IGREJA MARANATA E A TEOLOGIA DAS PANELAS: RELIGIÃO DA DISTRAÇÃO

IGREJA MARANATA E A TEOLOGIA DAS PANELAS: RELIGIÃO DA DISTRAÇÃO

8 de fevereiro de 2026 Off Por Sólon Pereira

Análise da EBD ICM, de 08/02/2026

Por Solon Pereira – Projeto Análise | Celeiros

Vídeo de referência: https://www.youtube.com/watch?v=GvQgxahMPyo  

A degravação integral consta ao final deste texto.

Síntese: uma EBD baseada em símbolos, de significações bizarras, que mudam segundo a conveniência do pregador, e que glorificam Jesus apenas com lábios, enquanto seus mandamentos são desprezados. Uma igreja que faz dos ex-membros inimigos e que os arrastam a tribunais, feridos, deveria obedecer a Jesus antes de ensinar sobre ofertas:

²³ “Portanto, se você estiver apresentando sua oferta diante do altar e ali se lembrar de que seu irmão tem algo contra você, ²⁴ deixe sua oferta ali, diante do altar, e vá primeiro reconciliar-se com seu irmão; depois volte e apresente sua oferta. (Mateus 5:23,24)

INTRODUÇÃO

Há um tipo de “aula bíblica” que, na prática, funciona como uma vitrine de símbolos: farinha, azeite, incenso, sal, fogo… e, claro, frigideira, panela com tampa e forno. O problema não é usar ilustrações; o problema é quando a ilustração vira o próprio “evangelho” — e o discípulo sai sabendo explicar utensílios, mas não sai necessariamente obedecendo Jesus.

A EBD da Igreja Cristã Maranata de 8/2/2026 parece ser, em grande medida, uma reapresentação do conteúdo ministrado em 11/1/2026, pelo Pr. Marcelo Ferreira, com retoques de forma (mais emoção, menos exposição do que soa estranho) e com um acréscimo relevante: uma insinuação mais clara de oferta/contribuição por meio de números (“décimo”, “mínimo”) e linguagem de obrigação (“devemos”).

O objetivo deste texto é simples: comparar, apontar mudanças e continuidades, e avaliar o ensino do ponto de vista bíblico, moral e filosófico, com uma pergunta decisiva: o que isso produz na vida real do ouvinte?

1) Repetição confirmada: “mesmo esqueleto, nova embalagem”

O eixo central é o mesmo: Levítico 2 (oferta de manjares) aplicado por um método de simbolização extensa, onde cada elemento do culto vira uma chave espiritual.

O que muda em 8/2 é o “tom”: mais devocional, mais afetivo — e menos “explicação longa” dos pontos que mais geram estranheza. Ou seja: a aula preserva o conteúdo, mas ajusta a performance.

TRECHO-CHAVE (sinal de repetição e padronização)

“Como nós LEMOS na apresentação anterior, que o pastor Gilson fez.”
(Gerson Beluci)

2) “Aula lida”: quando a Escola Bíblica vira roteiro

Ler um roteiro preparado previamente não é pecado.

O problema é quando uma “Escola Bíblica” parece funcionar como reprodução de script. O próprio reconhecimento de que a apresentação anterior foi “lida” reforça a impressão de padronização e de baixa abertura para exame crítico.

E isso importa por um motivo bíblico básico: a maturidade cristã se fortalece quando o povo é treinado a conferir, comparar, discernir — não apenas a receber o “sentido oficial”.

O risco espiritual do “roteiro”

Quando o ensino se torna “texto pronto” e o ouvinte não é convidado ao exame responsável do texto bíblico, a comunidade pode ser treinada para dependência interpretativa: a verdade passa a ser “o que o centro diz”.

3) O símbolo que muda conforme o interesse: o caso do “fogo”

Aqui está um ponto revelador.

Em 4/1/2026, Alexandre Gueiros ensinou que o fogo do altar é figura do Espírito Santo para purificação e consolo:

TRECHO-CHAVE (Alexandre, 4/1/2026)

“O fogo… fala da vinda do Espírito Santo para queimar os nossos pecados, purificar as nossas vidas, aquecer os nossos corações… uma clara figura do Espírito Santo…”

Já na cadeia de aplicações de 11/1 e 8/2/26, o fogo opera sobretudo como imagem de sofrimento/provação (“fogo intenso”, “deixar-se queimar”, “meu problema vai revelar Jesus em mim”).

O problema não é reconhecer que imagens bíblicas podem ter camadas. O problema é não haver critério de controle: o símbolo vira massa de modelar — hoje consola, amanhã pressiona.

Filosoficamente, isso é grave: quem controla o símbolo, controla o sentido; quem controla o sentido, controla consciências.

4) A “teologia das panelas”: quando o utensílio ensina mais do que o texto

Em 11/1/26, Marcelo Ferreira estrutura uma lógica que funciona como “receita espiritual”: Palavra sem “operação do Espírito” se espalha; com azeite vira massa firme; ventos de doutrina não derrubam.

TRECHO-CHAVE (Marcelo, 11/1/2026 — síntese do raciocínio)

“A Palavra de Deus sem a operação do Espírito Santo… os ventos de doutrina espalham… mas com azeite vira massa… podia bater o vento que fosse… o azeite segurava.”

Em 8/2, Gerson retoma o eixo “frigideira/panela/forno”, com mais apelo emocional e menos detalhamento do que soa estranho — uma forma de preservar a estrutura sem expor tanto suas fragilidades e evitar o ridículo.

A pergunta que precisa ser feita em voz alta é: Levítico 2 ensina isso? Jesus ensinou isso? Paulo ensinou isso? Os apóstolos ensinaram isso? A igreja primitiva ensinou isso?

  • frigideira aberta = sofrimento público / “sofrimento claro e patente a todos”;
  • panela com tampa = sofrimento íntimo / “só os mais próximos têm acesso”;
  • forno = lutas desconhecidas / “sofrimento que só a pessoa sabe”.

Se não há vestígios desse tipo de ensinamento na bíblia nem nos registros primitivos, parece que estamos vendo um sistema devocional inventado pela Igreja Cristã Maranata que ganha status de “doutrina” porque carrega selo institucional.

5) Fermento e mel: quando a aplicação vira confusão — e risco moral

5.1 Fermento (falsa doutrina): o rótulo perfeito para controlar discordância

Disse Gilson Sousa (EBD 8/2/26):

Nesta oferta de manjares, o fermento é símbolo da doutrina falsa. E o Senhor Jesus falou a respeito disso. Ele disse, acautelai-vos da doutrina dos fariseus. (…) O fermento representa, então, a falsa doutrina, aquela que contamina a pura palavra da trindade, do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

“Fermento” como contaminação pode funcionar como metáfora em contextos bíblicos. Mas quando “fermento” vira “discordância”, abre-se a porta para um mecanismo institucional clássico: crítica = contaminação. O fiel não aprende discernimento; aprende medo.

Importante notar que nesta EBD a falsa doutrina é representada pelo fermento e na EBD de 11/1/2026, a falsa doutrina é identificada pelo mel, como veremos a seguir.

5.2 Mel (falsa doutrina): a tentativa de “ajuste” que piora o encaixe

Disse Marcelo Ferreira na EBD de 11/1/26:

O MEL misturado com outros elementos, ele provoca a fermentação.

O que é o mel aqui? O mel aqui são os sentimentos humanos. São as emoções humanas. (…) Ou seja, na nossa vida espiritual, da igreja, como foi de Jesus, não pode entrar a falsa doutrina, que são tradições, que são interpretações teológicas, que podem mudar a receita, que podem fermentar a massa, que podem mudar o projeto, que podem mudar a palavra.”

Na repetição (EBD 8-2-26), Gilson Sousa concorda parcialmente com Marcelo Ferreira sobre mel ser símbolo de sentimentos humanos, senão vejamos:

Já o mel, o mel é símbolo do que é doce, aquilo que é atrativo. Na oferta de manjares (…), mas não havia nenhum mel. Nenhum sentimento humano, nenhum terreno carnal impediu que a obra do Pai tivesse o primeiro lugar na vida de Jesus.

A Palavra de Deus já é doce em si mesma, aleluia! Não precisamos acrescentar o que é sentimento humano na Palavra de Deus.

Aliás, o salmista, no Salmo 19, versículo 10, ele diz exatamente assim. A palavra de Deus, falando assim:

Mais desejáveis são do que o ouro, sim, do que muito ouro fino, mais doces do que o mel e o licor dos favos.

Então ali estava exatamente a condição da doçura da palavra do Senhor. E é notável, irmãos, que a palavra, portanto, ela é mais doce do que o mel. E essa confirmação nós vamos ver numa passagem do Evangelho de Mateus, no capítulo 12, verso 47, na qual o Senhor Jesus diz exatamente assim: Ele diz:

E disse-lhe alguém: Eis que estão ali fora tua mãe e teus irmãos e querem falar-te.

Nesta palavra, nós vemos ali que o mel foi fielmente excluído, no contexto da oferta que Jesus oferecia ao Pai, como nesta passagem citada em Mateus, quando ali a obra do Pai deveria ser realizada e Jesus estava realizando a obra do Pai.

(…)

Jesus não deixou misturar a doçura do mel naquilo que representava para Ele algo tão atrativo, mas Ele continuou exalando o verdadeiro perfume na presença do Pai.

Parece que nem mesmo os professores da ICM conseguem explicar como o mel pode ser algo bom e algo ruim ao mesmo tempo. A falta de lógica é absoluta!

Se a bíblia explica a bíblia, como disse Alexandre Gueiros, qual passagem da bíblia associa o mel a algo ruim ou a sentimentos humanos? Qual passagem bíblica pode esclarecer a ausência do mel na oferta de manjares? Ora, se o mel foi transformado em um símbolo, é necessário que haja na bíblia algum texto que esclareça esse símbolo de modo mais objetivo. Caso contrário, temos apenas um coringa para servir a qualquer ensinamento.

Em outras palavras, quando o “mel” aparece associado a “sentimentos humanos (ruins)” e, ao mesmo tempo, à doçura da Palavra, o mel vira um “coringa”.

Mas, o perigo desse ensino não está na sua incoerência e falta de sustentação bíblica. O perigo está na promoção do ostracismo!

Entretanto, o efeito pastoral pode ser perigoso quando o mel é associado a episódios envolvendo a família de Jesus, isso.

Por que isso é perigoso?

Quando afetos legítimos (família, empatia, vínculos) são facilmente colocados como “mistura proibida”, cria-se um ambiente em que pessoas passam a suspeitar do humano — e depender mais do grupo e de suas chaves interpretativas.

6) Exclusivismo “modo sutil”: a Obra como chave da Palavra

Gerson Beluci disse:

“Muitos desses sofrimentos nos foram revelados pelo Senhor até antes de conhecermos essa obra, essa obra revelada pelo Espírito Santo, essa obra que nos mostra a palavra viva, a palavra revelada. Só entendíamos o sofrimento físico da morte, da crucificação em si, da humilhação, mas nunca nada nos havia passado pelo pensamento, foi preciso o senhor revelar esses detalhes gloriosos. E nós podemos dizer, meus amados, essa palavra trazida, porque além de entendermos o simbolismo dessa oferta de manjares, ela nos ensina uma lição. Nós temos em Jesus, o nosso Senhor, o nosso Salvador, uma identificação. Nós somos corpo de Cristo, nós somos a sua igreja.”

Gerson afirma (em linguagem típica do ambiente maranata) que certos entendimentos foram “revelados” e que há “obra revelada” que mostra “palavra viva/revelada”.

TRECHO-CHAVE (Gerson — identidade institucional)

“Essa obra revelada pelo Espírito Santo… essa obra que nos mostra a palavra viva, a palavra revelada…”

Isso alimenta um exclusivismo de baixa voltagem: não precisa dizer “só aqui”; basta sugerir que aqui há “acesso diferenciado”, “detalhes revelados”, “compreensão superior”.

Moralmente, isso gera hierarquia de valor entre cristãos.

Espiritualmente, cria blindagem: se você discorda, não é que você tenha bons argumentos — é que você “não entendeu a revelação”.

7) “A ICM não pede dízimos”… mas insinua do jeito que sabe fazer

Gerson Beluci disse:

“Significa que essa oferta podia ser feita por qualquer pessoa, por qualquer um de nós. A oferta mínima, a Bíblia diz que era de um décimo, de um efa. Um efa era uma porção pequena, próximo de dois litros, dois litros e duzentos mililitros, alguma coisa próxima disso, era uma pequena oferta. E isso bastava, bastava um pouquinho para ofertar ao Senhor. Era algo, meus irmãos, que todo israelita podia ter em sua mesa. (…) Mas todos nós devemos e temos o que ofertar ao Senhor. (…) Ofereça a sua vida agora para que Ele possa usar você para glória e honra do Seu nome.”

A aula de 8/2 inclui um trecho que funciona como “gancho” para contribuição, sem chamar de “pedido”:

TRECHO-CHAVE (gancho numérico e moral)

“A oferta mínima… era de um décimo… uma porção pequena… todo israelita podia ter em sua mesa… Mas todos nós devemos e temos o que ofertar ao Senhor… ofereça a sua vida”

A questão ética não é estimular generosidade.

O problema é o método: usar “mínimo”, “décimo” e “devemos” como gatilhos indiretos, enquanto se sustenta a narrativa pública de que “não se pede”.

E, paralelamente, muitos ex-membros relatam que a condição de “fidelidade” (incluindo contribuição) opera como sinal social para ocupar funções de destaque.

Sutileza como técnica

A sutileza preserva o discurso (“não pedimos”), mas alcança o objetivo (“faça o que deve ser feito”… “ofereça a sua vida”). Isso tende a produzir não generosidade livre, mas constrangimento religioso.

8) A pergunta que ninguém responde: o que isso muda na vida real do ouvinte?

Esta é a parte decisiva.

Uma Escola Bíblica deveria formar gente que pratique o Evangelho em atitudes verificáveis:

·       reconciliação;

·       verdade e justiça;

·       misericórdia;

·       reparação;

·       humildade;

·       amor ao inimigo;

·       coerência entre discurso e prática.

Mas uma aula construída como “teia de símbolos” costuma produzir outro conjunto de resultados:

1.     encantamento (“mistério”);

2.     sensação de privilégio (“palavra revelada”);

3.     autoconsolo (“meu sofrimento = fogo = perfume”);

4.     distração (“eu aprendi panelas, logo cresci espiritualmente”).

O ouvinte sai sabendo explicar frigideira/panela/forno — mas não necessariamente sai vivendo Mateus 5–7.

9) O ponto moral incontornável: oferta sem reconciliação, perfume sem amor

Aqui a Bíblia é objetiva.

TRECHO-CHAVE (Jesus como critério moral)

“Se você estiver apresentando sua oferta… e se lembrar de que seu irmão tem algo contra você… vá primeiro reconciliar-se…” (Mateus 5:23–24)

Então a pergunta é inevitável: como falar de oferta de cheiro suave enquanto há muitos ex-membros feridos, sem uma iniciativa institucional consistente de escuta, reparação e reconciliação?

E mais: como falar “Jesus é nosso exemplo” e “imitadores de Paulo”, quando o testemunho público indica judicialização e retaliação contra irmãos, em vez de humildade, diálogo e busca de paz?

Quando o discurso de “amor” não se converte em prática, o simbolismo vira estética: bonito no microfone, fraco na ética.

10) Transparência e governança: estatuto, prestação de contas e confiança

Além da incoerência moral, existe um problema ético de governança: prestação de contas insuficiente aos próprios membros.

Dois elementos objetivos:

·       mudanças estatutárias sem informação clara e antecipada aos membros;

·       e questionamentos sobre cumprimento de prazos e procedimentos de direção (como apresentação formal de vice-presidência, conforme regra vigente à época do falecimento de Gedelti).

Independente de qualquer debate religioso, há um princípio moral simples: quem exige confiança precisa oferecer transparência proporcional.

Se a liderança cobra fidelidade e submissão, mas não presta contas, instala-se desequilíbrio de poder — incompatível com o espírito do Evangelho, em que liderança é serviço, e não blindagem.

Conclusão

A repetição de 8/2/2026 confirma um padrão: simbolismo criativo, forte carga emocional, identidade institucional “sutil” — e pouca formação prática no caminho de Jesus.

O risco é produzir uma espiritualidade altamente performática:

muito “cheiro suave” no microfone; pouco Sermão do Monte na vida real.

E o critério final não é a panela, nem a frigideira, nem o forno. É Cristo.

Antes do culto, vem o amor. Antes da oferta, vem a reconciliação.

DEGRAVAÇÃO DAS MENSAGENS

GILSON SOUSA

Ainda de pé, nós vamos ler a palavra de Deus.

Convidamos os irmãos para a leitura deste texto em Levítico, capítulo dois, versículo um e versículo dois. Nós vamos ler todos juntos agora, a igreja ainda de pé e nós iremos ler, os irmãos acompanharão a leitura da palavra do Senhor. A Bíblia diz assim:

E quando alguma pessoa oferecer oferta de manjares ao Senhor, a sua oferta será de flor de farinha e nela deitará azeite e porá o incenso sobre ela.

E a trará aos filhos de Arão, os sacerdotes, um dos quais tomará dela um punhado de flor de farinha e do seu azeite com todo o seu incenso. E o sacerdote queimará este memorial sobre o altar. Oferta queimada é de cheiro suave ao Senhor.

Amém, Glória a Deus.

Meus amados irmãos, assim como o Holocausto simboliza Cristo da sua morte, a oferta de Manjares, que é o assunto desta escola bíblica, representa o Senhor Jesus na sua vida.

A oferta de Manjares apresenta o Senhor Jesus como homem, como Ele viveu, como Ele andou e como Ele serviu na terra.

Ela nos fala da humanidade pura e perfeita do Senhor Jesus.

Ela mostra, inclusive, Jesus como o perfeito amor, a perfeita sabedoria. Todo o poder estava sobre ele e ele era possuidor de todo recurso. O recurso e até mesmo a própria empatia.

Os seus ouvidos estão sempre atentos às nossas petições e a sua mão de poder está aberta para todas as nossas necessidades. E não há nada que o nosso coração possa desejar que não tenhamos em Jesus.

É disso que nos fala a flor de farinha. Não havia nela um grão mal moído. Nada desigual, nada desproporcional, irmãos. Nada revelava aspereza. Porque o Senhor Jesus nunca errou em suas palavras. Ele nunca teve de retroceder um passo ou retirar uma só palavra.

Essa uniformidade constante em Jesus é representada pela flor de farinha.

Por isso o azeite, na oferta de manjares, já nos fala do Espírito Santo.

A flor de farinha era amassada com azeite e sobre ela derramava-se mais azeite.

O azeite é aplicado de duas formas.

Na aplicação profética diz, mostra que a primeira forma, ou a primeira aplicação, ela vai mostrar que Jesus, ele foi concebido pelo Espírito Santo.

E a segunda, que ele foi ungido pelo mesmo Espírito Santo.

Quando Maria perguntou ao anjo do Senhor como ela conceberia, a resposta do anjo foi a seguinte, ele disse:

Descerá sobre ti o Espírito Santo e a virtude do Altíssimo te cobrirá. Pelo que também o Santo que de ti há de nascer será chamado Filho de Deus.

Como podemos ler agora na tela com todos os nossos irmãos.

Também, sobre a farinha amassada com azeite, se derramava mais azeite. E isto é figura da unção que Jesus recebeu para executar todo o seu ministério.

Antes de começar o seu ministério, o Senhor Jesus foi ao Jordão, para ali ser batizado. E ali o céu se abriu. Ali o Espírito Santo desceu sobre ele, e desceu na forma de uma pomba. Assim, ele foi ungido e ali ele foi cheio do Espírito Santo.

E, portanto, ele foi ali capacitado para realizar toda a obra do Pai.

O terceiro ingrediente da oferta de manjares é o incenso.

A base da oferta de manjares era, sim, a flor de farinha. O azeite e o incenso eram os dois principais ingredientes que eram adicionados à flor de farinha.

O azeite nos fala do poder do seu ministério, do ministério de Jesus.

O incenso já nos fala do objetivo do ministério do Senhor Jesus, que era fazer tudo para a glória de Deus, para o louvor do nome de Deus.

Todo pensamento, todo ato, toda palavra de Jesus exalava, assim, um perfume, um perfume que subia diretamente a Deus. Por isso, a oferta era de aroma agradável ou o cheiro suave.

Era exatamente o fogo do altar que fazia o incenso exalar o seu aroma.

E o fogo, o fogo nos fala das provações.

E quanto mais provado Jesus foi, mais a glória de Deus se manifestou em sua humanidade perfeita.

E mais Deus foi exaltado e glorificado.

Já o último ingrediente era o sal.

É a própria palavra do Senhor que nos fala do simbolismo do sal. Era o chamado sal do conserto de Deus, em Levítico capítulo 2, lá no versículo 13. O sal impedia a corrupção e a deterioração daquela oferta.

Por isso, o sal nos fala de um concerto eterno, um concerto permanente. E nós vamos ver uma confirmação disso na carta que Paulo escreve aos Colossenses, do capítulo 4, versículo 6, que nós podemos ler o capítulo 4, verso 6 da carta aos Colossenses, diz exatamente assim:

A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para que saibais como vos convém responder a cada um.

E assim foi com tudo que saiu da boca do Senhor Jesus. Nunca pronunciou uma palavra que não fosse perfumada com o incenso e temperada com o sal. A palavra que Jesus dizia era a palavra que vinha diretamente do Pai, a palavra de Deus.

A palavra também nos fala de dois ingredientes que não deviam constar na oferta de manjares.

Um deles era o fermento e o outro era o mel.

Ambos eram proibidos por Deus, cuidadosamente excluídos da oferta de manjares. E eram inclusive impróprios para se levar ao altar.

Nesta oferta de manjares, o fermento é símbolo da doutrina falsa. E o Senhor Jesus falou a respeito disso.

Ele disse, acautelai-vos da doutrina dos fariseus.

Jesus conta a parábola do fermento que uma mulher introduz em três medidas de farinha e a massa fica totalmente levedada.

O fermento representa, então, a falsa doutrina, aquela que contamina a pura palavra da trindade, do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Já o mel, o mel é símbolo do que é doce, aquilo que é atrativo.

Na oferta de manjares havia a plenitude do Espírito Santo, o cheiro do incenso. Havia a virtude preservada da preservação do sal, o sal preservava, mas não havia nenhum mel.

Nenhum sentimento humano, nenhum terreno carnal impediu que a obra do Pai tivesse o primeiro lugar na vida de Jesus.

A Palavra de Deus já é doce em si mesma, aleluia! Não precisamos acrescentar o que é sentimento humano na Palavra de Deus.

Aliás, o salmista, no Salmo 19, versículo 10, ele diz exatamente assim. A palavra de Deus, falando assim:

Mais desejáveis são do que o ouro, sim, do que muito ouro fino, mais doces do que o mel e o licor dos favos.

Então ali estava exatamente a condição da doçura da palavra do Senhor. E é notável, irmãos, que a palavra, portanto, ela é mais doce do que o mel. E essa confirmação nós vamos ver numa passagem do Evangelho de Mateus, no capítulo 12, verso 47, na qual o Senhor Jesus diz exatamente assim: Ele diz:

E disse-lhe alguém: Eis que estão ali fora tua mãe e teus irmãos e querem falar-te.

Nesta palavra, nós vemos ali que o mel foi fielmente excluído, no contexto da oferta que Jesus oferecia ao Pai, como nesta passagem citada em Mateus, quando ali a obra do Pai deveria ser realizada e Jesus estava realizando a obra do Pai.

Mas em seu lugar ali, a virtude do Espírito Santo, o cheiro do incenso e as virtudes do sal, elas apareciam perfeitamente.

Jesus não deixou misturar a doçura do mel naquilo que representava para Ele algo tão atrativo, mas Ele continuou exalando o verdadeiro perfume na presença do Pai.

Por isso, agora, nós vamos cantar um louvor que mostra a forma como o Senhor Jesus fez ascender a presença do Pai o perfume suave da sua vida.

Seu corpo cansado pelas caminhadas.

[LOUVOR]

GERSON BELUCI

Nós vamos dar continuidade a esse assunto tão glorioso, que é a oferta de manjares. E o segundo aspecto desta oferta é a forma como esta oferta era preparada.

Como nós LEMOS na apresentação anterior, que o pastor Gilson fez. Isto era uma oferta feita pela ação do fogo.

Era uma oferta, podemos dizer, uma oferta queimada.

Ela poderia ser frita numa frigideira, cozida numa panela ou assada no forno.

E os irmãos podem ler, eu convido os irmãos a lerem Levítico, capítulo 2, dos versos 4 até o verso 7. Está escrito, vamos ler:

E quando ofereceres oferta de manjares, cozida no forno, será de bolos a asmos, de flor de farinha, amassados com azeite, e coscorões asmos untados com azeite.

E se a tua oferta For de manjares, cozida na caçoula – caçoula era uma panela, uma caçarola com tampa – será da flor de farinha sem fermento, amassada com azeite.  Em pedaços a partirás e sobre ela deitarás azeite. Oferta é de manjares.

E se a tua oferta for de manjares da sertã – que é uma frigideira – far-se-á da flor de farinha com azeite.

Muito bem, meus irmãos, então o processo de cozedura dessa oferta nós observamos que é pelo calor do fogo e isso nos fala de sofrimento, nos fala de provação.

A FRIGIDEIRA nos fala do sofrimento claro e patente a todos, todos olham para a frigideira e veem que o que está lá dentro, não é verdade?

Já com a PANELA OU A CAÇAROLA, só os mais próximos têm acesso ao levantar a tampa e ver o que se passa lá dentro.

E no FORNO é aquele sofrimento que só a pessoa sabe e mais ninguém, né?

É uma aplicação daquilo que nós acabamos de ler nesses versículos.

Quando nós aplicamos isso ao Senhor Jesus, meus amados, como acabamos de cantar nesse hino com a letra tão clara que nos mostra que Jesus sempre viveu sobre, ou sob, os sofrimentos causados pelos nossos pecados, pelo pecado do homem.

Alguns destes sofrimentos eram claros e patentes, inclusive quando Ele chorou pela morte de Lázaro. E até os judeus que estavam por perto observaram e eles disseram: vede quanto o amava. E os irmãos podem conferir isso lá no Evangelho de João, no capítulo 11, no verso 36.

E outros sofrimentos, só os discípulos participaram porque eram sofrimentos que apenas aqueles que estavam ao seu redor podiam observar. Como por exemplo, quando Jesus precisou fugir para não ser apedrejado, ou preso, e o evangelista registra isso com propriedade.

O estilo de vida do Senhor Jesus, como nós acabamos de cantar e a Bíblia demonstra, Jesus não tinha onde reclinar a cabeça. As aves dos céus têm os seus ninhos, as raposas têm os seus covis, mas o filho do homem não tem onde reclinar a cabeça. Ele dizia isso, observado pelos seus discípulos ali. A aprovação que não foi vista, meus irmãos, nem entendida pelos discípulos, nos fala da antecipação da sua morte. Foi o levar dos nossos pecados sobre si. Ele que nunca havia pecado, Jesus nunca pecou. Ele mesmo desafiava os religiosos, aqueles que o cercavam. Quem de vós me acusa de pecado? E sempre havia vivido em comunhão com o Pai, mas essa comunhão teria sido afetada, podemos dizer, até rompida por causa dos nossos pecados.

Que coisa terrível, não, meus irmãos?

Quando Jesus se afastou dos seus discípulos para orar, foi outra experiência. Os discípulos não resistiram, dormiram, mas Jesus continuava em oração. Ele orava intensamente e suava gotas de sangue.

Essa versão que nós usamos, a versão revista e corrigida, ela nos mostra lá em Lucas 22:44, que Jesus suou grandes gotas de sangue, mostrando o seu sofrimento intenso. E poucos viram, né? Os discípulos praticamente estavam dormindo ali e não viram isso. Nada poderia ser mais aflitivo, meus irmãos, e constrangedor para uma alma como a do Senhor Jesus, santa, pura, em eterna comunhão com o Pai, do que ser afastado do Pai pelo peso dos nossos pecados, E isso o levou a expressar aquele momento de intensa dor física. Mas eu creio que a dor da alma foi muito maior quando ele disse, Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?

E até antes que o Senhor Jesus nos revelasse isso, nem nós mesmos tínhamos esse entendimento, meus irmãos.

Muitos desses sofrimentos nos foram revelados pelo Senhor até antes de conhecermos essa obra, essa obra revelada pelo Espírito Santo, essa obra que nos mostra a palavra viva, a palavra revelada.

Só entendíamos o sofrimento físico da morte, da crucificação em si, da humilhação, mas nunca nada nos havia passado pelo pensamento, foi preciso o senhor revelar esses detalhes gloriosos.

E nós podemos dizer, meus amados, essa palavra trazida, porque além de entendermos o simbolismo dessa oferta de manjares, ela nos ensina uma lição. Nós temos em Jesus, o nosso Senhor, o nosso Salvador, uma identificação. Nós somos corpo de Cristo, nós somos a sua igreja.

E o apóstolo Paulo nos diz isso, que DEVEMOS SER IMITADORES DELE, como ele era… Devemos ser imitadores como Paulo era de Cristo.

Então Jesus, meus queridos, diante desse ensino maravilhoso, JESUS É O NOSSO EXEMPLO. Ele é o nosso alvo e nós podemos dizer como Paulo: se com ele morremos, com ele também viveremos. Aleluia.  Está lá em Timóteo, 2 Timóteo 2:11.

Então hoje, qual é a nossa posição? Devemos nos colocar no altar para sermos queimados pelo fogo, queimados pelo fogo como uma oferta e uma oferta como essa, oferta de cheiro suave ao Senhor.

Em nossas vidas, constituídas de uma pura flor de farinha, sem fermento, como ouvimos há pouco, nem mel, ou seja, uma oferta pura de Jesus, o pão da vida, o pão vivo que desceu do céu.

Nós observamos nessa oferta, Jesus foi duplamente ungido, mas aqueles que dele se alimentam, como nós hoje, o Senhor tem dado uma benção maravilhosa, a porção dobrada do seu Espírito.

Nós temos recebido a salvação, mas o Senhor também nos batiza com o Espírito Santo.

Então, quando a prova do fogo vem, porque a nossa oferta tem que ser queimada, não é verdade? Passada pelo fogo, o fogo realiza através da sua ação, a presença do incenso e faz exalar o bom cheiro.

E o Senhor mostra, meus amados, que esta é a verdadeira adoração, a adoração que agrada ao Senhor. Então, quando nós enfrentamos as nossas lutas, que são próprias dessa vida, todos nós temos as nossas lutas, nós nos deixamos queimar com esse fogo para que o bom perfume de Cristo seja sentido por todos aqueles que estão ao nosso redor.

Porque a nossa expressão de louvor em meio às lutas traz a virtude e um poder diferentes e todos podem sentir o cheiro dessa prova, que na verdade não é o nosso perfume ou o nosso cheiro, mas é o bom cheiro de Cristo.

Então, a oferta de manjares, meus irmãos, nos fala de uma concessão destinada a todos, destinada ao pobre, ao israelita que se alimentava apenas de pão e de bolos.

Significa que essa oferta podia ser feita por qualquer pessoa, por qualquer um de nós A oferta mínima, a Bíblia diz que era de um décimo, de um efa. Um efa era uma porção pequena, próximo de dois litros, dois litros e duzentos mililitros, alguma coisa próxima disso, era uma pequena oferta.

E isso bastava, bastava um pouquinho para ofertar ao Senhor.

Era algo, meus irmãos, que todo israelita podia ter em sua mesa. Vejam que coisa interessante. E o que isso nos fala? Nos fala da nossa vida diária, do nosso sofrimento que naturalmente nos traz muitas dores, mas nos faz… e que faz parte dessa vida. Então, nós suportamos o fogo, a prova, mas o bom cheiro de Cristo exala das nossas provações.

Então a oferta, meus irmãos, é de grãos. E quando a gente fala disso, nós lembramos de algo que nós recebemos do Senhor Jesus. O grão que morrendo ressuscitou, que deu a vida para muitos, e Ele mesmo nos afirma, os irmãos podem ler o texto que está em João, capítulo 12, verso 24, que diz:

Se o grão de trigo caindo na terra não morrer, fica Ele só. Mas se morrer…

Como foi o caso do Senhor Jesus, ele morreu, ele ressuscitou, e o texto diz:

…mas se morrer, produz muito fruto

Louvado seja o nome do Senhor, por isso.

Então, cada irmão que está presente aí na igreja, aqui conosco, cada irmão já passou, ou está passando, ou vai passar por provas, provações desse tipo, lutas, a Bíblia fala até do dia mau, nós estamos sujeitos a isso!

Todos temos um peso, um problema ou vários problemas que dificultam a nossa caminhada. Todos nós temos os nossos sofrimentos, meus irmãos.

Mas todos nós devemos e temos o que ofertar ao Senhor.

Não importa o calor do fogo, não importa se o nosso sofrimento vai ser exposto, revelado, parcialmente ou totalmente, ou encoberto.

O Senhor vai aceitar, vai aceitar todos como oferta, oferta de cheiro suave, uma oferta de manjares, quando no meio do fogo intenso sobre as nossas vidas, o meu problema vai revelar Jesus em mim.

E quem é Jesus pra mim, diante da prova?

Você vai dizer, não, Jesus é rei, é o meu Senhor, é o Senhor da minha vida.

Então se estamos debaixo da palavra de Deus, o Senhor deu a receita dessa oferta. Esta é a revelação: flor de farinha amassada com azeite.

Nós temos que levar nosso problema ao Senhor e só assim vamos conhecer o Senhor Jesus no Seu poder, na Sua glória, na Sua majestade.

Ofereça a sua vida agora para que Ele possa usar você para glória e honra do Seu nome.