UMA IGREJA “DESGRAÇADA” / A ESSÊNCIA DA ICM NÃO MUDOU: EBD MEDÍOCRE!

UMA IGREJA “DESGRAÇADA” / A ESSÊNCIA DA ICM NÃO MUDOU: EBD MEDÍOCRE!

27 de julho de 2025 Off Por Sólon Pereira

EBD/ICM 27/7/2025

www.celeiros.net

NOSSOS COMENTÁRIOS SOBRE A MENSAGEM DE ALEXANDRE GUEIROS, EM REDE MUNDIAL DE COMPUTADORES, NO CANAL DA IGREJA CRISTÃ MARANATA NO YOUTUBE! https://www.youtube.com/watch?v=eD8FHSO7Guc  

 

00:00:00 Gilson Sousa

Iremos agora passar então a continuidade do nosso assunto da Escola Bíblica Dominical. Iremos dar a palavra aqui ao pastor Alexandre Gueiros, que é o presidente da Igreja Cristã Maranata. E ele vai então fazer alguns comentários relacionados à Escola Bíblica Dominical.

E ao final, às 10 horas e 50 minutos, estaremos de volta com as nossas crianças para a resposta à pergunta das crianças.

Pastor Alexandre.

00:00:21 Alexandre Gueiros

Muito obrigado, pastor Gilson.

Saúdo a todos com a paz do Senhor Jesus. Amados irmãos, queria fazer algumas observações pontuais sobre alguns versículos deste capítulo 3, que nos fala destas três últimas cartas às igrejas de Sardes, Filadélfia e Laodicea.

Nós sabemos que o Senhor, como que deu um novo impulso à sua obra a partir de Sardes.

Sabemos que em Sardes o Senhor encontrou alguns fiéis. Não era a igreja como um todo, mas eram alguns.

Por exemplo, aqui no capítulo 4 nós lemos Também tens em Sardes algumas pessoas que não contaminaram seus vestidos e comigo andarão de branco.” Quem são esses? O remanescente fiel, os sobreviventes daquele período tenebroso, foi o período da Idade das trevas, que corresponde à igreja anterior.

E nós vemos aqui como, inclusive no nome, Sardes, que quer dizer restantes, aqueles que estavam para morrer, descrito aqui na carta.

Então foram poucos, e nós, alguns nomes se destacam naquela época, nós sabemos, não é como? como Lutero, Zwinglio, Calvino, servos que lideraram este movimento de restauração dos valores perdidos ou de redescoberta da palavra de Deus. Aqueles homens que se aproveitaram do tesouro que um homem descobriu no seu campo. Nós sabemos que, historicamente, nós identificamos este homem como Martinho Lutero. Encontrou o tesouro e perdeu todo o prestígio que ele tinha na época, os títulos que ele tinha como professor de universidade, universidade religiosa da época. para conservar o tesouro que foi a palavra de Deus que ele descobriu. E ele teve algumas revelações.

Os irmãos vejam o poder de uma revelação. Homens estudiosos, teólogos, haviam lido muitas vezes este versículo que eu vou mencionar e não atentavam para o seu real significado.

Mas um dia, certamente, necessariamente, movido pelo Espírito Santo, Lutero abriu a Bíblia, ou leu naqueles rolos, eram mais rolos que havia na época, e ele descobriu o seguinte, o justo viverá pela fé. Pela graça sois salvos mediante a fé. Isso não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras para que ninguém se glorie.

E meus irmãos, o Espírito Santo operou poderosamente, ele entendeu o significado daquilo que ninguém entendia na igreja a qual ele pertencia. E qual foi o resultado do entendimento desses poucos versículos da Palavra de Deus? Uma revolução religiosa que provocou também uma revolução política e a Europa mudou a partir daquilo.

Então os irmãos verem o poder da Palavra de Deus revelada pelo Espírito Santo.

Muito bem.

Continuando, quando nós chegamos à igreja de Filadélfia, nós não lemos mais a respeito de indivíduos restantes. Não. Agora, o senhor se dirige à igreja. Nós notamos que não há censura a essa igreja. Entenderam? Antes eram indivíduos fiéis, grupos fiéis. Agora é uma igreja, ou podemos dizer, com segurança. Agora o senhor se dirige ao seu corpo, a uma igreja que ele está preparando para o arrebatamento.

E esse preparo para o arrebatamento é muito claro aqui. Os irmãos já leram, não é? Eis que venho sem demora, guarda o que tens, para ninguém tome a tua coroa. Pela primeira vez o senhor disse: Eis que venho sem demorar. Amém?

Então, E no versículo anterior, versículo 10, é interessante, que fala o seguinte, como guardaste a palavra da minha paciência, eu também te guardarei da hora da tentação que virá sobre o mundo. A hora da tentação, a mesma palavra, tribulação, pode ser traduzida também por tentação, mas aqui é claro, não é que ele não vai tentar, a tradução mais correta é tribulação, grande sofrimento.

Então, fica claro aqui, o Senhor já anunciava que a igreja não passará pela grande tribulação que virá sobre o mundo, sobre a humanidade descrente, está claro.

Então, irmãos, e é interessante que o senhor disse a essa igreja de Filadélfia, que o senhor não censura, como também não censurou a igreja de Esmirna, a igreja das perseguições, o senhor diz algo curioso.

Tendo pouca força, guardaste a minha palavra. Amém? Não é maravilhoso? Precisamos de ter muita força para guardar a palavra do Senhor? Não. Precisamos da força do Espírito Santo. Poder do Espírito Santo. Então, essa igreja reconhecia que necessitava do poder do Espírito Santo, necessitava do derramamento do Espírito Santo, como todos nós aqui reconhecemos, não é verdade? Quem é aqui que tem muita força a ponto de dispensar a força que vem do Espírito Santo? Um ali atrás? Não. Ninguém. Louvado seja o Senhor.

Todos nós entendemos que somos dependentes do Espírito Santo para perseverar numa vida de santificação, numa vida de obediência, uma vida de serviço. Louvado seja o Senhor por isto.

Mas então, irmãos, chegamos à Laodiceia e eu queria fazer alguma observação sobre alguns versículos. Aqui em versículo 17, 18. 17, que diz o seguinte: como dizes, rico sou, estou enriquecido e de nada tenho falta.

Amados irmãos, quando um grupo de fiéis numa igreja local, vamos dizer, chega a dizer isso, isso revela o quê? Autossuficiência. Não preciso do corpo de Cristo. Nós aqui na nossa igreja, aqui neste bairro, estamos muito bem, somos ricos.

Vejam, já construímos uma catedral para 5 mil pessoas. Temos bons pregadores. que empolgam o povo com as suas mensagens e animam o povo. Andam para lá e andam para cá no púlpito e gritam. Usam todos os recursos da psicologia, os recursos que nós vemos nos animadores de auditório. Já viram animação de auditório?

Então, alguns, infelizmente, entendem que devem se beneficiar dessas técnicas para tocar o coração das pessoas, para fazer as pessoas se emocionarem pela forma que falam.

Então, amados irmãos, o que acontece é que eles se acham autossuficientes, não precisam de comunhão com o corpo de Cristo.

Aquele pastor não precisa de comunhão com outros pastores, não tem noção do que seja os cinco ministérios em que um ministério completa o outro, e toda a igreja se beneficia da operação de cinco ministérios.

Não, não, aqui na nossa igreja nós temos tudo. Somos ricos, templo magnífico. E então, o que é que o senhor diz? E não sabes que és um desgraçado e miserável e pobre, cego e nu.

Mas aí, essa relação de características dessa igreja, eu acrescentaria a seguinte. Não, a nossa doutrina é ótima, excelente. Nós adotamos um sistema de teologia sistemática, que eles chamam. Muito lógico, muito racional. Não precisamos de clamor pelo sangue de Jesus, não, não nos faz falta. Não precisamos da doutrina do corpo, já mencionamos, não é? Não precisamos de palavra revelada, não, não.

Os nossos intérpretes das escrituras, eles são muito capazes, têm títulos de, têm mestrado, têm doutorado em divindade, quer dizer, doutorado em Deus, ele é doutor em Deus. Então, para que palavra revelada? Rico sou, de nada tenho falta.

E o Senhor o que é que diz? És um desgraçado. Ou seja, perdeu a graça de Deus. Perdeu a operação maravilhosa da graça do Senhor, que é a fonte de toda benção que nós temos.

A fonte de todo o verdadeiro conhecimento. E então, conhecimento da palavra, ele diz, miserável, pobre, cego e nu. E o senhor, então, passa a dar conselhos para que ele não seja mais um miserável, um pobre, para que ele não seja mais cego, para que ele não seja mais nu. E o que o senhor diz? Para aquele que é pobre, o Senhor disse, aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo.

Ouro, nós já aprendemos há 50 anos na obra, nos fala da riqueza de Deus, a riqueza do Espírito Santo. É o poder do Espírito Santo, é a operação do Espírito Santo. Provado no fogo. Não é o Espírito Santo teórico, não, nós cremos no Espírito Santo, não.

O batismo com o Espírito Santo nessa última hora é batismo com o Espírito Santo e com fogo, porque o fogo ilumina o nosso caminho. E a Palavra de Deus se torna verdadeiramente lâmpada para os nossos pés, luz para o nosso caminho.

Amados irmãos, este é o momento em que quem não tem esta benção do batismo com o Espírito Santo e com fogo, é um pobre, um miserável.

E logo a seguir o senhor diz e vestidos brancos para que te vistes quem são esses vestidos de vestes brancas?

Nós lemos no apocalipse, lembram-se? Esses são os que lavaram as suas vestiduras no sangue do cordeiro.

Então amados irmãos não há outra fonte de purificação, de santificação a não ser o sangue do Senhor Jesus, que nos fala em primeiro lugar da sua vida derramada na cruz do Calvário, seu Espírito derramado na cruz do Calvário para que nós pudéssemos receber a cada dia esta operação indispensável do sangue.

E nós entendemos o que está escrito ali em 1 Pedro, capítulo 1, versículo 2, que nós fomos eleitos, segundo a presença de Deus, em santificação do Espírito para a obediência e a aspersão do sangue de Jesus. Irmãos, entenderam?

Nós experimentamos a santificação do Espírito só no momento, no momento do novo nascimento, fomos santificados, ponto final. Ou nós temos de buscar cada dia viver em santificação, ou seja, separados do pecado a cada dia. Santificação é algo que só ocorre naquele momento, no novo nascimento, ou é algo que o Espírito Santo está operando ao longo de toda a nossa vida?

E perguntamos para a obediência. A obediência só no momento do novo nascimento?

Não resolvi seguir a Cristo. E posso viver uma vida de desobediência. É assim? Não, obediência é algo diário, é algo constante em nossas vidas.

E, finalmente, a aspersão do sangue de Jesus. É só no momento do novo nascimento? Tudo que o apóstolo está falando é como o Senhor nos está salvando.

Então, nós necessitamos da aspersão do sangue de Jesus diariamente.

Pecamos, Senhor, perdoa-me, purifica-me com este precioso sangue.

Então, amados irmãos, é bom nós termos isso presente para estarmos habilitados a justificar a nossa fé diante daqueles que a questionam.

Às vezes são irmãos, os irmãos encontrarão servos de Deus isolados porque ainda não sabem direito o que é corpo de Cristo, não sabe viver a doutrina do corpo. E eles vão perguntar que história é essa de falar do sangue? Jesus derramou o sangue na cruz do Calvário e ponto. Basta crer naquele derramamento. Não. Pedro disse que nós vivemos experimentando a aspersão do sangue de Jesus. Está escrito.

Então, amados irmãos, finalmente, O Senhor escreve aqui, e que unjas, através de João, e que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas uma operação do Espírito Santo, através da palavra, sabemos, abrindo o nosso entendimento, abrindo os nossos olhos para enxergarmos a boa, santa e agradável vontade de Deus.

Nossos olhos são abertos como os olhos dos discípulos no caminho de Emaús, lembram-se? Eles tinham as escrituras, mas não entendiam, não sabiam que Jesus haveria, estava escrito que o Messias haveria de ressuscitar, não é? E à medida que o Senhor foi expondo, eles começaram a descobrir algo que eles não conheciam. Jesus estava profetizado em todas as escrituras do Velho Testamento. O Velho Testamento era a Bíblia da época, não é? O Novo ainda não havia sido escrito.

Então o Senhor Jesus mostrou como todas as escrituras falavam a respeito dEle. Então os olhos dEle se abriram.

Ah, então é isso. Eles começaram a entender o que é a palavra além da letra, não é? Por uma operação do Senhor.

Então, amados irmãos, estas bênçãos são necessárias para que não estejamos nessa situação da igreja de Laodiceia, né? Desgraçada, privada da graça de Deus, pela qual somos salvos, miserável, pobre, cego e nu.

Gostaria, nesse momento, passar a palavra para o pastor Adaíso, que tem algo, uma observação interessante a fazer. Pode ficar mais no centro, Adaíso.

00:19:20 Adaíso

A Paz do Senhor Jesus.

É interessante a abordagem feita pela nossa irmã da Argentina, quando ela evidencia as características da igreja de Laodiceia como morna e uma igreja enriquecida, uma igreja voltada para os valores materiais.

Quando menciona-se morna, significa que em um determinado momento ela foi quente, ou seja, foi cheia do Espírito Santo, direcionada pelo Espírito Santo, tendo no centro do culto Jesus.

Mas o momento em que ela tornou-se morna, significa dizer que ela afastou do pentecostes. E quando afasta do Pentecostes, Jesus deixa de ser o centro do culto e o homem passa a ser o centro e o próprio nome Laodiceia identifica-se como Direitos humanos, direitos do homem, ou seja, o homem é o centro.

Portanto, todo plano do homem passa a ser de forma materializada, porque tudo que emerge do homem é material, tudo que emerge do homem é efêmero, é limitado, é voltado para esta vida, para este tempo.

Então, todo o êxito, a prosperidade, é todas as coisas voltadas para esse tempo.

Ao passo que em Filadélfia, conforme mencionada, era uma igreja que manteve Jesus como centro do culto, cheia do Espírito Santo, consciente que a única forma de alcançar a eternidade é atender aos conselhos do Espírito Santo, porque Jesus disse que ia para o Pai, mas enviaria o Consolador para testificar dele.

Portanto, a igreja de Filadélfia ela é esta igreja, ao passo que a igreja de Laodiceia desviou o foco, afastou do Pentecostes.

E, de uma forma muito prática, nós vamos entender a parábola das 10 virgens.

As prudentes, elas buscaram manter as suas candeias acesas. Elas… mostrando ali a dependência do Espírito Santo, a condição única de poder participar das bodas, enquanto as loucas, morna, portanto, distanciadas do propósito… a autossuficiência, conduz as mesmas a não buscar o óleo, o azeite, que era a única condição para se apresentar diante do noivo.

E o resultado?

A igreja, a Filadélfia, identificada como as virgens prudentes, elas estavam atentas. Aí veio o noivo, elas se apresentaram. Como se apresentaram? Com o azeite, a lâmpada acesa.

As loucas, elas não tinham azeite, elas não tinham como apresentar. Então elas apresentaram como? Com aquilo que elas tinham, argumentação.

Mas quando elas apresentaram a argumentação, qual foi a resposta?

Não vos conheço, porque naquele grande dia não há argumentos, mas é a presença do Espírito Santo, é o batismo com o Espírito Santo, é os dons espirituais que nos evidenciam, o que mostra-nos nesta hora… o ensinamento doutrinário, nos capacita a uma reflexão acerca das nossas vidas, porque a igreja de Laodiceia e a igreja de Filadélfia, ela está dentro do mesmo contexto.

E é o momento de cada um de nós fazermos uma reflexão do nosso posicionamento, porque é a igreja que vai ser arrebatada é a igreja que tem as características da igreja de Filadélfia.

Amém?

 

NOSSOS COMENTÁRIOS

Após a morte de Gedelti Gueiros, a Igreja Cristã Maranata continua fiel ao seu legado de heresias, arrogância espiritual e exclusivismo religioso.

A EBD de 27/7/2025 e a reunião de pastores do dia 15/7 confirmam que a seita permanece ativa.

Dois eventos recentes ajudam a entender com clareza o rumo doutrinário e institucional da Igreja Cristã Maranata após a morte de seu fundador: (1) a reunião geral de pastores realizada por videoconferência no dia 15/7/2025, e (2) a Escola Bíblica Dominical do dia 27/7/2025, transmitida mundialmente pelo canal oficial da ICM no YouTube.

Ambos os eventos foram conduzidos por Alexandre Gueiros, atual presidente da igreja.

Na reunião geral com todos os pastores da igreja, Alexandre Gueiros, assumiu o compromisso de “não mudar nada” daquilo que recebeu como legado do “mestre Gedelti”. A palavra é essa: mestre. Um título que Alexandre atribuiu a Gedelti, comparando-o ao fariseu Gamaliel — o que por si só já revela o grau de idolatria institucionalizada e a perpetuação da centralidade de um homem em lugar de Cristo.

A EBD de 27 de julho de 2025 marcou mais um momento de afirmação doutrinária da visão sectária e exclusivista da Igreja Cristã Maranata, agora sob a presidência de Alexandre Gueiros. A aula girou em torno da interpretação profética das cartas às igrejas do Apocalipse — Sardes, Filadélfia e Laodiceia — associando essas figuras a períodos da história da igreja e, sutilmente, reafirmando que apenas a ICM representa a igreja verdadeira dos últimos tempos.


1. Os “restantes de Sardes”, a igreja de Filadélfia e Laodiceia: a linha sucessória que exclui o mundo evangélico – só a Igreja Cristã Maranata é a igreja fiel

Alexandre Gueiros reinterpreta as cartas do Apocalipse dentro de uma cronologia escatológica que já é velha conhecida dos maranatas. Reforçou teoria da Maranata de que as sete igrejas do Apocalipse representam períodos históricos da Igreja, e concluiu — como sempre — que a Igreja Cristã Maranata é a igreja de Filadélfia, a única sem censura, a única cheia do Espírito, a única preparada para o arrebatamento.

·       Sardes representaria a Reforma Protestante, mas apenas como “remanescente”, e não como igreja plena.

·       Filadélfia seria a Maranata — única igreja aprovada –  a única igreja sem censura, pura, espiritual, dependente do Espírito Santo.

·       Laodiceia representaria o restante do mundo evangélico: igrejas com templos grandes, pregadores carismáticos, teólogos e doutrina sistemática — todos “desgraçados, miseráveis, cegos e nus”, segundo a retórica usada.

Trata-se de uma hermenêutica forçada e anacrônica, sem respaldo na teologia reformada nem nos estudos escatológicos tradicionais. Ao colocar a ICM como herdeira de Lutero, mas superior a ele, Alexandre legitima o discurso de que só a “obra” herdou o Espírito, a revelação e o direito à eternidade.

Essa leitura contraria o ensino das Escrituras, que adverte contra a arrogância espiritual (Rm 11:18-21)  e aponta que o corpo de Cristo é formado por todos os crentes verdadeiros (1 Co 12:13), e não por uma única denominação.

O problema aqui é a absolutização da Maranata como “única igreja fiel”, excluindo todos os demais irmãos em Cristo. Isso viola frontalmente o ensino bíblico de que o corpo de Cristo é formado por todos os salvos pela fé em Jesus, e não por vínculo institucional com uma denominação religiosa.


2. A doutrina da grande tribulação: o privilégio do “escapismo eletivo”

Alexandre também reafirma a tese de que a igreja de Filadélfia será arrebatada antes da grande tribulação, e que essa igreja, implícita mas inequivocamente, é a Maranata. Essa interpretação é rejeitada pelas tradições reformadas, que majoritariamente entendem que:

·       O arrebatamento e a segunda vinda de Cristo são eventos simultâneos.

·       A igreja passará por tribulações, como sempre passou.

·       O escape prometido não é físico, mas espiritual — perseverança e fidelidade.

A doutrina do pré-tribulacionismo exclusivista da Maranata cria uma divisão artificial entre igrejas verdadeiras e falsas, baseando a salvação não em Cristo, mas na instituição. Isso subverte o evangelho e cria uma fé baseada em medo, superioridade e dependência institucional.

Vejamos o que disse Alexandre Gueiros:

Então, E no versículo anterior, versículo 10, é interessante, que fala o seguinte, como guardaste a palavra da minha paciência, eu também te guardarei da hora da tentação que virá sobre o mundo. A hora da tentação, a mesma palavra, tribulação, pode ser traduzida também por tentação, mas aqui é claro, não é que ele não vai tentar, a tradução mais correta é tribulação, grande sofrimento.

Então, fica claro aqui, o Senhor já anunciava que a igreja não passará pela grande tribulação que virá sobre o mundo, sobre a humanidade descrente, está claro.


A CONTRADIÇÃO DE ALEXANDRE GUEIROS!

Quando Alexandre Gueiros fala sobre batismo com fogo, referindo-se àqueles que foram revestidos com o Espírito Santo de Deus no pentecostes, disse que esses foram citados no livro do apocalipse como aqueles que chegaram diante de Deus com vestes brancas.

Vejam o que Alexandre Gueiros disse:

E logo a seguir o senhor diz e vestidos brancos para que te vistes quem são esses vestidos de vestes brancas?

Nós lemos no apocalipse, lembram-se? Esses são os que lavaram as suas vestiduras no sangue do cordeiro.

Entretanto, o texto citado por Alexandre Gueiros é exatamente o texto que fala sobre aqueles que chegaram diante de Deus após terem passado pela Grande Tribulação!

Vejamos o texto:

¹³ Então um dos anciãos me perguntou: “Quem são estes que estão vestidos de branco, e de onde vieram?” ¹⁴ Respondi: “Senhor, tu o sabes”. E ele disse: “Estes são os que vieram da grande tribulação e lavaram as suas vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro.  (Apocalipse 7:13,14)

Logo, é evidente que Alexandre Gueiros não consegue sustentar com coerência a própria tese que defende.

ERRADO! Tentação ≠ Tribulação

Na língua grega do Novo Testamento, “tentação/provação” e “tribulação” são palavras diferentes, com significados distintos e usos específicos:

1. Tentação / Provação

  • Palavra grega: πειρασμός (peirasmós)
  • Significados: provação, teste, tentação (quando usada em sentido negativo)
  • Exemplo:

“Bem-aventurado o homem que suporta a provação (peirasmon)” – Tiago 1:12
“Não vos sobreveio nenhuma tentação (peirasmos) que não fosse humana.” – 1 Coríntios 10:13

2. Tribulação

  • Palavra grega: θλῖψις (thlípsis)
  • Significados: aflição, tribulação, opressão, sofrimento intenso
  • Exemplo:

“No mundo tereis aflições (thlípsis), mas tende bom ânimo” – João 16:33
“Estes são os que vieram da grande tribulação (thlípsis megale)” – Apocalipse 7:14


Apocalipse 3:10 – Qual termo é usado?

O texto grego de Ap 3:10 diz:

“…καὶ ἐκ τῆς ὥρας τοῦ πειρασμοῦ”
Tradução: “…e da hora da provação (peirasmou)…”

O termo aqui é πειρασμός (peirasmos), não θλῖψις (thlípsis).

Ou seja, o texto fala de provação/teste, não de tribulação escatológica.

Enfim, a afirmação de Alexandre de que “tentação” e “tribulação” são a mesma palavra grega e que a “tradução mais correta é tribulação” é incorreta.

  • São palavras diferentes, com sentidos teológicos e contextuais distintos.
  • Apocalipse 3:10 fala de provação (peirasmós) — e não da “grande tribulação” (thlípsis megale) descrita em Ap 7:14.

Portanto, sua tentativa de vincular esse versículo à teologia do arrebatamento pré-tribulacional da ICM é gramatical e exegeticamente infundada.

Sobre a Grande Tribulação – texto em questão (Ap 3:10):

“Visto que você guardou a minha palavra de exortação à perseverança, eu também o guardarei da hora da provação que está para vir sobre todo o mundo, para pôr à prova os que habitam na terra.” (NVI)


1. “Guardar da hora” não significa “remover da hora”

·       O verbo grego traduzido por “guardarei” é τηρέω (tēréō), que significa “preservar”, “proteger”, “manter em segurança”.

·       O texto não diz que os crentes serão removidos da hora da provação, mas guardados durante esse período.

·       Isso se alinha à oração de Jesus em João 17:15:

“Não peço que os tires do mundo, mas que os guardes do mal (τηρήσῃς ἐκ).”

O paralelo é claro: os crentes permanecem no mundo, mas são guardados do malnão retirados fisicamente dele.


2. A promessa é dirigida a uma igreja local do primeiro século — Filadélfia

·       A carta é endereçada a cristãos históricos do primeiro século (Ap 3:7).

·       Interpretar esse texto como uma promessa escatológica exclusiva para o fim dos tempos, ignorando seu valor imediato para os crentes daquela época, é forçar o sentido original.

·       A promessa tem aplicação espiritual e moral, não necessariamente um evento cósmico de retirada.


3. “Hora da provação” é diferente de “grande tribulação” como evento escatológico final

·       A expressão “hora da provação” é genérica e pode se referir a tempos de crise, perseguição ou juízo — não necessariamente à escatológica “Grande Tribulação” do capítulo 7 ou 16.

·       Apocalipse usa expressões específicas para a grande tribulação (θλῖψις μεγάλη – thlipsis megale)e essa expressão não aparece em Ap 3:10.

·       A passagem pode estar se referindo à perseguição dos cristãos sob o Império Romano, ou a provações gerais que afetam a igreja em todo o mundo.


4. A Bíblia mostra crentes passando por tribulação — não escapando dela

·       Jesus advertiu que “no mundo tereis aflições” (João 16:33).

·       Em Apocalipse 7:14, vemos os santos que saíram da grande tribulação — não porque escaparam dela, mas porque a atravessaram:

“Estes são os que vieram da grande tribulação; lavaram suas vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro.”

·       Paulo ensina que é necessário passar por muitas tribulações para entrar no reino (Atos 14:22).

Apocalipse 3:10 não afirma que a igreja será arrebatada antes da grande tribulação. O texto fala de preservação espiritual, fidelidade em meio à provação, e de um Deus que sustenta os seus em tempos difíceis.

Usar esse versículo para defender que somente uma igreja (como a Maranata) será “arrebatada antes da tribulação” é isolá-lo do contexto bíblico, do grego original e da teologia do sofrimento presente em toda a Escritura.


3. A doutrina exclusivista do “corpo de Cristo”

 

O que disse Alexandre Gueiros?

Amados irmãos, quando um grupo de fiéis numa igreja local, vamos dizer, chega a dizer isso, isso revela o quê? Autossuficiência. Não preciso do corpo de Cristo. Nós aqui na nossa igreja, aqui neste bairro, estamos muito bem, somos ricos.

Vejam, já construímos uma catedral para 5 mil pessoas. Temos bons pregadores. que empolgam o povo com as suas mensagens e animam o povo. Andam para lá e andam para cá no púlpito e gritam. Usam todos os recursos da psicologia, os recursos que nós vemos nos animadores de auditório. Já viram animação de auditório?

Então, alguns, infelizmente, entendem que devem se beneficiar dessas técnicas para tocar o coração das pessoas, para fazer as pessoas se emocionarem pela forma que falam.

Então, amados irmãos, o que acontece é que eles se acham autossuficientes, não precisam de comunhão com o corpo de Cristo.

Aquele pastor não precisa de comunhão com outros pastores, não tem noção do que seja os cinco ministérios em que um ministério completa o outro, e toda a igreja se beneficia da operação de cinco ministérios.

Não, não, aqui na nossa igreja nós temos tudo. Somos ricos, templo magnífico. E então, o que é que o senhor diz? E não sabes que és um desgraçado e miserável e pobre, cego e nu.

Mas aí, essa relação de características dessa igreja, eu acrescentaria a seguinte. Não, a nossa doutrina é ótima, excelente. Nós adotamos um sistema de teologia sistemática, que eles chamam. Muito lógico, muito racional.

Não precisamos de clamor pelo sangue de Jesus, não, não nos faz falta. Não precisamos da doutrina do corpo, já mencionamos, não é? Não precisamos de palavra revelada, não, não.

Os nossos intérpretes das escrituras, eles são muito capazes, têm títulos de, têm mestrado, têm doutorado em divindade, quer dizer, doutorado em Deus, ele é doutor em Deus. Então, para que palavra revelada? Rico sou, de nada tenho falta.

E O SENHOR O QUE É QUE DIZ? ÉS UM DESGRAÇADO.

Ou seja, perdeu a graça de Deus. Perdeu a operação maravilhosa da graça do Senhor, que é a fonte de toda benção que nós temos.

Alexandre afirma que igrejas que se consideram autossuficientes, com bons pregadores e grandes templos, são como Laodiceia — e não fazem parte do corpo de Cristo. Só a igreja que vive a “doutrina do corpo” revelada à Maranata seria parte do verdadeiro corpo de Cristo.

A Maranata insiste em sua peculiar doutrina do “corpo de Cristo”.

Mas o que ela chama de “corpo” não é a Igreja universal dos santos, nem a comunhão dos crentes salvos em Cristo. Para a Maranata, corpo de Cristo é quem está dentro da instituição, mais especificamente, quem está sob a autoridade do “presbitério” e alinhado com os “dons espirituais” como são interpretados pela liderança.

QUEM ESTÁ FORA DA ICM ESTÁ FORA DO CORPO.

A doutrina de “comunhão” torna-se, assim, uma ferramenta de exclusão e controle, e não de unidade e amor fraternal. A reunião de pastores reforçou isso ao relatar que outras igrejas estrangeiras estão sendo aceitas como parte do corpo — desde que se submetam à ICM, consultem os dons dela e recebam sua doutrina.

Essa doutrina tem implicações graves:

·       Exclui igrejas históricas, missionárias e cristocêntricas que vivem o evangelho há séculos.

·       Reduz o corpo de Cristo a uma elite espiritual definida por dons e revelações particulares.

·       Rebaixa a Bíblia, a razão e a tradição à condição de “letra morta”, enquanto eleva as revelações da ICM a “palavra além da letra”.

A consequência teológica é grave: os que não fazem parte da ICM estão isolados e perdidos. E o caminho para a salvação seria, portanto, a adesão à Maranata. Isso não é evangelho — é uma forma sofisticada de proselitismo seita-dependente.


4. O ataque à teologia sistemática: quem estuda está errado

Alexandre se refere à teologia sistemática como fria, inútil e arrogante:

Os nossos intérpretes das escrituras, eles são muito capazes, têm títulos de, têm mestrado, têm doutorado em divindade, quer dizer, doutorado em Deus, ele é doutor em Deus. Então, para que palavra revelada? Rico sou, de nada tenho falta.

A ridicularização dos teólogos, estudiosos e pregadores de outras igrejas é apresentada de forma cômica e desrespeitosa. O que se propõe no lugar disso? Revelações subjetivas recebidas por meio de dons espirituais — validadas somente se forem compatíveis com a doutrina da ICM.

Essa posição despreza séculos de construção teológica, ignora o chamado bíblico ao discernimento (Atos 17:11) e cria uma dependência institucional que impede a maturidade dos crentes.

Ridicularizar a teologia sistemática, o estudo bíblico racional, os cursos de teologia, os doutores e mestres que, segundo ele, apenas confundem as pessoas, é algo reprovável e digno de alguém que está comprometido com uma instituição em particular (seita) e não com o evangelho de Jesus Cristo.

Alexandre cita, com ironia, homens de Deus espalhados pelo mundo que estudam as escrituras sagradas como se fossem figuras estúpidas que dizem: “não precisamos de clamor pelo sangue”, pois “temos doutores em Deus”.

A crítica é absurda, desrespeitosa e revela um medo profundo da liberdade de pensamento e da maturidade espiritual dos membros. A liderança da ICM precisa que os fiéis dependam das revelações internas, do Maanaim, dos dons institucionalizados. Estudar a Bíblia fora dessa moldura significa “ficar cego”, “perder a revelação”, “se tornar Laodiceia”.

Isso é lamentável.

Por um lado, Alexandre Gueiros rebaixa a Escola Bíblica a um nível da mediocridade insuportável para quem tem um mínimo de consciência do que seja corpo de Cristo.

Por outro lado, Alexandre Gueiros revela seu lado manipulador que, antes, 90% dos membros da Igreja Maranata não conhecia, até porque ele sempre foi uma figura sem visibilidade entre os pastores da cúpula da igreja.


5. A ridicularização da pregação evangélica

O que disse Alexandre Gueiros?

Vejam, já construímos uma catedral para 5 mil pessoas. Temos bons pregadores. que empolgam o povo com as suas mensagens e animam o povo. Andam para lá e andam para cá no púlpito e gritam. Usam todos os recursos da psicologia, os recursos que nós vemos nos animadores de auditório. Já viram animação de auditório?

Então, alguns, infelizmente, entendem que devem se beneficiar dessas técnicas para tocar o coração das pessoas, para fazer as pessoas se emocionarem pela forma que falam.

Alexandre Gueiros se refere aos pregadores de outras igrejas como “animadores de auditório”, dizendo que usam técnicas para emocionar o povo. Essa crítica desonesta desconsidera que:

·       Há igrejas sérias com pregação expositiva, sólida, centrada em Cristo.

·       Há pastores que se preparam com zelo e responsabilidade.

·       A emoção na fé não é pecado — é parte da resposta humana à graça.

Ao ridicularizar, Alexandre não busca advertir em amor.

É evidente que há exageros em algumas igrejas. Mas ao fazer essa crítica de forma generalizada, Alexandre desonra homens e mulheres de Deus que pregam com seriedade, humildade e verdade — e, pior, usa essa caricatura para sustentar sua narrativa de que somente a ICM é espiritual, verdadeira e aceita por Deus.

Alguém que já leu as cartas de João ousariam a aprovar essa conduta de Alexandre Gueiros? E Deus pode estar em um ambiente onde há disseminação do ódio entre irmãos travestido de zelo bíblico-doutrinário?

6. Batismo com o Espírito Santo e com fogo: fogo que salva ou que consome?

Uma das declarações mais graves feitas por Alexandre Gueiros — e depois reiterada por Adaíso — foi:

O batismo com o Espírito Santo nessa última hora é batismo com o Espírito Santo e com fogo, porque o fogo ilumina o nosso caminho. E a Palavra de Deus se torna verdadeiramente lâmpada para os nossos pés, luz para o nosso caminho.

Amados irmãos, este é o momento em que quem não tem esta benção do batismo com o Espírito Santo e com fogo, é um pobre, um miserável.

A expressão “batismo com o Espírito Santo e com fogo” tem sua origem na pregação de João Batista, registrada nos Evangelhos:

Eu vos batizo com água, para arrependimento; mas aquele que vem depois de mim é mais poderoso do que eu… ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo. A sua pá é na mão, e limpará bem a sua eira, e recolherá no celeiro o seu trigo, e queimará a palha com fogo que nunca se apagará.” (Mateus 3:11-12; Lucas 3:16-17)

Ao contrário do que afirma a ICM, o “fogo” nesse contexto não é bênção, mas juízo.

Chave hermenêutica: paralelismo eclesiológico e escatológico

O texto apresenta um paralelismo com duas ações:

·       Batismo com o Espírito Santo → salvação, inclusão no povo de Deus, renovação.

·       Batismo com fogo → separação, condenação, juízo final.

A distinção é clara. Em outras palavras:

·       O trigo é batizado com o Espírito Santo e recolhido no celeiro (salvo).

·       A palha é batizada com fogo e consumida (julgada).

Portanto, João Batista está anunciando que:

·       O batismo com o Espírito é dado aos salvos (trigo).

·       O batismo com fogo é o julgamento divino sobre os ímpios (palha).

Utilizar a passagem de João parcialmente é totalmente irresponsável. Não se pode excluir da interpretação do texto o versículo 12, porque aí está a chave hermenêutica que revela o sentido das figuras utilizadas por João.

¹² Ele traz a pá em sua mão e limpará sua eira, juntando seu trigo no celeiro, mas queimará a palha com fogo que nunca se apaga”. Mateus 3:12

Vamos repetir! João faz uso de metáforas agrícolas: a separação do trigo e da palha, o uso da pá, a limpeza da eira e o fogo consumidor. Tudo isso indica claramente que o “fogo” está relacionado ao juízo e condenação, não a uma experiência espiritual pentecostal.

Essa é a interpretação predominante na tradição reformada, com base no contexto imediato e no uso profético do fogo como símbolo de juízo (cf. Isaías 66:15-16; Malaquias 4:1; Hebreus 10:27).

A Maranata, no entanto, transforma esse fogo em uma experiência carismática obrigatória — e declara que quem não a possui está perdido.

Ao afirmar que quem não tem o batismo com o Espírito Santo e com fogo é um miserável, Alexandre Gueiros:

·       Desrespeita o contexto bíblico e ignora o contexto bíblico imediato, invertendo totalmente o sentido do que o texto quer dizer. FOGO = JUÍZO DIVINO.

·       Confunde condenação com bênção ao reinterpretar o fogo como uma bênção pentecostal, o que não encontra respaldo exegético.

·       Cria um critério de salvação/condenação carismático-institucional: só é salvo quem recebeu esse batismo conforme a doutrina e prática da ICM.

·       Promove exclusão espiritual com base em experiência subjetiva, o que é incompatível com o evangelho da graça (Efésios 2:8-9).

·       Rebaixa a suficiência da fé em Cristo.

Esse tipo de discurso marginaliza cristãos sinceros que não compartilham da experiência carismática institucionalizada, e contradiz a verdade de que todos os que creem em Cristo têm o Espírito Santo (Romanos 8:9; Efésios 1:13).

Enfim, a doutrina ensinada por Alexandre Gueiros, sobre o batismo com fogo, é herética e perigosamente enganosa. O fogo do qual João fala não é o fogo do avivamento, mas o fogo do juízo final. A tentativa de transformar esse fogo em um sinal de aprovação divina serve a um projeto de controle institucional e espiritual, não ao ensino bíblico.

A salvação não depende de dons, visões ou clamor pelo sangue segundo fórmulas reveladas em seminários secretos. Ela é fruto da fé em Cristo, mediante a obra do Espírito, que opera com liberdade e soberania no corpo de Cristo em toda a Terra.


7. A fala de Adaíso: o afastamento do “Pentecoste” como critério de condenação

O pastor Adaíso retoma a alegoria entre Filadélfia e Laodiceia para sustentar que quem não mantém o “Pentecoste” como centro do culto está fora do plano de salvação. O termo “Pentecoste”, aqui, é interpretado como sinônimo da teologia da ICM: dons espirituais contínuos, batismo com fogo, revelações subjetivas.

Ele ainda diz que Laodiceia representa os “direitos humanos” e o “homem no centro do culto” — uma crítica velada a qualquer esforço de valorização da dignidade humana e da razão na fé cristã.

Vejamos o que disse Adaíso:

Mas o momento em que ela tornou-se morna, significa dizer que ela afastou do pentecostes. E quando afasta do Pentecostes, Jesus deixa de ser o centro do culto e o homem passa a ser o centro e o próprio nome Laodiceia identifica-se como Direitos humanos, direitos do homem, ou seja, o homem é o centro.

 

1. Exegese: fuga do texto bíblico

O trecho bíblico em questão é Apocalipse 3:14–22 — a carta à igreja em Laodiceia. O que o texto diz:

“Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Oxalá foras frio ou quente! Assim, porque és morno… estou a ponto de vomitar-te da minha boca.” (Ap 3:15-16)

·       O termo “morno” refere-se à falta de fervor espiritual — uma mistura de aparência com estagnação, autossuficiência com ausência de vida.

·       O motivo da crítica à igreja de Laodiceia é claro no texto: “Porque dizes: Rico sou, estou enriquecido, e de nada tenho falta…” (v.17).

·       Nada no texto indica “afastamento do Pentecostes”, nem é feita qualquer relação com dons espirituais ou batismo com o Espírito Santo. Isso é inserção ideológica no texto bíblico.

Adaíso foge do texto bíblico. O uso de significados simbólicos atribuídos ao nome da cidade (Laodiceia) para fundamentar doutrina não tem base exegética sólida.


📚 2. Linguística e contexto histórico: o nome “Laodiceia”

A palavra “Laodiceia” (em grego: Λαοδίκεια) vem de:

·       “laos” – povo

·       “dike” – justiça, julgamento

Portanto, o significado aproximado pode ser “justiça do povo” ou “governo popular”. Mas:

·       A cidade de Laodiceia era uma metrópole rica, bancária, centro médico e comercial.

·       O nome da cidade não foi dado por João, mas já existia muito antes.

·       O uso simbólico de nomes nas cartas do Apocalipse nunca substitui ou altera o conteúdo doutrinário da carta.

Dizer que “Laodiceia” = “direitos humanos” é anacrônico, pois direitos humanos como conceito jurídico são modernos (pós-Iluminismo, séc. XVIII em diante) e não têm qualquer ligação etimológica ou histórica com Laodiceia do 1º século.


3. Ética e teologia: ataque indireto aos direitos humanos

O argumento de Adaíso não é apenas confuso: ele é perigoso.

Ao vincular “direitos humanos” com a igreja morna e rejeitada de Apocalipse, ele sugere que:

·       Buscar justiça para os pobres, igualdade, liberdade de culto, dignidade humana = apostasia espiritual.

·       Igrejas que valorizam estruturas democráticas, proteção social, ou cuidado com o próximo = Laodiceia, portanto, desprezadas por Deus.

Isso é moralmente torpe e teologicamente infiel. O próprio Jesus afirmou:

“Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça.” (Mateus 5:6)

“Tudo o que fizerem a um destes pequeninos, a mim o fizestes.” (Mateus 25:40)

Os direitos humanos são uma aplicação prática de princípios bíblicos de justiça, misericórdia e dignidade, mesmo que o conceito tenha se desenvolvido juridicamente em outra época.

Direitos humanos não se referem a governo eclesiástico, mas à proteção da dignidade e liberdade das pessoas, especialmente diante de regimes opressivos — como aqueles que perseguem minorias religiosas, por exemplo.

Em resumo:

·       Adaíso foge do texto bíblico, usando um argumento alegórico forçado com base no nome “Laodiceia”.

·       Ele comete um anacronismo grosseiro ao associar o nome da cidade a “direitos humanos”.

·       Eticamente, sua fala é perigosa, pois demoniza um dos pilares da civilização cristã moderna: o respeito à dignidade humana.


A “igreja de Filadélfia” existe — mas não é a Igreja Cristã Maranata

A ICM se apresenta como a Filadélfia bíblica — fiel, sem censura, guiada pelo Espírito, preparada para o arrebatamento. Mas sua prática contradiz esse ideal:

·       Ataca os outros irmãos em Cristo.

·       Exclui o restante do corpo.

·       Valoriza mais a instituição do que o evangelho.

·       Sustenta-se em revelações não verificáveis.

·       Despreza a Palavra estudada com profundidade e fidelidade.

A verdadeira igreja de Filadélfia é aquela que guarda a Palavra e ama seus irmãos — mesmo os que pensam diferente, mesmo os que não estão debaixo de sua bandeira institucional.

Se a Maranata quer ser reconhecida como parte do corpo de Cristo, precisa começar reconhecendo o restante do corpo.