa culpa para o Senhor e assim somos perdoados.

Voltando um pouquinho atrás, ele levava o cordeiro lá no Velho Testamento, no altar dos holocaustos, tudo visível, porque hoje nosso altar está no céu. Então ele trazia o cordeiro, ele era colocado no altar dos holocaustos, o homem que pecou impunha as mãos sobre a cabeça do cordeiro, confessava o pecado e transferia a culpa para ele, de forma que o Senhor Jesus assumiu as nossas culpas e os nossos pecados.

E diante desse ato, de Ele presenciar isso tudo, já pegar, trazer o cordeiro, colocar o cordeiro, ver o cordeiro morrendo por Ele, Ele tinha certeza que Ele foi perdoado. Por isso, nós também, com confiança, chegamos ao trono da graça, certos de que ao confessar o nosso pecado e clamar pelo sangue de Jesus, para fazermos jus ao sacrifício de Jesus, nós também somos perdoados.

A composição, nós estamos falando do altar do holocausto, só a composição. O altar era feito de madeira de acácia, revestida de bronze, porque o bronze protegia a madeira para não ser queimada. A madeira fala da humanidade do Senhor Jesus e o bronze da justiça de Deus.

O bronze, falamos aqui, que impedia que a madeira fosse consumida.

No altar, o pecador contemplava os quatro sacrifícios sangrentos e a oferta de manjares. Isso vai ser falado melhor mais adiante, que fala da vida santa sem pecado do Senhor Jesus.

Compreende-se, então, a gravidade do seu e dos nossos pecados e também a justiça de Deus para o perdão. O salário do pecado é a morte. Se conhece, então, que o nosso Deus é santidade, justiça e fogo consumidor. Compreendemos, então, que para satisfazer a santidade e a justiça de um Deus que consome o pecado, que o Senhor Jesus foi crucificado para se tornar para nós Justiça e santificação, como bem diz a primeira carta aos Coríntios no seu capítulo 1, verso 30.

E também para enviar sobre nós o seu Espírito, porque ao ser sacrificado, ao derramar o seu sangue, ele derramou sobre nós o seu Espírito Santo, tal como fez no Pentecostes, como fogo que consome somente o pecado, mas purifica o pecador.

E dessa forma Ele acendeu em nossos corações a chama do amor ao Senhor.

Ao contemplar a cruz compreendemos todos o amor, a bondade, a misericórdia e a graça de Deus que foram manifestados quando o Pai decidiu oferecer Seu próprio Filho que se fez homem para realizar a obra de nossa salvação.

Compreendemos então que Jesus, ao Pai enviá-lo, porque Ele veio da eternidade, Ele satisfez plenamente a justiça e a verdade de Deus.

Só se pode amar O Senhor Jesus, quem compreende o valor de Sua encarnação e de Seu sacrifício. Encarnação porque Ele, Deus, se fez homem para dar a Sua vida por nós.

Esse amor não é somente uma emoção, requer que se entenda a razão de Sua encarnação, de Ele ter sido feito homem para morrer por nós e também a Sua crucificação.

Importante saber, então, que nós passamos a porta, entramos no átrio, deparamos com o altar dos holocaustos para receber o perdão dos nossos pecados mediante o sacrifício. E quando chegamos ao altar dos holocaustos, nós chegamos como necessitados. Portanto, o altar nos iguala a todos. Todos chegam ao altar como necessitados. Ninguém chega ao trono da graça sem antes passar pelo sacrifício e se beneficiar do sangue derramado. Sem o sacrifício, não há acesso a todas as bênçãos simbolizadas no altar.

Ou seja, O Senhor preparou um tabernáculo e preparou o Santuário Santíssimo. E a vontade dele é que nós cheguemos a ele, foi um acesso a ele. Mas o Senhor está mostrando que a primeira coisa por onde se passa é o altar dos holocaustos. Se não passar pelo sacrifício, não temos acesso ao santuário, não temos acesso às outras bênçãos, que são grandes que o Senhor tem para nós.

Consideremos, pois, a nossa situação.

Já compreendemos plenamente o valor do altar para a nossa salvação. Compreendemos o valor do sacrifício do Senhor Jesus por nós. Nossas vidas já foram transformadas, transformadas pelo poder do sangue. Então passamos a compreender a nossa necessidade de participar como corpo de Cristo, do clamor no início de cada culto.

Olha o que nós falamos aqui. O Senhor, quando mandou Moisés construir o tabernáculo, ele deu orientações de um culto divino. Era um culto a Deus. Todos estavam ao redor e todos compareciam ali no tabernáculo.

E o Senhor também nos deu uma orientação de um culto no corpo, onde Deus se manifesta.

Agora, como era necessário passar pelo altar dos holocaustos, o culto, ele é um conjunto de coisas que nos leva à presença de Deus.

É preciso que nós, é isso que nós falamos.

Estamos no culto, nós precisamos participar desde o clamor, porque estamos entendendo o significado do altar dos holocaustos.

É preciso que nós confessemos o nosso pecado, tenhamos a consciência do perdão e sigamos em direção às outras bênçãos que o Senhor tem no nosso culto.

Neste momento, nós convidamos a todos para uma reflexão e oração ao nosso Deus, compreendendo tudo isso que nós estamos falando da importância do altar dos holocaustos que significa o sacrifício do Senhor Jesus pelo qual nós temos acesso a Deus. Vamos pedir ao Senhor uma bênção.

Convidamos a toda a igreja a se colocar de pé neste momento e vamos ter cerca de 30 segundos menos um pouquinho enquanto os louvores vão soar suavemente, nós estaremos colocando as nossas vidas, fazendo uma reflexão sobre o altar dos holocaustos, o sacrifício do Senhor Jesus.

[LOUVOR]

ALEXANDRE GUEIROS

A paz do Senhor, queridos irmãos.

Continuemos meditando sobre este plano extraordinário que Deus concebeu na eternidade, o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

Nós começamos a meditar sobre a Santidade de Deus, que foi o que motivou, primeiramente, a morte do Senhor Jesus na cruz do Calvário. Por quê? A Santidade de Deus é infinita, mas também a sua graça. Amém?

A justiça de Deus, amados irmãos, que é fruto da sua santidade, ou coexiste com a sua santidade, ela é perfeita.

Mas a misericórdia e a graça de Deus, que quer perdoar o pecador, também é infinita.

Quando nós pensamos somente na justiça e na santidade, uma justiça inflexível, porque é completa, é perfeita, ela não pode perdoar o pecador.

E aí?

Que esperança haveria para nós se Deus fosse somente justiça e santidade? Estaríamos perdidos.

Mas o que nos salvou foi que Deus é amor. Deus é misericórdia. Deus é graça.

E foi por isso que ele quis, ele decidiu salvar quem não merecia. Decidiu salvar o pecador. E então, amados irmãos, isto só foi possível através da execução deste plano extraordinário da nossa salvação.

Era necessário que houvesse uma vítima perfeita, não mais animais. Era preciso que houvesse um homem perfeito para pagar o preço dos nossos pecados, para morrer em nosso lugar.

Por quê?

O pastor falou. A vítima tinha de ser perfeita, sem mancha, sem defeito algum, prefigurando a verdadeira vítima que Deus escolheu desde a eternidade, querido, o seu próprio filho.

Amados irmãos, esta foi a solução que Deus encontrou. Seu próprio filho, como homem perfeito, morreria em nosso lugar.

Amados irmãos, a oferta perfeita do Cordeiro de Deus no altar resolveu o problema da nossa salvação. Atendeu com plenamente a justiça de Deus, que dizia, o salário do pecado é a morte. Mas atendeu também a graça de Deus, o amor de Deus. E disse, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna por Jesus Cristo. Foi isso que ele decretou. E foi isso o que nos salvou.

Assim, amados, com a morte do Senhor Jesus na cruz, aqueles que estavam separados de Deus por causa do pecado, passaram a ter a possibilidade de ter comunhão com Deus, santo, santo, santo. E repetimos, santo, mas gracioso também.

E, meus irmãos, nós percebemos que, tendo sido alcançados por tamanho perdão e tamanha graça, nós temos de viver refletindo esta graça em nossas vidas.

Temos de ser graciosos com relação também aos nossos irmãos. Temos de ser amorosos com relação aos nossos irmãos. Temos o dever de corresponder àquilo que recebemos de Deus. Recebemos o Seu amor, temos de amar. Ele foi gracioso para conosco, temos de ser graciosos com relação aos nossos irmãos.

E, amados irmãos, é por esta razão que quando nós compreendemos a razão da nossa salvação, não pelos nossos méritos, não porque nós merecêssemos, mas porque o Senhor Jesus mereceu por nós, mereceu em nosso lugar como nosso representante.

Naturalmente surge gratidão em nossos corações. Nós amamos o Senhor, porque Ele nos amou primeiro, né?

Quando nós percebemos, olha, aquela pessoa gosta muito de você, já tiveram essa experiência, aí já começamos a gostar daquela pessoa, só em saber que Ele gosta muito.

E quando você descobre que há um Deus que lhe ama incondicionalmente, com amor eterno te amei, com benignidade te atraí. É natural que surja em nossos corações um grande amor, não é verdade?

Porque nós cremos que Ele nos amou primeiro, que Ele nos ama, que Ele cuida de nós, que Ele é misericordioso com relação a cada um de nós.

Então, irmãos, é por isso que quando nós vimos a um culto, às vezes nós ouvimos de pessoas, ah, eu vou à igreja, eu preciso receber uma bênção, eu vou, ah, eu preciso de uma vitória, vou pedir oração. Mas isso não é exatamente o que surge em nossos corações com relação ao culto, não é?

Nós vamos ao culto. Eu quero me encontrar com os meus irmãos, com o corpo de Cristo. Eu quero ter uma comunhão especial com o meu Deus, que se manifesta quando dois ou três estão reunidos em seu nome, não é?

Eu quero louvar o Senhor. Eu quero dar graças ao Senhor, porque tenho sido tão abençoado por Ele, não é? Todos os setores da minha vida, o Senhor tem cuidado.

Eu vou ao culto não para buscar benefícios materiais em primeiro lugar, não é, mas para adorar.

Lembremos do que diz a Palavra. Deus busca adoradores que o adorem em espírito e em verdade. Não é isso?

Meus irmãos, voltando ao altar. Diante do altar, nós percebemos que o Senhor Jesus já fez tudo para nos salvar. Ele agradou plenamente ao Pai durante a sua vida na terra. Ele cumpriu integralmente a lei como um homem que não conheceu o pecado e no altar nós percebemos, ou seja, no nosso altar que é a cruz, nós percebemos que o Senhor Jesus tudo isso fez, repetimos, em nosso lugar, como nosso representante.

E conhecemos neste momento que o Senhor Jesus foi o único sacrifício determinado por Deus, aceito por Deus, para que a obra da nossa salvação fosse completada, fosse executada de uma forma completa.

Porque na cruz do Calvário, o Senhor Jesus se ofereceu como o sacrifício único que representou todos os sacrifícios que eram oferecidos no altar, que era o sacrifício pelo pecado para que pudéssemos obter o perdão, purificação dos nossos pecados.

Sacrifício pela culpa para que não fôssemos mais culpados, mas fôssemos justificados pela fé em Jesus.

sacrifício de paz ou de ação de graças, é um outro nome para esse sacrifício, ou sacrifício de louvor. Por que? Para permitir que nós tivéssemos comunhão com Deus.

Se pudéssemos desfrutar desta comunhão que hoje desfrutamos e louvar ao Senhor, e o sacrifício do holocausto, que já estudamos, não é? Para que? Para que possamos hoje oferecer os nossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o nosso culto racional, que é a nossa adoração. O culto é a adoração.

Amados irmãos, que privilégio inaudito.

Vemos assim, amados irmãos, nesse sacrifício, nós podemos contemplar todas as facetas e as riquezas do sacrifício único do Senhor Jesus na cruz do Calvário.

Às vezes, quando não conhecemos bem a palavra, nós simplificamos. Jesus morreu na cruz por quê? Ah, pelos nossos pecados. Não, é muito mais do que isso, não é? Morreu para nos justificar, fazer de nós justos, santos, para que Deus pudesse olhar para nós e dizer, eles não são culpados de pecado nenhum. Eu os justifiquei. São justos! Que bênção maravilhosa.

E, amados irmãos, assim, estudando esse sacrifício, nós percebemos todas as riquezas do sacrifício de Jesus e todos os benefícios que nós recebemos através desse sacrifício.

Podemos ter uma vida espiritual cheia de paz com Deus através do seu sangue. Está escrito no Novo Testamento, temos paz com Deus pela fé no seu sangue. E podemos desfrutar cada momento da sua maravilhosa graça, que é a fonte de todas as bênçãos que recebemos diariamente.

Diariamente o Senhor está abençoando a todos nós, sabiam? Por quê? Nós merecemos? Não, não. É pela graça que Jesus conquistou para nós bênçãos na nossa família, bênçãos no nosso trabalho. Quantos livramentos o Senhor lhes concedeu ontem? Livramentos vocês nem viram, mas os anjos do Senhor estiveram acampados ao nosso redor.

Por quê? Porque Jesus morreu na cruz por nós para conquistar a graça de Deus.

E meus irmãos, é por essa razão que nós pudemos Falar como falou Jeremias, né? Ou melhor, podemos ouvir o Senhor nos falar como falou Jeremias. Porquanto com amor eterno te amei, por isso com benignidade te atraí.

Finalmente, amados irmãos, passamos no altar dos holocaustos, ou seja, na cruz do Calvário, passamos a conhecer mais ao nosso Deus e ao Senhor Jesus.

Conhecemos que Deus é amor. Isso é algo extraordinário.

Nunca se ouviu neste mundo falar de nenhum Deus, de nenhuma religião, de nenhuma cultura, que fosse, em sua natureza, amor. Isso não existe. Sabiam?

Ninguém conseguiu imaginar um Deus assim. Só existe um Deus exigente, duro, justiça, não é?

Mas deus que é amor não existe. Sou nosso deus. Que coisa extraordinária, né?

Amados irmãos, e nós percebemos assim, o privilégio que nós temos, através da morte, ou melhor, da encarnação, quando ele se fez carne, da sua morte, da sua ressurreição, o amor de nosso Deus e Pai se revelou plenamente à humanidade.

E entendemos então aquele versículo tão conhecido, porque Deus amou o mundo, amou a humanidade, amou a igreja. Antes que nós nascêssemos, Ele já nos amou. E antes mesmo de Jesus morrer na cruz, Deus amou. Foi por isso que Ele mandou Jesus morrer na cruz.

Quando nós lemos na Palavra, finalizando, quando nós lemos na Palavra, e o Verbo se fez carne, ou seja, a Palavra Eterna de Deus, o Filho de Deus se fez carne, nós podemos dizer: ele se fez carne porque Ele nos amou.

E essa revelação, amados irmãos, poderia até mudar um pouco as palavras e estaríamos expressando verdades. Notem bem, poderíamos dizer, porque o verbo um dia se fez carne. Nós poderíamos dizer: o amor de Deus se fez carne em Jesus. A graça de Deus se fez carne. A verdade de Deus se fez carne. E o verbo se fez carne habitou entre nós cheio de justiça? Não! Cheio de graça e de verdade.

E todos os atributos do coração de Deus. Notem bem, isso já existia no coração de Deus. Foi por isso que ele enviou Jesus.

É porque no seu coração havia amor, porque Deus é amor, Ele não existe separado do amor que é parte da sua natureza.

E com isso, amados irmãos, com esta manifestação do Senhor Jesus, com esta obra realizada pelo Senhor Jesus, nós podemos compreender melhor, perfeitamente, o que é a misericórdia de Deus, a bondade de Deus, a longanimidade de Deus, a benignidade de Deus, a fidelidade de Deus com relação a nós, não é?

Todas essas facetas maravilhosas do amor de Deus passaram a operar em nossas vidas no momento em que nós tivemos um encontro salvador com o Senhor Jesus.

Em Cristo, a graça e a verdade de Deus nos alcançaram. E sempre que a graça e a verdade nos alcançam, algo acontece. Os irmãos já experimentaram isso.

A santidade de Deus, a justiça de Deus e a verdade de Deus nos são atribuídas. O Pai olha para nós e vê… não, esse povo satisfez a minha santidade, satisfez a minha justiça, satisfez a minha verdade.

Amém?

Então, finalizando, como é que nós vamos corresponder a tão grande amor, tão grande graça, tão grande misericórdia? Como você receberá? Como eu receberei?

Será que é crucificando de novo o Filho de Deus, voltando a viver no pecado? Nunca! Não! Antes, vivendo no altar de Deus, como holocausto, vivo, santo e agradável a Deus, sob o fogo do Espírito Santo, que representa esse fogo contínuo que arde em nossos corações, com o amor de Deus, vivendo para servir o Senhor e a sua igreja e os nossos irmãos.

Amém?

Vamos glorificar o Senhor com o hino.