RACHA NA CÚPULA DA IGREJA MARANATA? EBD vira “TEOLOGIA DO MEDO”
EBD ICM de 1/3/2026 – Análise crítica
Por Solon Pereira – Projeto Análise | Celeiros
Vídeo de referência: https://www.youtube.com/watch?v=TQOBjAgdx4g&t=1491s
Nota editorial: Este artigo se baseia na transcrição integral apresentada ao final (degravação). A análise é bíblica, teológica e institucional, com atenção especial ao uso recorrente de teologia do medo, exclusivismo e blindagem de autoridade, especialmente no contexto de reacomodação de poder na liderança da Igreja Cristã Maranata (ICM) após a morte de Gedelti Gueiros.
INTRODUÇÃO
A Escola Bíblica Dominical analisada, de 01/03/2026, traz uma mensagem aparentemente “devocional” e “pedagógica”, centrada na caminhada de Israel no deserto e na exortação paulina de 1 Coríntios 10 (“não quero que ignoreis”). Contudo, a construção do discurso, do início ao fim, revela um objetivo claro: formar um ambiente psicológico e espiritual de controle, no qual questionar a liderança é associado a murmuração, rebelião, idolatria e, por consequência, a juízo divino.
A exposição se divide, na prática, em dois movimentos complementares:
- Alexandre Brasil prepara o terreno: “nuvem”, “maná”, “rocha”, “todos”, “corpo”, e então introduz o tema da morte como consequência do “erro” (idolatria, prostituição, murmuração), culminando numa divisão: “murmuradores ficam para trás” e “os novos entram”.
- Gerson Beluci torna explícito o alvo: o problema não seria apenas “murmuração” como pecado moral, mas a existência de oposição interna (“até mesmo dentro de casa”) contra a direção do “ministério”, agora apresentado como canal exclusivo pelo qual “o Espírito Santo fala à igreja”.
O resultado não é apenas uma aula bíblica: é uma mensagem disciplinar, com potencial de produzir medo, culpa e silenciamento, em especial num cenário de tensões internas e substituições de quadros no alto escalão.
1) O uso das “sombras” do Antigo Testamento: didática ou distorção?
Alexandre Brasil afirma:
“E aquilo que no Velho Testamento era uma expressão de simbolismo, figura, agora lança luz nessas sombras…”
A questão aqui não é apenas retórica; é teológica. Biblicamente, a linguagem de “sombras” (Hb 10:1; Cl 2:16–17) não tem o propósito de “enaltecer a sombra”, mas de mostrar que ela apontava para uma realidade maior: Cristo. A sombra não é o objeto; a sombra é indício de que existe um corpo real.
Por isso, a formulação mais fiel ao Novo Testamento é: Cristo revela o que a sombra anunciava. Quando o discurso sugere que “a luz” apenas “incide” sobre sombras para produzir “entendimento perfeito”, abre-se espaço para uma leitura típica de sistemas fechados: “nós temos a chave que decifra as sombras”.
E é justamente isso que aparece na sequência, quando a interpretação é apresentada como algo:
“revelado a nós… entendimento dado pelo Espírito Santo”.
A pergunta inevitável é: “a nós” quem? O corpo de Cristo em sentido amplo ou a instituição ICM como “igreja exclusiva dos últimos dias”? O restante do discurso indica a segunda opção.
2) “Corpo”, “todos” e o exclusivismo institucional
Alexandre Brasil insiste na universalidade do texto:
“Todos comeram… todos beberam… sempre que a palavra diz, a expressão do corpo… a igreja não se traduz em fragmentos, mas é todos como igreja, corpo de Cristo.”
Esse “todos”, em 1 Coríntios 10, tem uma função muito específica: Paulo mostra que privilégios espirituais não impedem queda, e usa Israel como advertência contra presunção, idolatria e autoconfiança religiosa.
A aula, porém, desloca o “todos” para um outro propósito: unidade como bloco institucional, onde “fragmento” tende a ser lido como:
· dissidência,
· crítica,
· questionamento,
· não alinhamento.
Ou seja, o “corpo” deixa de ser uma realidade espiritual centrada em Cristo e passa a ser apresentado como um organismo institucional fechado, em que “estar no corpo” é “estar sob o ministério”, e “não estar sob o ministério” é estar fora do corpo.
Esse deslocamento não é neutro: ele prepara a tese da segunda parte.
3) O “caminho” que vira “canal”: do alto (Deus) para o alto escalão (ministério)
Alexandre Brasil usa uma imagem forte:
“Você quer ver o caminho? Olhe para o alto.”
Até aqui, seria um apelo legítimo à fé. Mas logo vem a aplicação:
“no corpo, nós somos dirigidos… através do ministério… ali por Moisés, que era a direção.”
Na prática, a nuvem (direção de Deus) é vinculada à figura do “ministério” como mediação necessária e, no tom da aula, praticamente exclusiva.
Não se trata apenas de reconhecer liderança espiritual; trata-se de construir a ideia de que o caminho “do alto” chega ao povo por um canal humano centralizado — e que questionar esse canal é questionar o próprio Deus.
Esse é um padrão recorrente em ambientes de controle: a autoridade não é apenas orientadora; ela é apresentada como “o meio” pelo qual Deus governa o povo.
4) A preparação para o medo: quando o tema muda para morte, feridas e destruição
Após estabelecer “bênçãos” (nuvem, maná, água, rocha), Alexandre Brasil muda o eixo:
· idolatria (bezerro de ouro) → morte
· prostituição (moabitas) → 23 mil caíram
· murmuração → serpentes, feridas, destruidor
E então a frase-chave:
“Quando o povo adora, Deus se faz presente. Mas quando o povo murmura, quem vem é o adversário, e vem é ferida.”
Aqui, o discurso já não é apenas moral; é causal e ameaçador: murmuração “atrai o adversário” e traz “ferida”. Em contextos de crise institucional, isso funciona como recado indireto:
· “quem está reclamando / questionando” não é apenas “descontente”;
· é alguém abrindo porta para Satanás;
· e pode sofrer “feridas” (sejam lidas como doença, tragédia, disciplina, exclusão).
O medo não precisa ser dito com todas as letras. Basta o auditório entender o “subtexto”: não questione.
5) “Os murmuradores ficaram”: o recado sobre sucessão e “nova geração”
O trecho mais forte de Alexandre Brasil é este:
“OS MURMURADORES FICARAM, MAS A NOVA GERAÇÃO… PROSSEGUIU… Na murmuração é impossível entrar na terra… pereceram pelo destruidor… OS NOVOS ENTRARAM…”
Isso cria uma divisão espiritual interna:
· murmuradores (os “velhos”, os que ficam) → condenação/fracasso espiritual
· novos (os que prosseguem) → legitimidade, entrada, promessa
Num momento em que a instituição vive troca de comando, substituições e realinhamentos, a aplicação é quase automática:
· quem questiona a condução atual passa a ser lido como “murmurador”;
· quem aceita sem questionar é “a nova geração”;
· e, mais grave: o “murmurador” é ameaçado com exclusão espiritual (“não entra na terra”).
Isso é o oposto de uma comunidade madura, onde dúvidas podem ser tratadas com ensino, diálogo e transparência.
6) Gerson Beluci: quando o alvo aparece (“até mesmo dentro de casa”)
Gerson inicia com uma pergunta:
“QUEM ENTROU NA TERRA DE CANAÃ?”
E responde:
“aqueles que… estavam ouvindo as orientações dadas por intermédio de Moisés… assim como… hoje… devemos atender aquilo que o Espírito Santo fala à igreja por intermédio do ministério.”
Aqui, “entrar em Canaã” (salvação) é acoplado a “ouvir orientações” (obediência ao canal institucional). O efeito é perigoso: quem discorda não apenas erra; quem discorda “não entra”.
E ele explicita a mira:
“MOISÉS SOFREU MUITAS OPOSIÇÕES. ATÉ MESMO DENTRO DE CASA.”
Isso é um marcador muito importante. O recado não é apenas contra críticos externos; é, sobretudo, contra oposição interna, dentro da própria liderança, dentro da própria “casa”.
Em seguida, ele escolhe dois casos clássicos para esmagar rebelião:
· Miriam e Arão (Nm 12)
· Coré, Datã e Abirão (Nm 16)
Ou seja: ele não quer discutir razões, critérios ou fatos. Ele quer deslegitimar o ato de questionar.
7) “O Senhor pune”: Miriam, lepra e o uso indevido de “não toqueis nos meus ungidos”
Gerson diz:
“QUAL FOI A PUNIÇÃO… lepra… A SERIEDADE DE SE INSURGIR CONTRA O MINISTÉRIO… O SENHOR PUNE… NÃO TOQUEIS NOS MEUS UNGIDOS.”
Isso é, sem rodeios, teologia do medo. E aqui cabem três observações bíblicas decisivas:
1. O Novo Testamento não dá licença para blindagem de líderes.
Ele manda examinar tudo (1Ts 5:21), provar os espíritos (1Jo 4:1), conferir nas Escrituras (At 17:11).
2. Há previsão de correção pública quando necessário.
Paulo repreendeu Pedro publicamente (Gl 2:11–14). Não por ódio, mas por fidelidade ao evangelho e por coerência pastoral.
3. “Não toqueis nos meus ungidos” (Sl 105:15) não é salvo-conduto para autoritarismo.
O texto, em seu contexto, fala da proteção de Deus ao seu povo na história, e frequentemente é utilizado como frase de intimidação para impedir prestação de contas.
O que se faz aqui é transformar a Bíblia em instrumento de governo: “questionar = risco de lepra”, “questionar = tocar no ungido”.
8) O “ministério em mais alto nível hierárquico”: a linguagem do poder
“MOISÉS… figura… do ministério da obra, em seu mais alto nível hierárquico…”
Nos fala ao mesmo tempo que MOISÉS, A FIGURA TAMBÉM DO MINISTÉRIO DA OBRA, EM SEU MAIS ALTO NÍVEL HIERÁRQUICO, o Ministério recebe as orientações do Senhor, necessárias para que o corpo de Cristo, para que a igreja continue caminhando, marchando nesse caminho estreito, mas santo, em direção à Canaã Celestial, a nossa terra prometida.
Essa frase não é espiritual; é administrativa. Ela revela a lógica de cúpula: há um nível superior de ministros, portadores de orientação para “o corpo”, enquanto outros servos (profetas, usados em âmbito limitado) ficam em degraus inferiores.
Isso constrói:
· uma elite espiritual;
· uma hierarquia sacralizada;
· um “canal” de verdade.
E, em tempos de disputa interna, isso é ouro: quem está no topo pode dizer que “o Espírito” está falando; quem questiona passa a ser Miriam, Arão, Coré.
9) A coerência que falta: “murmuração” não é sinônimo de crítica responsável
A aula mistura coisas diferentes como se fossem a mesma coisa:
· murmuração (pecado real: queixa amarga, ingratidão, espírito de revolta)
· crítica responsável (pergunta, discordância, pedido de transparência, alerta bíblico)
· prestação de contas (princípio neotestamentário de exame e correção)
Quando o discurso chama tudo de “murmuração” e “espírito de crítica”, o efeito prático é:
· calar perguntas legítimas;
· impedir debate;
· intimidar lideranças insatisfeitas;
· impor obediência por medo.
Isso é especialmente grave quando a instituição vive sinais típicos de reacomodação de poder (substituições, “geladeira”, preterições, centralização de voz e imagem). A Bíblia vira o “martelo” para pacificar o corpo não pela verdade, mas pelo temor.
Conclusão: o que foi construído e por que isso importa agora
A transcrição mostra uma peça bem montada:
1. Identidade exclusiva: “corpo” como “nós”, “nossa igreja”, “igreja dos últimos dias”.
2. Canal único: “Espírito fala por intermédio do ministério.”
3. Ameaça espiritual: morte, destruidor, serpentes, feridas, lepra.
4. Divisão interna: “murmuradores” vs “os novos”.
5. Alvo implícito e explícito: “até mesmo dentro de casa”; “isso até existe em nosso meio.”
6. Blindagem do topo: “não toqueis”, “Deus pune”, “ministério em alto nível hierárquico.”
Diante disso, a impressão de que a aula foi usada para pressionar e intimidar críticos internos (incluindo pastores preteridos, quadros da cúpula e lideranças regionais insatisfeitas) é plausível e coerente com o texto. E, por tabela, o mesmo mecanismo também reforça a condenação espiritual contra críticos externos, pois o método é o mesmo: rotular, ameaçar, silenciar.
A igreja saudável não teme perguntas; ela teme o pecado.
A liderança bíblica não precisa do medo para ser obedecida; ela precisa de coerência, transparência e exemplo.
Quando o medo vira ferramenta, não é mais zelo pastoral: é controle.
DEGRAVAÇÃO
ALEXANDRE BRASIL
Nós saudamos a todos que participam desta escola bíblica dominical com a paz do Senhor Jesus.
Daqui do texto que nós falamos sobre a caminhada do povo de Deus. E o texto ele expressa logo no início a palavra “não quero que ignoreis”, que é a recomendação que a palavra usa para dizer a necessidade nossa de conhecermos, termos entendimento desses fatos.
Não podemos desprezar, mas temos que seguir isso como a referência nossa nessa caminhada. E essa caminhada que nós temos seguido nela, com o Senhor nos dirigindo, estamos todos debaixo de uma mesma proteção do Senhor.
A palavra registra profeticamente aquilo que aconteceu no Velho Testamento e que na prática ocorre conosco aqui.
E aquilo que no Velho Testamento era uma expressão de simbolismo, figura, agora lança luz nessas sombras e nós podemos entender com perfeição, com entendimento dado pelo Espírito Santo, revelado a nós.
Não apenas uma história que foi contada, mas uma experiência de vida de um povo e uma experiência de vida nossa.
Então a história de Israel, a história do povo de Deus, é a história da igreja, é a nossa caminhada.
E de tudo isso a palavra está nos advertindo daquilo que é a presença de Deus no meio de um povo e que segue as orientações dadas por ele. Essa é a igreja dos últimos dias, a igreja nossa, que nós vivemos o momento aqui, que é o preparo para a entrada da terra nessa longa caminhada que nós temos seguido.
E no texto o Senhor fala sobre exatamente daquilo que é o nosso momento.
O texto em 1 Coríntios 10, ele diz o seguinte: não quero que ignoreis.
Então nessa caminhada em direção a Canaã Celestial, essa caminhada nossa em direção ao terra da promessa.
E ali estava, naquela caminhada do povo, uma nuvem que cobria o povo. Ou seja, na caminhada há as provas, há o calor do dia. E o Senhor não tira isso. O Senhor não tira o calor do dia. Mas Ele nos dá o quê? A nuvem para suportar as provas. A prova é necessária. Mas o Senhor nos dá o escape, que ali está a nuvem. Então a nuvem serve para arrefecer, trazer o refrigério daquilo que é a prova sobre nós. Por isso que nós suportamos.
Agora, essa nuvem tem outra finalidade. Ela colocava o povo unido, porque todos estavam debaixo dela. E ela era uma direção. Ou seja, no deserto, ninguém vai achar marcações no chão, direção no chão. Olhando para o chão, não vai achar o caminho. Esse caminho, ele é direcionado para o alto. Você quer ver o caminho? Olhe para o alto. No alto está a nuvem, que além de nos trazer o refrigério, nos dá a direção naquela caminhada. Nos mostra o rumo, a direção nesse caminho dinâmico que é a salvação. E esta nuvem, ela nos dá essa proteção.
Então, no corpo, nós somos dirigidos, direcionados pelo Senhor, ou seja, através do ministério da obra mostrada ali por Moisés, que era a direção.
E esse povo que seguiu nessa direção, ele passou pelo Mar Vermelho. Essa passagem, na passagem do Mar Vermelho, é aquele momento que nós deixamos definitivamente para trás o Egito. Toda aquela experiência de vida, tudo que se teve, tudo que se aprendeu, que viveu, mas agora o mar se abriu. O mar se abriu, o povo passou, nós passamos pelo Mar Vermelho. E quando nós passamos pelo Mar Vermelho, tudo ficou para trás. Surge do outro lado uma nova criatura. Uma vida transformada pelo poder de Deus. Foi isso que aconteceu comigo, aconteceu com você. A experiência de salvação, o resgate do Egito, o resgate do mundo, com mão forte tirado dali e o mar não o impediu, mas o mar se abriu e nós passamos.
Ah, gente ficou pra trás, o velho homem ficou pra trás. Esse compromisso não temos mais. Seguimos à frente. O inimigo foi vencido ali. Tragada foi a morte na vitória.
E o povo partiu. O deserto estava ali. E agora?
Como o povo se alimentou? O alimento era um só, era o pão, o pão vivo, o maná, aquele que desceu para o nosso alimento, que é Jesus, a palavra de Deus. O povo de Deus caminha e o nosso alimento é a palavra. Sem a palavra, nós morreremos de inanição. Mas não falta a palavra, não falta a benção do Senhor, não falta para nós ficarmos vivos, preservados.
E diz que todos comeram o mesmo manjar espiritual. Todos! Ou seja, o mesmo alimento para o povo como corpo. Não diz assim, alguns comeram, mas todos que estavam ali participaram dessa benção.
E todos beberam o quê? Da mesma água. Mesma água. Todos!
Sempre que a palavra diz, a expressão do corpo. Porque a igreja não se traduz em fragmentos, mas é todos como igreja, corpo de Cristo.
Então, dessa água, dessa rocha, saiu a água. Essa rocha é a nossa base, o nosso alicerce. E nós estejamos junto, perto, próximo a essa rocha. Nós vamos ter o quê? A fonte. Nós somos sempre junto à fonte. Sempre junto onde vai estar a água para dessedentar a cada um de nós.
Então todos beberam da mesma bebida espiritual e bebiam da pedra espiritual que os seguia e a pedra é Cristo, era Cristo. Que bênção! Israel estava na caminhada e Jesus está ali. Parece estranho pra nós, mas o Filho de Deus estava ali. O Espírito Santo dirigindo, o Pai, a Palavra e a Trindade revelada ali.
Agora, com tudo isso, com todas essas bençãos, com tudo isso que o povo viveu, mas muitos se assentaram e folgaram em uma festa que desagradou ao Senhor.
Então, quando Moisés estava no monte, recebendo ali dos senhores orientações, o povo disse: oh, Moisés está demorando. O povo começou a olhar para o tempo do homem, aquele tempo nosso, aquele tempo que nos aflige. E quando nós estamos no nosso tempo, as coisas se medem.
Mas Moisés estava diante de Deus, estava ali. O tempo para ele não fazia referência nenhuma, mas o povo sim. E quando o homem começa a olhar para isso, Moisés demorou, o povo fez um bezerro de ouro para lhe adorar.
Eles comeram e beberam o sacrifício da idolatria. Ofereceram o sacrifício de idolatria. E, depois disso aí, que eles levantaram-se para festejar um ídolo. Tudo isso por recomendação daquilo que está no texto bíblico diz: não vos façais, pois, idólatras, como algum deles, conforme está escrito. O povo assentou-se a comer, a beber e levantou-se para folgar.
Aquilo que o povo fez ficou em pecado e houve morte no meio do povo, porque o homem entrou no tempo dele.
Está demorando. Está demorando a promessa? A promessa é no tempo certo. Nós estamos no tempo de Deus, nós somos preservados de tudo.
E alguns também se prostituíram. E nisso aí, caíram 23 mil de uma vez. O povo se prostituiu com as filhas dos moabitas. Trocaram o amor do Senhor, o amor daquele Deus que tirou um povo escravo e trouxe pra cá. Abençoou, libertou. Eles trocaram o amor. O resultado é que vem a morte.
Nós não temos que trocar esse amor por nosso único salvador. O salvador é um só. O amor é o amor de Deus. Outros salvadores, outros recursos de salvação, isso não existe pra nós. Nós temos um único amor que é o Senhor.
Não tentemos a Cristo como alguns deles também tentaram e pereceram pelas serpentes.
Outra prova que veio. O povo Estava ali, mas o adversário estava rodeando. O pecado que tão de perto nos rodeia. E a morte sobrevinha por causa da murmuração. O povo começou a murmurar. De tanta benção, é o maná, é a nuvem, é o fogo, é a benção do Senhor. Tudo que o Senhor estava dando e o povo começou a murmurar. Murmurar é aquilo que é contrário à adoração, à gratidão. O povo desprezou a gratidão de Deus e começou a ver os defeitos, as dificuldades.
Quem murmura não é grato. Quem murmura esquece a promessa. Quem murmura esquece do que o Senhor tem. Só vê os gigantes, só vê o adversário, só vê a oposição, só vê a enfermidade, a luta, todos os problemas. Com tantos motivos para glorificar o Senhor, o homem só lembra daquilo que desagradou a Ele.
Aí vem a serpente, e eles se depararam com a serpente. E a serpente foi feriu a muitos, porque o adversário está próximo. Quando o povo adora, Deus se faz presente. Mas quando o povo murmura, quem vem é o adversário, e vem é ferida.
E ali Deus… operou ali também ao mesmo livramento daquele povo. Então Israel se assentou. Israel ficou ali e teve tantas dificuldades nessa caminhada.
E quando JOSUÉ E CALEB entraram na terra, aqueles que murmuraram ficaram para trás.
Israel seguiu. Israel continuou a sua jornada.
OS MURMURADORES FICARAM, MAS A NOVA GERAÇÃO QUE ALI SURGIU, ELA PROSSEGUIU.
Murmuração é abominável aos olhos do Senhor.
O povo tinha motivos para louvar a Deus, mas eles preferiram murmurar, e eles ficaram fora. Na murmuração é impossível entrar na terra.
E o texto adverte: não murmureis, como também alguns deles murmuraram e pereceram pelo destruidor.
O resultado dessa murmuração é que eles pereceram no deserto, não entraram na terra. Mas os filhos deles entraram, OS NOVOS ENTRARAM, aqueles que mantêm a benção do novo nascimento, a benção da transformação.
E a palavra adverte, estejamos de pé em vigilância constante até o fim da nossa jornada. Israel chegou, nós vamos chegar também. Israel alcançou a terra da promessa, nós vamos alcançar. A igreja vai chegar. Qualquer momento, em breve tempo, nós vamos estar ali. Vamos louvar ao Senhor.
[LOUVOR]
GERSON BELUCI
Meus irmãos, eu saúdo a todos aqueles que estão reunidos nas nossas igrejas e aqueles que nos assistem com a paz do Senhor.
Diante deste cenário que o pastor Alexandre Brasil acabou de nos dizer, fica uma pergunta.
QUEM ENTROU NA TERRA DE CANAÃ?
E a resposta é aqueles que estavam juntos com o povo de Israel, que é a figura do corpo. Aqueles que estavam ouvindo as orientações dadas por intermédio de Moisés, que foi o líder separado por Deus para estar à frente do povo.
Então assim como o povo atendia as orientações de Moisés, se nós aplicarmos isso pra nós hoje como igreja, nós, como igreja, devemos atender aquilo que o Espírito Santo fala à igreja por intermédio do ministério.
Deus levantou os ministérios exatamente pra isso. Então, apesar, meus irmãos, da clara direção do Senhor por intermédio de Moisés, MOISÉS SOFREU MUITAS OPOSIÇÕES. ATÉ MESMO DENTRO DE CASA.
MIRIAM E ARÃO se levantaram contra ele, e no livro de Números, no capítulo 12, nós podemos observar isso.
Eles se aproveitaram de uma decisão, aparentemente falha de Moisés, para criticar a liderança, e era uma liderança exclusiva, para aquilo que Deus tinha levantado Moisés, era somente ele.
NÃO ERAM OUTROS LEVITAS, NÃO ERAM SEUS PARENTES.
E Miriam e Arão alegaram que Deus pode falar através de nós também. E isso a gente sabe que Deus fala através de muitos, de muitos profetas. Mas aquela função específica, meus irmãos, era exclusiva de Moisés.
E os irmãos observaram, ao ler o texto nós podemos observar isso, a resposta do Senhor foi muito clara. E ele disse, o senhor fala com outros profetas. Sim, mas com Moisés era diferente. Moisés recebia orientação do senhor para toda a obra de salvação daquele povo para chegar à terra prometida.
E um detalhe que nós observamos na vida de Moisés era o relacionamento dele com Deus, a intimidade que ele tinha com o Senhor.
E era uma coisa muito especial, né, meus irmãos? A Bíblia fala que o próprio Deus, dizendo boca a boca, eu falo com ele. Não de vista e não por figuras. porque ele vê a semelhança do Senhor. Isso está no texto sagrado que nós nos referimos.
QUAL FOI A PUNIÇÃO DE MIRIAM?
A punição dela foi uma punição muito severa. Foi uma lepra por sete dias. E por aí nós observamos, meus irmãos, A SERIEDADE DE SE INSURGIR CONTRA O MINISTÉRIO. É algo que nos traz muito temor.
O SENHOR PUNE QUEM SE INSURGE CONTRA OS SEUS PASTORES.
E o salmista diz, no Salmo 105, há uma advertência do Espírito Santo ali, quando o salmista faz uma história, ele relembra uma história de Abraão, de Isaac, Jacó, de Moisés, do povo ali nessa caminhada como estamos estudando.
E A PALAVRA DO SENHOR É ENFÁTICA, NÃO TOQUEIS NOS MEUS UNGIDOS.
O Senhor fica indignado quando uma murmuração ou qualquer tipo de rebelião há contra os seus servos ungidos, porque eles são levantados para dirigirem a obra de Deus.
Então, meus irmãos, a lição fica clara para nós, até com muito temor, como já lhes disse.
O Senhor tem muitos profetas em Sua obra e nós louvamos ao Senhor por isso. Na verdade, a obra do Senhor tem essa característica gloriosa, os dons espirituais, as profecias que chegam para o povo do Senhor.
Então, há muitos profetas na obra. Mas ÀQUELES QUE SÃO INVESTIDOS DE UMA RESPONSABILIDADE ESPECIAL, DEUS TEM CHAMADO COMO MINISTROS NUM CERTO NÍVEL.
E nós temos que respeitar, porque eles têm a responsabilidade para receberem as orientações do Senhor e transmitirem para nós.
Isso é uma coisa gloriosa.
Então, meus irmãos, para a obra como um todo, DEUS TEM LEVANTADO SERVOS COM CARACTERÍSTICAS ESPECIAIS, COISAS QUE ELE NÃO CONCEDE A ESSES PROFETAS EM GERAL, QUE SÃO USADOS PARA NECESSIDADES EM UM ÂMBITO MAIS LIMITADO.
Vejam outro exemplo que atingiu a vida de Moisés. Certamente os irmãos se lembram quando aqueles 250 levitas se levantaram contra Moisés: Coré, Datão, Datão e Abirão, são até lembrados no Novo Testamento. E eles contestaram a liderança de Moisés e de Arão, seu irmão, dizendo, toda congregação é santa e o Senhor está no meio deles. Por que, pois, vos elevais sobre a congregação do Senhor? Isso está em Números, capítulo 16, no verso 3.
Então, meus irmãos, a gente fica até surpreso quando notamos que esses exemplos também nos atingem, nos convém, eles NOS AJUDAM A PERCEBER QUE AQUELES QUE SE ALIMENTAM DE UM ESPÍRITO DE CRÍTICA, né?
Há pouco nós vimos a murmuração, mas também há o espírito de crítica.
Isso podemos dizer que ATÉ EXISTE EM NOSSO MEIO, mas isso não é salutar para a obra de Deus.
DEUS NÃO SE AGRADA com esse tipo de murmuração, DE CRÍTICA CONTRA AQUELES QUE DEUS TEM LEVANTADO PARA DIRIGIREM A SUA OBRA.
Nós observamos isso, voltamos a dizer, com temor e tremor. Em Êxodo 33, nós lemos sobre a efetividade do ministério de Moisés. Ele entrava no tabernáculo, descia uma coluna de nuvem, o texto sagrado mostra isso de uma forma maravilhosa. Eu recomendo que os irmãos leiam esse texto para ver a grandiosidade da santidade de Deus. Uma coluna de nuvem descia, se punha à porta da tenda, Moisés entrava na tenda e Deus falava com ele face a face, cara a cara, como qualquer fala com o seu amigo, a Bíblia diz.
Então, meus irmãos, essa intimidade notável nos fala, primeiramente, que Deus usa, usou Moisés, até naquele momento, como tipo do Espírito Santo, como o próprio apóstolo nos fala na sua carta, né? Palavras do Senhor Jesus, que o Espírito Santo receberia daquilo que era dele e nos transmitiria. Assim, né?
Nos fala ao mesmo tempo que MOISÉS, A FIGURA TAMBÉM DO MINISTÉRIO DA OBRA, EM SEU MAIS ALTO NÍVEL HIERÁRQUICO, o Ministério recebe as orientações do Senhor, necessárias para que o corpo de Cristo, para que a igreja continue caminhando, marchando nesse caminho estreito, mas santo, em direção à Canaã Celestial, a nossa terra prometida.
Então, meus irmãos, com essa intimidade que Moisés tinha, era uma pessoa muito especial. Ele tinha características…
No início da sua vida, nós notamos aquele homem impulsivo, valente, que foi lá e feriu o egípcio de morte.
DE REPENTE, A BÍBLIA COMEÇA A FALAR DE UM PERFIL DIFERENTE, aquele homem que conduziu o povo no deserto. E A BÍBLIA DIZ, ERA MOISÉS MUITO MANSO, MAIS DO QUE TODOS OS HOMENS QUE HAVIA SOBRE A TERRA.
E essa atitude, meus irmãos, agradava ao Senhor, como Deus quer ver isso em nós. Ele era dependente do Senhor em todas as situações.
E a gente observa que Moisés jamais usou o pronome eu, né, defendendo-se a si mesmo, não. Ele sempre usava o pronome nós, porque ele estava defendendo o povo de Deus para o seu chamado.
Então, quando surgia algum problema na condução do povo, ele corria aos pés do Senhor, recorria à voz do Espírito para que o Senhor o conduzisse.
Mas não era somente isso, ele era absolutamente zeloso pela santidade de Deus.
E a gente observa quando Moisés desce do monte com as tábuas da lei e vê aquela situação do bezerro de ouro, o que ele fez? Ele queimou o bezerro de ouro, indignou-se porque a santidade de Deus estava sendo aviltada ali, estava sendo atacada.
E o mesmo nós observamos, meus irmãos, na vida do Senhor Jesus, quando Ele entra no pátio ali do templo e vê os vendilhões, Ele os afugenta, Ele vira as mesas e é o zelo, o zelo da tua casa me consumirá.
Então, meus irmãos, com esse mesmo zelo, nós devemos servir ao Senhor.
Não com murmuração, nem com ingratidão, nem no meio de idolatrias.
É assinalado, finalmente, que os incrédulos que duvidaram das promessas do Senhor, a Bíblia diz que eles não entraram na terra somente Josué e Calebe, que viram a terra, enxergaram o mesmo que os outros dez espias enxergaram, mas havia neles um espírito diferente, havia neles a fé, a fé na promessa.
E a Bíblia diz que sem fé é impossível agradar a Deus.
Aqueles que não creram foram os incrédulos diante daquela situação, diante dos gigantes. Eles só enxergaram as dificuldades, os obstáculos, os gigantes, os grandes problemas. Mas Josué e Caleb olharam com os olhos da fé, com a certeza, como nos diz o apóstolo João: “maior é aquele que está conosco do que aquele que está no mundo”, louvado seja o Senhor.
E a palavra deles foi essa. Caleb se levantou junto com Josué e disse, se o Senhor se agradar de nós, Ele nos fará entrar nessa terra. Está aí projetado, números 14 e 8. Se o Senhor se agradar de nós, então nos porá nessa terra. E no-la dará, terra que mana leite e mel. Então eles são exemplos para nós hoje, diante dessas dificuldades todas.
Tudo, meus irmãos, está escrito.
E essas lições do Velho Testamento são sombras para nós.
1 Coríntios, como foi lido no capítulo 10, no verso 11, eu quero repetir com os irmãos. Ora, tudo isso lhes sobreveio como figuras. Estão escritas para aviso nosso. Para quem já são chegados, os fins dos séculos.
Então, nessa conclusão, meus irmãos, nós podemos observar, diante de tudo que foi dito nessa escola bíblica, o Senhor está nos conduzindo juntos, rumo à Canaã Celestial.
Nós devemos prosseguir na caminhada com fé, com a certeza de que o Senhor, como nosso sumo pastor, vai adiante de nós.
E nós temos certeza de que não haveremos de murmurar. Sem murmuração, mas com gratidão diante de Deus. Sem incredulidade, mas agindo com fé nesta caminhada.
Hoje estamos aqui, mas o nosso rumo é a Canaã Celestial. Nós queremos servir ao Senhor, temendo, obedecendo àqueles a quem Deus colocou diante de nós, para receberem as orientações do Senhor, para nos dirigirem, e nós vamos caminhar.