CONCLAVE MARANATA
CONCLAVE MARANATA
“VICE-PRESIDENTE AÍ, NÃO SABE O QUE FAZER!” — GEDELTI, A PROFECIA E O DESRESPEITO DA MARANATA!
O prazo estatutário para a escolha do novo Vice-Presidente da Igreja Cristã Maranata expirou — e, mais uma vez, o silêncio falou mais alto que qualquer circular.
Enquanto pastores e membros aguardavam uma posição oficial, a Circular nº 107/2025 foi expedida, tratando apenas da suspensão das transmissões de sábado durante os seminários. Nenhuma linha, nenhuma palavra, nenhuma menção sobre o cumprimento da norma que rege a sucessão e que, estatutariamente, deveria ter sido observada até o dia 3 de outubro de 2025.
O silêncio institucional e suas possíveis leituras
Três hipóteses se apresentam diante desse mutismo cuidadosamente orquestrado:
1 – A escolha foi feita, mas está sendo mantida em segredo.
No estatuto que estava em vigor de 2011 até 2017 não existia a figura de Vice-Presidente e o que dizia sobre o Presidente era o seguinte:
Art. 6 – A ICM-PES será administrada por um Presidente, assessorado pelo Conselho Presbiteral, por uma Diretoria Executiva e por uma Diretoria de Assuntos Eclesiásticos.
No Estatuto de 2017 também não existia a figura de Vice-Presidente na ICM. Sobre o Presidente, assim regia o estatuto:
Art. 9 – A Presidência da ICM será exercida por membro ordenado, o qual cumprirá o mandato por prazo indeterminado.
A partir de 2020, o Estatuto da ICM criou a figura do Vice-Presidente, ocasião em que Alexandre Gueiros foi empossado no cargo de Vice-Presidente, sem qualquer aviso público sobre quando e como isso aconteceu. A decisão pode ter sido tomada nos bastidores, preservando o velho costume de governar na penumbra — onde a membresia é a última a saber o que ocorre no topo.
2 – A escolha foi adiada estrategicamente.
Fontes internas apontam que há articulações para colocar Albert Bitran, genro de Gedelti Gueiros, no cargo — o que exigiria, antes, que ele fosse “levantado como ungido” neste mês de outubro, para só depois, em 2026, ser ordenado pastor e tornar-se elegível. Nesse caso, o atraso seria proposital: o estatuto que deveria ser seguido é convenientemente esquecido.
3 – Há impasse dentro do Conselho Presbiteral.
O silêncio pode refletir uma crise de poder.
A família Gueiros pressiona pela continuidade do controle familiar, enquanto outros líderes — como Luiz Eugênio, Wallace Rozetti e Amadeu Loureiro — disputam espaço com apoio de setores do Conselho.
É uma luta entre herdeiros do trono espiritual e gestores do poder institucional.
Quando o silêncio revela a desobediência
Seja qual for o motivo, o fato é que o Estatuto da ICM foi violado.
O artigo 10, §2º, é claro:
“Em caso de vacância e/ou necessidade de substituição definitiva no cargo de Vice-Presidente da ICM, a escolha do substituto será feita no prazo de 90 (noventa) dias pelo Conselho Presbiteral, mediante os votos do Presidente (voto de qualidade) e dos outros cinco membros mais velhos do Conselho Presbiteral, contada a idade em anos, meses e dias, com homologação pela Assembleia Geral, passando o substituto a exercer mandato por prazo indeterminado.”【Estatuto da ICM, 2020, Art. 10, §2º】
Ignorar essa norma é ignorar o próprio compromisso institucional que a ICM assumiu diante de Deus e dos homens.
E há um agravante: a ICM sempre ensinou que suas decisões administrativas são revelações diretas de Deus, obtidas por meio de dons espirituais e da chamada “consulta à Palavra” — uma forma de bibliomancia institucionalizada.
Se as decisões são divinas, então não cumprir o estatuto é desobedecer ao próprio Deus.
Gedelti sabia da condição de Alexandre: família prevalece
EBD/ICM de 20/4/2025, disse Gedelti:
Ao presbitério reunido, ao conselho presbiterial, ao seu representante determinou a unção do nosso irmão Joaquim Lopes Cardoso, ele é de Angola.
Angola tem algumas igrejas e ele é o responsável por uma igreja. E hoje ele está convidado para vir à frente.
AGORA, EU CONVIDO QUE O PASTOR ALEXANDRE O CONDUZA À FRENTE. EU CONVIDO O CONSELHO PRESBITERAL PARA ESSA IMPOSIÇÃO DE MÃOS.
(…)
VOCÊ DESCEU? VOCÊ SUBIU? POR QUE VOCÊ NÃO FICOU COM ELE? NÃO CHAMEI VOCÊ!
(…)
Agora não! Por enquanto, não! O… calma! Não precisa fazer agora, não, tá?
VICE-PRESIDENTE… TÁ AÍ… NÃO SABE O QUE É QUE VAI FAZER.
A incoerência espiritual
Jesus condenou a hipocrisia religiosa com palavras duras:
“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Porque sois semelhantes a sepulcros caiados, que por fora parecem formosos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia.”【Mateus 23:27】
O contraste entre a retórica espiritual e a prática política revela uma crise de autenticidade.
O silêncio da liderança é o retrato da covardia institucional: quando há algo a esconder, o discurso de “revelação” cede lugar ao cálculo humano.
A verdade espiritual não teme a transparência — mas o poder humano teme perder o controle.
O poder, o medo e o culto ao nome
O que se vê hoje é uma disputa entre sobrenomes e conveniências.
O nome “Gueiros” ainda pesa como ídolo e herança política dentro da ICM.
Mas o poder que se constrói sobre o medo e o sigilo jamais poderá ser chamado de espiritual.
Liderar à sombra da dúvida é abdicar da luz que deveria guiar toda igreja.
“Porque todo aquele que pratica o mal odeia a luz e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas.”【João 3:20】
A ética do serviço e o dever de transparência
A Escritura ensina que o verdadeiro líder é servo e age à vista de todos:
“Apascentai o rebanho de Deus que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto; nem como dominadores sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho.”【1 Pedro 5:2-3】
A ocultação de informações essenciais é uma forma de dominação e não de serviço.
Quem teme ser questionado já não governa por autoridade espiritual, mas por autoridade administrativa — e isso fere o princípio moral da coerência entre fé e prática.
“Vossa palavra seja sim, sim; não, não; porque o que passa disso é de procedência maligna.”【Mateus 5:37】
A síntese moral da crise
“A Igreja Maranata não respeita a Deus, nem o seu Estatuto e, consequentemente, não respeita seus membros.”
Essa frase resume a gravidade do momento.
Quem desrespeita o princípio espiritual — o temor do Senhor — perde a referência moral.
Quem desrespeita o Estatuto — o pacto humano de governança — revela desprezo pela verdade.
E quem desrespeita seus membros — o corpo que sustenta a instituição — trai o próprio evangelho que diz representar.
A crise atual não é apenas de liderança; é uma crise de consciência espiritual.
Reflexão final
A ICM chega a um ponto crítico de sua história.
O estatuto, elaborado com tanto zelo por Gedelti Gueiros, foi ignorado pela nova gestão que afirma ser sua herdeira espiritual.
O que resta, então, é a pergunta que ecoa entre os fiéis:
Deus mudou de ideia — ou foram os homens que decidiram ignorar a Sua vontade?
Enquanto a liderança se cala, o silêncio se torna denúncia, e a ausência de respostas passa a ser a mais eloquente das revelações.
Circular 106/25, de 30/9/2025:
IV. Estatísticas: Não deverá haver encaminhamento de estatísticas das evangelizações de CIAs para o Presbitério.
Circular 107/25, de 4/10/2025:
Comunicamos aos Pastores e às Igrejas que, a partir deste mês de outubro, não haverá mais transmissão de Culto às 19h, aos sábados, durante os seminários.