GEDELTI NÃO SEGUE SEUS PRÓPRIOS CONSELHOS

GEDELTI NÃO SEGUE SEUS PRÓPRIOS CONSELHOS

2 de julho de 2025 Off Por Sólon Pereira

FAÇA O QUE EU DIGO, MAS NÃO O QUE EU FAÇO!

Introdução

No dia 28 de junho de 2025, o presidente da Igreja Cristã Maranata, Gedelti Gueiros, publicou no Maanaim de Domingos Martins um texto intitulado “Conselhos para sua vida”, assinado por ele próprio como orientação aos membros da denominação.

À primeira vista, os conselhos apresentam uma linguagem de aparente sensibilidade, espiritualidade e cuidado pastoral.

No entanto, quando confrontados com o histórico de declarações públicas e atitudes do líder da ICM — frequentemente marcados por autoritarismo, intolerância, ausência de empatia e uso recorrente de expressões ofensivas contra ex-membros e críticos — surgem sérias contradições entre o discurso proposto e a prática observada.

Esta análise crítica tem como objetivo examinar cada um dos conselhos à luz das atitudes e declarações conhecidas de Gedelti Gueiros, avaliando a coerência ética, espiritual e pastoral entre o que é pregado e o que efetivamente se pratica.

O objetivo não é promover ataques pessoais, mas lançar luz sobre uma realidade que precisa ser enfrentada com maturidade, discernimento bíblico e responsabilidade cristã.

A verdade, como ensinou Jesus, é libertadora (João 8:32).

Veja, a seguir, a publicação original de Gedelti:

NOSSA AVALIAÇÃO

1. “Preserve seus nobres sentimentos e viva cada dia no Senhor.”

Análise: O conselho sugere zelo por emoções saudáveis e uma vida piedosa. No entanto, os registros públicos de Gedelti expõem uma postura frequentemente agressiva, irônica e intolerante com quem pensa diferente, inclusive ex-membros e dissidentes. Essa contradição deslegitima o valor do conselho, pois não é acompanhado de exemplo pessoal.


2. “Não permita que os seus valores acumulados em sua história sejam dominados por terceiros.”

Análise: Na prática, a Maranata exige adesão incondicional à doutrina revelada da “Obra”, anulando o senso crítico individual e a liberdade de consciência dos fiéis. Falar em autonomia emocional ou de valores enquanto impõe-se um controle mental sobre os membros é contraditório.


3. “Não se trata no caso de mau gênio ou falta de educação ou de moral.”

Análise: A tentativa de afastar acusações de comportamento áspero é uma forma de justificar o modo como ele próprio trata os membros e líderes subordinados. Diversos vídeos demonstram gritos, sarcasmo e humilhações públicas, o que configura má conduta ética e pastoral.


4. “Mesmo no casamento, deve existir um limite que não pode ser ultrapassado por alguém que não dá valor aos seus sentimentos.”

Análise: Embora o conselho possa ter sentido em contextos abusivos, vindo de quem promoveu uma estrutura que por anos silenciou denúncias, ordenou centenas de processos judiciais contra ex-membros, autorizou seu advogado a tentar derrubar canais do YouTube e oprimiu mulheres com doutrinas de submissão extrema, soa hipócrita. Falta empatia genuína em sua liderança.


5. “Coloque, a cada dia, sua real necessidade diante do Senhor […] tristeza, ansiedade, dor, enfermidade, decepção, ódio […] e descanse.”

Análise: O encorajamento à oração é bíblico, mas contradiz o estilo de liderança centralizadora e inflexível da ICM, especialmente quando se refere ao ódio que ele mesmo demonstra quando frequentemente censura induz ódio entre membros e ex-membros e condena  manifestações de fragilidade emocional como falta de fé ou rebeldia espiritual.


6. “Ninguém tem o direito de jogar sua vida no despenhadeiro.”

Análise: O conselho é válido, mas a própria estrutura da ICM, sob sua liderança, promoveu o isolamento de dissidentes, destruição de reputações e coação psicológica. O que mais se observa é a indução à culpa e ao medo como forma de controle. 


7. “Quem tem consciência de que carrega dentro de si a imortalidade, não deve aceitar a imposição de terceiros.”

Análise: Uma ironia dolorosa, visto que a Maranata impõe doutrinas como revelações divinas inquestionáveis. É um dos ambientes religiosos mais avessos ao debate e à liberdade espiritual do indivíduo.


8. “O amanhã não pertence ao seu algoz.”

Análise: Forte e simbólica, mas contraditória, já que ele próprio tem se comportado como “algoz” ao atacar nominalmente críticos, chamando-os de nóias, apóstatas, anátemas, hereges, inimigos de Jesus, caídos e etc., além de perseguir dissidentes e ridicularizar igrejas pentecostais, reformadas ou grupos de reforma.


9. “O lado bom deve ser observado […] como existe na impressão digital.”

Análise: A proposta de valorização das singularidades humanas é positiva, mas completamente oposta ao padrão de uniformização da ICM, que trata os membros como rebanho obediente, sem espaço para autenticidade ou crítica.


10. “Jesus conhecia as pessoas por dentro e identificava seus valores.”

Análise: Jesus agia com compaixão, misericórdia e acolhimento. Gedelti, ao contrário, em diversas falas trata com desprezo e sarcasmo pessoas que discordam dele ou deixam a igreja, o que fere diretamente o modelo de Cristo.


11. “As surpresas só serão vencidas com o clamor pelo sangue de Jesus: experimente.”

Análise: Invocar o sangue de Jesus é prática comum na ICM. No entanto, quando usada como fórmula mágica ou instrumento de manipulação emocional, esvazia-se de sentido espiritual e passa a ser ritual repetitivo e supersticioso, desconectado do verdadeiro sentido sacrificial de Jesus.


12. “Consultá-Lo sempre para evitar tristezas e dissabores.”

Análise: O princípio da consulta a Deus é válido por meio da leitura dos conselhos bíblicos, da mensagem de Jesus e de seus exemplos. Na ICM a consulta é semelhante às práticas pagãs, mediada pelos “dons” dos ungidos, geralmente controlada por um sistema autoritário que impõe decisões de cima para baixo, invalidando a real escuta individual da vontade de Deus.


Considerações Finais

O texto “Conselhos de Gedelti” apresenta aparência de sabedoria espiritual e conselhos práticos, mas seu conteúdo está profundamente em dissonância com as atitudes públicas e o histórico da liderança de Gedelti Gueiros.

Muitos dos conselhos seriam valiosos se fossem vividos e ensinados com humildade e coerência, e não usados como escudo para encobrir abusos, imposições e comportamentos que ferem o Evangelho de Cristo.

A contradição entre discurso e prática é o ponto central desta avaliação: quando alguém escreve sobre misericórdia, mas age com rancor; quando fala sobre liberdade, mas impõe autoritarismo; quando se diz canal da revelação, mas persegue os que questionam — estamos diante de um desvio grave do padrão ético e bíblico do verdadeiro pastoreio cristão.