O LEGADO DE GEDELTI GEDELTI GUEIROS

O LEGADO DE GEDELTI GEDELTI GUEIROS

10 de julho de 2025 Off Por Sólon Pereira

O LEGADO DE GEDELTI: UM ALERTA NECESSÁRIO!

No culto realizado pela Igreja Cristã Maranata no templo de Castanheiras (Praia da Costa 2, Vila Velha/ES), o Pr. Luiz Eugênio do Rosário, Secretário Executivo da instituição, compartilhou uma experiência pessoal ocorrida dias antes da morte do fundador da igreja, Gedelti Gueiros. Durante a visita à casa de Gedelti para orar por ele, Luiz Eugênio afirmou ter aberto “uma bíblia nova” e se deparado com Apocalipse 4.1 — “sobe aqui” — interpretando o texto como uma revelação divina antecipando a morte do líder.

O episódio, marcado por forte simbolismo e apelo emocional, rapidamente se espalhou pelas redes sociais da própria igreja. No entanto, a prática descrita, de abrir a bíblia ao acaso em busca de orientação direta, é conhecida no meio teológico como bibliomancia — uma forma de adivinhação condenada por diversos estudiosos e ministérios apologéticos.

Em resposta, o Pr. João Flávio Martinez, do Centro Apologético Cristão de Pesquisas (CACP), publicou um vídeo contundente intitulado “A bibliomancia e a morte de Gedelti Gueiros”, classificando o episódio como “bruxaria disfarçada de espiritualidade”. O pastor critica não apenas a prática supersticiosa, mas também o uso emocional da ocasião para reforçar a autoridade espiritual da liderança da ICM.

Neste artigo, publicamos a íntegra das falas dos dois protagonistas, para que o leitor tire suas próprias conclusões à luz das Escrituras e do bom senso.

Ao final, apresento nossos comentários sobre a mensagem do Pr. Luiz Eugênio.

Trata-se de um alerta necessário para os riscos do misticismo religioso e da manipulação emocional travestida de revelação divina.

 

ICM/CASTANHEIRAS 6/7/2025

www.celeiros.net

NOSSOS COMENTÁRIOS SOBRE A MENSAGEM DE LUIZ EUGÊNIO, EM REDE MUNDIAL DE COMPUTADORES, NO CANAL CORTES PALAVRA VIVA, DA IGREJA CRISTÃ MARANATA NO YOUTUBE! https://www.youtube.com/watch?v=ZX3BRK_Mnqg   

 

LUIZ EUGÊNIO

Os irmãos podem se assentar.

Eu gostaria de contar uma pequena experiência.

O pastor de Gedelti, ele passou mal, quinta-feira, né, quinta-feira.

Ele me ligou, mandou alguém me ligar, pra ir na casa dele pra orar, levar dois pastores comigo, lá fomos lá.

Nós temos assim um relacionamento, TÍNHAMOS UM RELACIONAMENTO MUITO ÍNTIMO em muitos momentos. Né?

Então, ele me chamou para orar por ele lá na casa dele.

Eu fui mais com o pastor, chamei o pastor Ribeiro, o pastor Gilson, mais o pastor Alexandre Brasil… Alexandre Brasil e… acho que foram esses.

Nós fomos orar por ele lá e eu já fiquei preocupado, sabe por quê? Quando nós fomos orar por ele, até peguei uma bíblia… como nós saímos muito correndo, porque tinha urgência, porque estava passando mal, nós fomos orar por ele ali.

E quando eu abri a palavra, até uma bíblia que nem a minha, uma bíblia nova que eu peguei, o texto que veio foi Apocalipse 4:1, sobe aqui.

Aí na hora eu falei com os pastores, não falei com o Gedelti, né, porque estava ali, estava passando mal, também não falei com ele. Falei com o Juraminha, com o Albert, com os pastores, olha o texto que o senhor deu aqui agora: sobe aqui.

Olha, aí é muito clamor mesmo, porque…. E é exatamente isso aí, meus irmãos. Isso foi quinta-feira, né? Ele foi para o hospital, que teve alguns procedimentos ali, algumas coisas, nós tivemos alguns dias ali acompanhando, mas a coisa foi complicando. Chegou o momento mesmo.

E ele tinha me falado uma coisa que eu também falei com ele: Gedelti, isso não é bem assim não!

Ele falou: não! Eu tenho um trato com o Senhor. Ele falou comigo, eu tenho um trato com o Senhor.

Eu falei: qual trato você tem?

O senhor sabe, eu não quero ficar de cadeira de rodas e nem ficar na cama, não! Quero que quando tiver que ir, o Senhor me levar mesmo.

Falei, rapaz, não é assim não, rapaz, o Senhor não faz o jeito que a gente quer não.

Não, mas eu tenho trato com ele.

Ó, e o senhor cumpriu o trato do jeito que ele fez com o senhor, viu?

Então, eu falei, o senhor não costumava cumprir esse trato.

Não, mas eu tenho trato com ele!

Não sei como ele fez esse trato, né?

Então, tem muitos momentos que nós vivemos…

Eu até falei com ele o seguinte: Gedelti, você escreveu um livro: “Assim era ela”, não é? O livro da esposa dele, não sei se os irmãos conhecem esse livro, né?

Eu falei com ele: eu vou escrever um livro sobre você: Assim era ele, certo? Porque eu conheço você, sei uns detalhes que ninguém sabe, hein?

Ele até ficou rindo.

Mas eu falei com ele depois, passou uns dias, isso já tem um tempo que eu venho falando com ele, né?

Passou uns dias, eu falei com ele bem assim: Gedelti, é o seguinte: eu acho que é você que vai escrever um livro sobre mim, “Assim era ele”, porque eu não tô aguentando não, rapaz. O negócio tá apertado pro meu lado aqui no Presbitério.

Mas na verdade é o seguinte, meus irmãos, NÓS NOS ALEGRAMOSENTRISTECEMOS, MAS NOS ALEGRAMOS porque é o plano de Deus na vida dele, é o projeto de Deus.

E nós nesses anos, TEM 10 ANOS QUE EU ESTOU ALI NO PRESBITÉRIO COM ELE, APRENDENDO A ADMINISTRAR A IGREJA, né?

Então na verdade são muitos anos de aprendizado e legado.

Evidentemente não sabemos fazer tudo, né, mas muitas coisas aprendemos, né?

ELE SEMPRE… A PREOCUPAÇÃO COM A ADMINISTRAÇÃO DA IGREJA, como é que vai ser, como é que vai funcionar…

ISSO AÍ ELE ESTAVA DESPREOCUPADO.

Tanto é que as coisas, as administrações da igreja, nem mais…

Para os irmãos de terem uma ideia, uns 3, 4 anos atrás, todo dia ele ia no presbitério.

Nunca mais… TEM MAIS DE UM ANO QUE ELE NÃO VAI NEM MAIS AO PRESBITÉRIO, só vai na terça-feira à tarde para a reunião.

Se eu estiver mentindo sozinho, a Eliane aí é testemunha pra falar que é isso mesmo.

É ou não é, Eliane.

Ele não vai lá mais, porque ele foi delegando achando que… está funcionando bem o Presbitério, então deixou, mas evidentemente sempre tem necessidades, né?

Mas isso é um relacionamento de confiança e de amizade que eu tive o privilégio dele falar: Luiz Eugênio é meu amigo.

E realmente eu era amigo dele mesmo.

Eu falava coisas com ele que ninguém tinha coragem de falar com ele.

Os momentos a sós, coisas que eu vou levar pro túmulo, ele vai levar também… ele levou também, né?

Então meus irmãos, é o que temos que fazer, orar pelo pastor ALEXANDRE GUEIROS, QUE É O NOVO PRESIDENTE DA IGREJA.

ELE QUERIA QUE EU FOSSE PRESIDENTE!

FALOU: Ó VOU MORRER, VOCÊ VAI FICAR NO MEU LUGAR! VOCÊ VAI SER O VICE!

Eu não quero não! Já não estou aguentando nem o que eu estou fazendo mais.

É, já tinha essa questão, ELE QUERIA QUE EU FOSSE O VICE PARA FICAR NO LUGAR DELE.

Eu falei: não vou querer não! Você aí… VOCÊ PODE ARRUMAR OUTRO! NÃO VOU QUERER NÃO!

Mas meus irmãos, essa é a convivência, quem conhece, conheceu o pastor Gedelti de perto, vai saber quem era o pastor Gedelti.

Ele era um homem simples, amoroso e ele tinha muitos momentos, ações que você jamais imaginava. Coisas que você pensava que ia fazer uma coisa, ele fazia outra.

Ele falava assim comigo: eu não faço isso porque eu sigo a revelação.

Às vezes pensamos que a administração com ele é o seguinte: uma coisa ele faz de um jeito, a mesma coisa ele faz de outro jeito. Então você nunca sabe.

Mas você vai, o importante… eu aprendi com ele uma coisa, você procura ir na direção do Espírito Santo, que o senhor vai direcionar as coisas e nós vamos fazendo.

A ADMINISTRAÇÃO DA OBRA NÃO É POR CONHECIMENTO, É POR REVELAÇÃO.

Conhecimento ajuda, evidentemente, mas é por revelação.

Deus nos abençoou até aqui. Seja Alexandre Gueiros, que é o presidente, seja outro, quem for, O ALEXANDRE VAI SER O PRESIDENTE CONFORME O ESTATUTO, está tudo certo.

Mas o Presbitério, a igreja Cristã Maranata, o que é que ela é?

É, o pastor Gedelti sempre colocou: a administração dela é um triângulo. É o Presidente, o Conselho e o Secretário Executivo.

A dimensão prévia é essa, então não tem nenhum segredo, né? É o que ele sempre nos ensinou e nós vamos continuar no mesmo legado dele e sabendo que Deus vai nos ajudar nesse momento difícil, vai nos ajudar.

Mas, com todas as dificuldades, o Senhor nos preparou, preparou o Conselho, tudo está nesse momento e continuar com a igreja e com certeza o Senhor vai continuar abençoando e prosperando essa obra.

Amém?

COMENTÁRIO DO CACP (PR. JOÃO FLÁVIO MARTINEZ)

Vídeo postado no canal do Centro Apologético Cristão de Pesquisas (CACP) criticando a mensagem de Luiz Eugênio do Rosário: “A bibliomancia e a morte de Gedelti Gueiros, líder da Maranata” (https://www.youtube.com/watch?v=envy-WiDlYE)

00:00:00 JOÃO FLÁVIO MARTINEZ

Olá pessoal, tudo bem? Bem-vindos aqui ao nosso canal para mais um vídeo bastante interessante.

Eu quero mostrar aqui um ato de bibliomancia.

Mas dessa vez eu não vou nem citar a CCB, assim, diretamente. Mas sim uma seita chamada Igreja Cristã Maranata, seita que agora recentemente perdeu o seu fundador, o Sr. Gedeti Gueiros, faleceu agora nesses dias.

O interessante é que esta organização sectária é praticamente um fac-símile da congregação cristã no Brasil. É a mesma coisa, praticamente a mesma seita. E eu até relacionei aqui algumas organizações que são de linha calvinista e de origem presbiteriana, que é a Congregação Cristã, fundada pelo diácono presbiteriano Luís Franciscon. A Cristo Vive, fundada pelo apóstolo Miguel Ângelo e a Igreja Cristã Maranata, do Sr. Gedelti, também de origem presbiteriana. Então, são seitas fatalistas.

É até engraçado que elas são predestinacionistas, fatalistas e, ao mesmo tempo, têm salvação pelas obras. É tipo assim, aqueles que vão fazer as obras, que tem que fazer pra ser salvo, são aqueles que foram predestinados. É mais ou menos algo desse tipo aí, porque a graça não é a bíblica, a graça deles. É uma graça que eles desenham, que eles ensinam, não a graça revelada no evangelho bíblico. É uma graça da cabeça dos fundadores. Então, nós vamos ver esse três, aliás, essa peculiaridade que a morte desse Gedelti foi, digamos assim, a descoberta num ato de adivinhação, num ato de bruxaria.

Aí o pastor lá, um dos líderes, talvez o sucessor do cara, vai contar como é que ele recebeu a revelação de que o Gedelti Gueiros iria morrer.

[propagandas e após isso passou trecho do vídeo de Luiz Eugênio]

Chegou o momento, né? Então o Gedelti morreu, então vejam, o líder, um dos líderes da seita, descobre que o patrono vai morrer, porque ele abriu a Bíblia e o texto era de Apocalipse 4, quando o João tem a revelação e o anjo fala pra ele, sobe pra cá, sobe aqui. Ah, então ele ia morrer, porque ele abriu em Apocalipse 4.

Gente, esse tipo de coisa chama bibliomancia. Não é assim que Deus trabalha. Não é assim que Deus fala as coisas pra nós.

Primeiro, que já estava mais do que revelado que o Sr. Jô Doutor ia morrer, porque, segundo o site aqui do G1, ele tinha 93 anos. Precisava Deus mostrar um texto que ele ia morrer? Estava na cara que ele ia morrer. Já estava no lucro, já foi no lucro. Tá certo? Já estava certo. Um homem de 93 anos fica doente, obviamente, que vai morrer. É difícil um homem de 93 anos aguentar uma internação, procedimento cirúrgico, médico e tal, dificilmente, raramente. E ainda que consiga resistir, vegeta.

Aí ele abre a bíblia e usa o texto pra dizer que Deus revelou a morte do fundador da seita pra dar um certo glamour na morte do fundador.

Deixa eu aproveitar o ensejo para dizer o seguinte, não é assim que Deus fala. Não é assim.

Nós poderíamos pegar várias passagens bíblicas onde Deus registra a passagem de homens santos do Senhor que tiveram uma morte convicta na graça.

Por exemplo, segunda Timóteo capítulo 4, o apóstolo Paulo diz assim: combati o bom combate, terminei a carreira e guardei a fé. Simples. Ele não sabe esse texto? Ou ele poderia pregar esse texto! Para a família, para os que estavam preocupados com o ente querido que estava enfermado, se é que ele é um homem de Deus, que eu não creio, mas, no caso, ele crê. Então, esse seria um texto, uma homilia correta, contextual, de um homem de Deus, que é Paulo, que estava sentenciado à morte, estava a caminho da execução, e disse isso: Combati o bom combate, terminei a carreira, guardei a fé. Essa deve ser a esperança de todo crente.

Filipenses, capítulo 1, verso 21, fala que o viver é Cristo e o morrer é lucro.

Então existem passagens que confortam nosso coração no momento do passamento de algum crente, de algum irmão, de algum amigo, sem sombra de dúvidas.

Não preciso rodar a bíblia e… ah, porque… quem nem ele falando aqui… era uma bíblia nova, não era folhada, e abriu.

Gente, olha o misticismo. Como é que Satanás consegue pegar a própria palavra de Deus e transformar… Olha o absurdo!… a própria bíblia num livro esotérico de feitiçaria, que é o que a Cabala faz no judaísmo.

Absurdo, bruxaria, coisa feia.

Em João 5:39, aí você pode pegar Josué 1:8 e 9 também, o Senhor vai dizer o seguinte, olha, examinai as escrituras, porque está nela a vida eterna. Examinai as escrituras, são elas que de mim testificam. É o que o Senhor Jesus está falando para os fariseus, saduceus, doutores do seu tempo.

Então a Bíblia deve ser examinada. No grego essa palavra, examinar, tem a ideia de cavar profundamente. Então quando Jesus fala a João 5:39, ele fala aquele texto, ele tá dizendo que o que tá no Velho Testamento, que era a palavra que eles tinham naquele tempo, e agora nós temos o Novo, tanto o Velho quanto o Novo, tem que ser examinado, pesquisado, perscrutado. Aí você vai entender a lição do texto bíblico e o que Deus tem pra falar pra você.

Repito, esta atitude deste líder da Igreja Cristã Maranata é uma atitude que inclusive a congregação cristã no Brasil também faz, e muitas igrejas por aí fazem, e muitos crentes com caixinha de promessa fazem. É bruxaria! Eu repito, é bruxaria! Não é uma coisa de Deus. Não é uma coisa que está de acordo com a palavra do Senhor. É bruxaria.

Tá entendendo? Você precisa atentar-se pra isso.

Eu me lembro que quando eu era novo convertido, um presbítero daqueles homens bem de cabecinha branca, minha igreja tinha presbítero, chegou em mim e falou assim: e aí, João Flávio, você sabe que Deus não quer que você leia a Bíblia, né?

Na hora eu fiquei todo irritado com aquilo, que desfaçatez era aquela? Como assim?

Falei: que isso, presbítero, o senhor deveria me incentivar a ler a bíblia. O senhor tá dizendo que não é pra ler a bíblia?

Ele falou: exatamente! Você já leu o que tem que ler? Não tem que ler!

Falei, como assim?

Ele falou: tem que examinar, tem que meditar, tem que estudar.

Aí eu entendi. E realmente, a palavra de Deus é pra ser examinada profundamente. É pra ser pesquisada. Como os bereanos lá em Atos 17. Paulo estava pregando e eles: aqui ó, pera aí Paulo, espera um pouquinho. Onde é que tá? O profeta falou o que? Jesus é uma promessa profética? Onde é que tá? Isaia 53. Explica aqui, vamos lá, vamos lá. É assim que o crente que vai andar com Deus e vai morar no céu vive nessa terra, examinando as escrituras.

Porque crente que segue falso profeta tem uma grande chance de cair nas profundezas do inferno, porque a falsa profecia tem esse poder de te levar para o engodo, para a mentira e para o inferno.

Então, seitas como essa aqui, a Igreja Cristã Maranata, são seitas que podem, têm potencial para te levar para o inferno. Porque elas não pegam a iluminação da palavra. Porque a revelação, quem teve, foi, foram os apóstolos.

E eu creio em palavras de conhecimento, palavras de sabedoria, eu creio em todos os dons. Deixar isso bem claro!

Só que essas revelações que nós temos hoje, não são revelações neotestamentárias ou veterotestamentárias. São revelações que Jesus traz para a vida da igreja para ajudar na condução do povo. Isso é bíblico, sem sombra de dúvidas.

Agora, a revelação quem teve das verdades eternas foram os apóstolos, os profetas. E nós, hoje, quando estudamos, somos iluminados pelo Espírito Santo para entender essas revelações e colocá-las em práticas na nossa vida.

Oras, de novo. Ele não precisava abrir a bíblia e pegar um texto fora do contexto, porque João não morreu. João viveu, foi o homem bíblico que mais viveu no novo testamento. De todas as pessoas no novo testamento, João foi o que teve a mais longevidade de todos. Foi João. Até achavam que ele não ia nem morrer mais, porque Jesus, naquela discussão com Pedro, disse: se eu quero que ele viva para sempre, que ele não morra. Lá em João 21. Então, achavam que ele não ia nem morrer, mas ele morreu, bem velhinho, mas morreu. Logo, não foi naquele instante que a revelação sobe aqui, que chegou pra João, que ele morreu. Não tem nada a ver com a história da morte do Gedelti.

O que aconteceu foi um ato de feitiçaria, de bruxaria, de consultar a bíblia fora do contexto, tá? E assim, eu só tô comentando isso se ele quer crer nisso, é problema dele, cada um crer no que quiser.

Mas a grande questão é que ele publicou isso na internet, e mandaram pra eu analisar, e muitas pessoas caem nessa.

Ah, deixa eu ver se a minha mãe vai morrer, vai viver, deixa eu abrir aqui: “crê no Senhor, honra teu pai e tua mãe, que é o mandamento, para que vivas muitos dias sobre a terra”. Ah, então minha mãe vai viver, minha mãe tá doentinha aqui, mas ela era muito obediente a papai, a mamãe, ela vai viver.

Gente, não é assim que analisa a palavra. Não é desse jeito.

A Bíblia, eu até falei numa última pregação, ela não é um livro mágico, ela é um livro de princípio. Este livro tem que ser entendido adequadamente e praticado na vida diária. Aí vai surtir efeito pra sua vida.

Agora: “deixa eu ver se eu devo mudar de serviço aqui, deixa eu abrir, deixa eu ver se a minha mãe vai morrer, se o meu pai vai viver, deixa eu ver se eu vou conseguir chegar bem nessa viagem”.

O que é isso, gente? Então quer dizer que a bíblia agora vira um objeto tipo carta de tarô? O que é isso?

Nós precisamos parar com isso, gente. Precisamos alertar o povo de Deus. Inclusive, nesse livro aqui, o pastor Glen Wilde fala sobre essas loucuras, elucubrações neopentecostais que nós temos hoje em dia aqui.

Gente, tá feio. Isso aqui é só a ponta do iceberg. E é uma seita.

Mas mesmo nas igrejas bíblicas, ou que pelo menos tem um credo bíblico, por exemplo, a Assembleia de Deus, nós vemos muito dessa insanidade aqui, dessas loucuras.

Que Deus tenha misericórdia de nós.

Eu tô aqui só dando esse alerta rápido, um vídeo rápido, pra você ficar atento e não cair no engodo do diabo.

Medita no livro da palavra do Senhor. Medita. Examina as escrituras. Porque cuidais ter nelas, disse Jesus, a vida eterna, e são elas que de mim testificam. Examine. Seja como os bereanos de Atos 17. Vai lá, tranquilo, analisa. Texto, contexto. Qual é a prática do texto pra minha vida hoje? Só assim você vai crescer na graça e no conhecimento.

Que Deus te abençoe, e se o Senhor assim nos permitir, até o próximo vídeo.

 

Comentário crítico: o misticismo revelado na fala de Luiz Eugênio

A mensagem proferida por Luiz Eugênio do Rosário, Secretário Executivo da Igreja Cristã Maranata, durante o culto em Castanheiras, expõe com clareza um dos pilares problemáticos da espiritualidade cultivada e difundida por essa instituição: o misticismo disfarçado de revelação.

 

Ao relatar que, ao abrir “uma bíblia nova”, o texto que apareceu foi Apocalipse 4.1 — “sobe aqui” — e que interpretou isso como um sinal da morte iminente de Gedelti Gueiros, Luiz Eugênio pratica aquilo que, há séculos, a teologia cristã chama de bibliomancia: a utilização supersticiosa das Escrituras como oráculo, por meio de aberturas aleatórias que pretendem indicar decisões ou prever eventos. Essa prática não encontra amparo nas Escrituras e aproxima-se mais de métodos divinatórios condenados pela própria Bíblia (cf. Dt 18:10-12).

 

O mais grave, porém, não é a ignorância teológica, mas o uso desse tipo de “testemunho” para reforçar o suposto caráter profético e sobrenatural do ministério de Gedelti — mesmo em sua morte. O culto, que deveria centrar-se na esperança cristã, foi transformado em palco para a reafirmação do “legado espiritual” do líder, como se sua morte tivesse sido cercada de sinais divinos exclusivamente reservados a homens especiais.

 

Além disso, o próprio Luiz Eugênio admite que Gedelti dizia ter um “trato com Deus” para não morrer acamado ou debilitado. E o mais surpreendente: apresenta a morte de Gedelti como a comprovação de que tal “trato” foi cumprido por Deus. Trata-se de uma inversão grotesca da fé bíblica. O Senhor não é sujeito de pactos particulares formulados pela vontade humana; ao contrário, ensina-nos a dizer: “se o Senhor quiser, viveremos e faremos isto ou aquilo” (Tg 4:15).

 

Não bastasse o conteúdo místico, a fala de Luiz Eugênio também revela aspectos preocupantes sobre a estrutura de poder da ICM. Ele afirma que Gedelti desejava que ele fosse o sucessor (“você vai ficar no meu lugar”), mas que recusou o posto. Esse trecho expõe, de forma inequívoca, o caráter personalista e quase monárquico da sucessão interna da igreja, ignorando, mais uma vez, qualquer processo transparente, colegiado ou democrático.

 

Outro ponto digno de nota é o tom de intimidade e confidencialidade que permeia o discurso. Luiz Eugênio enfatiza repetidamente sua proximidade com Gedelti, os “segredos” que levará “pro túmulo”, as conversas a sós que “ninguém sabe”. Tal postura reforça a cultura do ocultamento e da centralização de decisões típicas de organizações autoritárias, onde os destinos coletivos são decididos em bastidores inacessíveis à comunidade.

 

Por fim, a repetição de que a Igreja Cristã Maranata é “dirigida por revelação” e não por “conhecimento” é reveladora do desprezo deliberado pela razão, pelo estudo e pelo exame crítico das Escrituras — princípios que deveriam nortear qualquer comunidade cristã saudável. A substituição da reflexão bíblica pela mística do improviso e do “Deus falou comigo” abre margem para abusos, arbitrariedades e manipulações, como tantas vezes têm sido denunciadas por ex-membros da ICM.

 

Diante disso, não se trata apenas de criticar uma fala isolada, mas de apontar os riscos concretos de uma religiosidade moldada por experiências subjetivas, práticas supersticiosas e estruturas de poder que operam à margem da luz da Palavra de Deus.

NOSSOS COMENTÁRIOS

A mensagem proferida por Luiz Eugênio do Rosário, Secretário Executivo da Igreja Cristã Maranata, durante o culto em Castanheiras, expõe com clareza um dos pilares problemáticos da espiritualidade cultivada e difundida por essa instituição: o misticismo disfarçado de revelação.

Ao relatar que, ao abrir “uma bíblia nova”, o texto que apareceu foi Apocalipse 4.1 — “sobe aqui” — e que interpretou isso como um sinal da morte iminente de Gedelti Gueiros, Luiz Eugênio pratica aquilo que a teologia cristã séria reconhece como bibliomancia: a abertura aleatória das Escrituras em busca de direção divina. Tal prática não encontra respaldo bíblico e, ao contrário, se assemelha a formas de adivinhação que a própria Escritura condena (cf. Dt 18:10-12).

Mais grave do que a superstição em si é o uso desse suposto “sinal profético” para reforçar a aura mística de Gedelti, conferindo à sua morte um tom de espetáculo espiritual. É como se a narrativa sobrenatural de sua partida tivesse sido orquestrada para servir à perpetuação de sua autoridade, mesmo depois de morto.

Ao mesmo tempo, Luiz Eugênio afirma que Gedelti havia feito um “trato com Deus” para não morrer acamado nem inválido — e que Deus teria honrado esse trato. Tal declaração beira a blasfêmia, pois sugere um Deus condicionado à vontade humana e que pactua com critérios humanos de dignidade na morte, ignorando o testemunho bíblico de sofrimento, humilhação e cruz enfrentado por seus próprios servos (2Co 11:23-27; Fp 2:8).

No campo institucional, as declarações de Luiz Eugênio também são reveladoras. Ele afirma que Gedelti o queria como vice-presidente para sucedê-lo, mas que recusou. Essa informação — aparentemente exposta de forma espontânea — cria a ideia de que Luiz Eugênio teria legitimidade ou autoridade informal superior à de Alexandre Gueiros, atual presidente, que é, inclusive, parente de Gedelti.

Teria Luiz Eugênio o poder de quebrar a dinastia dos Gueiros?

A situação institucional torna-se ainda mais nebulosa quando se observa o discurso da própria liderança nos primeiros dias após a morte de Gedelti. O gerente de marketing da ICM, Pr. Josias Júnior, afirmou, em entrevista concedida ao jornal “Folha de Vitória” ((https://www.instagram.com/p/DLvQksBPPAT/), que o vice-presidente assumiria interinamente a presidência, até que o Conselho Presbiteral definisse, em 90 dias, o novo presidente, como se a presidência dependesse de aprovação colegiada.

Essa versão, contudo, contraria frontalmente o Estatuto da Igreja Cristã Maranata. Segundo o art. 9º, §2º, a vacância da presidência acarreta a posse imediata e automática do vice-presidente no cargo. O prazo de 90 dias previsto no art. 10, §2º refere-se apenas à nomeação de um novo vice-presidente, não à presidência.

A tentativa de envolver o “Conselho” como órgão deliberativo principal — e de construir a imagem de uma igreja conduzida por um colegiado supostamente orientado pelo Espírito Santo — parece ser uma estratégia de comunicação para camuflar o verdadeiro modelo de governo da ICM: centralizado, vertical, personalista e hereditário da dinastia Gueiros, que controlaram a igreja desde a sua fundação.

Vale destacar que, mesmo quando não era formalmente o Presidente, Gedelti, fundador da igreja, sempre esteve no comando absoluto. O Conselho sempre lhe foi submisso. A ideia de que o Espírito Santo falaria com esse grupo nos próximos 90 dias soa como um artifício retórico para ocultar a realidade dos arranjos de poder internos.

Não por acaso, a mensagem da EBD do dia 6 de julho de 2025 apresentou Alexandre Gueiros como “vice-presidente”, subordinado ao Conselho, mesmo já havendo vacância na presidência. Porém, dois dias depois, após nossas críticas públicas e questionamentos, a circular n.º 055/25 foi publicada, convocando todas as igrejas para uma “transmissão especial” em que Alexandre Gueiros é chamado expressamente de Presidente da Igreja Cristã Maranata, lançando por terra a narrativa do gerente de Marketing da ICM, Josias Júnior.

Nesse culto, Alexandre trouxe uma mensagem sobre a nuvem que guiava o povo de Israel no deserto, sugerindo que tudo o que ocorre na ICM está sob a direção do Espírito Santo. Mais uma vez, vemos uma tentativa de legitimar decisões administrativas e articulações políticas com um verniz espiritual, criando a imagem de um mover divino quando, na prática, o que se observa é uma sucessão previamente arquitetada e agora maquiada com misticismo.

O conjunto desses eventos — a bibliomancia de Luiz Eugênio, a tentativa de romantizar a morte de Gedelti, a simulação de um vácuo de poder, a postergação da confirmação presidencial e o uso de metáforas bíblicas para justificar decisões políticas — compõem uma narrativa cuidadosamente moldada para sustentar a mística da ICM.

O que deveria ser momento de luto, reflexão e humildade diante de Deus tem se tornado uma encenação religiosa voltada à preservação do controle institucional e da herança espiritual de seu fundador.

 

Esse quadro, por si só, é um alerta àqueles que, sinceramente, ainda buscam servir a Deus com integridade: o Espírito Santo não se confunde com manipulação emocional, com teatralidade religiosa nem com estruturas de poder ocultas sob roupagens espirituais.