IGREJA MARANATA QUER CONTROLAR SUA VIDA!
IGREJA MARANATA QUER CONTROLAR SUA VIDA!
1 – MÍDIAS DIGITAIS DA IGREJA CRISTÃ MARANATA
Entrevista com o Pr. Josias Júnior, Gerente de Comunicação da Igreja Cristã Maranata – fonte: TikTok @sebastio.faria1
Declarações de josias júnior — Comunicação da ICM
Entrevistador
Eu queria ver com você, saber de você, quais os cuidados, ou seja, a primeira coisa, qual a importância de nós estarmos, independente da igreja local ter o seu, mas a importância de nós estarmos nos perfis oficiais da Igreja Cristã Maranata e quais os cuidados que as igrejas precisam ter na criação e na postagem de conteúdo nos seus perfis particulares.
00:00:26 Josias Júnior
Perfeitamente, vamos lá.
Eu quero começar dizendo o seguinte, Mídia social, comunicação através das mídias sociais, é uma realidade. Se alguém hoje quiser se levantar contra isso, vai ter um problema, porque é uma realidade. Realidade do mundo atual e tudo mais.
Eventualmente, se Pedro, Tiago, João, tivessem Instagram, eles teriam utilizado o recurso para evangelizar também. Não tinham, eles tinham que andar quilômetros, a pé, nas viagens e tudo mais. Usavam os recursos que eles tinham nessa época. Então é um recurso, tá aí, para o bem ou para o mal.
A gente precisa aprender a usar para o bem e usar para o bem. A gente sempre tem… Eu sempre comento o seguinte, hoje em dia faz parte do hábito de se alimentar fotografar comida antes de comer.
Entrevistador
As pessoas gostam de expor bastante.
00:01:26 Josias Júnior
Exatamente, porque a gente tem o hábito de compartilhar as coisas boas que acontecem com a gente. Então, se a gente tem o hábito de compartilhar as coisas boas que acontecem com a gente, por que a gente não compartilha as bênçãos do Senhor?
Entrevistador
Com certeza.
00:01:39 Josias Júnior
Entendeu? É a melhor coisa que acontece? Vamos compartilhar. Então, isso é um aspecto. As redes sociais são uma realidade e que nós temos que usar essa realidade em favor da obra do Espírito Santo.
Entrevistador
Para a glória do Senhor.
00:01:54 Josias Júnior
Para a glória do nome do Senhor. Muito bem.
Aí você tem essa realidade de que a igreja, então vou usar a experiência diretamente ligada a mim – Igreja de Prada Costa 4 tem o Instagram de Prada Costa 4. Perfeitamente.
Primeiro cuidado.
Esse canal, esse perfil, ele precisa estar vinculado ao pastor da igreja.
Ele precisa, por qualquer coisa, segurança… Ninguém sabe o que acontece amanhã. Acontece um problema. Enfim, é preciso que seja da igreja e não de uma pessoa. Primeiro cuidado.
Segundo cuidado.
Eu estou falando ainda do perfil das igrejas. Segundo cuidado. Não publique nada doutrinário. A doutrina vem do governo da obra. Então, é doutrinário, não publique.
É um versículo, versículo do dia. Pode colocar, entendeu? É o evento que aconteceu na igreja. Tome cuidado de preservar a sua igreja. Você não vai colocar um evento numa situação difícil, a igreja está vazia. Isso é um cuidado que tem que ter.
Entrevistador
E sem contar que há também a questão do direito de imagem.
00:03:16 Josias Júnior
Eu ia chegar nisso. A questão do direito de imagem é seríssimo.
O trabalho de divulgação é percebido como um trabalho jornalístico. E para o jornalismo, desde que não haja protagonismo, você pode publicar. Certo?
Então, o que é que chama protagonismo?
Você vai pegar a foto de uma pessoa. Você vai pegar duas, três pessoas e se identifica claramente quem são. Isso é protagonismo.
Mas você faz uma foto. aberta, ampla, do grupo inteiro. O máximo que pode acontecer, e pode acontecer, é alguém que está naquela foto falar assim: olha e não gostaria de estar aqui. Você vai e tira. Não é problema.
Mas não vai dar problema. Não vai dar processo, aquela coisa toda.
Então, evite doutrina, abordagens doutrinárias, evite protagonismo.
Se for criança ou adolescente, mais sério ainda nesse protagonismo, porque a criança ou adolescente não pode autorizar, quem tem que autorizar são os pais. Então você tem um processo complicado, evita, evita.
Põe em grupo, geral, foto da fachada da igreja, evangelização, povo na rua evangelizando com a foto aberta, todo mundo.
Entrevistador
Uma coisa muito boa é replicar o que tem nos sites.
00:04:33 Josias Júnior
Pronto.
E aí é a terceira.
A terceira sugestão, a terceira orientação é você replicar o que está nos sites oficiais.
E agora, eu chego então nos sites oficiais, nas Mídias oficiais, o Instagram da Igreja Maranata, o Instagram da Rádio Manaim, o TikTok.
Por que a Igreja Maranata tem TikTok? Porque o TikTok é uma mídia muito utilizada por adolescentes. O Instagram já são jovens, o Facebook já são as pessoas um pouco mais de idade. Então nós estamos em todas elas.
NOSSOS COMENTÁRIOS
Resumo das falas:
· Proibição de postagens doutrinárias por membros.
· Recomendação para que os perfis sejam vinculados ao pastor da igreja.
· Proibição de postar fotos de igrejas vazias.
· Sugestão de apenas replicar os conteúdos dos canais oficiais.
Avaliação religiosa (bíblico-teológica)
· A Bíblia afirma que todo cristão tem responsabilidade de anunciar o evangelho, e não apenas líderes ou canais “oficiais”:
“Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura.” (Marcos 16:15)
“Se alguém fala, fale segundo as palavras de Deus.” (1 Pedro 4:11)
· Centralizar a doutrina nos “órgãos oficiais” da igreja é o mesmo que dizer que apenas um grupo detém a verdade, inibindo o sacerdócio universal dos crentes (1 Pedro 2:9).
· A censura doutrinária interna revela insegurança com o próprio conteúdo ensinado. Se a doutrina é verdadeira, ela resiste ao debate público. Se precisa de “verniz institucional”, é porque há algo a esconder.
Avaliação filosófica
· O controle da comunicação é um traço típico de instituições autoritárias, sejam religiosas ou políticas.
· Trata-se de uma estratégia de manutenção de poder: não é o conteúdo que importa, mas quem tem o monopólio da narrativa.
· A supressão da voz individual em favor de um “órgão central” rompe com ideais democráticos, pluralistas e racionais do pensamento moderno.
· Liberdade de expressão é um valor ético, filosófico e teológico.
Avaliação ética e moral
· A recomendação de não mostrar igrejas vazias é uma forma de fraude institucional. É manipulação de imagem com objetivo de sustentar uma narrativa de sucesso.
· Isso fere os princípios de transparência, honestidade e verdade, fundamentais para qualquer organização que se diz cristã.
· A restrição da fala dos membros revela medo do descontrole, não zelo pela pureza doutrinária.
2 – MENSAGEM DO PASTOR GUILHERME
Declarações do Pr. Guilherme – Resplendor/MG
Tema: Daniel não se contaminou. És tu Daniel?
Instagram: icm.regiaoesplendor.mg
(https://www.instagram.com/reel/DJRcQ4eANxh/?igsh=N2plaXg1YnRmM3d6)
Quando você tá aqui servindo ao Senhor, mas lá fora você está na rede social com caídos. Falando: ah, que pastor isso, que pastor aquilo… Cuidado, hein! Deus não vai te ter por inocente!
Mas, quando isso aconteceu, que o juízo veio para o rei Belsazar, ele mandou chamar. Chame alguém que entenda disso. Sabe quem que eles chamaram? Chamaram Daniel, um senhor de idade, já. Vem cá, Daniel. Você é o mesmo? Você é aquele dos cativos de Judá? Você mudou, Daniel? Você é aquele Daniel que não se contaminou? Aquele Daniel, que Deus revelou mistérios maravilhosos? Aquele Daniel, cujos amigos não se dobraram à estátua, que foram jogados na fornalha e que não morreram? Você é aquele Daniel? Você mudou? Você se contaminou? Ou continua fiel? És tu aquele? Aquele obreiro, aquele diácono que não mudou? Que o tempo passou, mas você continua com a força, com vigor daquele primeiro amor de quando Deus te trouxe? É o mesmo rei. Porque o Senhor é comigo, aleluia!
NOSSOS COMENTÁRIOS
Resumo das falas:
· Ataque direto a ex-membros: “caídos”.
· Advertência aos jovens para não acessarem conteúdos de críticos da igreja.
· Apelo ao exemplo de Daniel, que “não se contaminou”.
Avaliação religiosa (bíblico-teológica)
· Chamar de “caído” todo aquele que se desliga da instituição, sem analisar as razões de consciência, é abusivo e anticristão.
· O próprio Jesus advertiu contra esse tipo de juízo:
“Não julgueis, para que não sejais julgados.” (Mateus 7:1)
· Paulo deixou claro que a fé não se limita a uma organização específica:
“O Senhor conhece os que são seus.” (2 Timóteo 2:19)
· Daniel não evitou contato com “opiniões divergentes” — ele serviu em Babilônia, no meio de pagãos, e ainda assim se manteve fiel. Ou seja, o exemplo de Daniel está sendo usado ao avesso.
Avaliação FILOSÓFICA
· O discurso de Guilherme é típico de comunidades fechadas, que trabalham com a ideia de “pureza doutrinária” e contaminação externa.
· Essa lógica é comum em seitas e sistemas totalitários: “quem sai é inimigo”, “quem pensa diferente é perigoso”.
· Ao sugerir que os jovens não consumam conteúdo crítico, a ICM está impedindo o livre exame e o amadurecimento intelectual e espiritual.
Avaliação ética e moral
· O ataque aos ex-membros como “contaminados” é discriminatório e ofensivo.
· Essa fala estimula a exclusão social, o cancelamento e o preconceito religioso.
· Demonizar o contraditório é covardia moral — especialmente vindo de um púlpito.
3 – CIRCULAR ICM 94, DE 29/8/2025
ORIENTAÇÃO SOBRE MATERIAIS NÃO OFICIAIS RELACIONADOS AO TRABALHO DE CIAS
Comunicamos aos Pastores e às Igrejas que, temos observado o surgimento de vídeos e materiais relacionados ao trabalho de CIAS, elaborados por terceiros e divulgados em plataformas digitais.
Alguns desses conteúdos têm utilizado indevidamente os logos da Igreja Cristã Maranata e do CIAS, além de apresentarem representações visuais de personagens bíblicos com alegorias que não refletem os princípios doutrinários e pedagógicos adotados pela Igreja.
A disseminação desses materiais tem gerado dúvidas entre Professoras e membros, e há relatos de que alguns desses conteúdos têm sido utilizados em aulas, o que pode comprometer a integridade do ensino transmitido às classes de Crianças, Intermediários e Adolescentes.
Em alguns casos, há indícios de comercialização desses materiais, o que configura uma prática não autorizada e potencialmente prejudicial à imagem institucional da Igreja.
Diante disso, orientamos:
a. Que os Pastores estejam atentos à circulação de materiais não oficiais relacionados ao trabalho de CIAS, reforçando junto às Professoras a importância de utilizar exclusivamente os conteúdos aprovados pelo Presbitério.
b. Que seja divulgado que todos os materiais oficiais estão disponíveis no site do trabalho e CIAS: www.ciasmaranata.org.br.
c. Que se evite o uso dos logos da Igreja Cristã Maranata e do CIAS sem autorização formal, preservando a identidade visual e institucional da Obra.
d. Que os Pastores acompanhem de forma próxima o trabalho realizado pelas Professoras em suas respectivas Igrejas, garantindo o alinhamento com as diretrizes estabelecidas pelo Presbitério.
Reiteramos que toda iniciativa relacionada à produção de conteúdo voltado para o trabalho de CIAS, bem como para quaisquer outras atividades desenvolvidas no âmbito da Igreja, deve ser previamente submetida à avaliação e autorização da Igreja Cristã Maranata.
A paz do Senhor
Conselho Presbiteral
NOSSOS COMENTÁRIOS
Tema: Controle institucional sobre produção e veiculação de conteúdos por membros
Dimensão religiosa (bíblico-teológica)
A circular 094/25 da ICM institui um regime de controle centralizado sobre qualquer produção ou veiculação de conteúdo relacionado à igreja, inclusive materiais voltados para crianças, adolescentes e redes sociais de congregações locais.
Esse tipo de medida fere os princípios do Novo Testamento, que ensinam a liberdade do Espírito para guiar cada crente individualmente:
“Ora, o Senhor é Espírito; e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade.”
(2 Coríntios 3:17)
Além disso, a recomendação de que nenhum conteúdo pode ser produzido sem autorização do Conselho Presbiteral cria uma doutrina não baseada na Bíblia, mas nas diretrizes humanas da instituição:
“Em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens.”
(Mateus 15:9)
Ao proibir que professores do CIAs produzam conteúdo “não aprovado” para suas turmas, a ICM nega a capacidade espiritual desses irmãos de ouvir o Espírito Santo e adaptar o ensino à realidade de seus alunos.
Trata-se, na prática, de uma estrutura que impede a ação do Espírito Santo fora da hierarquia da liderança.
Dimensão filosófica (epistemológica e política)
A circular estabelece um modelo de centralização epistêmica, ou seja, de monopólio sobre a produção do conhecimento, como se só o presbitério da ICM pudesse interpretar corretamente a doutrina.
Isso entra em conflito direto com o pensamento filosófico iluminista e com a noção de liberdade de consciência, conforme defendido por Kant:
“O esclarecimento é a saída do homem de sua menoridade, da qual ele próprio é culpado.”
(KANT, Resposta à Pergunta: Que é o Esclarecimento?, 1784)
Ao tratar o membro comum como alguém incapaz de pensar, ensinar ou se expressar sobre a fé sem supervisão do alto escalão, a circular infantiliza espiritualmente os fiéis e naturaliza a vigilância institucional.
Mesmo conteúdos inofensivos — como vídeos educativos com personagens bíblicos — são ameaçados com proibição, como se qualquer criatividade livre fosse potencialmente perigosa.
Dimensão ética e moral
Do ponto de vista ético, a Circular 094/25 normaliza o controle sobre a consciência dos fiéis, violando princípios fundamentais da moral cristã, como:
· a liberdade de expressão;
· o direito à autodeterminação;
· a autonomia dos dons espirituais.
Além disso, há uma tentativa velada de controlar a imagem pública da igreja por meio da limitação do uso de logos, slogans e símbolos — o que mostra uma preocupação maior com a “marca Maranata” do que com a verdade do evangelho.
A circular inclusive recomenda que, se algum conteúdo for publicado de forma “indevida”, os pastores comuniquem imediatamente à central — reforçando a lógica do medo e da delação interna.
Essa vigilância enfraquece os laços de confiança e espiritualidade espontânea nas igrejas locais e cria um ambiente de suspeita mútua.
Conclusão
A Circular 094/25 não trata apenas de “organização”. Ela revela uma doutrina institucional de controle, onde a centralidade do poder impede que a membresia viva sua fé com liberdade e criatividade.
Trata-se de mais uma evidência de que a Igreja Cristã Maranata:
· não confia em seus membros para ensinar, publicar ou criar;
· controla a palavra como forma de manter autoridade;
· centraliza a espiritualidade em uma cúpula institucional;
· elege a aparência da “obra” como mais importante que o corpo vivo de Cristo.
Um corpo onde apenas a cabeça pensa, e todos os demais membros estão amordaçados, não é o corpo de Cristo — é o corpo de uma seita.