Carta Aberta ao Presidente Alexandre Gueiros: Um Clamor por Reforma Genuína na ICM

Carta Aberta ao Presidente Alexandre Gueiros: Um Clamor por Reforma Genuína na ICM

31 de julho de 2025 Off Por Sólon Pereira

CARTA ABERTA AO PRESIDENTE ALEXANDRE GUEIROS 

 

Um clamor por fidelidade à Palavra, reforma genuína e coragem diante do Espírito Santo. 

 

Ao Excelentíssimo Presidente da Igreja Cristã Maranata, 


Reverendo Pastor Alexandre Gueiros, 

 

Saudações em Cristo. 

 

É com zelo pela doutrina e temor diante do Senhor da Igreja que nos dirigimos a Vossa Senhoria. Embora esta seja uma carta pública, ela carrega consigo a sinceridade de irmãos que conhecem as entranhas da estrutura e amam a Igreja do Senhor Jesus Cristo. O objetivo não é expor, mas convocar. Não é acusar, mas despertar. E não se trata de política interna, mas de fidelidade espiritual. 

 


1.    UM MOMENTO DE KAIROS: A IGREJA ESTÁ ENTRE O ABISMO E A RENOVAÇÃO ESPIRITUAL 

 

Pastor Alexandre, reconhecemos que não é por acaso que o senhor foi elevado à presidência da Igreja Cristã Maranata neste exato momento da história. É um tempo de kairos, um tempo específico e oportuno em que Deus, com sua soberania, reposiciona peças e líderes para executar correções drásticas no curso de sua obra. E a responsabilidade de fazer o que precisa ser feito recai agora sobre os ombros de quem aceita governar. 

 

Há muitos anos, a Igreja Cristã Maranata deixou de responder aos clamores do Espírito e passou a se mover quase que exclusivamente em torno da manutenção de sua própria estrutura. Em vez de se tornar uma igreja missionária, transformadora e viva, tornou-se uma máquina religiosa auto justificável. Um sistema, como qualquer outro, preocupado com a perpetuação de si mesmo, e não com a transformação de vidas e a salvação de almas. 

 

Acreditamos, com todo o temor do nosso espírito, que se as estruturas da Igreja não forem revistas agora, se a liderança não se voltar à simplicidade da Palavra e à centralidade de Cristo, o que resta é o juízo de Deus e o afastamento gradual e silencioso do Espírito Santo. E, como já dissemos em reuniões internas, uma igreja pode sobreviver por décadas sem o Espírito, desde que tenha liturgia, som e público, mas ela estará morta por dentro. Lembre-se, igrejas que negam a necessidade de reforma espiritual acabam se tornando monumentos da fé de ontem, e não expressões vivas do Cristo de hoje.

 

 


 

II. O PERIGO DE OPINIÕES TRANSFORMADAS EM DOUTRINA 

 

Durante décadas, vimos uma triste inversão de valores doutrinários. Opiniões pessoais tornaram-se práticas e, com o tempo, essas práticas foram institucionalizadas como doutrina. Isso não ocorreu de forma deliberada, mas sim gradual, sutil, como ocorre todo desvio doutrinário que nasce do hábito e da repetição. E é precisamente por isso que se tornou tão perigoso. 

 

Pastores em todo o país, sem preparo teológico, sem base bíblica sólida, passaram a repetir expressões, frases, modos e até interpretações do líder anterior da igreja, como se isso fosse “andar na mesma revelação”. A ausência de crítica bíblica, de senso de Bereia, transformou nossos presbitérios em reprodutores de pensamentos humanos com aparência de revelação divina

 

É por isso que a responsabilidade que hoje está sobre Vossa Senhoria é gigantesca: não seja imitado por sua autoridade, mas por seu caráter cristão. Seja, como Paulo, imitador de Cristo, para que a igreja possa imitá-lo com segurança (1 Coríntios 11:1). As suas palavras, posturas e decisões agora ditam o tom espiritual e teológico da Maranata. E é por isso que a nova gestão precisa ter a coragem de fazer distinção clara entre opinião pastoral e doutrina bíblica. 

 

O povo está sedento, mas não cego. Muitos estão apenas esperando um sinal, uma palavra que venha como libertação. 

 


 

III. O SISTEMA DE ORDENAÇÃO E A ASSINATURA DAS ESPOSAS: UMA PRÁTICA SEM APOIO BÍBLICO 

 

A prática de exigir a assinatura da esposa para a ordenação de um obreiro ao ministério pastoral não tem base bíblica, nem respaldo teológico. Trata-se de uma exigência de natureza ritualística, cuja origem e semelhança com estruturas maçônicas é inegável. 

 

Não se trata aqui de desonrar o papel da esposa, mas de apontar o fato de que a vocação ministerial é um chamado divino, e não um contrato conjugal. A imposição dessa assinatura transforma o que deveria ser um ato espiritual em um protocolo carnal, e isso precisa ser urgentemente revisto. 

 

Dizer que “sempre foi assim” não é justificativa. A pergunta permanece: é revelado por Deus ou apenas herdado de estruturas humanas? Se o critério não está na Bíblia, então é preciso ter coragem de removê-lo. A igreja precisa urgentemente purificar seus ritos e práticas com a água da Palavra. 

Aproveitamos para deixar um apelo claro às esposas e aos próprios diáconos e presbíteros que estão sendo levados ao ministério

 

Se vocês são fiéis a Deus, não submetam suas famílias a práticas pagãs ou extrabíblicas. Exijam do Presbitério uma resposta bíblica sobre essa exigência. Não assinem nada. Não participem dessa cerimônia enquanto ela não for extinta e substituída por um modelo que honre a Palavra de Deus. 

 


 

IV. O USO DO TERMO “UNGIDO”: UM EMBARAÇO TEOLÓGICO 

 

Com tristeza teológica e constrangimento diante do Corpo de Cristo, observamos que o termo “ungido” continua sendo usado como título ministerial dentro da Maranata. Isso está errado. Ponto. Nenhum apóstolo ou pastor do Novo Testamento jamais foi chamado de “ungido” nesse sentido. A palavra “ungido” no contexto neotestamentário refere-se a todos os que têm o Espírito Santo (2 Coríntios 1:21-22), e não a uma casta sacerdotal hierarquizada. 

 

O correto, bíblico e saudável é usar o termo Presbítero, conforme era usado pelos APÓSTOLOS. O uso contínuo da palavra “ungido” está manchando a imagem da igreja diante do mundo evangélico e nos igualando a seitas que usam a unção como instrumento de controle. 

 

Aceitar que erramos nisso não é sinal de fraqueza, mas de fidelidade à Palavra. Se ainda somos uma igreja comprometida com a verdade bíblica, devemos urgentemente fazer essa correção. 


 

V. UMA IGREJA AOS OLHOS DE DEUS: NÃO SE PREOCUPEM COM OS CRÍTICOS — MAS ABANDONEM A SOBERBA 

 

Neste exato momento, há vozes externas tentando identificar os caminhos que a nova presidência adotará. Há expectativa, sim. Mas o mais importante não é o que os críticos pensam, nem o que os grupos internos desejam — é o que Deus está pensando

 

O céu está em silêncio ou em expectativa? O Espírito Santo se entristeceu ou está prestes a agir? A presença do Senhor será sentida nas próximas decisões? 

 

É hora de rever doutrinas, ritos, práticas, comportamentos e estruturas que afastaram a igreja do Corpo de Cristo. É hora de restaurar a pregação pura da Palavra, o valor da Bíblia como única regra de fé e prática, e a glória que não divide com homem algum. 

 

E para isso, é urgente que o Conselho e os próprios pastores abandonem o ar soberbo que os acompanha. É necessário dar lugar a um comportamento manso, pastoral, acessível — que se incline tanto para os pequeninos quanto para os príncipes, sem fazer acepção de pessoas

 

É hora de aprender a pedir perdão. E também de aprender a perdoar.
Muitos pastores, infelizmente, têm usado práticas de exclusão silenciosa contra membros que expressam dúvidas ou discordâncias. Viram as costas para os que ousam questionar algo. Em vez de ensinar com paciência e mansidão, assumem a postura de donos da verdade. Mas quando confrontados, atacam os questionadores. 

 

Isso precisa acabar. 

 

Que a nova geração de pastores seja formada segundo o coração de Deus, e não segundo o padrão humano, autoritário e centralizador. Pastores não foram chamados para vigiar ovelhas e punir divergências, mas para ensinar com amor, conduzir com sabedoria e corrigir com brandura (2 Tm 2:24-25).


 

Se quisermos ver renovação espiritual, o orgulho precisa cair. 

 


 

VI. O LEGADO ESTÁ EM SUAS MÃOS: SOMENTE O SENHOR PODE FAZER ISSO 

 

Pastor Alexandre, permita-nos dizer algo com toda clareza: 


Apenas o senhor pode fazer isso. 

 

Só o senhor tem o preparo, a autoridade, a visão e os recursos necessários para deixar um legado eterno para esta igreja. 

 

Com sua bagagem diplomática, sua experiência como missionário, seu domínio organizacional e a confiança que agora deposita-se sobre sua liderança, o senhor tem a oportunidade única de fundar algo que nenhum presidente anterior sequer ousou sonhar: uma Escola de Missionários da Igreja Cristã Maranata. 

 

Mas não qualquer escola. 

 

Falamos de um centro de formação cristã sólido, bíblico, com fundamentação pentecostal sadia e visão evangelística global — capaz de preparar e enviar servos para pregar o Evangelho com ousadia, conhecimento e unção por toda a Terra. 

 

Homens e mulheres vocacionados, prontos para servir em nações, comunidades, presídios, aldeias, universidades, vilas e grandes centros urbanos — não para promover a Maranata, mas para promover o nome de Jesus Cristo

 

A Igreja já acumulou recursos por décadas. O povo confiou seus dízimos e ofertas. 

 

E sendo esta uma igreja que prega com ênfase a iminente volta de Cristo, urge que todo esse recurso seja usado com sabedoria e urgência no avanço do Reino de Deus. 

 

Pois há um risco real e escandalosose negligenciarmos o chamado missionário agora, há o perigo de que todo esse recurso acumulado seja deixado para o Anticristo após o arrebatamento da Igreja. 


De que terá valido então os dízimos e ofertas? 


Se não cumpriram seu propósito no Reino, serão tragicamente entregues à administração das forças malignas. E isso será um legado vergonhoso para uma igreja que dizia esperar o Noivo. 

 

A pergunta que agora paira sobre o Conselho é: o que será feito com esse recurso?

 

Será que veremos finalmente os frutos de uma obra missionária mundial? 

 

Essa é a hora. Esse é o chamado. Essa é a oportunidade. 

 

E só o senhor, Presidente Alexandre Gueiros, pode conduzir esse projeto. 

 


 

VII. UM VOTO DE CONFIANÇA E UMA POSTURA DE VIGILÂNCIA 

 

Confiamos — mas não estamos cegos. Esperamos — mas não estamos passivos.

 

O povo de Deus amadureceu. Muitos já não se calam. 


E nós, como grupo reformista, continuaremos vigilantes, dentro do Conselho e nas igrejas, denunciando o erro, clamando por santidade, e exortando com amor. 

 


 

 

 

CONCLUSÃO 

 

Pastor Alexandre, não o vemos como um político eclesiástico. 

 

Vemos um homem que foi colocado onde está por uma razão que transcende sua história. 

 

E justamente por isso, rogamos: 

 

Faça o que Deus espera — não o que os homens querem. 

 

Rasgue decretos antigos. Quebre paradigmas humanos. Reforme o que precisa ser reformado. 

 

E que, ao final, o testemunho não seja que o senhor foi um grande gestor,
mas que foi um servo fiel. 

 


 

Com reverência, temor e amor pela Igreja de Cristo, 

 

Grupo Reformista da Igreja Cristã Maranata 


“E disse-me: Filho do homem, vai, entra na casa de Israel, e dize-lhes as minhas palavras.” – Ezequiel 3:4 

 

Esta carta foi escrita sob oração, com base bíblica, teológica e pastoral, por servos comprometidos com a verdade e a renovação espiritual da igreja.  

 

A autoria permanece anônima por motivos de preservação e discernimento, mas cada palavra aqui expressa um compromisso público com o Reino de Deus.