GEDELTI: O REI RUIM? NOVA NARRATIVA DA IGREJA MARANATA
ANÁLISE CRÍTICA DA EBD DA IGREJA CRISTÃ MARANATA — 14/12/2025
Por Solon Pereira – Projeto Análise | Celeiros
Vídeo de referência: https://www.youtube.com/watch?v=9_fGSI8YNvc
A degravação da mensagem consta integralmente deste texto, após nossos comentários.
Introdução
A Escola Bíblica Dominical da Igreja Cristã Maranata (ICM) do dia 14 de dezembro de 2025 deu continuidade ao estudo sobre o tabernáculo, com ênfase especial no altar do holocausto.
À primeira vista, o conteúdo apresentado por Alexandre Gueiros, Gilson Sousa e Marcelo Ferreira pareceu profundamente cristocêntrico, ressaltando o sacrifício de Cristo, o valor do sangue e a centralidade da cruz.
Entretanto, uma análise mais cuidadosa — bíblica, ética, teológica e filosófica — revela problemas recorrentes já observados em outras EBDs: alegorizações sem controle exegético, deslocamento do foco do arrependimento para mecanismos rituais, centralização autoritária do ensino e instrumentalização do discurso da cruz para legitimar práticas institucionais questionáveis.
Este artigo se propõe a examinar criticamente os principais pontos da EBD, sem caricaturas, mas também sem concessões, à luz das Escrituras e dos fatos recentes que envolvem a própria ICM.
1. O tabernáculo como “habitação” e a ambiguidade institucional
Alexandre Gueiros voltou a afirmar que o tabernáculo, por significar “habitação”, aponta para a realidade de Deus habitando com o seu povo e, na Nova Aliança, para Cristo habitando na sua igreja. Em termos estritamente bíblicos, essa afirmação é verdadeira: o Novo Testamento ensina que os crentes são templo do Espírito Santo e que “Cristo em vós” é a esperança da glória.
O problema não está na doutrina em si, mas no contexto institucional em que ela é enunciada. Em um ambiente onde a ICM frequentemente se apresenta como expressão singular ou privilegiada da “igreja”, a afirmação de que Deus habita “na sua igreja” adquire uma ambiguidade perigosa. Uma verdade universal pode, na prática, funcionar como reforço de exclusivismo religioso, deslocando o foco do coração regenerado do indivíduo para a pertença institucional.
Do ponto de vista ético e espiritual, esse tipo de ambiguidade favorece a confusão entre comunhão com Cristo e submissão à estrutura organizacional.
2. Conhecer Jesus, mas em que ordem?
Alexandre Gueiros também afirmou que o aprofundamento no conhecimento de Jesus, promovido pela EBD, evitaria que os crentes “caiam em terra” diante da glória do Senhor, como ocorreu com João em Apocalipse 1. A intenção declarada é positiva: conhecer mais a Cristo.
Contudo, surge aqui um problema de ênfase e de pedagogia do Evangelho. A EBD da ICM insiste em apresentar Jesus prioritariamente a partir de sua glória, de seu poder e de sua obra expiatória, mas negligencia sistematicamente a dimensão ética do discipulado: o ensino de Jesus sobre pecado, arrependimento, reconciliação, misericórdia, verdade e justiça, especialmente no Sermão do Monte.
Biblicamente, a cruz não é um atalho que contorna o arrependimento; ela é a resposta de Deus a um problema que precisa ser reconhecido. Quando se fala intensamente de salvação sem confrontar o pecado concreto — inclusive os pecados institucionais — corre-se o risco de produzir uma espiritualidade de alívio de culpa sem transformação de vida.
3. “Não avancem no estudo”: centralização e controle do ensino
Ao final de sua participação, Alexandre Gueiros “recomendou” que os pastores locais não avancem no estudo do tabernáculo além do que é apresentado na EBD central. Embora o termo utilizado seja “recomendação”, o efeito prático é claro: padronização rígida e controle doutrinário.
Essa orientação evidencia que os pastores das igrejas locais continuam sem liberdade real para ensinar as Escrituras segundo as necessidades espirituais de suas comunidades. O ensino bíblico torna-se um produto centralizado, e o pastor local, um mero retransmissor.
Do ponto de vista filosófico e eclesiológico, isso empobrece o corpo de Cristo e enfraquece a responsabilidade pastoral, além de deslocar a autoridade prática da Escritura para a liderança central.
4. Gilson Sousa: leitura roteirizada e alegorias frágeis
A participação de Gilson Sousa chamou atenção pelo formato claramente lido e ensaiado, sugerindo uma mensagem previamente estruturada e alinhada ao discurso central. Isso, por si só, não é pecado, mas reforça a percepção de controle rigoroso da narrativa.
4.1 A imposição de mãos sobre o animal
Gilson afirmou que o ofertante, ao impor a mão sobre a cabeça do animal, indicava que ele morreria em seu lugar. Embora a ideia de representação vicária esteja presente nos sacrifícios, especialmente nas ofertas pelo pecado, essa explicação simplifica excessivamente um ritual complexo. Em Levítico 1, a imposição de mãos está ligada à identificação e à aceitação da oferta, não a uma transferência mecânica de culpa em todos os casos.
4.2 Madeira e bronze: alegoria sem base textual
A afirmação de que a madeira do altar representa a humanidade de Jesus e o bronze sua divindade e a dureza da justiça divina carece de qualquer fundamento exegético sólido. Trata-se de alegorização livre, que pode soar piedosa, mas não nasce do texto bíblico. Quando esse tipo de simbolismo passa a fundamentar doutrina, o risco de distorção é elevado.
Além disso, Gilson já prepara o terreno para deslocar o foco do sacrifício bíblico para a doutrina particular da ICM sobre o “poder do sangue”, abrindo caminho para o que viria a seguir.
5. Marcelo Ferreira e a consolidação da doutrina do “clamor”
É com Marcelo Ferreira que o ensino atinge seu ponto mais sensível.
5.1 Reis maus, obra contínua e ausência de arrependimento
Ao afirmar que todos os reis e profetas falharam, exceto Jesus, Marcelo toca numa verdade teológica. Porém, quando essa afirmação é colocada em paralelo com discursos recentes que sugerem que “a obra de Deus não foi interrompida” apesar das falhas humanas, surge um problema grave: a normalização do pecado da liderança sem confissão, arrependimento ou reparação.
Na Bíblia, reis maus não são tratados como meros detalhes irrelevantes; eles conduzem o povo à idolatria e à injustiça, e sua atuação frequentemente resulta em juízo. A restauração só ocorre quando há arrependimento, confissão e retorno à aliança. Ignorar esse padrão bíblico é construir uma narrativa que protege a instituição, mas viola a ética do Reino.
5.2 Do altar à cruz — e da cruz ao “clamor”
Marcelo insiste que “tudo começa no altar” e transporta essa ideia para a cruz. Até aqui, a analogia é aceitável. O problema surge quando ele afirma categoricamente: “Tudo começa no clamor, quando o sangue é clamado. Nada se inicia antes.”
Essa afirmação não é bíblica. O Evangelho não começa com uma fórmula verbal, mas com o chamado ao arrependimento e à fé. Transformar o altar em fundamento para um “clamor contínuo pelo sangue” é deslocar o eixo da fé cristã da obediência e da transformação para um mecanismo devocional repetitivo.
5.3 O fogo do altar e o suposto “batismo com fogo”
Marcelo ainda associa o fogo que desceu do Senhor em Levítico 9 ao batismo com o Espírito Santo. Essa leitura ignora que, no contexto levítico, o fogo simboliza a aceitação divina do sacrifício, e não uma experiência carismática. Além disso, a expressão “batismo com fogo”, nas palavras de João Batista, está ligada ao juízo, e não a uma bênção extática.
5.4 Holocausto contínuo e clamor contínuo
Por fim, Marcelo afirma que o holocausto contínuo mantinha o fogo aceso e conclui que, hoje, o “clamor contínuo pelo sangue” manteria o Espírito Santo operando. Trata-se de uma mudança ilegítima de categoria: de um ritual levítico tipológico para uma prática verbal institucionalizada.
Essa teologia gera dependência, ansiedade espiritual e a ideia de que, sem o clamor correto, Deus não age — uma concepção estranha ao Evangelho da graça.
6. O encerramento e o problema real
Alexandre Gueiros encerrou a EBD com uma oração simples, sem a tradicional “bênção apostólica”. Ainda que isso possa ser visto como resposta a críticas recentes, o verdadeiro problema não está na forma da oração, mas na ausência de sinais concretos de arrependimento institucional.
Não há notícia de confissão pública, pedido de perdão aos ofendidos, reparação de danos, cessação de perseguições judiciais ou revisão do discurso exclusivista. Ajustes litúrgicos não substituem justiça, misericórdia e verdade.
Conclusão
A EBD da ICM de 14/12/2025 revela, mais uma vez, uma teologia que fala intensamente de cruz, sangue e glória, mas que evita enfrentar o ponto central do Evangelho: arrependimento que gera frutos dignos.
Quando o sacrifício de Cristo é usado para justificar práticas institucionais incoerentes, quando o “clamor” substitui a obediência e quando a “obra” é preservada à custa da verdade, não estamos diante de um aprofundamento espiritual, mas de uma religiosidade funcional, eficaz para manter estruturas, porém distante do ensino de Jesus.
A cruz não é um álibi para a injustiça; ela é o chamado mais radical à verdade, à reconciliação e à transformação.
DEGRAVAÇÃO DAS MENSAGENS
GILSON SOUSA
Nós cumprimentamos a todos com a paz do Senhor Jesus. Estamos aqui para apresentar a Escola Bíblica Dominical da Igreja Cristã Maranata e a partir deste instante nós entramos em rede com a nossa transmissão via satélite para que os nossos irmãos recebam lá nas igrejas onde estão, em culto presencial, esta Escola Bíblica Dominical.
E nós agora gostaríamos de convidar os irmãos, onde estiverem, para estarmos agora todos de pé, porque vamos ler a Palavra de Deus. Vamos ler na Palavra de Deus, Colossenses 1, verso 27. Este texto foi uma carta que Paulo escreveu à igreja lá aos Colossenses, para falar a respeito do que representa para nós o tema da nossa escola bíblica dominical, que é o Senhor Jesus no Tabernáculo.
E o texto bíblico que vamos ler diz assim, leiamos, todos juntos, o texto bíblico que diz assim:
Aos quais Deus quis fazer conhecer quais são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vós, esperança da glória.
Amém.
Ainda de pé, oremos ao nosso Deus. Senhor nosso Deus, nós clamamos pelo poder que há no sangue do Senhor Jesus e suplicamos uma bênção sobre nós no estudo desta manhã, para que a Tua Palavra penetre no nosso coração e que o nosso coração Senhor seja nesta manhã um solo fértil para receber a semente da Tua Palavra e os frutos serem colhidos para o louvor e a glória do Teu Santo Nome. Nós oramos a Ti em nome do Senhor Jesus. Amém. Glória a Deus. Irmãos podem sentar.
ALEXANDRE GUEIROS
A paz do Senhor, irmãos.
Aqui estamos para dar prosseguimento a essa série de estudos sobre o Senhor Jesus no tabernáculo.
Repetindo aquilo que temos dito em outras escolas bíblicas, que é o seguinte: o tabernáculo foi construído por determinação de Deus para que ele pudesse habitar no meio do seu povo, Israel.
O Senhor habitou no Velho Testamento no tabernáculo e posteriormente no templo construído por Salomão.
E nós já vimos claramente como na Nova Aliança, no Novo Testamento, o Senhor deseja habitar num tabernáculo diferente. Porque tabernáculo, em hebraico, significa habitação. E nesse contexto exato, tabernáculo nos fala da habitação de Deus conosco.
E na Nova Aliança, nós sabemos que o próprio Filho de Deus, o Senhor Jesus, decidiu habitar conosco, habitar na sua igreja.
E é por isso que o seu nome profético, e que realmente expressa uma realidade, é que o Senhor Jesus é Emanuel, Deus conosco, Deus habitando em nós, Cristo em nós, esperança da glória.
Então, amados irmãos, nesse estudo continuaremos a conhecer mais do Senhor Jesus, mais da Sua graça maravilhosa, mais do Seu amor, mais do Seu poder que opera em favor de cada um de nós. Opera no sentido da nossa salvação, preparando-nos para morar eternamente com Ele na glória.
E, amados, é bom que nós conheçamos mais o Senhor Jesus, enquanto aqui estamos, para que não sejamos… não cairmos em terra como João caiu ao ver a glória do Senhor Jesus.
Por que? Porque já estamos conhecendo mais e mais da Sua glória, Seu poder da operação do Senhor Jesus aqui através do Seu Espírito Santo.
E finalizando, gostaríamos de somente recomendar a todos os pastores em toda parte que não avancem no estudo do tabernáculo. Não vão além do que está sendo dado na escola dominical, amém? É prudente para que não haja qualquer falha no ensino.
Nós estamos ainda no… Vamos chegar hoje ao altar. Aí não seria muito prudente ou sábio que nas igrejas os pastores já estejam ensinando sobre o candelabro, sobre o lugar santo. Não, ainda não chegamos ao altar.
Podem estar ensinando a respeito de tudo aquilo que já foi dado, confirmando o ensino, às vezes até aprofundando, mas vamos acompanhar a escola bíblica e nos limitar a ensinar aquilo que, com relação ao tabernáculo, obviamente, está sendo ensinado.
E que o Senhor continue a operar através do Seu Espírito Santo.
Vamos glorificar o Senhor com o hino, preparando-nos para o estudo de hoje.
[LOUVOR]
GILSON SOUSA
Relembremos, irmãos, agora, que aquilo que vimos na escola bíblica anterior. Nós aprendemos como a porta, o reposteiro do tabernáculo, nos fala do Senhor Jesus como a porta da salvação. E nos lembramos de que ao ouvirmos o chamado de Jesus, vinde a mim, nós aceitamos o convite e encontramos a salvação. Ao entrar por essa porta, deixamos para trás a nossa velha forma de vida, a vida do pecado, quando andávamos longe de Deus. Após entrar pela porta, nos encontramos no átrio, ou seja, no lugar que nos separou do mundo. O mundo exterior, através daquelas cortinas de linho fino, isso nos fala que nós passamos a viver agora separados do pecado pela santificação que recebemos do Senhor Jesus.
No átrio, nós contemplamos então o altar dos holocaustos, que é o grande tema desta escola bíblica de hoje. E nesse local, ali os ofertantes traziam os sacrifícios, os animais, as vítimas inocentes, que seriam imolados como holocaustos e como oferta pela culpa, pelo pecado, pelas ações de graças.
E cada oferta oferecida no altar tinha um objetivo, que era de atender a uma necessidade do ofertante.
Ao trazer aquele animal, aquela vítima inocente, o ofertante colocava sua mão sobre a cabeça da vítima, indicando que o animal morreria em seu lugar, conforme descrito em Levítico, capítulo 1, verso 4.
E ali tratava-se de um animal perfeito, não podia ter defeito físico. Para ali representar o Senhor Jesus, que veio ao mundo e viveu neste mundo sem pecado.
Todos esses sacrifícios antecipavam simbolicamente, ele simbolizava ali a morte do Senhor Jesus, lá na Cruz do Calvário, porque lá estava o verdadeiro altar dos holocaustos, representado ali naquela Cruz do Calvário.
Podemos ver, por exemplo, o significado do próprio nome, altar. O altar dos holocaustos. Altar é uma palavra que significa levantado, ou seja, lugar alto.
Assim nos lembramos da palavra que o Senhor Jesus falou várias vezes ali nos evangelhos, especialmente no evangelho de João, quando ele disse assim: quando eu for levantado, atrairei todos a mim – capítulo 12, no verso 32, ele fala a respeito disso.
Também o apóstolo João testemunha de que Jesus dizia: assim importa que o filho do homem seja levantado.
Outro texto, em João, capítulo 8, verso 28, ele diz: quando levantardes o Filho do homem, então conhecereis quem eu sou. É notável isso, porque aquelas vítimas inocentes que eram mortas em lugar do ofertante culpado, elas representavam ali exatamente a vida do ofertante.
Assim também o Senhor Jesus, quando Ele morreu na cruz do Calvário, como nosso representante, Ele ali estava em nosso lugar. Ele morreu em nosso lugar e assim consumando a obra da nossa salvação.
O altar era, portanto, a expressão máxima do juízo de Deus, mas, ao mesmo tempo, a expressão máxima do amor de Deus. Nele estava a severidade de Deus com relação ao pecado. Mas, por outro lado, também, a graça de Deus e o amor de Deus em favor do pecador. Como nos diz a palavra de Deus, o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor.
E ali, naturalmente, em Romanos capítulo 6, verso 23, o apóstolo Paulo fala daquilo que o Senhor Jesus havia dito no capítulo 3 de João, verso 18, quando ele diz assim: quem nele crer não é julgado, mas quem não crer já está condenado.
Essa expressão fala aí naturalmente a respeito da graça e da misericórdia do Senhor. No juízo sobre o pecado, Ele poupa o pecador.
Surge agora a pergunta. Como foi que o Senhor Jesus fez de nós, pecadores, seus filhos e seus servos, santos e dignos de receber a vida eterna? Como isso aconteceu?
Isso aconteceu, como diz o salmista no Salmo 139, no versículo 14, ele diz assim o salmista: porque de uma forma terrível e maravilhosa me formaste.
Essa expressão, ele diz, eu te louvarei porque de um modo terrível e tão maravilhoso fui formado. Maravilhosas são as tuas obras e a minha alma o sabe muito bem.”
É notável essa expressão, porque naturalmente ali estava uma morte que foi terrível para o Senhor Jesus, mas ela revela um amor maravilhoso pelo pecador.
Atentemos então agora, irmãos, para uma grande verdade.
Todos os sacrifícios oferecidos no altar, eles representavam a oferta única que foi oferecida no altar do Gólgota pelo Senhor Jesus em favor das nossas vidas. Quem confirma isto é o apóstolo que escreveu a carta aos hebreus do capítulo 9, versos 25 e 26.
Quando ele usa uma expressão ali no texto dizendo sobre essa oferta, ele diz assim: Jesus se ofereceu uma só vez por nós, nem também para si mesmo se oferecer muitas vezes, como o sumo sacerdote cada ano entra no sacerdote com sangue alheio. E ali o versículo diz assim: oferecendo-se a si mesmo uma vez por nós.
O sacrifício de Jesus foi então prefigurado como representado pelo incontável número de animais oferecidos no Velho Testamento. Milhares e milhares de animais oferecidos. Ali estava uma figura daquele que uma vez só como Cordeiro de Deus se ofereceu por nós.
Mas vejam agora o poder do sacrifício do Senhor Jesus, que é o poder do seu sangue.
Com a sua morte, o Senhor Jesus resolveu o problema do pecado de todos os crentes da velha aliança, que haviam obedecido e oferecido aqueles sacrifícios, confiando que aqueles sacrifícios foram ordenados por Deus.
Mas esse poder também é suficiente para conquistar o perdão para todos nós, os crentes da nova aliança, desde o Pentecostes até a vinda gloriosa do Senhor Jesus.
Então nós vamos fazer agora uma pausa para considerar o material usado no altar: Madeira e bronze.
Isso nos fala de Jesus homem, na forma da madeira.
Mas também nos fala de Jesus Deus, na forma do bronze ou do cobre.
Fragilidade por um lado, por outro lado, a dureza da justiça divina.
Isso nos lembra o episódio relatado por João, no capítulo 18, verso 6. Quando diz assim: quando pois lhes disse: sou eu, recuaram e caíram por terra.
Era um homem que como homem tinha sua fragilidade, mas aquilo que saía do seu interior, ali estava a dureza, a força e o poder vindo da parte de Deus.
Portanto, nós aprendemos que no altar dos holocaustos eram oferecidos ali sacrifícios, que o ofertante pudesse com esses sacrifícios, receber o perdão dos seus pecados e a reconciliação com Deus, podendo tornar-se, a partir dali, servo de Deus.
Esses sacrifícios eram o sacrifício pelo pecado, pela culpa, pela paz, pelas ações de graças oferecidas ali, de comunhão e também de consagração.
Este era o altar do Holocausto.
Vamos cantar louvando ao nosso Deus.
[LOUVOR]
MARCELO FERREIRA
Nós saudamos a todos, a todas as igrejas com a paz do Senhor.
Meus irmãos, a palavra holocausto quer dizer inteiramente queimado. A oferta de holocausto significava uma entrega total.
Dos outros sacrifícios, a oferta de holocausto era a única em que todo animal, toda vítima, era colocado no altar. Nas outras ofertas, como a oferta pacífica, a oferta pelo pecado, a oferta pela culpa, partes da vítima não iam para o altar.
Na oferta do holocausto, nada da vítima era poupada. Nada era deixado para trás, apontando que Jesus se entregaria totalmente pelo homem. Jesus é a verdadeira oferta de holocausto da cruz do Calvário. Ele nos amou sem reservas. Ele se entregou por inteiro.
E apontava também, que Jesus seria o único homem que conseguiria agradar a Deus totalmente.
Os profetas, os reis, segundo o coração de Deus, que serviram e agradaram ao Senhor, sempre tiveram partes, que faltaram, que foram deixadas, que falharam. Jesus não!
Jesus foi a verdadeira oferta de Holocausto, porque Ele agradou a Deus em Sua totalidade, em tudo. Foi o homem perfeito, o homem santo.
Daí a expressão que Ele diz: eis-me aqui, ó Deus, para fazer toda a Tua vontade. Foi assim que Jesus nos amou.
Mas aonde nós podemos aplicar para nós a oferta de holocausto?
Nós, mesmo nas nossas imperfeições, nas nossas limitações, podemos decidir nos entregar totalmente àquele que nos amou. Cada irmão, cada igreja pode decidir nas suas imperfeições, viver essa oferta e se entregar ao Senhor sem reservas, sem deixar nada para trás, porque assim um dia o Senhor se entregou por nós.
Por isso a expressão do apóstolo Paulo: que nós possamos oferecer ao Senhor os nossos corpos, como sacrifício vivo, agradável e santo a Deus.
Observe, sacrifício vivo, não morto! Porque no Velho Testamento o sacrifício era morto, mas hoje nós não precisamos mais morrer, porque Jesus já morreu no nosso lugar. Então é um sacrifício vivo, vivos nós servimos, nós glorificamos, nós testemunhamos daquele que nos amou e que nos amará eternamente.
Um ponto interessante irmãos de observarmos, quando nós olhamos para o altar do holocausto, onde morria a vítima, pelo pecador, é que o altar tinha quatro pontas, ou quatro chifres, como alguns falam. Para que serviam aquelas quatro pontas? Para amarrar a vítima. Aquela vítima que ia morrer pelo pecador e que era inocente. Então ela era colocada sob o altar. E como obviamente era um momento de dor, de sofrimento, e aquela vítima ia ser degolada, ela ia reagir. É um instinto natural. Então os sacerdotes com cordas amarravam a vítima nas quatro pontas, para não fugir daquele compromisso que estava ali.
Então você viu a cena que chama a atenção. Porque a vítima inocente estava presa no altar e o pecador estava livre ao lado. Era profetizando o nosso destino porque Jesus estava preso na cruz com pregos e martelos. Com pregos na madeira, mas nós estamos livres. Ele foi preso e nós pecadores estamos livres para servir, para amar, para testemunhar e para glorificar o Deus da nossa salvação.
É interessante quando nós olhamos para o altar do holocausto, perceber que tudo começava no altar. O altar é o ponto de partida. Todo o culto Levítico, todo o culto Levítico, partia e tinha-se início naquele altar, onde o sangue era derramado.
E nós vamos ver exatamente a mesma coisa lá em Esdras. No grande reavivamento que vem no livro de Esdras. Quando eles vão reconstruir o templo e depois vão reconstruir os muros, as portas e toda a cidade de Jerusalém. A primeira coisa que foi reedificada foi o altar. Tudo começa no altar. O altar é o início de tudo.
E em Esdras, eles não começam a reedificação do templo pelas portas, pelos muros, nem mesmo pelos alicerces. A primeira coisa foi o altar, foi sangue derramado, foi o sacrifício, nos ensinando que todo o projeto de salvação do homem, todo o projeto da igreja, a cruz foi o ponto de partida.
Nada existiria, essa reunião não existiria. Não haveria louvor aqui agora. Não haveria salvação se não houvesse a cruz. A cruz foi o ponto de partida para a nossa salvação. Tudo começa ali na cruz.
E hoje nós estamos aqui para glorificar por aquele que morreu por nós. Por isso a Jesus, glória na igreja. Porque tudo começou ali. A história de redenção do homem. A história da salvação da igreja.
TUDO COMEÇA NO CLAMOR, QUANDO O SANGUE É CLAMADO.
Nada se inicia antes. Porque no clamor há vida, no clamor há perdão, no clamor há libertação, no clamor há misericórdia, no clamor nós nos reconciliamos com Deus.
Mas ainda nessa manhã nós gostaríamos de falar com as igrejas sobre dois sacrifícios que eram prestados no altar do holocausto, que era o sacrifício da manhã e o sacrifício da tarde.
Eram os dois sacrifícios, os dois horários que tinham durante o dia. O sacrifício da manhã se dava às nove horas da manhã. E o sacrifício da tarde se dava às três horas da tarde, também chamado, o último sacrifício do dia.
E aqui algo maravilhoso. Porque segundo o Evangelho de Marcos, capítulo 15, às nove horas da manhã, Jesus foi levantado da cruz. Às nove horas da manhã, Ele era crucificado. Ou seja, observe os irmãos, naquela hora, onde o sacerdote ia colocar uma vítima no altar, Jesus subia a cruz para dizer: Ele é o verdadeiro sacrifício da manhã, que nos remiu de todo o pecado.
E Jesus ficou seis horas a cruz. Ele ficou até às três da tarde. E às três horas da tarde Ele entregou ao seu Espírito e disse, está consumado.
Ou seja, às três horas da tarde, quando lá no templo o sacerdote se preparava para oferecer o sacrifício da tarde e pegava a vítima, Jesus morre na cruz, dizendo: eu sou o verdadeiro sacrifício da tarde.
Ou seja, meus irmãos, Jesus era o sacrifício da manhã e Jesus é o sacrifício da tarde, porque Jesus é o sacrifício perfeito. Absoluto. Que remiu a igreja e que nos deu veste de salvação. Que nos deu louvor, que nos deu uma glorificação àquele que nos amou.
E nós gostaríamos de encerrar falando de um ponto muito importante acerca do altar do holocausto, que foi uma ordem dada por Deus. Está em Levítico, capítulo 6. Porque ali no altar do holocausto havia um fogo aceso, onde o sacrifício era oferecido. E Deus deu a seguinte ordem a Moisés e ao povo de Israel: o fogo do altar nunca vai se apagar. O fogo arderá continuamente e nunca se apagará.
Isso também é para nós igreja, porque um dia, há uma chama que Deus acendeu no nosso coração. No dia em que nós fomos batizados com o Espírito Santo, o Senhor acendeu na nossa alma, a chama da salvação. E é uma chama que Deus quer que nunca se apague em nós, como no altar.
Interessante irmãos.
Em Levítico 9 diz que o próprio Deus, e não um sacerdote, o próprio Deus acendeu o fogo do altar do holocausto. Depois das ofertas serem colocadas, diz o texto: e veio o fogo do Senhor e a glória do Senhor encheu o tabernáculo, e veio o fogo do Senhor e o Senhor acendeu o fogo do altar. E todo o povo ficou jubiloso, e caiu, caíram as suas faces no chão.
E o que aconteceu um dia no tabernáculo, aconteceu na vida de cada um de nós. Foi o próprio Senhor, e não o homem, foi o próprio Senhor que um dia acendeu a sua chama de fogo em nós, no dia em que Ele nos batizou com o Espírito Santo.
Essa chama é a chama do Espírito Santo que arde em nós e que nos leva a testemunhar Jesus como caminho, a verdade e à vida.
Mas agora nós encontramos essa preocupação da parte de Deus com essa ordenança. O fogo não podia se apagar.
E como que o Senhor orientou? O que que o Senhor determinou para que o fogo não se apagasse?
E aí nós vamos aprender agora, que há uma ligação inseparável entre o fogo do altar e a oferta de holocausto contínuo.
A oferta de holocausto contínuo. Está em Levítico 6, versículo 12. O Senhor fala assim: que a oferta de holocausto seria contínua, ou seja, ela não parava, ela era colocada às três da manhã, no sacrifício da manhã, às nove horas, o holocausto é colocado, às três horas, depois de novo, depois de novo, depois de novo.
A oferta de holocausto não parava.
Então, era oferta de holocausto que mantinha o fogo aceso. porque o fogo ia consumindo. Por exemplo, eles colocavam a oferta do holocausto às três da tarde. E ali a oferta ficava sendo consumida até o outro dia de manhã.
A oferta era colocada às nove horas e ia sendo consumido até às três. E ela não parava, a oferta continua.
Então era a oferta de holocausto que mantinha o fogo aceso.
O que isso mostra para a igreja? Se já aprendemos que a oferta de holocausto fala da entrega total de Jesus, o sacrifício completo do único homem que agradou totalmente a Deus. O que isso nos mostra? Que se… porque se Jesus morreu por nós, o fogo nunca vai se apagar na vida da igreja. Porque se Jesus morreu por nós e agradou a Deus e satisfez a justiça de Deus, a chama que um dia, a chama do Espírito, que um dia Ele acendeu em nós, essa chama nunca vai se apagar na vida da igreja, o que nos leva a afirmar, pela morte de Jesus: sempre vai ter fogo no altar.
Sempre haverá o Espírito Santo operando, atendendo a igreja, e é obviamente irmãos, que o sacrifício de holocausto contínuo, nos faz lembrar, de um clamor constante.
É UM CLAMOR CONTÍNUO PELO SANGUE.
O tempo todo estamos clamando, porque somos dependentes, porque somos falhos, porque somos pecadores.
Mas se alguém está continuamente no clamor, o fogo está aceso. O Espírito Santo está operando.
E assim, irmãos, nós encerramos concluindo que quando nós olhamos para o altar do holocausto, quando meditamos na oferta do holocausto, nós percebemos que aquele momento foi um momento rude, a cruz foi rude.
Mas ao olhar para o altar do holocausto, nós vemos como Ele nos amou. Como Ele se entregou por nós, como Ele desejou a nossa salvação. Porque se você olhar para a cruz, ela foi rude, ela foi sofrida. Mas ali Ele pagou o preço da nossa redenção. E por isso seja o Senhor Jesus glorificado. Vamos cantar juntos.
[LOUVOR]
ALEXANDRE GUEIROS
Recebe, assim, Senhor, nossa glorificação, expressão da nossa gratidão, do nosso amor a Ti, do nosso amor ao nosso querido Salvador, o Senhor Jesus. Recebe a nossa adoração, em nome do Senhor.