MORNOS SERÃO VOMITADOS! MAS QUEM É O MORNO?

MORNOS SERÃO VOMITADOS! MAS QUEM É O MORNO?

10 de agosto de 2025 Off Por Sólon Pereira

EBD/ICM 10/8/2025

Introdução

No dia 10 de agosto de 2025, a Escola Bíblica Dominical da Igreja Cristã Maranata, ministrada por Alexandre Gueiros com participação de Luiz Pitta, prosseguiu na série sobre as sete cartas do Apocalipse, chegando à carta à igreja de Laodiceia (Ap 3:14–22).
O discurso trouxe a já recorrente interpretação institucional sobre o “morno”, associando-o a membros que, segundo a visão da liderança, não se mantêm plenamente ativos nas práticas e doutrinas da ICM. Mais uma vez, houve ênfase na figura do “fogo” e no conceito de “ouro refinado”, interpretados à luz do “poder do Espírito Santo” segundo a doutrina do grupo, incluindo o “clamor pelo sangue de Jesus” como sinal distintivo da verdadeira comunhão.

Também foi reafirmada a noção de que Jesus “bate à porta” dos próprios membros da ICM, não das demais denominações, com uma breve tentativa de correção após a declaração inicial.

A seguir, publicamos a degravação integral da mensagem, preservando o conteúdo como foi transmitido no canal oficial da igreja, seguida de nossos comentários e análise crítica — ética, filosófica e espiritual — à luz das Escrituras e do contexto histórico.

DEGRAVAÇÃO DA EBD – 10/8/2025

NOSSOS COMENTÁRIOS SOBRE A MENSAGEM DE ALEXANDRE GUEIROS, EM REDE MUNDIAL DE COMPUTADORES, NO CANAL DA IGREJA CRISTÃ MARANATA NO YOUTUBE!  https://www.youtube.com/watch?v=KP22MRCAT1A

00:00:00 Alexandre Gueiros

Queridos irmãos, estamos já perto do fim do nosso longo estudo sobre as sete cartas do Apocalipse. Chegamos à carta à igreja de Filadélfia. E logo a seguir, chegamos à carta à igreja de Laodiceia.

E vemos, amados irmãos, entre outros aspectos, já estudamos vários, aquele conselho que o Senhor dá à igreja desta hora em que nós estamos vivendo. Dá a pessoas que estão na igreja, crentes que estão ouvindo a palavra de Deus, mas muitas vezes não estão vivendo, não estão praticando a palavra de Deus.

E é por essa razão que eles, por negligenciarem a prática, a vivência da palavra de Deus, eles esfriaram na fé, perderam o temor.

Nós sabemos que nesta última hora o Senhor fala a todos enfatizando esta operação do espírito de temor para que haja esperança para aqueles que estão negligenciando, aqueles que estão realizando a obra de Deus negligentemente. Sabemos que há uma advertência séria na palavra para esses.

E por que negligenciaram?

Não sabemos se é a causa ou o efeito, porque apagaram o Espírito Santo. Ao negligenciarem, estiveram apagando o Espírito Santo no qual estamos selados para o dia da redenção. Resistiram ao Espírito, se acomodaram.

Nós nos lembramos da igreja em Cantares de Salomão que diz, já despia as minhas vestes. A igreja que está deitada, de noite, acomodada, lembram-se? É a igreja a qual o senhor está falando nesta última hora.

E o senhor diz a ela que ela é pobre, miserável, nua, cega, os irmãos se lembram, não é? E o senhor, então, dá um conselho, porque esse estado espiritual de mornidão nos fala claramente a respeito de alguém que já foi quente, ou seja, o calor, o fogo do Espírito já ardeu no seu coração no passado. Mas ele foi se acomodando, foi negligenciando a sua responsabilidade dentro do Senhor. Parou de servir o Senhor. Resolveu estar acomodado. E por essa razão apagou o Espírito.

E o Senhor então, na sua infinita misericórdia, fala a esses que se tornaram mornos, aconselho-te que de mim compres ouro refinado no fogo para que te enriqueças, a solução para o pobre, o pobre espiritualmente falando, é essa, comprar ouro refinado no fogo. E nós sabemos que o ouro nos fala do poder do Espírito Santo.

Poder do Espírito Santo, antes de mais nada, para quê? Já temos falado isso, não é para ser usado em curas e milagres, não! O poder do Espírito Santo para viver uma vida de vigilância e oração, para andar no Espírito, para andar como um verdadeiro servo de Deus, servindo os irmãos, orando pelos irmãos, evangelizando, realizando a obra de Deus.

Amados irmãos, esclarecemos para aqueles que não acompanharam as últimas escolas dominicais, que o senhor está falando a uma igreja que esfriou.

Em Filadélfia, ela era crente. No período histórico que começou em Filadélfia, ela era uma igreja que tinha o calor do Espírito Santo, o fogo do Espírito Santo. FOI BATIZADA COM O ESPÍRITO SANTO E COM FOGO. Fogo nos fala de calor. Fogo nos fala de luz. Luz é revelação.

Os irmãos se lembram que em Filadélfia, a ênfase da operação do Espírito Santo era como espírito de conhecimento, que é sinônimo de espírito de revelação. Então essa igreja, apagando o espírito, ela se tornou morna no período de Laodiceia. Em consequência, ela PERDEU MUITAS BÊNÇÃOS que são dependentes da operação do Espírito Santo.

Mas alguém vai dizer: não, mas TODAS AS BÊNÇÃOS SÃO DEPENDENTES da operação do Espírito Santo.

Não é verdade?

É VERDADE. EU ERREI.

Todas as bênçãos que o Senhor conquistou para nós ao consumar a obra da nossa salvação na cruz do Calvário, a obra necessária para que pudéssemos herdar a vida eterna, nos são transmitidas pelo Espírito Santo.

Ele é o agente que foi determinado pelo Senhor para nos transmitir todas essas bênçãos que o Senhor conquistou para nós ao consumar a sua missão na Cruz do Calvário.

Então, amados irmãos, sem o Espírito Santo, nós ficamos privados, por exemplo, do alimento, que é a palavra viva que desce do céu para nos dar vida. SEM A OPERAÇÃO DO ESPÍRITO SANTO, NÓS SÓ CONHECEMOS A BÍBLIA AO NÍVEL DE LETRA, não conhecemos a palavra revelada, não conhecemos os mistérios do reino de Deus, porque somente o Espírito Santo tem esta capacidade de nos revelar estes mistérios que estão revelados, que estão contidos na palavra de Deus.

Então, amados irmãos, nesta hora em que o Senhor nos fala, o Senhor fala para despertar aqueles que estão nesta situação de mornidão espiritual. Quem são eles? Quem são os mornos? São os daquela igreja, daquela denominação. Não, não, não. O Senhor está falando a nós. O Senhor está falando àqueles que têm conhecido a obra do Espírito Santo, mas que têm apagado o Espírito, mas que têm resistido ao Espírito.

Muitas vezes nós vemos em nossas igrejas pessoas que se converteram e vieram ainda com alguns costumes que são próprios do mundo, que não glorificam o Senhor. E nós oramos por eles, esperamos.

‘Não, o Espírito Santo vai fazer a sua obra, não vamos obrigá-los a se comportarem como um verdadeiro servos. Não, o Espírito Santo está trabalhando nos seus corações. Vamos estar orando, vamos ter paciência. Não, ele não fala como um servo ainda. Não, paciência. Ele não se traja como um servo de Deus.’

O modelo dele é o mundo. ‘Não, vamos ter paciência’.

Mas às vezes o tempo passa e não há transformação de vida. O que é isso? Estão resistindo ao Espírito Santo, que é um perigo terrível, não é? Então, ele se acomodou naquela posição de crente morno, não é nem frio, nem quente, não é nem… não podemos dizer que ele não tem salvação, mas também ele não é do mundo, não é?

Ele está naquele estado de mornidão. O morno, ele só quer receber bênçãos, já sabemos, não quer ser uma bênção, não quer servir, não quer assumir a responsabilidade de orar pelos irmãos, e então está correndo um risco sério.

Qual é o risco? Jesus disse: porque não és nem quente nem morno, vomitar-te-ei da minha boca.

E é por isso que nós não nos surpreendemos, nos entristecemos, mas não nos surpreendemos quando o morno diz, ah, deixou a igreja, saiu da igreja. Era morno, nunca se definiu, foi vomitado do corpo, não tem mais comunhão com o corpo de Cristo.

Então, amados irmãos, o Senhor adverte, por quê? Por que razão?

Porque ele ama o pecador, ele ama o morno, ele quer dar uma oportunidade. Eis que estou à porta e bato, está batendo a porta do morno, não é? O Senhor quer salvar.

Então, amados irmãos, esse é o perigo e nós temos de nos examinar a nós mesmos, como dizem as Escrituras, nos julgar a nós mesmos. Qual é a minha situação? Eu sou um crente morno? A minha vida é um testemunho de alguém que realmente foi atingido pela graça de Deus?

Eu estou vestido espiritualmente com vestes de salvação? As vestes falam do nosso testemunho. O meu testemunho é um testemunho de um salvo que glorifica o Senhor? Esse é o perigo.

Que nós não estejamos nesta posição que agrada ao Senhor.

E qual é o conselho? Repetimos. Aconselho-te que de mim compres ouro, o poder do Espírito Santo. Por isso que o apóstolo Paulo disse, enchei-vos do Espírito. Ou seja, enche-vos continuamente. Continuai, dia após dia, mais do Espírito Santo. Eu quero mais do Espírito Santo. É esse o conselho do Senhor para nós.

Então, aconselho-te que te me compres ouro refinado no fogo, porque fogo, repetimos, porque o fogo nos purifica de todo pecado. Fogo assim nos capacita a vencer o pecado, O fogo aquece os nossos corações com o amor de Deus.

Se alguém está numa condição de mornidão, perdeu o primeiro amor, certamente, né? Perdeu o primeiro amor. É por isso que ele está negligenciando a sua responsabilidade do Senhor. Por isso que ele não quer servir o Senhor. Por isso que ele não quer ser um instrumento nas mãos de Deus.

E O FOGO ILUMINA O CAMINHO, mostra claramente aquilo que devemos fazer.

Como andar no Espírito, andar a cada dia no caminho santo, sem nos desviar, nem para a direita, nem para a esquerda. Porque ouvimos uma voz que diz, eis o caminho, Espírito Santo, que está nos falando a cada momento.

E amados irmãos, é essa a nossa necessidade.

E aqueles que não estão mornos vão continuar vigiando, né? Vamos continuar vigiando. Vigiando e a cada dia buscando mais do Espírito Santo. Mais do Espírito Santo.

Quanto mais o Vosso Pai Celestial dará ao Espírito Santo, aqueles que O pedirem. Amém?

[CANTARAM UM LOUVOR]

Amados irmãos, quando o senhor nos aconselha a comprar do ouro, desta preciosidade, que não é exatamente um ouro deste mundo, é um ouro da eternidade, é uma riqueza da eternidade. Quem aqui tem como pagar tão grande valor? O preço… que vale esta bênção do Espírito Santo em nossas vidas.

Pastor Pita pode nos dar uma sugestão, que está na Palavra de Deus, por favor.

00:14:45 Luiz Pitta

A sugestão não é minha, é uma revelação que o Senhor deu a Isaías, profeta que viveu 700 anos em média antes do Senhor Jesus, 800 anos antes da carta a Laodiceia ser escrita em média esses valores está em Isaías capítulo 55 o versículo 1º e diz assim:

Ó voz que tem de sedes vinde as águas. E os que não têm de dinheiro vinde e comprai e comei. Sim, vinde, comprai, sem dinheiro, sem preço, vinho e leite.

A expressão do profeta Isaías… Como é que a palavra revelada é maravilhosa, Alexandre, por quê?

Porque tudo se liga. O Espírito Santo, ele liga todas as coisas. Dá razão, o homem é temporal, mas no Espírito, o Senhor nos faz entender aquilo que ele tem para as nossas vidas.

Se somos pobres, porque na própria carta à Laodiceia nos fala, né? Não tenha graça, né? É pobre ali, tudo no sentido espiritual, lógico. Mas como comprar? Como comprar? Isaías dá a resposta. Mas por que então o senhor não usa a expressão, tira o comprar aí e fala em dar? Porque custou um preço muito caro. Nós temos de entender que o senhor está nos dando, não é porque não tem valor. Tem muito valor e o valor foi o preço da vida do Senhor Jesus ali na cruz.

00:16:36 Alexandre Gueiros

Ele pagou o preço.

00:16:37 Luiz Pitta

Ele pagou. Quando ele clama, né? Pai meu, pai meu, por que me desamparaste? É porque ele estava assumindo o nosso pecado. Quando nós dizemos, Senhor, eu te quero como meu salvador, ali, ele está recebendo ali o nosso pecado. Custou muito caro, um preço que nós não tínhamos condições e não temos condições de pagar. E temos de dar muito valor, muito valor. Por quê? Porque nós não vamos encontrar em outro lugar.

E me permita Alexandre, quando você fala do ouro provado no fogo, o ouro fala do poder de Deus. A riqueza da operação do espírito e do conhecimento do projeto maravilhoso de obra.

O ouro é um metal e como todo metal ele precisa do fogo para ser purificado, para ser separado da sujeira, porque ele vem com muita sujeira. A temperatura de fusão do ouro é acima de mil graus, algo perto de mil e sessenta graus. Mas nós estamos falando do poder de Deus e o fogo do Espírito Santo. Que à medida que nós deixamos esse calor do Espírito penetrar nas nossas vidas, o que é do homem nós vamos discernindo e separando: ‘Isso não é de Deus. Isso é da minha cabeça. Isso é do meu sentimento. E ser bom para esse mundo, para fazer a obra de Deus, não serve’.

E nós vamos dando mais valor à riqueza que o Senhor nos concede quando Isaías ali nos chama a participar.

00:18:22 Alexandre Gueiros

Amém! Aleluia! Glória a Deus! Louvado seja o Senhor!

Então, amados irmãos, compremos deste ouro, busquemos mais do Espírito Santo, busquemos essa riqueza espiritual que o Senhor tem para nós.

E dessa forma, o Senhor pode falar conosco como falou a igreja de Esmirna: Conheço a tua pobreza, mas tu és rico.

Vocês, queridos, vivem como nos diz a palavra. Todos nós vivemos como pobres, mas enriquecendo a muitos com as riquezas eternas que temos recebido do Senhor.

Vivemos como nada tendo, mas possuindo tudo, nos diz a palavra. Tudo aquilo que a nossa alma carece, todas as bênçãos celestiais, todas as riquezas insondáveis de Cristo, está escrito. Onde é que nós encontramos registrado a respeito dessas riquezas insondáveis de Cristo? Na Palavra de Deus.

E nos lembramos daquele homem que encontrou este tesouro, lembram-se? E vendeu tudo o quanto tinha para ficar com este tesouro.

Amados irmãos, este tesouro escondido nós já encontramos na Palavra de Deus. Aleluia!

E o Senhor, amados irmãos, abriu os nossos olhos para ver quantas riquezas nós encontramos na Palavra de Deus, ou quantas riquezas encontramos em Cristo.

Porque a Palavra de Deus um dia se fez carne e habitou entre nós. A Palavra de Deus se confunde com o próprio Senhor Jesus, não é?

Que riquezas? O poder do sangue de Jesus, a fé, a esperança, a vida eterna, o fruto do Espírito Santo!

É por isso que o que nós mais queremos é que o Senhor Jesus habite em nós. Cristo em nós, a esperança da glória. Louvado seja o Senhor.

Amados irmãos, alguém aqui, alguém nas nossas igrejas gostaria de receber essas riquezas insondáveis de Cristo? Elas são transmitidas pelo Espírito Santo. Por isso, que o Senhor nos aconselha, que compremos ouro refinado no fogo, mas do Espírito.

Podemos até neste momento ter uma intercessão, não é?

[ORAÇÃO]

Amados irmãos, estamos chegando ao fim desta carta à Laodiceia. E nos lembramos que bem no fim da carta o Senhor diz, eis que estou à porta e bato. A porta de quem? Do mundo? Não. O Senhor está falando conosco.

O SENHOR ESTÁ BATENDO NA PORTA DO CORAÇÃO DAQUELES QUE SÃO DE OUTRAS DENOMINAÇÕES? NÃO, NÃO, NÃO!

Pode estar também, não é? Mas, nesta manhã, o Senhor está batendo a porta dos nossos corações. E todos nós que necessitamos de que o Senhor Jesus entre e possa cear conosco, para que nós possamos desfrutar de plena comunhão com Ele.

Esse é o nosso desejo, viver vidas vigiando e orando em comunhão constante com o Senhor, servindo o Senhor, adorando o nosso Senhor.

Meus amados irmãos, o Senhor nos dá essa oportunidade, porque Ele conhece a nossa necessidade.

Nós precisamos participar da ceia do Senhor, continuamente. Necessitamos estar participando de uma ceia na qual Ele é que providencia o alimento. Ele é que nos traz o alimento. Sabem que ceia é essa? Creio que todos sabem.

Este pão é o meu corpo. Comei dele todos. Amados irmãos, alimentemo-nos continuamente nesta vida de comunhão com o Senhor, que é uma comunhão diária contínua.

Nós precisamos estar nos alimentando com o pão vivo que desce do céu, com a palavra revelada pelo Espírito Santo.

Precisamos estar bebendo do cálice que Ele nos oferece nessa ceia. Este cálice é o novo testamento no meu sangue, diz o Senhor. Precisamos estar participando da vida, do poder que há no sangue de Jesus.

Precisamos estar participando do Espírito Santo e NÓS SABEMOS QUE O SANGUE É FIGURA TAMBÉM DO ESPÍRITO SANTO.

E é isso que o Senhor tem a nos ofertar. Participemos desta ceia maravilhosa que o Senhor tem para nós. Continuemos a participar desta ceia.

Comentários e análise crítica

INTERPRETAÇÃO DE “MORNO” (Ap 3:14–22)

O ensino da ICM nesta EBD apresenta o “morno” como o membro que não mantém o ativismo doutrinário e comportamental esperado pela instituição.
Essa leitura difere das interpretações bíblicas clássicas:

·       Reformada – “quente” e “frio” são dois tipos de utilidade (cura e refrigério), enquanto “morno” é inútil e repulsivo.

·       Pentecostal – “quente” é o crente fervoroso; “frio”, o indiferente ou descrente; “morno” é o crente apático.

·       Nossa visão ampliada – “morno” é o infiltrado nocivo ou comunidade pseudo-cristã: aparenta fé, mas distorce o Evangelho, sendo rejeitado no juízo final.

Ao reinterpretar “morno” como sinônimo de “menos ativo na ICM”, o ensino desloca o foco de Apocalipse 3 para um critério institucional, afastando-se do contexto histórico de Laodiceia e do uso bíblico do símbolo.

Texto-chave

“Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente! Assim, porque és morno e não és frio nem quente, estou a ponto de vomitar-te da minha boca.” (Ap 3:15–16)


1. Interpretação Reformada

1.1. Contexto histórico e cultural

·       Os reformados enfatizam o pano de fundo arqueológico: Laodiceia não tinha água potável própria. Recebia água quente de Hierápolis (famosa por suas fontes termais medicinais) e fria de Colossos (boa para beber). Ao chegar em Laodiceia, a água ficava morna e sem gosto, causando náusea.

·       Assim, “quente” e “frio” não são “espiritualmente fervoroso” versus “espiritualmente morto” no sentido de salvação, mas duas formas úteis de ser: quente (curar) e frio (refrescar). O “morno” seria inútil, ineficaz para a obra de Deus.

1.2. Aplicação teológica

·       Laodiceia representa a igreja que se acomodou, confia em sua riqueza e não reconhece sua miséria espiritual (v. 17).

·       Para reformados, “morno” descreve a falta de utilidade no Reino, e não um estado intermediário entre salvo e perdido. É a igreja satisfeita consigo mesma, sem depender de Cristo.

·       A mensagem é um chamado ao arrependimento e à renovação da comunhão com Cristo (v. 20).

📚 Referências reformadas:

·       D.A. Carson e Douglas Moo (Introdução ao NT)

·       G.K. Beale (The Book of Revelation)

·       R.C. Sproul (Série de sermões sobre Apocalipse)


2. Interpretação Pentecostal

2.1. Ênfase no fervor espiritual

·       Muitos pentecostais leem “quente” como crente fervoroso e “frio” como descrente ou espiritualmente indiferente.

·       “Morno” seria o cristão que conhece a verdade, mas vive no meio-termo: não totalmente entregue a Cristo, nem totalmente afastado — um estado de indiferença que provoca repulsa no Senhor.

2.2. Aplicação prática

·       A mensagem é vista como um alerta contra o esfriamento espiritual e a perda da paixão por Deus e pelos dons espirituais.

·       “Vomitar-te da minha boca” é interpretado como risco de perder a comunhão com Cristo e até a salvação (dependendo da teologia pentecostal do pregador).

·       É um apelo a “avivar” a fé, buscar santidade e operar no Espírito Santo.

📚 Referências pentecostais:

·       Stanley M. Horton (Comentário Bíblico Pentecostal)

·       Myer Pearlman (Conhecendo as Doutrinas da Bíblia)

·       Mensagens de pregadores como David Wilkerson e Hernandes Dias Lopes (este último não é pentecostal, mas é muito citado por pentecostais neste texto).


3. Comparativo lado a lado

Aspecto

Reformados

Pentecostais

Frio

Útil, refrescante (ex.: água fria de Colossos)

Pessoa distante de Deus ou não convertida

Quente

Útil, curativa (ex.: água quente de Hierápolis)

Crente fervoroso, cheio do Espírito

Morno

Inútil, sem impacto no Reino

Crente sem compromisso, indiferente

Ênfase

Utilidade espiritual e dependência de Cristo

Fervor espiritual e perigo da indiferença

Condição final

Igreja deve se arrepender para ser útil novamente

Risco de perder comunhão/salvação


 Observação importante:

Historicamente, a leitura reformada é mais ancorada no contexto arqueológico e geográfico, enquanto a leitura pentecostal tende a ser mais devocional e motivacional, usando “quente” e “frio” como metáforas para intensidade espiritual.


NOSSA INTERPRETAÇÃO DO “MORNO”

Não vejo esse texto como uma condição de aceitação sob o aspecto pentecostal de “quente = fervoroso, cheio do poder” e “frio = indiferente ao poder do Espírito Santo”, pois, se assim fosse, Jesus estaria aceitando no corpo de Cristo o frio, ou seja, incrédulo (frio). Vale lembrar que para os pentecostais, os irmãos reformados são frios, porque não adotam as manifestações espirituais que eles adotam.

Embora seja aceitável a interpretação de útil e inútil, uma vez que tanto a água fria como a quente são úteis ao organismo vivo, não vejo o texto de Ap. 3:15-16 como um divisor entre crentes totalmente indiferentes (inúteis) e os ativistas em todos os sentidos possíveis dentro de uma igreja qualquer – obedientes e comprometidos com a causa da igreja.

Importante destacar que a Igreja Maranata faz um misto entre essas duas interpretações, uma vez que entende como quente o ativista obediente e que pratica os dons espirituais como eles ensinam, com falar em línguas, ter visões e revelações. Quem não tem essas características ou é frio, como os reformados, ou é morno como os que não obedecem a suas orientações ou não possuem dons como eles ensinam.

Nossa visão é diferente!

Parece-nos que nas interpretações citadas, há uma inclinação à defesa do ativismo religioso, com ênfase no fanatismo como grau máximo do fervor, seja no modo pentecostal de ser (cheio de poder), seja no modo tradicional de ser (obediente às regras da igreja, especialmente quanto à evangelização).

Segundo cremos, procuramos utilizar o contexto em que o texto foi escrito, usando o comparativo das águas mornas da cidade de Laodiceia, resultante da mistura das águas vindas de Hierápolis (quentes) e de Colossos (frias). Essa mistura que tornava as águas mornas causava náuseas e parece ser essa a referência do texto – águas mornas ao serem ingeridas causavam náuseas. Logo, descarto o benefício medicinal das águas quentes nesse contexto, pois ninguém bebia água quente, mas banhava-se em águas quentes. Mesmo reconhecendo a utilidade da água quente como medicinal, não me parece ter sido essa a intenção do texto.

O problema era as águas mornas quando ingeridas. A água fria é útil para beber e a água quente é útil como medicinal para relaxamento e, nesse sentido, tanto uma como a outra tem sua utilidade, como interpretam os reformados.

Entretanto, Jesus não queria falar sobre água quente nem sobre água fria, embora tenha dito que uma ou outra são aceitáveis. O foco era o repúdio ao falso crente, ao falso profeta e à falsa igreja infiltrados no corpo de Cristo. A ideia de vomitar vem exatamente quando a água é ingerida, ou seja, quando entra no corpo. Se a água quente é boa como fonte medicinal, ótimo! Mas, ela não é ingerida e não é sobre benefícios medicinais que Jesus quer falar. Jesus quer repudiar o falso evangelho instalado em uma falsa igreja que abandonou a essência de Cristo e transformou a palavra de Cristo em comércio, em exploração de pessoas e em ensinamentos egoístas, seja do ponto de vista individual ou coletivo.

Promovem escândalos

Ao que nos parece, Jesus está preocupado em apontar para pessoas que ingressam no corpo de Cristo e são detestáveis por um comportamento que causa escândalos, como é o exemplo do homem que Paulo disse que deveria ser entregue à Satanás porque tomou a esposa de seu próprio pai.

1 Coríntios 5:1–5

1 Geralmente, se ouve que há, entre vós, imoralidade, e imoralidade tal, como nem mesmo entre os gentios: haver quem se atreva a possuir a mulher de seu próprio pai.

2 E, contudo, andais vós ensoberbecidos e não chegastes a lamentar, para que fosse tirado do vosso meio quem tamanho ultraje praticou?
3 Eu, na verdade, ainda que ausente em pessoa, mas presente em espírito, já sentenciei, como se estivesse presente, que o autor de tal infâmia,
4 em nome do Senhor Jesus, reunidos vós e o meu espírito, com o poder de Jesus, nosso Senhor,

5 seja entregue a Satanás para a destruição da carne, a fim de que o espírito seja salvo no Dia do Senhor.

Palha e joio

Neste caso, parece-me que o morno está nessa situação, assim como a palha e o joio que serão queimados na hora do juízo.

Mateus 3:11–12

^11 Eu, na verdade, vos batizo com água, para arrependimento; mas aquele que vem depois de mim é mais poderoso do que eu, cujas sandálias não sou digno de levar; ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo.
^12 A sua pá ele a tem na mão e limpará completamente a sua eira; recolherá o seu trigo no celeiro, mas queimará A PALHA em fogo inextinguível.

Mateus 13:24–30; 36-43

24 Outra parábola lhes propôs, dizendo: O reino dos céus é semelhante a um homem que semeou boa semente no seu campo; 25 mas, enquanto os homens dormiam, veio o inimigo dele, semeou O JOIO no meio do trigo e retirou-se. 26 E, quando a erva cresceu e produziu fruto, apareceu também o joio. 27 Então, vindo os servos do dono da casa, lhe disseram: Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde vem, pois, o joio? 28 Ele, porém, lhes respondeu: Um inimigo fez isso. Mas os servos lhe perguntaram: Queres que vamos e arranquemos o joio? 29 Não! Replicou ele, para que, ao separar o joio, não arranqueis também com ele o trigo. 30 Deixai crescer ambos juntos até à colheita; e, no tempo da colheita, direi aos ceifeiros: Ajuntai primeiro o joio, atai-o em feixes para ser queimado; mas o trigo, recolhei-o no meu celeiro.

(…)

36 Então, despedindo Jesus à multidão, foi para casa. Chegando-se a ele os seus discípulos, disseram: Explica-nos a parábola do JOIO do campo.
37 E ele respondeu: O que semeia a boa semente é o Filho do Homem;
38 o campo é o mundo; a boa semente são os filhos do reino; o joio são os filhos do maligno; ^39 o inimigo que o semeou é o diabo; a ceifa é a consumação do século; e os ceifeiros são os anjos. 40 Pois, assim como o joio é colhido e lançado ao fogo, assim será na consumação do século. 41 Mandará o Filho do Homem os seus anjos, que ajuntarão do seu reino todos os escândalos e os que praticam a iniquidade 42 e os lançarão na fornalha acesa; ali haverá choro e ranger de dentes. 43 Então, os justos resplandecerão como o sol, no reino de seu Pai. Quem tem ouvidos, ouça.

Falsos profetas

Nesse sentido, também se enquadrariam os que se infiltram no corpo de cristo para distorcer a essência do evangelho, para explorar pessoas, para ajuntar tesouro na terra assim como os falsos profetas, que são lobos infiltrados com pele de ovelhas.

Mateus 7:15–23

15 Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas, por dentro, são lobos roubadores. 16 Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos? 17 Assim, toda árvore boa produz bons frutos, porém a árvore má produz frutos maus. 18 Não pode a árvore boa produzir frutos maus, nem a árvore má produzir frutos bons. 19 Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo. 20 Assim, pois, pelos seus frutos os conhecereis.
21 Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. 22 Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? 23 Então, lhes direi explicitamente: Nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade.

Assim, ao que me parece, o texto não pretende admitir extremos entre fanatismo e indiferença absoluta, mas apenas apontar para aqueles que se infiltram no corpo de Cristo, mas que nele não permanecerão, pois no momento do juízo serão colocados para fora, assim como o homem que chegou ao banquete sem as vestes apropriadas e, ao ser identificado, foi lançado para fora.

Mateus 22:11–13

11 Entrando, porém, o rei para ver os que estavam à mesa, notou ali um homem que não trazia veste nupcial 12 e perguntou-lhe: Amigo, como entraste aqui sem veste nupcial? E ele emudeceu. 13 Então, ordenou o rei aos serventes: Amarrai-o de pés e mãos e lançai-o para fora, nas trevas; ali haverá choro e ranger de dentes.

Questão

Afinal, em uma interpretação que contextualize o texto de apocalipse com os evangelhos e com as epístolas, onde estariam os indicativos de que Deus não aceita os que não manifestam espiritualidade de uma determinada denominação evangélica ou condiciona a salvação ao ativismo religioso contrário à graça?

Pontos centrais do nosso entendimento

·       Coerência teológica: evita criar um “paradoxo moral” no qual Deus aprovaria um estado de incredulidade pura em vez de um estado de fé imperfeita.

·       Integração com outras passagens: ao vincular “mornos” com falsos crentes e infiltrados (Mt 22:11–13; 1Co 5:1–5; Jd 4), harmoniza-se Apocalipse 3 com a linha geral do Novo Testamento sobre o juízo contra os hipócritas e falsos mestres.

·       Conexão com o contexto de Laodiceia: a ideia de algo que aparenta ser água potável, mas é repulsivo, encaixa com pessoas que aparentam fazer parte do corpo, mas cuja presença é nociva e nauseante.


Exposição sistemática de nossa interpretação

1. Contexto imediato (Ap 3:14–22)

·       Laodiceia era rica, autossuficiente e conhecida por sua água morna de difícil ingestão.

·       Jesus denuncia uma igreja que se pensa rica, mas é “pobre, cega e nua” (v. 17), ou seja, que tem aparência de igreja, mas carece de vida espiritual real.

·       O “vomitar da boca” é imagem de rejeição final, similar à separação do joio e do trigo (Mt 13:30).

2. Relação com os Evangelhos

·       Mateus 13:24–30, 36–43 – Parábola do joio: falsos crentes crescem junto ao trigo, mas serão separados no juízo.

·       Mateus 22:11–13 – O homem sem vestes nupciais no banquete: estava “no meio” da festa, mas foi lançado fora por não estar de acordo com as exigências do Rei.

·       Mateus 7:15–23 – Falsos profetas e falsos discípulos, que até fazem obras em nome de Cristo, mas são rejeitados: “Nunca vos conheci”.

3. Relação com as Epístolas

·       1 Coríntios 5:1–5 – O caso do homem que tomou a mulher de seu pai: Paulo ordena excluí-lo, “entregar a Satanás” para destruição da carne.

·       Gálatas 2:4 – “Falsos irmãos” que se infiltraram para espiar e escravizar.

·       Judas 4 – “Certos indivíduos se infiltraram… transformam em libertinagem a graça de Deus”.

·       2 Pedro 2:1–3 – Falsos mestres que introduzem heresias destruidoras.

4. Conclusão teológica

·       O “morno” em Apocalipse 3 não seria o crente com fé fraca ou o membro “meio desanimado”, mas o infiltrado ou hipócrita consciente, cuja presença contamina a igreja.

·       Jesus não está comparando três tipos de cristãos (fervoroso, morno e indiferente), mas dois tipos de utilidade (frio e quente, ambos aceitáveis) contra a inutilidade nociva (morno).

·       O “vomitar” é o juízo final contra aqueles que parecem estar no corpo, mas não pertencem a ele de fato (1Jo 2:19).

 

 

Aspecto

Reformada

Pentecostal

Nossa interpretação ampliada

ICM/EBD 10-8-2025

Base histórica

Contexto arqueológico; útil vs. inútil

Leitura devocional; fervor vs. indiferença

Integra contexto histórico e juízo final; utilidade vs. nocividade

Reinterpretação institucional: ativismo vs. inatividade na ICM

Quente

Água quente: útil para curar

Crente fervoroso

Úteis de um modo no corpo de Cristo

Ativista da doutrina e prática da ICM

Frio

Água fria: útil para refrescar

Pessoa distante/indiferente

Úteis de outro modo no corpo de Cristo

Descrente ou fora da ICM

Morno

Água morna: inútil, repulsiva

Crente apático

Infiltrados nocivos ou grupos pseudo-cristãos com aparência de piedade, mas essência contrária ao Evangelho

Membro não alinhado ou menos ativo na ICM

Ênfase teológica

Dependência de Cristo

Paixão espiritual e dons

Pureza doutrinária e ética; separação de falsos irmãos

Exclusivismo doutrinário; “palavra revelada” acima da Bíblia

Aplicação coletiva

Igrejas podem perder utilidade e precisam se arrepender

Comunidades podem esfriar

Denominações inteiras podem ser “mornas” e rejeitadas no juízo

Crítica dirigida apenas aos membros; ausência de autocrítica institucional


QUESTÕES ÉTICAS E MORAIS

 

Disse Alexandre Gueiros:

Os irmãos se lembram que em Filadélfia, a ênfase da operação do Espírito Santo era como espírito de conhecimento, que é sinônimo de espírito de revelação. Então essa igreja, apagando o espírito, ela se tornou morna no período de Laodiceia. Em consequência, ela PERDEU MUITAS BÊNÇÃOS que são dependentes da operação do Espírito Santo.

Mas alguém vai dizer: não, mas TODAS AS BÊNÇÃOS SÃO DEPENDENTES da operação do Espírito Santo.

Não é verdade?

É VERDADE. EU ERREI.

Todas as bênçãos que o Senhor conquistou para nós ao consumar a obra da nossa salvação na cruz do Calvário, a obra necessária para que pudéssemos herdar a vida eterna, nos são transmitidas pelo Espírito Santo.

·       Falta de autocrítica – Embora Alexandre Gueiros tenha admitido um erro técnico, não houve pedido de perdão nem reconhecimento de injustiças passadas, como nos processos judiciais perdidos contra ex-membros.

Disse Alexandre Gueiros

E nos lembramos daquele homem que encontrou este tesouro, lembram-se? E vendeu tudo o quanto tinha para ficar com este tesouro. Amados irmãos, este tesouro escondido nós já encontramos na Palavra de Deus. Aleluia! E o Senhor, amados irmãos, abriu os nossos olhos para ver quantas riquezas nós encontramos na Palavra de Deus, ou quantas riquezas encontramos em Cristo. Porque a Palavra de Deus um dia se fez carne e habitou entre nós. A Palavra de Deus se confunde com o próprio Senhor Jesus, não é?

Que riquezas? O poder do sangue de Jesus, a fé, a esperança, a vida eterna, o fruto do Espírito Santo!

(…)

Nós precisamos estar nos alimentando com o pão vivo que desce do céu, com a palavra revelada pelo Espírito Santo.

Precisamos estar bebendo do cálice que Ele nos oferece nessa ceia. Este cálice é o novo testamento no meu sangue, diz o Senhor. Precisamos estar participando da vida, do poder que há no sangue de Jesus.

Precisamos estar participando do Espírito Santo e NÓS SABEMOS QUE O SANGUE É FIGURA TAMBÉM DO ESPÍRITO SANTO.

·       Exclusivismo – Ao vincular o “ouro refinado” e o “poder do sangue” a práticas específicas da ICM, exclui-se implicitamente outros cristãos.

Disse Alexandre Gueiros

Porque ele ama o pecador, ele ama o morno, ele quer dar uma oportunidade. Eis que estou à porta e bato, está batendo a porta do morno, não é? O Senhor quer salvar.

·       Aplicação seletiva da ética cristã – O amor ao “morno” pregado no púlpito não se traduz em práticas como as instruções de Paulo em 1Co 6:1–8 (não processar irmãos) ou o mandamento de Jesus em Mt 5:44 (amar inimigos).


QUESTÕES FILOSÓFICAS

·       Epistemologia fechada – A interpretação “além da letra” subordina a Escritura à hermenêutica interna, típica de sistemas sectários.

·       Controle semântico – “Morno” é redefinido para reforçar a disciplina institucional, não para esclarecer a mensagem original de Apocalipse.


QUESTÕES ESPIRITUAIS

·       Cristo restrito à instituição – A declaração inicial de que Jesus “não bate à porta” de outras denominações cria uma barreira artificial entre Cristo e a igreja universal.

Disse Alexandre Gueiros

Amados irmãos, estamos chegando ao fim desta carta à Laodiceia. E nos lembramos que bem no fim da carta o Senhor diz, eis que estou à porta e bato. A porta de quem? Do mundo? Não. O Senhor está falando conosco.

O SENHOR ESTÁ BATENDO NA PORTA DO CORAÇÃO DAQUELES QUE SÃO DE OUTRAS DENOMINAÇÕES? NÃO, NÃO, NÃO!

Pode estar também, não é? Mas, nesta manhã, o Senhor está batendo a porta dos nossos corações. E todos nós que necessitamos de que o Senhor Jesus entre e possa cear conosco, para que nós possamos desfrutar de plena comunhão com Ele.

·       Desvio do foco bíblico – O chamado de Apocalipse 3:20 é para arrependimento e restauração da comunhão, não para intensificação de ativismo denominacional.


CONCLUSÃO

A EBD de 10/8/2025 reafirma um padrão hermenêutico e retórico da ICM: reinterpretar textos bíblicos para manter coesão interna e reforçar a identidade institucional.
A análise do “morno” mostra que a leitura dada nesta aula:

·       Afasta-se do contexto histórico e da aplicação universal do texto bíblico.

·       Reforça o exclusivismo e a centralização doutrinária.

·       Ignora princípios bíblicos de autocrítica, reparação e amor ao próximo.

O chamado de Cristo à igreja de Laodiceia continua válido hoje: arrepender-se, buscar ouro refinado (verdadeira vida no Espírito) e restaurar a comunhão genuína com o Senhor — não com um sistema religioso, mas com o próprio Cristo.